Ter Razão antes do Tempo

Custa caro, mas dá muita liberdade de espírito

Há um bom par de anos, escrevia eu, num blog que então dava pelo nome de “PSLumiar”, que dada a excessiva influencia, mesmo desrespeito pelos nomeados que, em grande parte dos casos se tornam, por assim dizer, uma espécie de directores-gerais para as empresas, que a nomeação para tais cargos deveria depender da Assembleia de República, em concreto das respectivas comissões consoante a area da actividade da empresa a que tais nomeações digam respeito. Sendo que tais comissões teriam de assumir o encargo, na sequencia de tais nomeações, de acompanhar as respectivas actividades desses órgãos sociais.

Sofri algumas consequências por via disso, sendo dito que tais afirmações constituíam handicaps para a atribuição de certas responsabilidades autárquicas. O que é certa politica em que se misturam alhos com bugalhos.

Agora veio a publico que “O Fórum de Administradores de Empresas (FAE) entregou um documento ao presidente da República, primeiro-ministro e ministro das Finanças, com a proposta de criação de um comité independente da estrutura do Governo para regular, monitorizar e aprovar as nomeações dos administradores para as empresas públicas e participadas pelo Estado.”

Também é do domínio publico que no PSD, Rangel e não só, propõem o fim gradual das «golden shares» e a nomeação de gestores públicos pelo Parlamento, como medidas para uma «descolonização do Estado».

Como é estranho e sinuoso o caminho dos políticos. Quando têm a possibilidade de decidir assobiam para o lado, deixando que as situações se afundem. Aparecem agora, qual angélicos profetas, como se o PSD e os tais empresários não vivessem de tais práticas.

Aliás, a relação entre os nomeados para os diversos órgãos sociais da Empresas Publica ou municipais e as respectivas tutelas são de uma pobreza confrangedora se não mesmo inexistentes na maior parte dos casos que nem os indícios de corrupções ou a necessidade de continuada injecção de dinheiros foi capaz de alterar tal atitude.

 

MARCADORES: economia, política, privatização, público

 



Publicado por Otsirave às 09:18 de 23.04.10 | link do post | comentar |

5 comentários:
De meritosas excelências áparte... a 23 de Abril de 2010 às 15:23
A vantagem de ser Rui Pedro Soares

Rui Pedro Soares recusou responder a qualquer pergunta da comissão de inquérito. Estranho! O ditado diz “quem cala consente”

Lembremos os balúrdios que este jovem recebe. Depois da Segunda Guerra Mundial, a bandeira de milhões de pessoas pela qual morreram muitos e muitos outros sofreram torturas nas prisões foi a bandeira de um Estado providência que trouxesse bem-estar a todos. Com Sócrates essa bandeira tem providenciado por alguns boys do socialismo socrático que ganham balúrdios e por muitos outros que de ministros passaram para administradores de empresas intervencionadas, bancos, etc.

# posted by Primo de Amarante, Margem Esquerda tribuna livre


De Deputados de ...!! e injustiça a 23 de Abril de 2010 às 14:50
A qualidade do PS
[Publicado por AG, CausaNossa, 23.4.2010]

Indignação incontível foi o que senti ao ouvir a réplica do deputado Ricardo Rodrigues na AR ontem, ao ser-lhe notada a ausência de envolvimento de João Cravinho na elaboração das propostas de leis contra a corrupção que o PS fez votar.
Ricardo Rodrigues lamentou não poder contar com quem preferia o remanso de "exílios dourados".
Mas não foi Ricardo Rodrigues um dos deputados do PS que mais empurrou João Cravinho para o exílio, ao inviabilizar todas as propostas que o mesmo João Cravinho apresentou com vista a um combate eficaz contra a corrupção?
Mas como é que o deputado Ricardo Rodrigues se permite tentar achincalhar publicamente, no plenário da Assembleia da República, e para gáudio das bancadas da oposição, um homem da dimensão ética e política de João Cravinho, com créditos firmados na história do PS e da democracia em Portugal?
Muito gostaria de ver o Secretário-Geral do PS distanciar-se deste desaforo. Se o não fizer, então a qualidade da democracia em Portugal está mesmo muito pior do que pensa, com razão, o Presidente Jorge Sampaio. É que a qualidade da democracia neste país se mede muito pela qualidade do PS.
Relação encoraja corrupção
[Publicado por AG] [Permanent Link]
O acórdão judicial hoje conhecido, absolvendo o empresário Domingos Névoa de tentativa de corromper o autarca José Sá Fernandes, assenta numa especiosa interpretação da letra e do espírito da lei que não poderá deixar de ser entendida como encorajamento à corrupção.
Atento o caldo político-cultural que sustenta tão perversa doutrina, pensei estar ainda no Sudão. Mas não! Era, em seu venerando resplendor, a (in)justiça do Tribunal da Relação de Lisboa.
Resta-me declarar que resistirei ao impulso de emigrar.


De névoa e NÓDOAS em Portugal a 23 de Abril de 2010 às 15:09
Que névoa!...
Domingos Névoa foi esta quinta-feira absolvido pelo Tribunal da Relação de Lisboa do crime de tentativa de corrupção do vereador da Câmara Municipal de Lisboa, José Sá Fernandes. Avelino Ferreira Torres também já foi absolvido e o mesmo aconteceu com Valentim Loureiro, Isaltino também será e Sócrates é um anjo.

Denunciar estas pessoas é perigoso, digam só bem delas.

Para todos, desejo a medalha de torre espada. Pode ser no 25 de Abril ou no 10 de Junho. Tanto faz!

Entretanto, o porteiro da escola de Mirandela está com um processo. O mexilhão serviu sempre para mostrar que o sistema funciona.

# posted by Primo de Amarante , 22.4.2010, http://margemesquerdatribunalivre.blogspot.com/


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 23 de Abril de 2010 às 17:16
Só não me atiro para o chão a rebolar de tanto 'rir'... porque tenho o fatinho novo e depois ficava todo sujo.

Lamentável. Triste país este.


De Nórdicos e ...'tugas' a 23 de Abril de 2010 às 10:14
Noruega... para pensar

'Na Noruega, o horário de trabalho começa cedo (às 8 horas) e acaba cedo (às 15.30).
As mães e os pais noruegueses têm uma parte significativa dos seus dias para serem pais, para proporcionar aos filhos algo mais do que um serão de televisão ou videojogos.
Têm um ano de licença de maternidade e nunca ouviram falar de despedimentos por gravidez.'

'A riqueza que produzem nos seus trabalhos garante-lhes o maior nível salarial da Europa. Que é também, desculpem-me os menos sensíveis ao argumento, o mais igualitário.
Todos descontam um IRS limpo e transparente que não é depois desbaratado em rotundas e estatuária kitsh, nem em auto-estradas (só têm 200 quilómetros dessas «alavancas de progresso»), nem em Expos e Euros.'

'É tempo de os empresários portugueses constatarem que, na Noruega, a fuga ao fisco não é uma «vantagem competitiva».
Ali, o cruzamento de dados «devassa» as contas bancárias, as apólices de seguros, as propriedades móveis e imóveis e as «ofertas» de património a familiares que, em Portugal, país de gentes inventivas, garantem anonimato aos crimes e «confundem» os poucos olhos que se dedicam ao combate à fraude económica.'

'Mais do que os costumeiros «bons negócios», deviam os empresários portugueses pôr os olhos naquilo que a Noruega tem para nos ensinar. E, já agora, os políticos.

Numa crónica inspirada, o correspondente da TSF naquele país, afiança que os ministros não se medem pelas gravatas, nem pela alta cilindrada das suas frotas.
Pelo contrário, andam de metro, e não se ofendem quando os tratam por tu.
Aqui, cada ministério faz uso de dezenas de carros topo de gama, com vidros fumados para não dar lastro às ideias de transparência dos cidadãos.
Os ministros portugueses fazem-se preceder de batedores motorizados, poluem o ambiente, dão maus exemplos e gastam a rodos o dinheiro que escasseia para assuntos verdadeiramente importantes.'

'Mais: os noruegueses sabem que não se «projecta o nome do país» com despesismos faraónicos, basta ser-se sensato e fazer da gestão das contas públicas um exercício de ética e responsabilidade.
Arafat e Rabin assinaram um tratado de paz em Oslo. E, que se saiba, não foi preciso desbaratarem milhões de contos para que o nome da capital norueguesa corresse mundo por uma boa causa.'

'Até os clubes de futebol noruegueses, que pedem meças aos seus congéneres lusos em competições internacionais, nunca precisaram de pagar aos seus jogadores 400 salários mínimos por mês para que estes joguem à bola.

Nas gélidas terras dos vikings conheci empresários portugueses que ali montaram negócios florescentes.
Um deles, isolado numa ilha acima do círculo polar Árctico, deixava elogios rasgados à «social-democracia nórdica». Ao tempo para viver e à segurança social.'

'Ali, naquele país, também há patos-bravos. Mas para os vermos precisamos de apontar binóculos para o céu.
Não andam de jipe e óculos escuros. Não clamam por messias nem por prebendas.
Não se queixam do «excessivo peso do Estado», para depois exigirem isenções e subsídios.'

É tempo de aprendermos que os bárbaros somos nós.
Seria meio caminho .....


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