O “centrão” reeditado ?

 Alguns comentadores e opinadores irão dizer que o centrão está a ser reeditado ou que não havendo casamento existe, pelo menos, uma união de facto entre o PS e PSD.

Não será caso para menos tendo em conta o resultado da reunião que “correu bem”, segundo José Sócrates, que afirmou “o Governo e o principal partido da oposição decidiram trabalhar em conjunto” perante um "ataque especulativo sem fundamento" dos mercados internacionais.

Na expectativa que tal ainda pode ser feito (na verdade quem está ao leme não pode dar sinais de fraqueza), o primeiro-ministro garantiu que “o país fará tudo o que deve ser feito” e “tudo o que for necessário” para que “os objectivos de consolidação orçamental sejam cumpridos”.

Sócrates afirmou, ainda que o Governo e o PSD vão “dialogar” e “acompanhar com regularidade” a evolução da situação nos mercados internacionais, antes de anunciar a antecipação já para este ano de algumas medidas previstas no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) para 2011.

Por seu turno Passos Coelho manifestou a disponibilidade do PSD em "cooperar com o Governo" para "inverter o sentimento de desconfiança" e demonstrar que os interesses do país estão acima das "divergências políticas".

Garantiu ainda, o líder do maior partido da oposição que tudo “Faremos o que estiver ao nosso alcance e o que se revelar necessário para que o país, de acordo com as medidas que o Governo entende serem mais prioritárias, possa ver cumpridos os seus objectivos internacionais".

Por mais declarações que se façam e por melhores que sejam as intenções (o que nem sempre é o caso) a realidade que nenhum país por si só será capaz de responder, eficazmente, às agressões especulativas dos mercados e/ou das agencias de notação, tanto mais que elas são ou estão submetidas a especuladores exteriores à Europa ainda que aqui tenham aliados.

É conhecida a ameaça (já com factos e acontecimentos concretos) de fazer desaparecer o euro através de intervenções cirúrgicas sobre ecomomicas nacionais de certos países.

É, no mínimo, estranha a atitude de Inglaterra, que se colocou fora da zona euro, agora da Alemanha em relação à Grécia e até do Banco Central Europeu - BCE, que não emite uma palavra que seja em defesa da moeda que justifica a sua própria existência.

São cada vez menos a certezas e maiores a dúvidas em relação ao futuro. A um mundo globalizado só serão eficazes resposta igualmente globais, tudo o mais não passarão de paliativos enganadores.

MARCADORES: crise, sociedade, trabalho


Publicado por Zé Pessoa às 16:39 de 28.04.10 | link do post | comentar |

4 comentários:
De Zé das Esquinas o Lisboeta a 29 de Abril de 2010 às 11:27
Poi é DD tem imensa razão, só que quem nos 'governa' não está minimamente interessado em resolver verdadeiramente a situação.
Mais uma vez aqui reafirmo que soluções há.
O que não há é vontade política.
E porquê?


De DD a 28 de Abril de 2010 às 23:51
Os grandes culpados da crise actual portuguesa são os bancos que recusaram o dinheiro português, pagando juros quase nulos, recorrendo ao dinheiro estrangeiro e aumentando a dívida privada portuguesa que é muito mais grave que a dívida pública portuguesa que até é inferior à alemã em percentagem de um PIB muito superior.:
Há uma espécie de obsessão em não mexer nos bancos. A própria CGD não é capaz de pagar juros mais elevados por depósitos a prazo de um ou dois anos, não para depósitos a cinco ou mais anos em que no último ano se paga um juro de 3 a 5%. Os portugueses têm bastante dinheiro para depositar a prazo, mas não o suficiente para emprestar a 5 ou 10 anos. O próprio imposto de capitais sobre os juros de 20% deveria descer para os depósitos até 100.000 euros, a fim de levar os portugueses a reduzir despesas supérfluas e poupar mais.
Estou convencido que com juros mais elevados, a dívida externa serias paga no país, pois a moeda é a mesma e tanto faz o dinheiro vir de Lisboa ou de Berlim .
Claro, com mais poupança talvez a venda de carros não tivesse aumentado em 70% em Março relativamente ao mesmo mês do ano anterior em que desceu apenas 40%. Muita gente comprou carro novo porque não há depósitos atraentes, a banca quer dinheiro de graça para o emprestar a alto juro.
Aumentar o IVA dos 20% para 22 ou 23% seria uma boa medida para reduzir a dívida pública e externa pois é quase tudo importado e não devemos esquecer que temos o IVA de 5% para produtos alimentares essenciais, sementes, pesticidas, adubos, medicamentos, livros, revistas, jornais, etc. e temos ainda o IVA de 12% para a restauração.
Por exemplo, na Rua do Lumiar uma sapataria vende sapatos vela a 27 Euros com boa qualidade e de fabrico nacional. Com mais 2% de IVA custariam mais 54 cêntimos. O mesmo se passa com os jeans que vendem a 15 Eu e calças de fazenda a 25 a 35 Euros.
Produtos como televisores, computadores, impressoras, mobiliário standard, etc. baixaram bastante de preço nos últimos tempos pelo que um pequeno aumento do IVA não tem qualquer importância.
A dívida pública portuguesa é quase um terço da grega e não é das mais elevadas da Europa, mas não convém deixá-la subir continuamente porque a dada altura uma parte da receita do Estado vai para o chamado serviço da dívida em vez de ir para reformas, salários mais elevados, etc. .


De Zé T. a 29 de Abril de 2010 às 09:58
Gostei,
especialmente das questões/problemas relacionados com a banca portuguesa - estou totalmente de acordo (DD: faça um 'post' sobre esta matéria) que os ''operadores financeiros e especulativos'' (em Portugal e sobre Portugal) são dos maiores problemas da nossa economia.

Com o IVA já não tenho a certeza pois existem produtos e serviços que devem ser analisados com cuidado, contudo, em termos gerais concordo que os produtos e serviços importados e sem serem de 1ª necessidade devem/podem ter uma taxa superior e quanto aos bens de luxo muuiiito superior.

Quanto à dívida e ''serviço da dívida'' também concordo que tem de ser controlada.


De anónimo a 29 de Abril de 2010 às 10:14
pois é ...
- mas será que os governos europeus (e da OCDE) têm força e estão realmente interessados em REGULAR e CONTROLAR o sistema financeiro e especulativo e as offshores e as agências de rating ?
ou
- estarão também eles (governantes e deputados do centrão) vendidos ou subjugados a esses interesses (os lobbies e pressões do grande capital nacional e internacional é/pode ser terrível) ?

- o que podem fazer os cidadãos e os militantes partidários, juntos dos seus dirigentes e deputados, para levar a essa ''revolução financeira'' ?

- será que aos pequenos e trabalhadores-contribuintes anónimos só resta a nova ESCRAVATURA (no trabalho selvagem, comer ''pão e circo'' e calar), a FUGA (emigração), ou a GUERRILHA (seja com 'coktails molotov', garrafas de gás, vírús informáticos, grafitis, droga, ...) ?


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