Todos a 'remar' no mesmo barco ?

O nosso barco

 "Não rema mais, porquê ?!!" "Não estamos todos no mesmo barco ??"

O Diário Económico de hoje apela na sua manchete aos líderes dos dois maiores partidos de forma clara:

"Entendam-se!".

Na sequência de mais uma descida do rating, a Direita procura agravar a política recessiva do PEC e o PS presta-se a um papel lamentável: centrar os sacrifícios nas prestações sociais.

Da reunião entre Passos Coelho, saíram duas conclusões:

1) antecipar a política de redução das prestações sociais e

2) antecipar os cortes no subsídio de desemprego.

 

Partilha de sacrifícios, nem vê-la.

O Bloco Central tenta criar um clima de grande unidade nacional em torno de um programa que exige tudo àqueles que sempre pagaram o Estado em Portugal e que, não tendo tido responsabilidade na crise, são mais uma vez chamados a pagá-la.

Não é falta de imaginação. É falta de vontade política.

- por José Guilherme Gusmão, em 28.4.10 Ladrões de Bicicletas

 

Onde é que já ouvi isto?

«As pessoas aqui gostam mais de gastar do que de trabalhar».

«A febre dos juros baixos levou a um endividamento insustentável das famílias.»

«Os produtores locais não se dão ao trabalho de procurar mercados externos, preferem viver da procura local.»

«A evasão fiscal é enorme e os serviços de finanças não se dão ao trabalho de combatê-la.»

Estas são algumas explicações que tenho ouvido em Atenas, onde me encontro, sobre as razões da crise que afecta a Grécia.

 

Tal como em Portugal, é mais difícil encontrar quem diga que a política monetária única conduzida pelo BCE desde a fundação do euro reflectiu sistematicamente as condições dos países centrais da UE em detrimento das suas periferias (aqui como noutros países a taxa de juro deveria ter sido substancialmente mais elevada durante boa parte da última década).

Já poucos discutem que o nível cambial adoptado à entrada do euro foi excessivo e que, associado à valorização do euro face ao dólar, desincentivou o investimento em sectores transaccionáveis.

Ou que a sobrevalorização do euro (na perspectiva das periferias) se juntou a uma política comercial europeia que abriu os mercados externos às economias emergentes, prejudicando os sectores mais tradicionais (que dominam as economias das periferias) para obter como contrapartida o acesso das exportações de bens intensivos em capital (que dominam economias mais avançadas, como a Alemã) aos apetecíveis mercados emergentes.

Poucos referem também o impacto que a promoção do mercado interno de serviços financeiros e a liberalização dos fluxos de capitais teve sobre a facilidade de fuga ao pagamento de impostos de alguns sectores importantes das sociedades europeias.

Ou como a ausência de harmonização fiscal na UE vem erodindo a capacidade de financiamento dos estados membros.

 

Usar a propensão individual para o pecado como explicação para a instabilidade que actualmente se vive nas economias europeias revela-se uma estratégia eficaz – na Grécia como em Portugal, e suspeito que noutros países – e muito ao gosto de certos comentadores.

Infelizmente, o apelo à auto-culpabilização fará muito pouco pela resolução dos problemas estruturais do modelo de integração europeia.

- por Ricardo Paes Mamede, em 29.4.10 http://Ladrões de Bicicletas.blogspot.com

 

 À espera de um milagre na Alemanha

"Ao ‘eixo’ partido da União Europeia junta-se a passividade dos estados que estão na primeira linha para um agravamento dramático da sua dívida pública. Portugal é apenas um deles.

Em suma, a menos que ocorra um milagre na Alemanha, o agravamento da crise ecónomica e financeira acabará por fazer saltar a faísca detonadora de uma crise política na UE no próximo ano. A interacção das várias crises conduzirá ao desmoronar da Zona Euro por insustentabilidade social, financeira e política.

Nessa altura não vai haver condições para ponderar sobre o que será melhor para o futuro de cada estado-membro (benefícios e custos de ficar ou sair do euro).

A partir de um dado momento a dinâmica dos acontecimentos será imparável."

 Este texto foi escrito em Julho do ano passado. Na altura foi lido por muitos como uma especulação despropositada. No entanto, nessa data toda a informação disponível já apontava para este cenário. O problema, como sempre, reside nos óculos com que se lê a informação.

 

Hoje Angela Merkel vai fazer uma declaração solene destinada a 'acalmar' os especuladores. De pouco servirá se a seguir não forem dados passos concretos para uma nova política de crescimento pela procura interna na eurozona e uma nova regulação do sistema financeiro que o ponha ao serviço da 'economia real'.

Em suma, só medidas que nos aproximem de uma nova constituição económica da UE podem travar a desagregação da eurozona.

É que sem crescimento significativo na eurozona não há receitas fiscais que cheguem para pagar os salários nos hospitais, escolas, polícia, exército, tribunais, embaixadas,... reformas, pensões e todo o tipo de prestações sociais nos vários países.

Um PEC recessivo aplicado a toda a eurozona fará retrair a procura interna de todos os produtos europeus, quer dizer, do nosso vestuário, calçado e hotéis ... e também dos automóveis e equipamentos alemães e franceses.

Se os Alemães perceberem isto, então ocorrerá o tal milagre. Contudo, nas palavras do Prof. Paul De Grauwe, "Angela Merkel não quer dar um euro antes da eleição de 9 de Maio, e nem sequer é claro o que é que fará depois."

Realmente só um milagre pode salvar o euro. Sim, porque esta crise não diz respeito apenas aos países da Europa do Sul. Esta crise é o grande teste da viabilidade do euro e da actual arquitectura institucional da União Europeia.

Dito de outro modo, ou nos salvamos todos ou nos perdemos todos. Só isto.

-por Jorge Bateira, em 28.4.10 Ladrões de Bicicletas


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Publicado por Xa2 às 08:05 de 29.04.10 | link do post | comentar |

10 comentários:
De Basta ! . a 5 de Maio de 2010 às 11:55
TRABALHADORES VOTAM PELO ENCERRAMENTO DE UMA EMPRESA

«Registou-se uma lotação esgotada no pavilhão desportivo da Lavandeira, com 921 operários, mulheres na sua grande maioria.
A liquidação da maior empregadora do sector do calçado do país acabou por ser aprovada por maioria:
86,5 por cento dos trabalhadores da Rohde votaram contra o plano de viabilização proposto pela empresa de calçado.

A manutenção de 150 postos de trabalho, prevista no plano de reestruturação da Rohde, foi rejeitada.
A empresa que chegou a empregar perto de três mil trabalhadores e laborou durante 35 anos fecha definitivamente as portas.
Não houve lágrimas, mas antes uma angústia de meses que ontem chegou ao fim. »
[Público]


De . a 30 de Abril de 2010 às 16:34
Um retrato da insensibilidade
Por Daniel Oliveira

O governo vai cortar no subsídio de desemprego sem fazer a mínima ideia de que efeito isso terá no orçamento.
Quando custa aos outros é fácil ser ligeiro.
Já percebemos:
os desempregados são o cordeiro a sacrificar perante a ira do Deus Mercado.

Sócrates diz que a medida é justa. Porque “há pessoas no desemprego que precisam de ter o incentivo certo para trabalhar”.

Ao pé deste rapaz, Paulo Portas já é de esquerda.


Fica provado que não se deve pagar bem aos trabalhadores. Eles não sabem gastar.
Por Daniel Oliveira

“A Manif do 1º de Maio custa 80 mil euros”, diz o Expresso. Dinheiro ques os trabalhadores sindicalizados acham, extraordinariamente, mais útil gastar com a sua luta e com os seus interesses do que noutras coisas. Gente sem gosto, está bem de ver.
Aquilo em prémios para António Mexia seria muito mais bem empregue.


De Quino a 30 de Abril de 2010 às 14:24
parabéns ao ''QUINO'' autor do 'cartoon' da 'nossa barca'.


De anónimo a 30 de Abril de 2010 às 10:21
Todos a remar no mesmo barco ?
Não !
Esse é um dos grandes problemas: enquanto uns remam, outros aproveitam-se desse esforço e ficam com o maior benefício.!
portanto é racional que os 'remadores' se cansem de ser explorados e deixem de remar, deixem de acreditar, ... porque este não é o ''nosso/ o seu'' barco, é o ''barco deles''...
Ou as coisas mudam, partilhando efectivamente custos e benefícios, ou outros que remem ... nem que o barco vá ao fundo !


De S&P: Ladrões e Vigaristas, ilimitados a 29 de Abril de 2010 às 13:15
Falemos de credibilidade e de independência
Por Daniel Oliveira, em Arrastão.org

Recordar uma notícia de há alguns dias:
Segundo e-mails e outros documentos, publicados pelo Senado, os “ratings” positivos atribuídos a títulos complexos de crédito à habitação e a outros títulos de dívida,
foram algumas vezes usados nas negociações entre os bancos e as agências de notação financeira, segundo o “Financial Times”.
Entre elas está a tão falada Standard & Poors.

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7 respostas ao post “Falemos de credibilidade e de independência”
1 1 J.H 29 Abr 2010 às 11:16

E, apesar de tudo, os “gajos” de que o Estado depende para financiamento das suas parvoíces continuam a confiar na informação e avaliação que as agências de rating lhes fornecem. O que acaba por ser a única coisa que importa.

2 2 Daniel Oliveira 29 Abr 2010 às 11:18

JH: os “gajos” estão num processo especulativo (ler George Soros) e confiam em quem dá jeito confiar. Ponto.

J.H Reply:Abril 29th, 2010 at 11:29

Está certo, Daniel. E então? Se lhes dá jeito confiar nas agências de rating então não há conversa das partes prejudicadas que lhes dê a volta: continuarão a fazer o que bem entendem e nós continuaremos a queixar-nos de um ataque especulativo.

A não ser que esteja a pensar ir atrás de cada investidor dar-lhes umas cacetadas qual é a sua sugestão para lidar com o problema?

3 3 Rui F 29 Abr 2010 às 11:41

Obviamente que há batota das agências.
Basta ver como o daniel disse e muito bem, como foram tratados o Reino Unido e o Dubai.

o Governo e o PSD, faz os desempregados e os desprotegidos pagarem as favas;
As agências fazem os países fracos, afogados em divídas e mal preparados pagar o dinheiro deles.

4 4 Wyrm 29 Abr 2010 às 11:46

http://economia.publico.pt/Noticia/reducao-do-rating-portugues-considerada-duvidosa-no-financial-times-deutschland_1434588?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+PublicoRSS+%28Publico.pt%29&utm_content=Netvibes

Olha a perigosa extrema-esquerda…

5 5 Wyrm 29 Abr 2010 às 11:50

Meu caro, mas você ainda não percebeu que quem “ouve” as agências de rating são aqueles que também encomendam os resultados?

E que há muitos pequenos investidores que vão atrás do que as agências dizem porque percebem que está a ser feito um ataque e querem parte do bolo.

E a bola de neve vem por aí abaixo.


De UE: Acabem com estes vampiros ! a 29 de Abril de 2010 às 12:45
A mão visível dos especuladores ataca,
Standard & Poor em ofensiva contra Espanha

A seguir à Grécia e a Portugal, hoje foi o dia da vizinha Espanha...Há especuladores que dos países mediterrânicos... só querem o sol e "meter a mão na massa", por menor credibilidade e autoridade económica e moral que possuam, como é o caso.


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 29 de Abril de 2010 às 12:07
E porquê?


De Tempos difíceis a 29 de Abril de 2010 às 12:05
Tempos difíceis (1)

As pessoas andam mesmo preocupadas. Nalguns meios pequeninos e à boca pequena, algumas pessoas, não muitas, já perguntam se o bocadinho de dinheiro que têm nos bancos está seguro.

É difícil tirar-lhes a dúvida. Efectivamente ficam sempre com ela, qualquer que seja a resposta.

É evidente que isto não é representativo de nada.

Mas deveria haver um maior realismo na informação sobre a situação nacional.

Sobre a pressão das empresas de rating, que, de facto, estão a fazer o jogo americano e o "seu jogo" especulativo.

Quando digo jogo americano significa duas coisas: a "guerra" mais ou menos surda entre o dólar e o euro, o sistema financeiro americano e o "subsistema" da especulação.

Explicando melhor: a elite americana (incluindo alguns notabilíssimos prémios nobéis de economia) toleraram e mal a criação da moeda europeia, o sistema financeiro americano mais subtil reagiu de igual forma e a especulação vê na "intensificação" da crise de alguns países europeus um maná de grandes proporções. Começou com a Grécia mas subjacente está o aproveitamento, se for possível, da exploração de outros países.

Portugal é a seguir o elo mais fraco e não vale a pena andar a dizer que a nossa economia é diferente. É de facto diferente. Mas não é dizendo que se afasta a situação. É fazendo.
E isto tudo corre devagar e mal.

# posted by Joao Abel de Freitas 28.04.2010, PuxaPalavra


De ... a 29 de Abril de 2010 às 11:59
De anónimo a 29 de Abril de 2010 às 10:14

pois é ...
- mas será que os governos europeus (e da OCDE) têm força e estão realmente interessados em REGULAR e CONTROLAR o sistema financeiro e especulativo e as offshores e as agências de rating ?
ou
- estarão também eles (governantes e deputados do centrão) vendidos ou subjugados a esses interesses (os lobbies e pressões do grande capital nacional e internacional é/pode ser terrível) ?

- o que podem fazer os cidadãos e os militantes partidários, juntos dos seus dirigentes e deputados, para levar a essa ''revolução financeira'' ?

- será que aos pequenos e trabalhadores-contribuintes anónimos só resta a nova ESCRAVATURA (no trabalho selvagem, comer ''pão e circo'' e calar), a FUGA (emigração), ou a GUERRILHA (seja com 'coktails molotov', garrafas de gás, vírús informáticos, grafitis, droga, ...) ?

..........
De Zé das Esquinas o Lisboeta a 29 de Abril de 2010 às 11:27

Poi é DD tem imensa razão, só que quem nos 'governa' não está minimamente interessado em resolver verdadeiramente a situação.

Mais uma vez aqui reafirmo que soluções há.

O que não há é vontade política.
E porquê?


De DD a 29 de Abril de 2010 às 11:57
DD a 28.04.2010

Os grandes culpados da crise actual portuguesa são os bancos que recusaram o dinheiro português, pagando juros quase nulos,
recorrendo ao dinheiro estrangeiro e aumentando a dívida privada portuguesa que é muito mais grave que a dívida pública portuguesa
que até é inferior à alemã em percentagem de um PIB muito superior.:

Há uma espécie de obsessão em não mexer nos bancos.
A própria CGD não é capaz de pagar juros mais elevados por depósitos a prazo de um ou dois anos, não para depósitos a cinco ou mais anos em que no último ano se paga um juro de 3 a 5%.
Os portugueses têm bastante dinheiro para depositar a prazo, mas não o suficiente para emprestar a 5 ou 10 anos.
O próprio imposto de capitais sobre os juros de 20% deveria descer para os depósitos até 100.000 euros, a fim de levar os portugueses a reduzir despesas supérfluas e poupar mais.

Estou convencido que com juros (aos depositantes)mais elevados, a dívida externa serias paga no país, pois a moeda é a mesma e tanto faz o dinheiro vir de Lisboa ou de Berlim .

Claro, com mais poupança talvez a venda de carros não tivesse aumentado em 70% em Março relativamente ao mesmo mês do ano anterior em que desceu apenas 40%.
Muita gente comprou carro novo porque não há depósitos atraentes, a banca quer dinheiro de graça para o emprestar a alto juro.

Aumentar o IVA dos 20% para 22 ou 23% seria uma boa medida para reduzir a dívida pública e externa pois é quase tudo importado e não devemos esquecer que temos o IVA de 5% para produtos alimentares essenciais, sementes, pesticidas, adubos, medicamentos, livros, revistas, jornais, etc. e temos ainda o IVA de 12% para a restauração.

Por exemplo, na Rua do Lumiar uma sapataria vende sapatos vela a 27 Euros com boa qualidade e de fabrico nacional. Com mais 2% de IVA custariam mais 54 cêntimos. O mesmo se passa com os jeans que vendem a 15 Eu e calças de fazenda a 25 a 35 Euros.

Produtos como televisores, computadores, impressoras, mobiliário standard, etc. baixaram bastante de preço nos últimos tempos pelo que um pequeno aumento do IVA não tem qualquer importância.

A dívida pública portuguesa é quase um terço da grega e não é das mais elevadas da Europa, mas não convém deixá-la subir continuamente porque a dada altura uma parte da receita do Estado vai para o chamado serviço da dívida em vez de ir para reformas, salários mais elevados, etc. .


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