As lutas sociais e o conformismo !

A semana que passou foi um tempo verdadeiramente único para a reflexão política e social! Uma semana em que tivemos a visita papal e o vendaval de medidas de austeridade apresentadas pelo Governo. A visita de Bento XVI foi acompanhada pelas TV,s passo a passo de uma maneira que me lembrou diversas vezes o regime fascista da minha juventude agora numa versão moderna !  Uma cobertura acrítica, sabuja ,com comentadores e jornalistas mais papistas que o Papa, sem uma voz discordante e sobrevalorizando o espectáculo!  Não ouvi uma intervenção, uma única, a fazer uma análise sociológica de Fátima, a discordar e a manifestar uma posição que não a da, porventura, maioria!Uma perfeita submissão ao pensamento do status quo eclesiástico quando sabemos que há muito boa gente da Igreja que não acredita que em Fátima se passou algo de não humano!

Para ser franco este comportamento não é próprio de uma sociedade democrática! E menos própria ainda a "lamachice" da RTP 1, canal público de televisão.

 

As últimas medidas de austeridade estiveram na mesma linha. Uma caterva de jornalistas e comentadores a dizerem que estas medidas são inevitáveis. Servem para salvar o País e até a União Europeia, o euro etc,etc. Mas não era suposto que a União Europeia e o euro se criaram para nos salvar?

Não disseram aos portugueses que o nosso futuro fora da UE e da moeda única seria negro? Teremos que concluir que o nosso presente e futuro será sempre negro?

Dizem-nos inclusive que porventura as coisas ainda podem piorar e que não valerá a pena resistir, contestar, lutar.

Aí está então em toda a sua exuberância a ideologia da inevitabilidade económica própria do neo-liberalismo que afinal está mais vivo do que nunca. Esta ideologia diz-nos que as leis económicas são a última verdade das coisas. Não tem sentido resistir às fórmulas mágicas dos números dos economistas que, aliás, quase todos falam pela mesma bitola liberal e são porta-vozes dos tais "mercados"leia-se (dinheiro).

 

Pois o que é necessário é desmontar esta mentira que está construída para nos anestesiar o espírito e resistir. Muitos de nós tiveram essa experiência histórica das diversas revoluções do século passado inclusive do 25 de Abril. Parece que tudo mandam e tudo dominam.... e de repente o povo mexe; leva tempo, mas um dia mexe.... se trabalharmos!

- por A.Brandão Guedes , em Bem Estar no Trabalho, 15.05.2010



Publicado por Xa2 às 08:07 de 17.05.10 | link do post | comentar |

4 comentários:
De Leis de Salazar, de Abril .e o regabofe a 18 de Maio de 2010 às 16:54
Para reflectir... ou talvez não.

*A Lei 2105 *
Artigos de Opinião | 2010-04-06 12:48

*Acabemos de vez com este desbragamento, este verdadeiro insulto à dignidade de quem trabalha para conseguir atingir a meta de pagar as contas no fim do mês. *

Corria o ano de 1960 quando foi publicada no "Diário do Governo" de 6 de Junho a Lei 2105, com a assinatura de Américo Tomaz, Presidente da República, e do Presidente do Conselho de Ministros, Oliveira Salazar.
Conforme nos descreve Pedro Jorge de Castro no seu livro "Salazar e os milionários", publicado pela Quetzal em 2009, essa lei destinou-se a disciplinar e moralizar as remunerações recebidas pelos gestores do Estado, fosse em que tipo de estabelecimentos fosse.

Eram abrangidos os organismos estatais, as empresas
concessionárias de serviços públicos onde o Estado tivesse participação accionista, ou ainda aquelas que usufruíssem de financiamentos públicos ou "que explorassem actividades em regime de exclusivo". Não escapava nada onde houvesse investimento do dinheiro dos contribuintes.
E que dizia, em resumo, a Lei 2105?

Dizia que ninguém que ocupasse esses lugares de responsabilidade pública podia ganhar mais do que um Ministro. Claro que muitos empresários andaram
logo a espiolhar as falhas e os buraquinhos por onde a 2105 pudesse ser torneada, o que terão de certo modo conseguido devido à redacção do diploma, que permitia aos administradores, segundo transcreve o autor do livro, "receber ainda importâncias até ao limite estabelecido, se aos empregados e trabalhadores da empresa for
atribuída participação nos lucros".

A publicação desta lei altamente moralizadora ocorreu no Estado Novo de Salazar, vai dentro de 2
meses fazer 50 anos.

Catorze anos depois desta lei "fascista", em 13
de Setembro de 1974 (e seguindo sempre o que nos explica o livro de Pedro Castro), o Governo de Vasco Gonçalves, recém-saído do 25 de Abril, pegou na ambiguidade da Lei 2105 e, através do Decreto Lei 446/74, limitou os vencimentos dos gestores públicos e semi-públicos ao salário máximo de 1,5 vezes o vencimento de um Secretário de Estado.
Vendo bem, Vasco Gonçalves, Silva Lopes e Rui Vilar, quando assinaram o 446/74, passaram simplesmente os vencimentos dos gestores do Estado do dobro do que ganhava um Ministro para uma vez e meia do que ganhava um Secretário de Estado.
O Decreto- Lei justificava a correcção pelo facto da redacção pouco precisa da 2105 permitir "interpretações abusivas" permitindo "elevados vencimentos e não menos excessivas pensões de reforma".

Ao lermos esta legislação hoje, dá a impressão que se mudou, não de país, mas de planeta, porque isto era no tempo do "fascismo" (Lei 2105) ou do "comunismo" (Dec. Lei 446/74). Agora, é tudo muito melhor, sobretudo para os reis da fartazana que são os gestores do Estado dos nossos dias.

Não admira, porque mudando-se os tempos, mudam-se as vontades, e onde o sector do Estado pesava 17% do PIB no auge da guerra colonial, com todas as suas brutais despesas, pesa agora 50%.
E, como todos sabemos, é preciso gente muito competente e soberanamente bem paga para gerir os nossos dinheirinhos.
...


De Leis de Salazar, de Abril ..e o regabofe a 18 de Maio de 2010 às 17:03

*Acabemos de vez com este desbragamento, este verdadeiro insulto à dignidade de quem trabalha para conseguir atingir a meta de pagar as contas no fim do mês. *

....
Tão bem paga é essa gente que o homem que preside aos destinos da TAP (com sucessivos défices...), Fernando Pinto, que é o campeão dos salários de empresas públicas em Portugal (se fosse no Brasil, de onde veio, o problema não era nosso) ganha a monstruosidade de 420000 euros por mês,

um "pouco" mais que Henrique Granadeiro, o presidente da PT, o qual aufere a módica quantia de 365000 mensais.

Aliás, estes dois são apenas o topo de uma imensa corte de gente que come e dorme à sombra do orçamento e do sacrifício dos contribuintes (e dos desprotegidos consumidores),
como se pode ver pela lista divulgada recentemente por um jornal semanário, onde vêm nomes sonantes da nossa praça, dignos representantes do despautério e da pouca vergonha a que chegou a vida pública portuguesa.

Assim - e seguindo sempre a linha do que foi publicado - conhecem-se 14 gestores públicos que ganham mais de 100000 euros por mês, dos quais 10
vencem mais de 200000.
O ex-governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, o mesmo que estima à centésima o valor do défice português, embora nunca tenha acertado no seu valor real, ganhava 250000 euros/mês, antes de ir para o exílio dourado de Vice-Presidente do Banco Central Europeu. Não averiguei quanto irá
vencer pela Europa, mas quase aposto que não será tanto como ganhava aqui na santa terra lusitana.

Entretanto, para poupar uns 400 milhões nas deficitárias contas do Estado, o governo não hesita em
cortar benefícios fiscais a pessoas que ganham por mês um centésimo, ou mesmo 200 e 300 vezes menos que os homens (porque, curiosamente,
são todos homens...) da lista dourada que o "Sol" deu à luz há pouco tempo.

Curioso é também comparar este valores salariais com os que vemos pagar a personalidades mundiais como o Presidente e o Vice-Presidente dos EUA, os Presidentes da França, da Rússia, e...de Portugal.

Acabemos de vez com este desbragamento, este verdadeiro insulto à dignidade de quem trabalha para conseguir atingir a meta de pagar as contas no fim do mês.
Não é preciso muito, nem sequer é preciso ir tão longe como o DL 446 de Vasco Gonçalves, Silva Lopes e Rui Vilar: basta ressuscitar a velhinha, mas pelos vistos revolucionária Lei 2105, assinada há 50 anos por Oliveira Salazar.

Que tristeza (de governantes e de élites económicas vampirescas) !


De O q. é importante pr'a Gentinha...!? a 17 de Maio de 2010 às 10:17
Mirandela não é Paris

Lá, a Bruni, mostrou-se... e o Presidente Sarkozy casou com ela. Em Mirandela (Torre de D.Chama), a nossa Bruna deslumbra na Playboy... e o presidente da câmara tira-lhe o emprego.

Já não bastava Fátima, Bento XVI, o PEC, vem agora a autoridade e uma gentinha abstrusa, amamentada no preconceito, falsamente casta, muito devota e temente a Deus... engalinhar-se contra a rapariga.

Como dizia o rei D. Carlos o país está uma piolheira. Só uma parte do País.
Só uma parte de Mirandela.


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 18 de Maio de 2010 às 09:06
Não sei se foi bem assim...
Ouvi dizer que o Presidente da Câmara a levou para pertinho dele, para o Arquivo.
Só lhe fica bem arquivar a professora de música.
Vamos lá a ver é se não desafinam.


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