A Causa da Crise e da sua Continuação

As reservas monetárias da China Comunista em dólares aumentaram de 165 biliões em 2000 para 2.400 biliões no fim de 2009, ou seja, multiplicaram-se por 14,50, ultrapassando um quarto das reservas monetárias de todos os bancos centrais e moedas do Mundo que são de 7.810 biliões de dólares, sendo 65% em dólares, 25% em euros e 10% noutras moedas. A queda do euro resulta da necessidade que a China sente em fortalecer o dólar por ser a moeda em que são feitas quase todas as suas transacções.

 

Os países asiáticos que praticam baixos salários são os proprietários de 3.409 biliões de dólares em reservas monetárias.

Essas imensas massas monetárias foram depositadas em bancos americanos, ingleses em europeus e causaram um excesso de moeda não convertida em produções, portanto trabalho, que, por isso, seguiu para a especulação financeira e o subprime e originou a crise financeira de 2007/8/9.

 

Curiosamente, verificamos que na China, as vendas dos seus retalhistas foram de 1.835 biliões de dólares (12.485 biliões de renminbis – nome da moeda chinesa). Em média, cada chinês consumiu bens e serviços no valor de 1.411 dólares no decurso de 2009, o que dá um pouco mais de 117 dólares por mês ou uns 94 euros, segundo as estatísticas oficiais chineses publicadas na net pelo “The US-China Business Council”. Temos aqui uma média dos consumos dos milhares de milionários chineses e dos mais pobres trabalhadores com os das novas classes médias.

Os chineses dizem que a sua população urbana ganhou 209 dólares mensais, enquanto a população rural ficou com apenas 62 dólares mensais.

A China Comunista detém actualmente 30% das reservas monetárias mundiais, mantendo o seu povo num nível de miséria extrema, principalmente no campo.

 

Na China Comunista, cerca 60% de população rural gera 10% do seu PIB e 40% geram 90%. Recordemos ainda que o PIB chinês é rigorosamente igual ao italiano e a Itália até está endividada, pois o poder de compra dos trabalhadores do país de Berlusconi é quase 100 vezes superior ao dos seus homólogos chineses, sendo menos de 5% em número que os chineses. Dos 801 milhões de trabalhadores chineses, 480 milhões geram um PIB igual a 10% do italiano. Saliente-se que a China deixou de fornecer estatísticas sobre a sua taxa desemprego.  Em 2008 diziam que era de 4,2%.

Enfim, a crise mundial resulta de um desnível entre uma exploração asiática do trabalho que gera moeda que não é consumida e provoca um desemprego crescente nos países onde reina uma maior justiça social e democracia com sindicatos, etc. como são as nações europeias, EUA, Canadá, etc.

 

O problema chinês é o causador da crise financeira e da crise produtiva devido à concorrência provocada pela sua mão-de-obra extremamente barata. Neste aspecto a China é acompanhada pela Índia e Bangla Desh com o mesmo número de habitantes, Indonésia, Filipinas, Paquistão e até países da América Latina como o Brasil, em cujas florescentes economias os trabalhadores auferem salários de miséria.

 

A China Comunista suscitou a gula do capitalismo mundial, levando-o a instalar qualquer coisa como 350 mil fábricas na China que originaram outras tantas para fabricar cópias ou produtos semelhantes. A gigantesca Intel fabrica quase todos os chips e placas de mais de 70% dos computadores do Mundo na China e até instalou uma universidade informática em Beijing para formar um grande número de engenheiros chineses. Claro, tudo isto cria uma estranha dependência da China Comunista relativamente ao resto do Mundo e uma certa impossibilidade de aumentar o nível de vida dos seus trabalhadores. Se a China resolvesse utilizar as suas reservas monetárias na aquisição de bens alimentares e outros para os seus trabalhadores, os preços subiriam extraordinariamente, o que acarretaria uma perda milhões ou biliões de horas de trabalho. Se não utilizar essas reservas, a perda supera 10 biliões de horas de trabalho, considerando que cada dólar corresponde a duas horas de trabalho chinês.

 

Portugal é um país altamente afectado pela concorrência chinesa e asiática em geral porque não adquiriu uma alta tecnologia semelhante à alemã, mas recordemos que os alemães enfrentam um alto nível de desemprego, um pouco disfarçado pelo trabalho a meio dia. Como as empresas não podem prescindir os seus trabalhadores especializados despedem-nos por meio dia, recebendo estes 40% do salário do fundo de desemprego e perdendo 10%.

 

Por isso, pretender que Portugal resolve o seu problema cortando um pouco nas despesas do Estado e aumentando 1% o IVA e 1 a 1,5% o IRS não é absolutamente certo. Portugal pode aumentar bastante as suas exportações e resolver o seu desequilíbrio da balança de pagamentos, mas nada está garantido à partida, tanto mais que todos os países do Mundo estão a esforçar-se numa política de exportação e todos querem reduzir os seus consumos. Isso é manifestamente impossível, a não ser que a Ásia se torne num grande mercado e os trabalhadores asiáticos passem a usufruir de salários muito superiores aos actuais.

 

A economia portuguesa representa 2,4% da zona euro que corresponde a cerca de 20% da economia mundial. Portanto, um país com 0,48% da economia do Mundo não pode por si próprio sair de uma crise económica mundial.



Publicado por DD às 00:33 de 25.05.10 | link do post | comentar |

8 comentários:
De Zé das Esquinas o Lisboeta a 25 de Maio de 2010 às 10:10
Já alguém foi enganado com uma mentira retinte?
Daquelas que até os lerdos percebem que é mentira?
Pois quem nos quer enganar mesmo habitualmente fala 'verdade'.
Só que quando se manipula a 'verdade' que é dizer só parte dela, esta torna-se não só uma 'meia-verdade', mas é muito pior que a mentira, porque se torna enganosa e pode arrastar de homens de boa fé.
É isto que, infelizmente, os 'políticos' fazem ao seu eleitorado demasiadas vezes.
É isto que o DD faz frequentemente aqui no Luminária.
Estou de acordo com o post do DD. Tudo o que ele diz é, também para mim, verdade.
Mas é só 'metade' da verdade. E então DD a outra metade. A do exercício político interno, como diz o anterior comentador? Onde está exposto com a mesma clareza?
Vá lá DD, passe para cá outro post com a outra metade da 'verdade' que lhe falta expor.


De DD a 26 de Maio de 2010 às 09:54
Não conheço nem creio q exista uma solução nacional imediata q permita vencer a concorrência dos países esclavagistas. Reoara q no passado todos os impérios e potências foram construídos por escravos ou pessoal tão mal pago q se aproximava da escravatura. A Alemanha aguentou os cinco anos de guerra graças ao trabalho de 17 milhões de escravos postos a trabalhar a troco de uma miserável ração diária; os planos quinquenais estalinistas fizeram avançar a URSS graças à escravatura tal como as primeiras obras de Maozedung, isto para não falar no Brasil construído pelos escravos q os portugueses levavam d Áfria e os EUA e o Império Britânico e mais atrás o Império Romano, a civilização helénica, as piramides do Egipto, etc.
A solução é a Europa declarar oficialmente que salários abaixo de um certo valor são de escravatura e, como tal, não importa os produtos fabricados pelos escravos.
A prazo, o exemplo das eólicas, da fileira do papel fino, do vinho de qualidade, do olival, das hortícolas, das viaturas e baterias eléctricas indicam-nos caminhos sujeitos a riscos pois a evolução técnica pode repentinamente alterar uma visão de futuro.
Trabalho bem pago implica um esforço nas marcas e na evolução técnica e não acredito q possa ser concretizado c/ leis.
A patir das Universidades como a de Aveiro e outras afirmaram-se novas empresas com tecnologias avançadas, mas sempre pequenas, pois há uma realidade q temos de enfrentar, o "Made in Portugal" não vende automaticamente nem é reconhecido mundialmente como produto mais barato q o dos países esclavagistas.
Eu, proponho sempre o castigo tarifário dos países esclavagistas se estes não quiserem valorizar as suas moedas e melhorar o nível salarial dos seus trabalhadores.
Creio q numa Europa de 501 milhões de habitantes a pequena economia portuguesa pode encontrar mercados para vender os seus produtos. Mas, para isso necessitamos de empresários q não e limitem aos supermercados e lojas de mercearias e afins.


De Ressaca a 26 de Maio de 2010 às 11:41
Essa do 'acredito' tá boa.
E na Senhora de Fátima também há quem acredite...


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 26 de Maio de 2010 às 11:52
Continuo à espera DD. Não me satisfez este complemento ao post.
Então vocemecê que tanto sabe, e bem esplanar a história, para fundamentar as suas opiniões, comece lá a analisar o estado do Portugal recente, com as decisões recentes da nossa recente política. E não precisa de ir aos 40 anos de obscurantismo. Comece por analisar e fundamentar o nosso sufoco de ser alguém como país criador de riqueza, por exemplo e só por exemplo, com aquelas 'brilhantes' directrizes europeias que no tempo do nosso 'amado' Mário aceitou e impos o abate das frotas pesqueira, em que se dava dinheiro para abater os barcos e que conduziu à falencia da indústria conserveira, de farinhas, de estaleiros de construção naval... E estou lhe a dar esta 'pista' como ponto de partida porque sei que o camarada tem conhecimentos de percurso e responsabilidades políticas activa nestas miseráveis decisões de afundamento da indústria nacional.
Não era deputado da nação nessa época, ou estarei a fazer confusão? Se assim for desculpe estar a envolvê-lo, mas o assunto continua a ser pertinente, ou não?


De Zé T. a 26 de Maio de 2010 às 12:15
Concordo com a imposição de restrições à importação de produtos de países neo-esclavagistas
(salários mensais abaixo de, digamos, metade da média do salário minimo europeu ?)
e de países não cumpridores de medidas minimas de higiene e segurança no trabalho, e de protecção ambiental (tratado de Quioto), ...

Mas... faz-me lembrar o boicote da Cadbury's (e outras chocolateiras inglesas...) ao cacau das roças de S.Tomé no final do sec. XIX , e que HOJE compram cacau ao Benin e Nigéria que é apanhado por crianças-escravas trazidas de outros países...

A economia, as empresas, os 'grandes' administradores, o dinheiro deixou de ter nacionalidade (e de ter valores humanos ou sentido de responsabilidade social e ambiental) para ser global (especulativo, sujo, sanguinário, ...e com sede em paraísos fiscais !)...
pelo que só a força conjunta de grandes e fortes Estados ou Uniões podem refrear a sua sofreguidão sem rosto nem valores.

Atenção !
o capitalismo neo-liberal/selvagem tem muitas armas e facilmente compra governos e deputados, 'compra' leis favoráveis (ou cheias de lacunas e inconsistentes), compra e contorna administrações públicas sem meios adequados, compra professores universitários e consultores jurídicos e técnicos, compra partidos e líderes de opinião, ...


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 26 de Maio de 2010 às 15:30
Bem analisado e comentado.
Mas sejamos 'sérios', quero dizer menos idealistas. Práticos.
E não nem economia, nem estruturas, nem dimensão para nos impormos lá fora a restringir o que quer que seja.
Só de o tentarmos seria o chamado 'virar o feitiço contra o feiticeiro' e deixávam era de nos importar o que quer que seja - Vinho Oporto, etc.
E depois como diz o amigo no seu comentário era fácil untar uma mãos e lá vinham as tais leis favoráveis a todas as 'vigarices' habituais.
Resta-nos amuar. Fazer beicinho.
Não. Há soluções. Mas era necessário fazer como os galegos fizeram aqui à 25 anos. Valorizar internamente o que é nosso. No preço e na escolha.
Mas não era por dias numas 'feiras' dos hipers... Era como desígnio nacional. Consumir o que produzimos e apreços apelativos.
Mas isso é outra estória...


De Sacudir? a 25 de Maio de 2010 às 09:44
DD expõe, com validade, sobre as contingências externas à economia nacional coisa bem diferente, ainda que com correlação, são as nossas atitudes internas, as nossas responsabilidades próprias, que não devemos, como sucede frequentemente, alijar nem sacudir para terceiros.

Nós esbanjamos em demasia, mal gerimos recursos, aumentou a corrupção partidária, pública (central e autárquica) e privada. Desses males não podemos responsabilizar a economia da China comunista, ou será que devemos?


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 25 de Maio de 2010 às 09:59
Tem plena razão.
Independentemente da conjuntura externa ser adversa e não termos expressão na sua solução, isso não impede uma melhor e mais adequada e sensata conduta interna, nomeadamente quando toca a gastar o que não temos.


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