Dos 16 países com moeda única, Euro, 10 não apresentam os problemas que os restantes apresentam, ou seja, um défice orçamental elevado e uma dívida pública quase incontrolável como a portuguesa. Outra curiosidade é que dos 6 países com problemas de défice orçamental elevado, com excepção da Irlanda, todos se situam no sul da Europa: Portugal, Itália, Grécia, Espanha e França.
Também a dimensão dos países não é relevante. Alguns países sem problemas têm a nossa dimensão, outros são mais pequenos e há um que é maior. Contudo, todos receberam proporcionalmente á sua população muito menos subsídios a fundo perdido, que Portugal.
Que leitura podemos desde já fazer: A primeira afirmação do post “Outra economia e alteração da zona Euro” não colhe. Não foi a entrada na zona euro a principal razão da perda de competitividade. O processo da desvalorização da moeda e da exportação de produtos de preços reduzidos, sustentados em mão-de-obra de baixos salários, não é compatível com um quadro de globalização como o actual. Aliás, é o autor do Post que afirma que mesmo uma redução drástica de 30% nos salários pouca repercussão tinha no custo final do produto.
Da mesma forma que não colhe a afirmação que planos de austeridade são uma má opção. Desde logo porque a austeridade resulta primeiramente da falta de crédito. Não é portanto uma opção, mas sim uma consequência, sem alternativa. Também não colhe a afirmação, muito defendida por Jorge Sampaio, que um orçamento equilibrado não é importante, ou como dizia: há muita vida para além do défice: Vê-se!
Estão os países com orçamentos equilibrados e dívida pública controladas a serem alvos de especulações? Não. Mais, é Jorge Sampaio ou Stiglitz quem empresta o dinheiro que Portugal sistematicamente precisa? Também não. Alguém acredita que os alemães ou qualquer outro povo está disposto a trabalhar e fazer economias para as entregar a Portugal ou países idênticos ao nosso? Claro que não. Poder-nos-ão fazer empréstimos mas têm que ter garantias que os mesmos são pagos. Que garantias oferece Portugal, onde a dívida pública e privada crescem exponencialmente e sem controle e onde a balança de transacções comerciais tem um défice crescente?
Sobre a lucidez dos economistas, que créditos nos merecem sejam académicos ou não? Qual o seu contributo, ou mesmo o das suas universidades, no caso dos académicos, para o crescimento económico de Portugal?
Soluções para o défice orçamental: Diria que nem há necessidade mexer nos impostos nem de despedimentos; basta tão só reduzir os desperdícios (nem digo eliminar) e a burocracia, ajustar os recursos humanos e afinar a máquina fiscal, melhorando a justiça contributiva, porque ainda há uma percentagem muito elevada de fuga aos impostos, aparentemente até alguma dela, com a conivência do aparelho fiscal.
Soluções para o crescimento da economia: Num curto prazo é difícil. Mas Portugal tem que definir uma estratégia para um médio e longo prazo, que passa por ajustar o ensino superior às necessidades previsíveis de técnicos e não ter cursos em função dos interesses dos professores, como acontece actualmente bem como exigir que os investigadores pagos pelo Orçamento Geral do Estado, que devem ser 100%, orientem a s suas investigações para áreas produtivas, isto é, que estejam ao serviço do país e não exclusivamente, como acontece actualmente ao serviço do seu curriculum. Melhorar (aqui substancialmente) o funcionamento da Justiça e exigir das entidades com essa competência, nomeadamente o INE, rigor na informação.
Estas 4 medidas, que não têm custos acrescidos, antes pelo contrário, serão a alavanca de que o país precisa para sair deste marasmo económico e produtivo.
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