4 comentários:
De Heresia económica? ou saída da crise? a 4 de Junho de 2010 às 12:39
Heresia sensata I

“O BCE tem de cometer a heresia de imprimir moeda e cair na tentação de inflacionar a economia.
Temos de ser pragmáticos, tirar todas as palas dos olhos e do pensamento e aplicar as melhores soluções mesmo que sejam uma heresia monetária.

A crise que vivemos é demasiado perigosa, é tóxica, sim, mas porque ameaça os pilares que garantiram a paz europeia durante mais de meio século.”
Helena Garrido

Nem mais.
O financiamento monetário dos défices públicos é do mais elementar bom senso em situações de crise como a que vivemos, ajudando os Estados a combater o aumento do desemprego.

De qualquer forma, os seus impactos inflacionários, certamente modestos num contexto de pressões deflacionárias e de desemprego de dois dígitos, não são nada comparados com o fim eminente do euro se nos mantivermos colados à ortodoxia inscrita em tratados atirados, de uma forma ou de outra, para o caixote do lixo da história.
Além disso, um pouco de inflação é do melhor para quem está endividado:
os rendimentos tendem a crescer a um ritmo superior ao do custo da dívida.

Hoje o perigo é o oposto: em situações de deflação, o fardo real da dívida aumenta...

Heresia sensata II

“Um défice elevado é um sinal de que a economia está a funcionar abaixo da sua capacidade e de que há uma insuficiência de procura (…)

O perigo é que cada país europeu tente reduzir o défice através de um corte das despesas.
Isto terá efeitos reduzidos no défice, mas irá aumentar o desemprego de cada país e reduzir a procura por exportações de outros países.

À medida que o emprego e os rendimentos diminuem, os seus défices orçamentais deteriorar-se-ão devido à redução das receitas fiscais:
o pior dos dois mundos.”
Malcolm Sawyer

Em conjunto com Philip Arestis, Sawyer é um dos economistas que há mais tempo identificou as disfunções institucionais da União Europeia, acompanhando o diagnóstico com propostas para as corrigir.

-por João Rodrigues, em 2.6.10 , Ladrões de Bicicletas


De Economistas diferentes a 4 de Junho de 2010 às 12:44
Uma opinião diferente não faz o pluralismo, mas ajuda muito

De algum tempo a esta parte acontece ser publicada de quando em quando uma opinião económica que diverge da média.
Isto é novo e deve ser celebrado. Espero que tenha um efeito positivo nas vendas dos jornais económicos.
Aconteceu recentemente com a entrevista de João Ferreira do Amaral, no Jornal de Negócios, aconteceu hoje de novo com um artigo de João Pinto e Castro onde se pode ler:

“A voz do mercado diz-nos hoje que os estados devem adoptar políticas restritivas.

Ao invés, a voz da razão diz-nos que subsiste um forte risco de recessão ou, pelo menos, estagnação prolongada.
Alerta-nos para a necessidade de os apoios às economias não serem retirados enquanto a procura privada não reanimar.
Faz-nos ver que nem todas as dívidas poderão ser pagas.
Recomenda, por isso, a renegociação internacional das dívidas e a aceitação de níveis de inflação um pouco mais elevados como forma de desvalorizá-las.

Sugere um empenhamento na eliminação dos excedentes persistentes pelo menos tão grande como aquele que é dirigido contra os défices persistentes.

“Last but not least”, recomenda a aceleração das reformas das instituições financeiras e do seu funcionamento.”
- por José M. Castro Caldas, Ladrões de Bicicletas


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 4 de Junho de 2010 às 11:37
Nos tempos que correm ninguém, inteligente, politicamente formado, com pensamento próprio e desinteressado do exercício dos poderes, pode ou consegue estar num partido político. Só existem para gente formatada, mesmo que bem formada.
Quem assim não é, e tenta integrar-se nos valores e ideários dos partidos, está automaticamente descartado e às vezes maltratado.
Vivemos tempos em que o que se valoriza é a hegemonia e o global.
Pior, vivemos tempos em que se ‘castiga’ a diferença.
Mais ainda nas 'indústrias da cultura', pois só pop, piroso ou medíocre é valorizado. Então se for vanguardista, está-se completamente marginalizado nesta sociedade.
Já aqui temos, no Luminária, um postante que arrogantemente reclamou da sua importância e que não gosta de contestações ao que escreve, porque é co-fundador do PS… com o número 33 e que lutou pela liberdade… se acha que lhe devemos alguma coisa, mande a conta…
Gentinha emproada que julga ter superioridade moral e indiscutível.


De Aproveitar a crise a ''pão e circo'' ! a 4 de Junho de 2010 às 09:18
COMO SE PODE APROVEITAR DA CRISE !

Aproveitando a crise mundial os mercados e as organizações internacionais estão a mandar as suas mensagens aos governantes da Europa, seus veradadeiros acólitos.
Veja-se o caso da Espanha onde até governa o PSOE.
Estando aquele País a passar por maus momentos, nomeadamente com um desemprego escandaloso as tais organizações internacionais (OCDE, FMI, Banco Europeu, etc) dão todas as mesmas receitas:
Cortar nas despesas sociais e fazer mais uma reforma laboral !
Quem já tem alguns anitos nesta vida há quanto tempo se houve falar em reforma laboral ? Desde sempre ! O que pretendem ?
É ver Espanha neste momento:
Despedir com facilidade e com uma pequena indemnização;
contratos precários;
salários congelados; e
dar a cada trabalhador qualquer função.

Qual é o sonho do patronato europeu?
O modelo chinês e indiano. Trabalhar por uma malga de arroz para sermos competitivos ! !!

Em Espanha está no horizonte próximo uma greve geral. Mas que podem fazer os sindicatos naquele país onde correm anualmente enormes subvenções do Estado para as duas principais confederações sindicais? ('comprando' os seus dirigentes, tal como em Portugal o governo 'arranjou e comprou' a UGT )

E a CES (confederação europeias sindical)? já viram? Marcou uma mobilização europeia para Setembro e outra para Outubro.
Vamos ver quais as ideias do Executivo da CES que reuniu ontem. Decidiram uma mobilização europeia. Que diacho será isso? Uma manif folclórica?
E os socialistas europeus neste momento onde fazem a diferença ? sabem ? (nem eu !!)

Não estou a brincar, estou preocupado com a situação na Europa onde cada governo se governa por si e pouca solidariedade vejo.
Principalmente com quem está desempregado e marginalizado. Com quem trabalha como burro e não vê os resultados ao fim do mês!

E a malta jovem?
Uns trabalham com contrato a prazo por uns poucos euros nos call centers, caixas e em trabalhos de intensa exploração e outros vão ás aulas e embriagam-se com os festivais de Verão!!
Cuidado com isto.....

Publicada por A.Brandão Guedes, 2.6.2010, Bem Estar no Trabalho


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