3 comentários:
De Anti-Nuclear e anti-Ladrões... a 26 de Abril de 2010 às 09:30
Bruxas e papões


Ontem, no mesmo dia em que se celebrava o Dia da Terra e que se encerrava na Bolívia a Conferência Mundial dos Povos sobre as Alterações Climáticas e os Direitos da Mãe-Terra, os apóstolos do nuclear voltaram a manifestar-se contra a expansão da produção de energias limpas em Portugal, argumentando, como já vem sendo hábito, com a questão dos custos.

Simbolicamente, não poderiam ter escolhido melhor dia. Após a desastrada prestação do engº Henrique Neto face aos sólidos argumentos do engº Carlos Pimenta, na passada segunda-feira, o lóbi do engº Mira Amaral deu-se agora ao cuidado de pagar uma página inteirinha do Diário Económico de ontem (pág 17) para apresentar um estudo de caso produzido por um organismo independente (imagino que seja tão independente como a ciência do engº Pinto de Sá…) cujo objectivo é apenas mostrar que a energia eólica é cara, não gera emprego e não dá saúde ao PIB.
É claro que o bom exemplo referido no texto é o das centrais nucleares, cujos reactores duram mais do que as turbinas das eólicas.
Se o desmantelamento após o fecho se prolongar por 100 anos, devido à contaminação, haverá, certamente, algum benemérito investidor (como, por exemplo, o empresário Patrick Monteiro de Barros) que pague a factura, e com juros à cabeça, claro.
E engenheiros não nos faltarão também - todos capacitados para produzirem bons projectos com chorudos overheads para as instituições e analisarem os cadernos de encargos a apresentar ao Estado e aos contribuintes.

Um dos patronos do manifesto (o tal manifesto onde o lóbi nuclear se encontra com o PSD numa sala emprestada do Instituto Superior Técnico e arregimenta alguns anti-Sócrates que passam à porta...) contra a actual política energética portuguesa – o engº Mira Amaral – escreve também ontem no Jornal de Negócios que «o poderoso lóbi eólico e alguns jornalistas vieram logo usar o papão do nuclear para tentarem condicionar a discussão sobre os excessos eólico e fotovoltaico…».
Papão do nuclear? Ó senhor engº, olhe que já ninguém acredita no papão!
E a razão é simples. Nem é preciso mostrar-lhe fotografias dos "reféns do preconceito" e do "tabu" de Chernobyl.
Apenas dois exemplos e uma sugestão:

- Em Fevereiro de 2009, 7000 litros de água radioactiva potencialmente carcinogénica foram despejados no rio Ottawa, o mais importante do Canadá e fonte de abastecimento de água para milhões de canadianos. A população só foi informada quatro dias depois do acidente.

- Em Novembro de 2007, outra fuga radioactiva na cental nuclear de Ascó I, na Catalunha. O “incidente” só foi noticiado um ano depois, tendo a negligência e a irresponsabilidade chegado ao ponto de, logo após a fuga, terem ocorrido visitas escolares a esta unidade. A Endesa e a Iberdrola (ó engenheiros, já tendes bons contactos no sector, hein?...) foram responsabilizadas pela ocultação e pagaram 22 milhões de euros de multa.

- Para mais, ninguém nos garante que os nossos políticos, sempre tão amigos dos empresários e dos agentes financeiros, não venham a aprovar uma lei como a que foi aprovada no passado mês de Março na Eslováquia, segundo a qual "as pessoas não terão a possibilidade de saber se um centro de armazenamento de detritos ou uma central estão em conformidade com as regras de segurança”.

Impossível, pois, acreditar no papão - e muito menos em bruxas, como pretendia o engº Henrique Neto, entre as repetidas invocações do bom exemplo do "Doutor Salazar" em matéria de política energética (o L.N.E.C. e a hídrica). E para mais agora, que estamos a criar bons postos de trabalho na Europa Central e que está a chegar a estação dos saldos do urânio…

Publicada por Francisco Oneto em 23.4.10 Ladrões de Bicicletas


De . a 23 de Abril de 2010 às 17:37
E qual é o predador mais mortífero de Portugal?
(Aceitam-se nomeações.)

Eu estou na dúvida:
- serão os lic. em direito (especialmente lic.dir. -deputados, lic.dir.- gestores/administradores e grandes sociedades de advogados)?
ou
- as empresas financeiras (bancos, seguradoras, SGPS, ... 'offshores', agências de 'rating', especuladores) ?


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 23 de Abril de 2010 às 17:18
Quem tem terra?
Quem é?
Quem nos (en)terra, sei eu!


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