A república dos "doutores"

Ouço nas comissões parlamentares – nomeadamente nas recentes audições realizadas na Comissão de Ética da Assembleia da República e na comissão de inquérito à suposta interferência do Governo no negócio PT/TVI – alguns cidadãos serem tratados por “doutor”. É algo que fere o direito de igualdade entre os portugueses, que mais que ninguém os deputados deviam preservar, estimular e defender.

No Parlamento – casa da democracia – todos os cidadãos deviam receber o mesmo tipo de tratamento. É isso que sucede nas restantes instituições parlamentares europeias. Em Espanha, existe señor, como forma geral de tratamento; em França, monsieur; no Reino Unido, mister. Esta anacrónica mania portuguesa de fazer substituir os duques, marqueses e viscondes de antanho pelos “doutores” e “engenheiros” de agora, muitos deles aliás sem terem qualificações académicas para merecerem ser tratados desta forma, devia terminar – com a Assembleia da República a dar o exemplo. Seria uma forma muito concreta de assinalar o centenário da proclamação do regime republicano. Espero não voltar a ouvir um presidente de uma comissão parlamentar de inquérito dividir os cidadãos que lá prestam depoimento em “senhores” e “doutores”: não concebo uma atitude menos republicana que esta.

É a reflexão que deixo para o 10 de Junho.

Pedro Correia, Delito de Opinião



Publicado por JL às 19:30 de 10.06.10 | link do post | comentar |

2 comentários:
De Zé das Esquinas o Lisboeta a 11 de Junho de 2010 às 12:03
Alguém me explica porque é que numa altura de crise e de contenção da despesa pública nas cerimónias do 10 de Junho de ontem, era ver uma fileira de brutos carros com um ministro por viatura?
Se vinham todos do mesmo sítio e iam para o mesmo acto porque não foram juntos?
E já agora e porque não foram de transportes públicos? Por exemplo de combóio?
Então não iam em trabalho? Porque não dão o exemplo do que apregoam?
Doutores...


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 10 de Junho de 2010 às 21:55
Sim senhor engenheiro...
É que com tanta 'qualificação' ainda no outro dia 'ouvi' numa oficina de pneus, um automobilista ser corrigido pelo empregado que lhe tinha acabado de arrnjar um furo, de "muito obrigado não, muito obrigado senhor doutor, se faz favor..."
E fez-me lembrar de quantas vezes, no decurso da minha carreira porfissional, se me apresentaram de 'Doutor fulano de tal' ou 'Engenheiro fulano de tal'
ou uma muito engraçada de uma vez ter sido inquirido por um 'compadre' meu, por não tratar o meu sogro por engenheiro e apenas senhor João.
Mas não só os títulos académicos se fazem ouvir a todo o momento na nossa sociedade. Também os cargos são explicitados e exibidos a todo o momento. É o Senhor Presidente disto daquilo e daqueloutro...
Homessa, então não haviam de exibir. Sabe-se lá quantos sacrifícios, quanto dinheirinho gasto, quanto sapos engolidos, quanta vaselina usada e, então agora que lá se chegou não se exibia?
Então não basta o PEC1, o PEC2 e as ameaças do PEC# e o amigo queria dar cabo do que nos resta? O título?
Tenha juízo e vá lá acabar o curso.
(Desculpe, tinha-me esquecido, a Independente já fechou.)


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