ORDENADO MÍNIMO vs ORDENADO MÁXIMO

“Há que verificar se os esquemas de remuneração estão alinhados com a sustentabilidade da própria instituição” disse o novo governador do Banco de Portugal Carlos Costa, sobre as remunerações na Banca.

Alargando este pensamento à generalidade dos vencimentos e ordenados de todas as empresas nacionais e tal como já existe um valor mínimo, proponho aqui, à reflexão, que se legisle sobre um limite nas remunerações para qualquer empresa.

Não um valor fixo como está para o chamado «ordenado mínimo nacional», mas um valor percentual. Por exemplo, que o «ordenado máximo» numa empresa não pudesse exceder 25x o vencimento mínimo pago nessa empresa nem 10x vencimento médio da mesma.

E devem-se considerar todas as despesas de representação, prémios, bónus e restantes regalias e mordomias como valores integrados nesse cálculo de vencimento.

Mesmo que não fosse 25x o limite, mas 50x ou 100x mais, isto se é intelectual e socialmente aceitável que haja alguém que se justifique receber mensalmente mais 100x que um seu subordinado, mas indiscutivelmente colega de trabalho.
Este é o momento indicado para moralizar e socializar o mercado de trabalho. Atravessamos uma crise económica que, independentemente da sua origem ou culpados, não foram com certeza os trabalhadores comuns que a criaram. Contudo é a eles, não só, mas sobretudo a eles que se pede agora que se associem em sacrifícios, para a recuperação da economia de nacional e global.

Em face disso que é necessário encontrar um método que limite a escandalosa e indecorosa distanciação económica que existe entre trabalhadores na mesma empresa. Eu sei que não é a mesma coisa ser «administrador» ou «director» e ser «motorista» ou «paquete». Mas não existem administradores nem directores sem haver toda a outra cadeia de subordinados para fazer distintamente o que a cada um lhe competirá na empresa. Não existe quem mande se não houver quem lhe obedeça.

Talvez esta limitação no »ordenado máximo» criasse uma maior justeza e transparência à área laboral e travasse alguma irracionalidade em algumas remunerações que para aí vemos e que até podem por em causa a sustentabilidade das próprias empresas, como referiu o novo governador do Banco de Portugal.



Publicado por [FV] às 10:50 de 08.06.10 | link do post | comentar |

7 comentários:
De As costuras societarias a 8 de Junho de 2010 às 12:41
Uma tal medida além de justa seria, acima de tudo, uma questão de moralidade e de socialização.

Não é possível haver estabilidade social com tão elevadas discrepâncias. Os pobres e excluídos de obrigações (igualdade de oportunidades) e de direitos (a justa recompensa do esforço produzido) têm suportado, durante demasiado tempo, tão gritantes injustiças.

É tempo de as corrigir ou então de fazer rebentar as costuras societárias em que estamos a viver.


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 8 de Junho de 2010 às 14:14
"É tempo de as corrigir ou então de fazer rebentar as costuras societárias em que estamos a viver. "
Como eu o entendo...
Quantas vezes eu já pensei que este é o momento do "para grandes males, grandes remédios"


De . a 8 de Junho de 2010 às 12:09
josé silva 08.06.2010/11:51

»toda esta crise,é fruto da globalização de mercado, especialmente do mercado Indiano e Chinês,
quem negociou estes acordos?

foram aqueles que hoje ganham pensões e reformas milionárias,acumulando várias reformas,
ou seja os politicos que nos puseram nesta situação,
mas que a Eles nada acontece porque tem os bolsos cheios.

rutra 08.06.2010/11:42

»despeçam, cortem nos salários,continuem com as borradas.
Depois quero ver como vão sobreviver as empresas os bancos etc.
quanto mais despedirem e quanto mais nos tirarem, cada vez isto piora mais.
Ainda ninguém se convenceu disso?

Quanto ás reformas dos trabalhadores, ainda Há muito a fazer. Lei das reformas igual para todos.
Não é reformarem-se ao fim de 12 anos como acontece com os deputados.
Quem for reformado, não poder trabalhar em mais lado nenhum, a não ser que crie o seu próprio posto de trabalho ou empresa de maneira que crie outros postos de trabalho.
quem tem mais que uma reforma, optar só por uma.
As reformas mais altas descerem, de maneira que as mais baixas possam subir.
E porque não um valor de reforma igual para toda a gente?


De Zé T. a 8 de Junho de 2010 às 11:41
Concordo... e gostaria que tais medidas fossem aplicadas.
Contudo, não creio que os lobbies internacionais e nacionais deixem avançar por aí, até porque «não temos uma governação séria na Europa, temos uma espécie de comissários de malfeitores que interpretam os interesses de meia dúzia de privilegiados e que tentam impor sacrifícios aos trabalhadores e ao povo a todo o custo».


De Zé T. a 9 de Junho de 2010 às 10:32
Agora o PSD vem propor a limitação de reformas/ pensões, do sistema público e para-público, a 12 x IA= 5030€ , incluindo as acumuladas.
A ideia de impôr um tecto parece justificar-se ... pelas dificuldades económicas do país, pela crise.
Contudo ...

- Porquê só para os contribuintes/beneficiários do sistema público ?! ... «ou há moralidade ou 'comem' todos ! », diz o povo e com razão.

. Contra-argumenta-se que o Estado não pode interferir na liberdade contratual dos privados, em sistema capitalista. Certo.

. Mas o Estado tem a obrigação de velar pelo Bem Comum e pela manutenção do próprio Estado, especialmente numa situação económica e social de crise... (provocada por privados financeiros e especuladores, internacionais e nacionais)...
pelo que nada impede (nem o direito, nem a ética, ...excepto a vontade ou a falta dela...) que o Estado (governo/parlamento) aplique impostos progressivos áqueles que mais recebem (em pensões acima de..., em vencimentos e outros rendimentos), independentemente de serem contribuintes/ beneficiários do sistema público ou do privado.

- Porque não um tecto para aqueles que recebem (cumulativamente) mais de 10xIA= 4520€ ou até 6xIA= 2515€ .?!
. É que estes 'tectos' não são inocentes... acima de 5030€, do sistema público, são muito poucos que são abrangidos ... - o que quer dizer que esta medida se saldaria em quase nada - populismo demagógico, para ganhar votos e simpatias -,
. e quem efectivamente iria pagar/contribuir para resolver a crise seriam os pagantes do costume:
os trabalhadores por conta de outrem... que esmagadoramente ganham muito menos que os tais 5000€ e não podem fugir aos impostos (IRS, IVA, IUC, IMI, ...).


De Demagogia neo-liberal do PSD a 9 de Junho de 2010 às 10:48
Passo em falso
[Publicado por Vital Moreira, CausaNossa]

Ao contrário do que afirmou Passos Coelho, já existem limites máximos ao valor das pensões, bem como limites à sua acumulação. E foi o Governo de Sócrates que os estabeleceu (contra grandes resistências, aliás).
Deve também reccordar-se que foi o memso governo que pôs fim às subvenções vitalícias por exercício de cargos políticos.

Independentemente da possiblidade de estreitar os referidos limites,
é de desconfiar que o propósito do PSD consista em limitar as pensões do sistema público obrigatório, para depois justificar a redução das respectivas contribuições, levando as pessoas a subscrever um regime complementar de pensões.

Quem pensa que o PSD abandonou o seu projecto de privatizar parcialmente o sistema de pensões, num esquema de capitalização individual, deve desenganar-se.


De [FV] a 9 de Junho de 2010 às 11:00
O Estado não se inibiu recentemente quando em nome da estabilidade económica interviu na Banca com almofadas financeiras e outras medidas que considerou necessárias...
Mas para umas coisas o nosso Estado tem uma visão, para outras é cego.


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