Demagogos, Demagogias e ladrões.

Em termos etimológicos (origem das palavras) Demagogia provém do Grego “ἐτυμολογία, composto de ἔτυμον e -λογία -logia“, querendo dizer "a arte de conduzir o povo" de forma falseada.

É pois a “arte” de dizer ou propor algo que não pode ser posto em prática, apenas com o intuito de obter um benefício ou compensação.

O demagogo era aquele que, na antiga Grécia, era escolhido para “vender” ao povo uma mentira, constituindo-se assim numa especialidade de manipulação popular, sendo vista e muito condenada enquanto forma corrompida do exercício da democracia.

Os demagogos tinham como características a facilidade de oratória, a exploração dos medos e do desconhecido, a exploração de preconceitos e dos valores espirituais.

No nosso contexto actual, a demagogia está muito associada aos políticos e ao mundo da política e às promessas de "mundos e fundos", que depois na prática não se concretizam.

A população da Grécia actual parece estar a viver as consequências da demagogia dos políticos que os andaram a enganar, durante demasiado tempo. O grave da questão é que tal fenómeno não seja só da Grécia mas de toda a Europa, de todo o mundo, continuamente governado por gente sem escrúpulos nem vergonha.

Esta gente, que tem tido responsabilidades governativas, não tem a mínima vergonha de, inclusivamente, aproveitar as próprias situações de catástrofes naturais para roubar das populações as mais diversas ajudas e solidariedades.

Em qualquer parte do mundo em que se tenham verificado situações catastróficas, sejam elas naturais ou provocadas por conflitos armados, as populações nunca mais saíram de tais situações pela simples razão que por maior que sejam as ajudas nunca chegam aos seus destinos, nunca o mundo viu as reais, as verdadeiras aplicações em benefício dos necessitados.

Vivemos demagogias sem precedentes e não comparáveis com as da Grécia antiga. Será porque os demagogos se democratizaram universalmente?



Publicado por Zé Pessoa às 11:04 de 04.05.10 | link do post | comentar |

9 comentários:
De TGV: Pinhal-Novo a Madrid + mercadorias a 5 de Maio de 2010 às 15:21
Defender a linha de TGV Lisboa-Madrid...

... enquadra-se numa visão estratégica. Portugal não pode continuar a adiar uma melhor e rápida acessibilidade ao resto da Europa. E tem neste investimento concreto um dos melhores instrumentos melhorar substantivamente essa situação.

Em Portugal, perde-se demasiado tempo, por vezes tempo irrecuperável e sobretudo não se avança na criação de riqueza, o que significa o país empobrecer, porque raramente se aposta a tempo e decide pelo que é estratégico.

Anda-se no superficial e/ou então a reboque de interesses que nada de estratégico têm ou tiveram para o País. Seria bom algum dia analisar, de forma independente e científica, as largas somas de dinheiro oriundas dos Quadros comunitários de apoio, na óptica das estratégias que serviram ou não serviram, servindo interesses de não desenvolvimento do país.

O País perdeu as melhores oportunidade de hoje ser senhor de um sistema económico sustentado.

Fala-se de que é preciso exportar. Mas Portugal vai exportar o quê, se com os dinheiros vindos da UE esteve 30 anos a apostar no cavalo errado, em produtos sem mercado? Em empresas que se sabia que iam falir, era uma questão de tempo, em grupos de interesses que nada acrescentavam? Apoiaram-se investimentos de não qualidade e sem futuro: A selectividade, a qualidade, o comportamento da procura não foram tidos em conta. E quem mais tempo governou, durante esse período de vacas gordas, foi efectivamente o primeiro ministro Cavaco Silva (10 anos de governação).

Felizmente, parece que as esquerdas uma vez pelo menos se vão unir para impedir as manobras em que Cavaco Silva está enredado para fazer cair a Linha Lisboa Madrid do TGV.

Etiquetas: direita, esquerdas, Presidente Cavaco Silva, TGV Lisboa-Madrid
# posted by Joao Abel de Freitas, PuxaPalavra, 5.5.2010


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 7 de Maio de 2010 às 14:18
Se calhar a linha do TGV Lisboa/Madrid insere-se numa estratégia de desenvolvimento que para tem visão política a médio e longo prazo se justificará na sua construção. Não sei, nem é importante para o que a seguir vou escrever.
Sei que neste momento Portugal não tem dinheiro próprio para a fazer.
E se não o têm, não o deve fazer porque quem tem a tal anterior referida visão a médio prazo para ver a importância do TGV, também a tem para saber que os custos do endividamento externo e dos posteriores prejuízos de exploração e manutenção da linha, serão insuportáveis para todos os portugueses.
Ou será que só se tem visão estratégica para umas coisas e para outras não?
Mais, porque é que sendo tão importante a sua construção, não se procura no mercado interno o necessário financiamento? Através da emissão de Títulos de Dívida Pública a X anos ou do Tesouro ou outra forma de captação de poupanças internas em que o garante é o estado? Ou será que sendo tão importante para o País e criar tantos postos de trabalho e contribuir para a tal recuperação económica, não conseguirá captar investidores internamente? Porquê o endividamento externo a taxas de juro que serão cada vez mais maiores e incontroláveis pelo próprio país em si?
Porque será?
Nota: A mim, na minha actividade profissional, também me fazia falta um 'carro' novo, com maior capacidade de transporte, mais beconómico no consumo e mais amigo do ambiente. Só que não tenho dinheiro para isso e o endividamento que teria de fazer ao Banco é demasido oneroso para a realidade do meu negócio perante as dificuldades do mercado actual e poria em risco o próprio negócio. Arricava-me a ter o carro perfeito e ficar sem o negócio por ter de pagar o 'carro'.


De Zé T. a 7 de Maio de 2010 às 14:50
Bem observado.
Do meu ponto de vista, a fazer-se o TGV (e outras obras) deve obter o máximo de financiamento interno, utilizar o máximo de tecnologia e mão-de-obra nacional e deve ser o mais racional.

Com essas premissas, faz sentido:
- priorizar os investimentos (1º TGV ligando Lisboa à fronteira alentejana/espanhola);
- rentabilizar a obra (usando o TGV para passageiros e mercadorias, com ramal ao porto de Sines);
- poupar custos usando infra-estruturas já existentes (em vez de construir nova ponte, que custa o dobro de toda a linha TGV, aproveitar a ferrovia da FERTAGUS e fazer o terminal do TGV em Pinhal Novo, já pronto, a funcionar e com capacidade para mais).


De Parabéns a 10 de Maio de 2010 às 09:00
Bom desejo ou boa previsão (!?! a 5 e 7 de Maio 2010)... uns dias/semanas antes do Governo vir dizer que, afinal, suspende quase todas as grandes obras excepto a linha de TGV Poceirão-Madrid.

Claro que não foram estes comentários e 'posts' aqui no Luminária que 'influenciam/ram' as decisões do Governo... (antes fossem).
O que parece é que por aqui vão aparecendo algumas análises mais lúcidas e atentas ao que se vai passando na economia e política portuguesa... e que estão ajustadas com a realidade/circunstâncias...

enquanto outras, bem diferentes, são apenas propagandistas/ com textos redondos, enviesados e servilistas ... ou, simplesmente, pouco consistentes por falta de informação e de capacidade de análise...



De incrédulo a 5 de Maio de 2010 às 00:03
E o amigo "Zé Povinho" acredita que não vai ser paga de outra maneira?
Seguramente que a cúpula do PS encontrou alguma forma de "engenharia financeira" capaz de subsidiar tão ilustre e profícua deputada. Ela sempre afirmou” eu é que não pago”.
Aliás, o insigne socialista Francisco Assis (FA), veio a terreiro, através do Jornal Público defender a sua dama, e à boa maneira socialista, muitas palavras mas pouca obra. Diz nomeadamente que, e passo a transcrever:"Acedeu a participar activamente na vida política portuguesa. Fê-lo em nome de causas, de um projecto e de uma esperança. Trouxe consigo o seu percurso..."
Quantos militantes do PS, anónimos, não participaram e participam activamente na vida política portuguesa. Mais, fazem-no em nome de uma causa socialista, bem identificada. No entanto nunca foram convidados pelas estruturas de topo do PS para ocuparem lugares de deputados. E seguramente que não iriam exigir despesas suplementares da AR em seu benefício.
Mas diz mais FA :” Antes de ser deputada, Inês de Medeiros tinha uma história, quer no plano profissional, quer no âmbito da intervenção pública. Foi essa história que a conduziu à Assembleia da República. A sua biografia tem densidade e significado. No cinema e no mundo da cultura em geral, Inês de Medeiros percorreu um caminho, construiu o seu próprio percurso. Que é, aliás, conhecido e respeitado”
Também aqui, a agora deputada independente tem uma história, que FA omite, mas que passa sobretudo por trabalhos subsidiados pelo Estado, ou seja, pelos impostos que muitos portugueses pagam. Como exemplo do que afirmo estou a lembrar-me de um filme, integralmente subsidiado, sobre o 25 de Abril, cuja adesão da população foi mínima. Da sua biografia, talvez o que sobressaia mais seja o facto de ser filha de Vitorino de Almeida. Mas nós não vivemos em Monarquia, ou vivemos?
Seria interessante que FA esclarecesse um pouco o que entende por “biografia com densidade e significado” e poderá mesmo ir mais longe e dizer-nos com que suporte financeiro foi construído o seu caminho. È que estou convencido que com os mesmos apoios financeiros que Inês de Medeiros tem recebido, haverá muitos portugueses capazes de construírem caminhos bem melhores.
Mas vai mais longe FA, mostrando o que pensa do papel de deputado, quando diz “Como deputada ela é herdeira da sua própria vida”. Ou seja, alcançado o estatuto de deputado, acabam-se as ligações com o partido político pelo qual foi eleito (como se fosse possível concorrer sem ser através de um partido político a deputado), e com isso as obrigações que se assumiram com o partido político e com os eleitores, valendo apenas aquilo que o seu interesse pessoal determina. E é este sr. líder parlamentar de uma bancada de um partido ainda denominado socialista.
Não haverá no espectro político partidos onde FA se enquadraria mais espontaneamente, ou será que o actual PS está ainda muito mais á direita do que eu penso?


De anónimo a 5 de Maio de 2010 às 09:50
bom comentário.
Qualquer cidadão de bem (fora da 'carneirada' e da nomemklatura partidária) subscreve estas críticas.


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 5 de Maio de 2010 às 10:14
Bom comentário.
É falta de vergonha na cara. É a 'desavergonhice' total.
Mas o povo é manso...


De Mansos e agachadinhos ?!! a 5 de Maio de 2010 às 15:04
Os Gregos desfraldaram enormes faixas nos muros da Acrópole de Atenas com dizeres :

LEVANTEM-SE CIDADÂOS DA EUROPA !

Os Gregos desfilam, manisfestam-se, fazem greve, ... lutam pelos seus direitos e pela sua dignidade como trabalhadores e cidadãos.

E nós ? fazemos o quê ?!
Quando nos ''cair em cima o Carmo e a Trindade'' ?!
... é que os 'mansos' e 'agachadinhos' é que vão berrar ...?! talvez já seja tarde...


De Zé-povinho a 4 de Maio de 2010 às 14:29
«Inês de Medeiros afinal abdica de viagens pagas». A deputada socialista abdicou do pagamento das viagens a Paris por parte do Parlamento. Ao «i», Inês de Medeiros diz querer pôr um ponto final na polémica que torna a política um «circo demagógico».

Haja alguma vergonha, o mínimo de bom senso e um pouco de decore, demagogia e ladroagem é mais que muita...


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