Intensificação do Trabalho

Crise II - Esses mandriões dos gregos, portugueses e espanhóis

 

Número médio de horas de trabalho anual por trabalhador (2008) - OCDE   [-por Nuno Teles em 4.5.10, Ladrões de Bicicletas]

 

Intensificação do trabalho tem provocado doenças "coletivas"    
   
 

 Cobranças que se aproximam do assédio moral, metas extremamente puxadas, ritmo acelerado e pagamento por produção. Essas são algumas das práticas que vêm sendo utilizadas pelos empregadores brasileiro apresentadas durante o seminário "O processo de intensificação do trabalho sob diferentes olhares", realizado na quarta-feira (27), pela Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), órgão vinculado ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE, Brasil).

A intensificação do trabalho traz consequências para a saúde dos empregados: estudos apontam que novas doenças estão sendo desenvolvidas no trabalho. Não se tratam de doenças individuais, ou seja, sua origem, destacam especialistas no tema, se encontra na organização do trabalho.

"Em muitas ocupações, a organização é muito parecida. Há sempre o controle do tempo e a cobrança por maior produção com menor custo. Elementos da organização industrial são utilizados também no setor de serviços", aponta Selma Venco, socióloga da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O tema da intensificação do trabalho não é muito debatido, principalmente entre as empresas. "Elas não querem evidenciar o assunto", aponta Leda Leal Ferreira, ergonomista da Fundacentro. A pesquisadora lembra que, para o movimento sindical, o assunto não é prioridade diante das duas principais bandeiras das entidades: aumento de salários e manutenção dos empregos.

"Ainda não temos definido como medir a intensidade do trabalho. O caminho talvez seja mensurar a carga de trabalho, o esforço necessário para executá-lo, a fadiga do empregado", sugere Leda. A pesquisadora afirma que a melhor forma de caracterizar o trabalho intenso é analisar o trabalho e ouvir os empregados. A ergonomista vem escutando trabalhadores há mais de 30 anos. Ela garante: eles estão trabalhando mais do que antes.

Causas e consequências
Durante o seminário foram apontadas causas da intensificação do trabalho, como a política de redução do número de funcionários, ritmos acelerados da produção, redução da jornada de trabalho mantendo a mesma produção, múltiplas funções e trabalho por produtividade. "O patrão cobra uma intensidade maior para o empregado dar conta da produção", diz Leda.

"A conjuntura social ou a vulnerabilidade fazem com que os trabalhadores aceitem qualquer trabalho ", conclui Selma, socióloga da Unicamp. "Em nome da crise, algumas empresas aproveitaram para demitir, intensificar o trabalho, pressionar os empregados para produzir mais".

As empresas têm cobrado uma produção cada vez maior dos empregados com menor custo. Em muitos casos, o número de trabalhadores é inferior ao que a atividade necessita para ser executada. O sentimento de estar sempre apressado é recorrente entre os trabalhadores, continua Selma. "Trabalhar sob urgência é por si só uma péssima condição de trabalho". Outra forma utilizada pelo empregador para intensificar o trabalho é a sobreposição de tarefas, ou seja, a imposição de diferentes tarefas ao mesmo tempo.

A socióloga conferiu as condições de trabalho de atendentes de telemarketing e constatou situações extremas de intensificação. O coordenador de equipe de uma das empresas pesquisadas chegava a bater os atendentes com uma vara, cobrando que a meta fosse atingida. Em muitos casos, o uso do banheiro é controlado. "É preciso pedir autorização do chefe para ir ao toalete. O grau de humilhação é muito alto".

O individualismo também é estimulado pelos coordenadores em diversas profissões pesquisadas. "Quando um sujeito não se sente parte do coletivo, ele não é capaz de exigir seus direitos e dignidade dentro do ambiente de trabalho", lembra a socióloga Selma, da Unicamp.

Pesquisadores apontaram os principais problemas entre os reflexos na saúde: síndrome do pânico, depressão, problemas músculo-esqueléticos e cardiovasculares. "Há casos extremos de suicídios de engenheiros e empresários, além de mortes de cortadores de cana-de-açúcar", lembra José Marçal Jackson filho, ergonomista da Fundacentro.

Cana-de-açúcar
Para Francisco Alves, do departamento de engenharia de produção da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o aumento da intensidade se traduz em "produzir mais em menos tempo". "Na década de 1980, os trabalhadores da cana cortavam até 6 toneladas por dia, com uma jornada de 12 horas diárias. Hoje em dia eles conseguem atingir a marca de 12 toneladas trabalhando no máximo 8 horas. Como se explica isso?".

Segundo Francisco, o aumento da produtividade não está relacionado às ferramentas de trabalho, pois elas continuam sendo as mesmas, mas sim à seleção do departamento de recursos humanos das usinas. "Antigamente, não havia uma seleção criteriosa, hoje são escolhidos trabalhadores principalmente do sexo masculino e com idades entre 19 e 25 anos".

O professor apurou durante suas pesquisas que a maioria dos cortadores no estado de São Paulo vinha dos estados da Bahia, Minas Gerais, Maranhão, Piauí e Paraíba. Segundo Francisco, os trabalhadores migram para a Região Sudeste porque a expansão do agronegócio, principalmente da soja e do gado, não deixa alternativa de trabalho nas regiões onde nasceram. "Eles não têm como manter uma pequena produção ou sobreviver da agricultura familiar. Então vêm para São Paulo e se submetem a condições péssimas de trabalho para poder mandar dinheiro para a família".

O pagamento por produção, aponta o professor Francisco, é a causa da intensificação do trabalho nos canaviais. "As usinas fazem um cálculo complexo e dificil de entender e, portanto, difícil de contestar". Quando Francisco iniciou suas pesquisas sobre o trabalho nos canaviais (na década de 1980), encontrou cortadores com 30 anos de trabalho. Atualmente, um cortador trabalha nos canaviais no máximo por 12 anos.
"É um trabalho massacrante, com consequências gravíssimas para a saúde dos trabalhadores. E o fato de ele ter que cortar mais para ganhar mais é, sem dúvida, o maior problema", conclui o pesquisador.Image

Fonte: Repórter Brasil, Inst. Observatório Social 29.5.2009                               (via A.B.G., Bem Estar no Trabalho, 6.5.2010)

 


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Publicado por Xa2 às 08:00 de 07.05.10 | link do post | comentar |

3 comentários:
De DD a 7 de Maio de 2010 às 23:54
12 milhões de pessoas sujeitas a trabalho forçado é anedota. Só na China são mais de 600 milhões, principalmente nos campos e na construção civil que trabalham e acabam por não receber ordenado ou recebem uma pequeníssima parte do salário mais baixo do Mundo.
Na China Comunista Capitalista a exploração do trabalho operário e camponês atingiu níveis nunca vistos na História da Humanidade.
Repare-se que a máquina electrónica de relógios de marca como Camel e outros são vendidos pelos importadores chineses em Portugal aos relojoeiros a 2,10 euros, pelo que devem sair da fábrica a 1 euros ou menos.
Metidos num caixa com um nome sonante, nem que seja de um produtor de cuecas, são vendidosa a mais de 100 euros. O relógio não custou mais do que uns 3 a 4 eruros.
Há preços chineses tão baixos que só são explicados pela existência de trabalho escravo que é uma tradição milenar na China.
Nos tempos de Mao Zedung e do grande salto em frente, milhões de camponeses eram convocados para obras do tipo barragens, canais, etc. e tinham de vir com um carrinho de mão com as ferramentas e uma tela oleada e uma esteira para dormirem ao relento apenas abrigados por aquilo. A família que ficava na leira de terra que era obrigada a cultivar quase sem remuneração tinha de levar a comida ao ESCRAVO do Comunismo Chinês.
Hoje, o Partido Comunista Chinês cedeu a terra a troco de elevada quantidade de bens alimentares que os agricultores têm de fornecer ao Estado Comunista, podendo vender o que produzem a mais. O Partido Comunista Chinês acha-se o dono da terra chinesa e considera-se muito generoso por permitir aos camponeses que a trabalhem, mas sempre com cedência gratuita de uma parte da produção, portanto, com uma componente de trabalho ESCRAVO.
Mesmo onde o trabalho é pago na China, o salário de um ou uma operária é quase sempre inferior a um dólar por hora.
Por isso, a China acumulou reservas extraordinárias que chegam quase a um milhão de dólares por cada trabalhador chinês. Nenhuma situação económica do passado criou em pouco mais de vinte anos uma mais valia de tamanho igual.
E quanto à segurança no trabalho, a China bate todos os recordes do Mundo de mortos por acidentes de trabalho, principalmente nas suas minas de carvão. Um operário estropiado é recambiado para a aldeia de origem, ficando a cargo da família ou da própria aldeia, pois o Estado e o patronato não descontam para um sistema social equivalente ao português. O próprio trabalhador é que tem de mandar para a direcção comunista da aldeia uma dada percentagem para que hajam mais alguns comunistas a viverem sem trabalhar das mais valias produzidas pelo quase escravo chinês.
Tenho recebido e.mails de empresas exportadoras chinesas e pergunto os preços de computadores portáteis, lâmpadas, rádios, etc. São incrivelmente baixos e vêm com 10 a 15% mais de mercadoria para compensar o material defeituoso que seja necessário substituir.
A intensificação do trabalho chinês é tal que se torna imprescindível fornecer mais material para compensar erros de fabrico.
A China Comunista Capitalista deve ser sujeita a sanções económicas graves pela União Europeia por terem tanta escravatura no País e a sanção principal deve ser uma taxa aduaneira de 100% sobre todos os produtos oriundos da China. Isto também para evitar o fecho de milhares de fábricas na Europa e falências nacionais como a da Grécia.
O INIMIGO do trabalhador europeu, brasileiro, americano, etc. é o Partido Comunista da China com o seu comunismo capitalista.


De . a 7 de Maio de 2010 às 10:33

TRABALHO FORÇADO e TRÁFICO de PESSOAS !

Estudos da OIT estimam que os lucros obtidos com o tráfico de pessoas ascende a 32 mil milhões de dólares americanos!

Segundo aquela Organização Internacional mais de 12 milhões de pessoas está submetida ao trabalho forçado em todo o mundo, sendo que 40% deste total são crianças! Ásia e América Latina são os piores locais do mundo.
A Autoridade para as Condições do Trabalho acaba de traduzir e editar um manual de apoio aos inspectores do trabalho com indicações e medidas para combaterem o trabalho forçado e tráfico de pessoas.

Ler artigo de Rui Namorado sobre as hienas de rating
- por A.Brandão Guedes em http://bestrabalho.blogspot.com 4.5.2010


De 'ladrões...' a 7 de Maio de 2010 às 10:15
JP disse...

Há uns anos (não sei se hoje ainda será assim), um terço da mão-de-obra do Luxemburgo era portuguesa. O Luxemburgo era então o país mais produtivo da Europa. E eu pensava que devia ser dos ares mais frios do país. Não havia Sol e a malta entretinha-se a trabalhar mais horas.
Afinal, lá vem a OCDE ser desmancha-prazeres...

Nan disse...

É sempre a velha história de uma anedota que o meu pai costumava contar. Já não me lembro como era mas terminava com um trabalhador a responder:

«É muito simples, Sô 'Tor, o patrão finge que nos paga e a gente finge que trabalha!»

Os trabalhadores portugueses são, na sua maioria, pouco ou nada qualificados.
São mal dirigidos.
Trabalham em más condições, pelo menos a maior parte, e ganham mal.
Em Portugal há o mito de que trabalhar bem é trabalhar muitas horas.
E de que trabalho manual é que é trabalho. Depois, dá no que dá...

maria disse...
Pois o que me parece é que os povos dos Norte não conseguem viver sem a inveja do Sol dos paises do Sul!!!

até querem obrigar os gregos a venderem as suas ilhas!!! só inveja!!!
qualquer dia quererão a Costa Vicentina!!! só inveja!!!
e ainda hão-de querer toda a Costa Mediterrânica!!!

novas formas de "conquista"...


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