Desemprego é pobreza e aviltamento !

LICENCIADOS  DESEMPREGADOS  !

Leonor Paiva Watson (JN)

 

"São milhares os jovens licenciados desempregados e milhares os que enfrentam, depois, anos de precariedade. Para quem não estudou é, para a maioria, ainda pior, porque a precariedade ou a economia informal parecem as únicas respostas.

E isto é pobreza.

Os jovens são um dos grupos mais vulneráveis à pobreza. Dizem os especialistas que, se por um lado, são constantemente convidados e obrigados a consumir, por outro, não têm meios para o fazer.

 

A sua entrada na vida adulta, isto é, a sua autonomia face à família, é feita cada vez mais tarde e por tentativa/erro. "Saem de casa, mas acabam por regressar. Acreditaram, a dada altura, que já tinham alguma autonomia, designadamente laboral, e perceberam, depois, que não. Isto reflecte-se a outros níveis, designadamente ao nível da conjugalidade", avança o sociólogo e etnógrafo Luís Fernandes.

 

Os números do desemprego dispararam, chegaram ao valor histórico de 10%. Os jovens são dos grupos mais afectados. Nunca tanto se ouviu falar de precariedade, depois de pensarmos que esta era uma realidade do passado, de um passado onde não havia direitos.

Contratos a cinco dias, por exemplo, não são já novidade. E recibos verdes falsos são já uma constante (até na função pública).

Para não falar de horas extraordinárias que não são pagas e de bancos de horas que resultam em jornadas de dias de trabalho sem dormir.

Onde está o Estado social?" O Estado social transformou-se em neo-liberal.

 

A forma como os estados ocidentais organizam a sociedade proporciona tudo isto e enquanto continuarmos com estados neo-liberais será assim", aponta Luís Fernandes. Não poderia o Estado ser um regulador do mercado e não seu cego aliado?

Não poderia o capitalismo ser menos neo-liberal?

Não é esta uma opção que cabe exclusivamente aos estados?

A continuar assim, que futuro para os nossos filhos?

"Os jovens da classe média e classe média alta ainda têm os pais a ajudá-los, ou seja, não se nota tanto a precariedade a que estão votados. Mas quando eles forem pais, como vai ser?", questiona o sociólogo.

 

E os jovens das camadas mais desfavorecidas?

Aqueles que não estudaram, aqueles cujos pais já sofreram na pele a desindustrialização e que já foram excluídos da economia formal?

"Para esses jovens, o mundo do trabalho é uma miragem. Estão condenados a trabalhos desqualificados, com muito baixos salários, ou às economias informais. Para esses, a perspectiva é sempre de curto prazo. Não há futuro, não há planos, porque não há condições económicas para haver planos", responde.

A sociedade vai perdendo direitos progressiva e rapidamente e, ao mesmo tempo, "assistindo a um discurso económico e político que simula racionalidade", diz. Mas poderá ser racional aos olhos de alguém uma economia onde uma grande parte da sociedade está insatisfeita e incapaz de fazer frente às necessidades que o próprio sistema impõe? Será isto uma gestão racional das coisas? "

 

As consequências são dramáticas. O desemprego e a precariedade são problemas económicos e sociais muito graves. Os casos de depressão, só para dar um exemplo, aumentam e os custos disto - para a família, para o empregador, para o próprio sistema social, que vai acabar a pagar tudo - são enormes", exemplifica este sociólogo."

- por A.Brandão Guedes em 13:47 http://bestrabalho.blogspot.com/  , 2010.04.06



Publicado por Xa2 às 08:05 de 12.04.10 | link do post | comentar |

5 comentários:
De e os bancos a lucrar ... a 12 de Abril de 2010 às 14:48
Taxa global sobre os bancos
Governo deixa cair proposta de taxa especial sobre os bancos
por Luís Reis Ribeiro, Publicado em 06 de Abril de 2010

Gordon Brown sente que vai haver acordo, mas só em 2011 é que alguma coisa poderá mudar na prática

O governo português deixou cair a proposta que visava "criar um fundo de cobertura de risco sistémico", que supostamente, seria financiado pelos bancos. A medida surgia no programa eleitoral do PS e no programa de governo, mas já não aparece no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) até 2013. No PEC da Alemanha, por exemplo, este compromisso é assumido.

Isto acontece numa altura em que Reino Unido, França e Alemanha, os três países mais poderosos da Europa, começam a convergir para um acordo que tentará impor uma taxa sobre os balanços dos bancos de modo a financiar um fundo global para cobertura de riscos futuros, como pretende a Alemanha. Ou, pelo menos, para ajudar a pagar a despesa em que incorreu o governo para salvar bancos e seguradoras, como acontece nos Estados Unidos. O i procurou saber qual a posição actual do ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, sobre o assunto, mas tal não foi possível até ao fecho da edição.

No programa com que ganhou as eleições, o governo português afirmou que iria "criar um fundo de cobertura de risco sistémico, numa perspectiva de responsabilidade de longo prazo, reforçando a capacidade de acomodação de eventos adversos de grandes proporções". Esta frase viria a ser repetida depois da vitória eleitoral. Parecia ser aquilo que o executivo liderado por Angela Merkel está a planear fazer na Alemanha, mas que ainda terá de ir à reunião do G20 (as 20 maiores economias do mundo).

No PEC português, o documento que concretiza as medidas que o governo quer realizar até final da legislatura (2013), a questão da criação de um fundo financiado através de um mecanismo de taxa especial sobre os bancos não é referida. Os temas da regulação, da supervisão ou dos riscos futuros para a estabilidade financeira também não são mencionados.

Já o PEC alemão é bem mais esclarecedor. Diz que "estão planeadas medidas legais de modo a assegurar a estabilidade dos mercados financeiros mesmo em períodos de crise nas grandes instituições de crédito". E acrescenta que "no futuro a regulação será alargada" de maneira a "alcançar um grau suficiente de capitalização e a prevenir uma tomada de risco excessiva" por parte de bancos e outras entidades financeiras.

A decisão final do G20 só deverá acontecer na cimeira de Novembro, na Coreia do Sul, escrevia ontem o "Financial Times", citando o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown. Na prática, só em 2011 é que os Estados podem começar a recuperar algum do dinheiro gasto no combate a crise. É desejável que a medida seja global para que não haja países prejudicados em detrimento de outros.

O plano norte-americano (criação de uma comissão ou taxa de "responsabilidade pela crise financeira"), que será accionado a 30 de Junho próximo, é o que contém mais detalhes: segundo a Casa Branca, prevê-se a cobrança de uma taxa anual de 0,15% sobre os passivos dos dez maiores bancos a operar no país que poderá gerar uma receita de 117 mil milhões de dólares (87 mil milhões de euros) nos próximos 12 anos.

António de Sousa, o presidente da Associação Portuguesa de Bancos, repudia "iniciativas isoladas de países", mas acha "positivo que os países, sobretudo os europeus, trabalhem num entendimento comum". Ainda assim, a APB só se pronunciará quando houver uma resolução formal do G20 ou da União Europeia.


De Obscenos prémios e remunerações... a 12 de Abril de 2010 às 14:03
Polémica sobre os prémios do presidente da EDP sobe de tom
por Ana Suspiro, Publicado em 05 de Abril de 2010

Socialista António José Seguro qualifica de "obscenos" bónus de Mexia

A remuneração e os prémios recebidos pelo presidente-executivo da EDP no ano passado suscitaram uma violenta crítica do dirigente socialista António José Seguro. Como aspecto negativo da semana que passou, o deputado do PS elegeu no seu blogue "os valores obscenos" das remunerações referentes a 2009 atribuídas a António Mexia.

O líder da eléctrica que tem o Estado como maior accionista, com 20,5% do capital, recebeu no ano passado 3,1 milhões de euros de remunerações, a maior fatia em prémios. O valor inclui o salário fixo, o prémio relativo à performance da empresa em 2008 e os bónus anuais, também indexados ao desempenho da empresa, relativos ao mandato que terminou em 2008. Até agora, António Mexia foi o gestor mais bem pago do PSI20 no ano passado, situação que António José Seguro considera "uma imoralidade".

Escreve o ex-ministro de António Guterres que é apontado como candidato à sucessão de Sócrates: "Em fase de enormes dificuldades e de exigência de sacrifícios aos portugueses é incompreensível como se atingem estes valores remuneratórios." Seguro realça que a EDP, que é a empresa com maiores lucros do PSI20 - 1024 milhões de euros em 2009 - é também "a mais endividada", neste caso a que tem maior dívida (14 mil milhões de euros), embora acompanhada do activo mais valioso: 40 mil milhões de euros.

Os restantes seis administradores-executivos da EDP receberam, em média, 2,4 milhões de euros em 2009.

A declaração de Seguro não mereceu comentários da EDP, mas o presidente da eléctrica, António Mexia, em recente entrevista ao i, mostrou-se contra "o ataque aos gestores". Para Mexia, a política de redistribuição de rendimentos "faz-se mais através dos impostos do que de escolhas demagógicas de alvos aparentemente fáceis". "Nunca se deve basear a política na mediocridade nem na inveja, até porque elas tendem a coligar-se."

A polémica promete animar a assembleia-geral da eléctrica, marcada para 16 de Abril, já que o Estado pretende propor o não- -pagamento de bónus em 2010 e 2011 nas empresas privadas onde é minoritário. Os accionistas da EDP vão discutir a política de remunerações do conselho de administração. Para já, está prevista a manutenção do modelo que estava em vigor no primeiro mandato da equipa de António Mexia.


De Gestores Mercenários ou Xulos ?!?! a 12 de Abril de 2010 às 14:07
Salários
EDP corta no prémio de Mexia, mas propõe mais no final do mandato
por Ana Suspiro, Publicado em 06 de Abril de 2010

A proposta do Conselho Geral de Supervisão, onde estão representados os accionistas, será votada em assembleia-geral. Na prática, as remunerações dos gestores ficam congeladas no novo mandato. Os salários do Conselho Geral e Supervisão serão reduzidos, por proposta do Estado.

Os prémios anuais da comissão executiva da EDP vão diminuir de 100% para 80% do vencimento fixo, no actual mandato que termina em 2011. Esta é a proposta da comissão de remunerações do Conselho Geral e de Supervisão, órgão onde estão representados os principais accionistas da eléctrica portuguesa - com excepção da Iberdrola. A assembleia-geral de 16 de Abril vai ainda discutir uma proposta de redução dos vencimentos fixos dos 16 membros do conselho geral e de supervisão.

No entanto, o novo regime para a distribuição de prémios deverá ser neutral e não penalizar a totalidade dos bónus a receber pela equipa de António Mexia no final do mandato. Isto porque, o prémio plurianual poderá chegar a 120% da remuneração fixa, que a comissão de vencimentos decidiu manter congelada em 600 mil euros brutos por ano. O limite anterior era de 100%. Na prática, o prémio a pagar em 2010 aos gestores pela performance da empresa em 2009, ano em que a EDP atingiu lucros recorde superiores a mil milhões de euros, vai diminuir. No caso do presidente, passará de 600 mil para 480 mil euros brutos. Mas a remuneração a pagar no final mandato será equivalente à atribuída em 2009 à comissão executiva pelo primeiro mandato à frente da EDP. Isto se as metas de gestão forem cumpridas em mais de 90%. O objectivo é reforçar a componente de prémio que depende da performance a prazo da empresa, em detrimento do curto prazo, em linha com as melhores práticas internacionais e com o modelo usado nas principais empresas de referência. A conjuntura económica e a baixa inflação justificam o congelamento do salário fixo da comissão executiva, que também congela os prémios a receber.

No entanto, a proposta do conselho geral e de supervisão, onde o Estado está representado, tal como os outros accionistas, fica aquém da intenção manifestada pelo governo de limitar os prémios nas empresas onde é accionista. Depois de aprovar em Conselho de Ministros o não pagamento de prémios aos gestores públicos em 2010 e 2011, o Ministério das Finanças revelou a intenção de fazer a mesma recomendação nas assembleias gerais das empresas em que o Estado é accionista minoritário. Os outros accionistas, são a Iberdrola, a CGD, o BCP, o Grupo José de Mello, a Cajastur, o BES, a Sonatrach (argelina) e a IPIC (petrolífera do Abu Dhabi). A decisão final dependerá, contudo, dos accionistas privados de empresas como a EDP, a Galp e a Portugal Telecom. Não foi possível obter um comentário do Ministério das Finanças até ao fecho da edição e a EDP também não quis reagir.

Já o corte em 10% no salário do presidente do Conselho Geral e de Supervisão - António de Almeida recebeu cerca de 638 mil euros em 2009 -, de 5% para os restantes, e ainda a não criação de um cargo de vice-presidente, são propostas da comissão de remunerações dos restantes órgãos sociais da EDP que seguem as recomendações do governo e as orientações do Estado através da Parpública. A grave crise económica mundial, a situação económica e social do país, as condições económicas e financeiras da EDP, os regimes remuneratórios de outras empresas do PSI-20, são argumentos para o corte de salários, que leva em conta o facto dos gestores estarem a meio de um mandato.

As alterações ao esquema de remuneração dos órgãos sociais da eléctrica surgem no meio da polémica gerada pela divulgação dos prémios recebidos pela EDP, e em particular, pelo seu presidente executivo em 2009. António Mexia teve direito a uma remuneração total de 3,1 milhões de euros (a mais alta das empresas do PSI-20), que inclui o prémio anual de 2009 e mais três bónus do mesmo valor (600 mil euros brutos) por cada ano em que cumpriu as metas de gestão do mandato anterior (entre 2006 e 2008). Estes valores pagos numa empresa onde o Estado é o accionista mais forte (20,5% do capital) têm sido fortemente criticados.

Ontem, o ex-ministro Mira


De ... e os outros Barões-Xulos ?!!?... a 12 de Abril de 2010 às 14:17
...
Ontem, o ex-ministro Mira Amaral considerou os valores pagos a gestores de empresas como a EDP e a PT de um exagero
e defendeu que o Estado deve limitar esses salários e não "pode assobiar para o lado" em empresas onde tem posições que qualificou de dominantes e que actuam em mercados protegidos que resultaram de antigos monopólios.
No Domingo, o deputado socialista António José Seguro qualificou de "escandaloso" o bónus do presidente da EDP.

Qual a sua reacção:

Miguel Meneses Há 5 dias
E tudo o vento levou ! ! !

Fortunato Almeida Há 6 dias
...Certamente, entre os quadros superiores da EDP, depois de um rigoroso processo de selecção e recrutamento, era possível encontrar alguém que, para além do saber, colocasse o sentimento de orgulho e pertença, ao serviço da emprese e dos seus clientes. E a custos incomensuravelmente mais reduzidos.
Seria uma forma de colocar os MERCENÁRIOS, a tratar da vida e a entrar/lutar no mercado de trabalho. Guilherme Morgado Aryan Há 6 dias
Só espero que este Sr António Mexia nunca mais tenha a lata o desplante e a pouca vergonha de continuar a sua habitual verborreia e afirmar que deve haver menos Estado!
Analise-se o percurso deste indivíduo e finalmente conclua-se de onde ele sempre mamou!!


Maria Helena Há 6 dias
Cá para mim ainda vai ganhar mais !!!! É uma vergonha as quantias em dinheiro e as regalias que estes senhores auferem mensalmente e no fim de contrato e não sei mais quando.
E nós, simples portugueses que vivem a contar os cêntimos, esticando o que não pode ser esticado, continuamos sem nos indignarmos, sem nos revoltarmos.

jose rodrigues Há 6 dias
Moral da estória : ( - Epá, empresta-me vinte euros. - Epá, vinte euros não tenho, só tenho dez. -Então está bem, emprestas-me esses dez, mas olha, ainda me ficas a dever dez )

Estes e os outros 'barões' de empresas públicas e participadas levam uma grande fatia do Erário Público e ainda se põe a gozar com os funcionários públicos, os trabalhadores em geral, os desempregados e reformados, que recebem tostões...!!
é preciso ter lata e as costas bem protegidas ...
até quando ?!


De José Ferreira Marques a 12 de Abril de 2010 às 11:10
Competitividade

“A formação escolar dos empregadores portugueses é substancialmente inferior à da população empregada, e também à dos seus colegas espanhóis e à da média dos empregadores dos 27 Estados-membros da União Europeia, segundo dados relativos a 2008.”
A generalidade dos comentadores de economia, incluindo Cavaco Silva, massacram-nos regularmente com a falta de competitividade da nossa economia, mas nunca falam disto.
Porque será?

http://formaeconteudo.blogspot.com/ 2.4.2010


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