Um sério aviso

1. Uma recente sondagem da Marktest, para a TSF e o Diário Económico (trabalho de campo realizado entre 18 e 20 de Maio) apresenta os piores resultados dos últimos anos para o PS. É certo que há uma outra, também recente, da Eurosondagem, com valores diferentes. Mas seria pura inconsciência não interpretar esta sondagem como um aviso sério.

O PSD sobe até aos 43,9%, aproximando-se da maioria absoluta, o PS fica-se por uns inimagináveis 27,6%. O CDS não paga o preço pela subida do PSD e consegue melhor do que no mês passado com 7,5%. O BE fica ligeiramente acima com 7,7% e o PCP fica nos 7,1%.

Ou seja, a direita passa a barreira dos 50%, atingindo os 51,4%, enquanto os três partidos de esquerda somados não vão além dos 42,4%.

Assim, com a descida do PS não beneficiaram os outros dois partidos da esquerda, que em conjunto ficaram abaixo dos 15%.

2. O PS deve reflectir sobre as consequências, para a sua saúde política e para o país, de se deixar penalizar pelo facto de seguir os caminhos impostos pelos poderes fácticos que causaram a crise ( ou que são eles próprios o rosto verdadeiro da crise) e pelo PPE (Partido Popular Europeu), quando parecem beneficiar dessa penalização os ramos portugueses desse mesmo PPE. Força política essa que verdadeiramente é um dos eixos estratégicos da crise e o seu núcleo político.

O PCP e o BE não podem deixar de reflectir sobre o facto de ser agora óbvio que actuaram objectivamente como instrumentos ( decerto involuntários ) da direita, uma vez que afinal é ela que tira proveito da flagelação sistemática do PS e do Governo , na qual tão aplicadamente têm colaborado com a referida beneficiária.

Aos eleitores que se zangaram com o PS cabe perceber que, se procurarem aconchego no regaço da direita, estão afinal a dar o poder aos que agravarão todas as medidas que os levaram a afastar-se do PS.

Mas, mais importante do que tudo isso é que todos os caminhos de reversão do desastre ficarão mais estreitos se o PS se embrenhar por atalhos políticos ou continuara a arrastar os pés.

E, antes de tudo, terá que compreender que não pode limitar-se a oferecer, como único futuro, às vítimas das actuais desigualdades sociais, a sua eterna reprodução.

Rui Namorado, O grande zoo



Publicado por Xa2 às 08:07 de 31.05.10 | link do post | comentar |

7 comentários:
De Acumulação de Pensões e tachos a 31 de Maio de 2010 às 15:24
PELO FIM DA ACUMULAÇÃO IMORAL DE PENSÕES E SALÁRIOS

A acumulação de pensões e salários é uma injustiça flagrante e ainda mais em tempos de crise!

Quem está no activo e recebe o ordenado correspondente, não deve receber qualquer pensão de reforma ou de aposentação, porque estas
devem estar reservadas para quem estiver fora do serviço activo, em funções públicas ou privadas, salvo quando o valor da pensão seja
inferior ao salário mínimo.

O exemplo deve vir de cima, como o do actual Presidente da República que recebe três reformas além do ordenado de Presidente, tal com o anterior, que recebia uma reforma, além do vencimento presidencial, como de muitos ex-ministros, deputados e autarcas, que continuam em funções públicas e privadas, a acumular salários e pensões de reforma,
com injustificado prejuízo para o sistema de segurança social e pela redução de postos de trabalho para os jovens.

Quando se discute a redução do subsídio de desemprego e de outras prestações sociais, é estranho mas significativo, que os nossos políticos ainda se não tenham lembrado de moralizar o sistema e terminar a acumulação imoral de pensões e salários, de que são os principais beneficiados.

No dia em que o Senhor Presidente da República recebe vários ex-ministros, beneficiados pelo sistema, inicia-se esta petição, pelo fim da acumulação imoral de pensões e salários, destinada a submeter à AR a análise desta questão, em particular quando pensão e vencimento
ultrapassem o valor de três (3) salários mínimos.

A mesma pode ser lida e assinada através do seguinte endereço:

http://www.peticao. com.pt/acumulaca o-pensoes- salarios

Se concorda, assine e divulgue por todos os seus contactos!
Todos não somos demais para melhorar Portugal!


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 31 de Maio de 2010 às 12:42
Plenamente de acordo com o seu comentário.
Alguns dos que fundaram o partido, hoje comportam-se como se tivessem fundado um clube.
E penso que esta é a verdadeira questão do problema PS.


De O Aviso e o Nada a 31 de Maio de 2010 às 12:40
Ainda haverão avisos que resultem?

Veja-se mais esta gafe do encontro com o Chico , sim o Buaraco, o brasileiro!

Para quê tanto disparate nas hostes do governo e dentro do PS?

Só pode ser o desnorte dos boys que não fizeram, antes não fazem depois de ocupar os lugares, o trabalho de casa. A grande maioria vive à sombra de trabalhos alheios, o resultado fica à vista...

Veja-se o caso de Lisboa, tantas promessas em campanha eleitoral, tomada que foi a posse e tudo continua igual, convocatórios aos miliates para "grandes debates" onde estes não têm espaço para debater ideias...

O que se faz nas secções? o mesmo, que é nada...


De Izanagi a 31 de Maio de 2010 às 12:09
O PS, teve na sua génese um grupo de pessoas que reflectiam sobre os problemas do país e que avaliava da correcção ou não das suas análises em debates não condicionados por uma estratégia de poder pelo poder. Quando começou a dispor de poder, e o país, fruto de fundos da EU, começou a dispor de dinheiro, surgiram militantes cuja estratégia passava não por servir o país, mas sim por se servir do país. E, o que é grave, é que eram bons naquilo que se proponham. Conseguiram alcançar o poder e liderar o PS, anestesiando, através de sinecuras, algumas das vozes críticas e desvalorizando outras. Deixou de haver massa crítica no PS.
De há uns tempos a esta parte os “lideres” contradizem hoje, as afirmações de ontem, com todo o despudor, porque não há militância, há autistas. Exemplo recente do que acabo de afirmar foi a reunião de 28 no Rato, promovida pela actual Concelhia - que cumprindo com o seu programa, tem-se revelado activa - , onde Santos Silva, entre outras coisas, garantiu hoje que as reformas na Segurança Social são as ajustadas. Dos que solicitaram a palavra para intervir, ninguém questionou o facto de o mesmo ter sido dito naquela sala, há cerca de 10 anos, com os mesmos intervenientes. Também ninguém questionou a retirada de apoios a desempregados com filhos menores, que recentemente o governo tinha implementado. Como não foi questionada, como se fosse uma verdade insofismável, que a crise actual é mundial. È mundial. Num processo de globalização como o actual não há economias estanques, mas a crise afecta diferentemente os países, sejam ou não da zona euro. As agências de rating não desvalorizaram, por exemplo, a notação da Holanda, país da zona euro.
Ouvido Santos Silva, ficava-se com a noção de que o país não tinha problemas. Aliás, ao meu lado, estava um militante, que no início começou por preencher um boletim do “euromilhões” que no final do discurso de Santos Silva, rasgou, tal a convicção de que não necessitava de um milagre para sair da crise, que o mesmo estava ali, á sua frente.
Um partido em que não há crítica, apenas louvores e hosanas aos ”líderes”, em que militância foi substituída pelo autismo, terá um futuro pouco promissor.


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 31 de Maio de 2010 às 11:19
O PS é e será vitima de si próprio.
Do distanciamente que fizeram do povo;
De não mostrarem sentido de Estado;
Da sobranceria;
De se comportarem como autistas, não ouvindo ninguém, mesmo do próprio partido.
Da crise mundial com que fomos arrastados e confrontados, não. Disso não são culpados, nem ninguém de bom senso, os culpa.
Mas da forma como a estão a enfrentar, disso sim, são culpados e vão ser julgados nas urnas.
Mas como diz aí outro comentador, andam para aí muitos 'mansos' e 'sim senhor'...


De A.Freire a 31 de Maio de 2010 às 11:14
Conflito, cooperação e popularidade

Quando Sócrates (SOC) e Coelho (PPC) se encontraram para acertar o apoio do PSD ao governo e ao seu exigentíssimo programa de austeridade, escrevi aqui no Diário Económico (14/5/10):
“se a história se repetir, o PSD sairá beneficiado: disponibilizou-se para encontrar soluções;
o PS será provavelmente o mais fustigado; sendo tão liberal não está afinal tão longe do PS…”

Embora haja ainda cerca de 40 por cento de indecisos na sondagem, este estudo dá-me razão, quer em matéria de intenções de voto (PSD: 43,9; PS: 27,6),
quer de popularidade (SOC: -38,0 no índice de imagem; PPC: +50,7).

Note-se que Sócrates está no ponto mais baixo desde Dezembro de 2008 (exceptuando Abril e Maio de 2009) e PPC apresenta o melhor resultado de todas as lideranças desde Dezembro de 2008 (sempre muito negativas).
Congruência com as intenções de voto, portanto.

Em termos de voto, todos os pequenos (na casa dos 7,1, CDU, a 7,7 por cento, BE) parecem estar a ser penalizados face às legislativas.
Porém, a popularidade revela que são os partidos à esquerda os mais penalizados (Louça: -9,0 no índice de imagem; Jerónimo de Sousa: -7,2), resistindo melhor o CDS-PP (Portas: +9,4).

Conclusões:
a disponibilidade para cooperar na procura de soluções para o país pode ser pagadora;
a indisponibilidade para negociar pode ser penalizadora.


-por André Freire, Ladrões de bicicletas, 30.05.2010, publicado originalmente no Diário Económico de 29 de Maio de 2010
..........................

As condições impostas pela Europa, na senda dos ataques ao euro e à dívida, obrigavam o governo minoritário a procurar apoio para um doloroso programa de austeridade.
Na impossibilidade de o encontrar à esquerda, sempre indisponível para compromissos que impliquem cedências e/ou a aceitação do enquadramento internacional, restava a direita, designadamente o PSD (pelas dimensão e proximidade ideológica).

Compreende-se a necessidade.
Mais, se a história se repetir, o PSD sairá beneificiado: disponibilizou-se para encontrar soluções;
o PS será provavelmente o mais fustigado; sendo tão liberal não está afinal tão longe do PS…

Mas há problemas.
Primeiro: o acordo obscurece a clareza das alternativas.
Segundo: relembra a falta de inovação e inclusividade da política portuguesa: nas questões cruciais, o PS só consegue entender-se à direita.
Terceiro: num dos países mais desiguais da Europa, um acordo à direita irá agravar a assimetria na distribuição dos sacrificios: estes não serão iguais para todos e a equidade é uma miragem.
Quarto: desde 2002 que os compromissos eleitorais são clamorosamente violados: erode-se a credibilidade e legitimação do sistema político.

Publicado originalmente no Diário Económico de 14 de Maio de 2010
Publicada por André Freire


De Manso PS a 31 de Maio de 2010 às 10:57
Uma esquerda mansa dentro do PS

Há uma esquerda mansa dentro do PS que murmura de vez em quando a sombra de uma ligeira discordância circunstancial com a direcção do partido, para que se desconfie que possa existir.

Move-se com discreta elegância, como um fantasma de uma terceira via de cuja órbita verdadeiramente nunca fugiu, embora sempre tenha mantido a necessária distância para não ser salpicada pelos desastres que ela protagonizou.

Nos órgãos do PS, resguarda-se de fazer ouvir a sua voz, deixando por vezes a subtil demarcação de um sorriso céptico como grau máximo da ostensibilidade que consente a si própria na crítica à linha dominante.

Na comunicação social ou na blogosfera, concede por vezes uma ideia, onde se surpreende um perfume de demarcação em face do Governo ou perante a direcção do partido. A comunicação social noticia a inesperada sombra dessa nuvem passageira.

Ela não gosta do Manuel Alegre como possível candidato apoiado pelo PS. Preferia talvez um português suave que sussurrasse uma campanha serena, susceptível de fazer com que as cinquentonas melancólicas regressassem à breve primavera de um voto.
Preferia talvez um candidato sem alma que nos dissesse uma prosa lisa e nos aconchegasse num território centrista, sem gritos e sem arestas.
Ou seja, a esquerda mansa, que vive pé ante pé, dentro do PS preferia um candidato asséptico de fato cinzento e gravata azul cobalto, que nos fizesse repousar a todos numa hipotética harmonia universal, para onde felizes se encaminhariam em romaria os apreciados votos do alegado centro. Velha ideia, velha ilusão.

E no meio de uma tão discreta mansidão, pergunto-me:
Mas afinal que pequenas coisas ou que grandes cálculos separam estes camaradas da direcção actual do nosso partido ?

-por Rui Namorado, O grande zoo, 29.05.2010


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