Sócrates não Mentiu e não Precisou de Intervir na TV Espanhola em Portugal

A Comissão de Inquérito respeitante ao negócio PT/TV Espanhola em Portugal chegou à conclusão que Sócrates mentiu no dia 25 de Junho porque nos dias 23 ou 24 de Junho tinha conhecimento do negócio por ter havido uma comunicação a 23 da PT à CMVM e no dia 24 o assunto veio nos jornais.

Esta conclusão é de estúpidos para estúpidos. Coloquialmente, uma pessoa pode dizer que não sabia de um dado assunto que decorreu durante muitos meses por ter tido conhecimento do mesmo um dia antes.

De resto o PIDE/INQUISIDOR Semedo disse isso nos seus seis pontos quando escreve que Sócrates sabia por que o assunto foi manchete em dois jornais no dia anterior e porque a PT comunicou à CMVM um dia antes.

 A questão política nunca se pôs em saber algo um ou dois dias antes, mas em um ano antes e em saber se o próprio PM esteve na origem da tentativa de negócio para alterar a linha editorial da Televisão Espanhola em Portugal. Isso, a Comissão não prova e agarra-se com burrice extrema à questão de um ou dois dias quando o próprio Sócrates disse que soube do que vinha nos jornais no dia 24 ou 23 e ao referir o seu desconhecimento era obviamente antes dessa data, o que é entendível para qualquer pessoa medianamente inteligente.

A Comissão não provou que Sócrates esteve na origem de um negócio que não foi feito e parece ter sido negociado durante muitos meses sem nunca ter chegado ao Conselho de Administração da PT.

Curiosamente, a Comissão não se debruçou sobre esta realidade singela, a de que a linha editorial da Televisão espanhola em Portugal foi alterada com a saída do casal Guedes sem que a PT tenha gasto um cêntimo ou alguma entidade portuguesa tenha adquirido uma só acção da televisão espanhola.

Toda a gente sabe que o Governo Sócrates nada fez para que a linha editorial seja alterada, mas foi precisamente o nada fazer que levou ao fim do jornal de sexta-feira que tinha como objectivo o derrube de Sócrates por via de uma acusação anónima que a justiça não conseguiu provar em seis anos de investigação, mas que o casal Guedes queria que fosse verdadeira. A carta anónima, soube-se depois, foi escrita por um ex-chefe de gabinete de Santana Lopes, o que explica tudo.

O referido “nada fazer” levou os espanhóis a pensarem bem quando os seus serviços secretos souberam da instalação de terroristas bascos em Portugal para fabricar poderosas bombas como se veio a descobrir depois em Óbidos.

Os espanhóis tiveram de raciocinar: se temos em Portugal uma televisão espanhola que pretende derrubar o partido no poder como é que vamos obter o apoio do governo desse partido naquilo que para nós é da máxima importância, o combate ao terrorismo. E pensaram mais: podemos nós praticar o terrorismo televisivo na nossa televisão em Portugal e levar os portugueses a impedirem o terrorismo bombista da ETA?

É óbvio que a partir de uma data muito anterior a Junho deixou de ter interesse a falsa “conspiração” para levar a PT a adquirir a televisão espanhola em Portugal e, estando a Prisa em dificuldades financeiras, o governo Zapatero pôde dizer algo aos responsáveis pela televisão espanhola em Portugal, sem que Sócrates ou alguém do governo tivessem dito seja o que for ou tomado qualquer medida.

Recordemos que a dada altura, o então Ministro da Administração Interna disse não acreditar nas bombas da ETA em Portugal.

Nota: O caso Freeport, que esteve na origem da tentativa de derrube de Sócrates por parte da televisão espanhola em Portugal mancomunada com o PSD, mostrou que para o Procurador-Geral da República há procuradores de primeira, segunda e terceira classe. Assim, os delegados do procurador de Montijo são de segunda ou terceira classe porque não tinham provado algo contra Sócrates e daí o PGR ter chamado o processo a Lisboa, portanto, aos procuradores de primeira classe, pouco antes das eleições, levantando uma imensa celeuma pública e acusações contra Sócrates que, entretanto, vieram a revelar-se destituídas de fundamento de prova, mas que tiveram o efeito de provocar uma fraude eleitoral através das mentiras contra Sócrates.

Teimosamente, os procuradores de primeira classe não querem reconhecer que devem ser de terceira classe e mantêm o processo em aberto à espera que milhares de cartas rogatórias enviadas a todos os offshores venham a ter uma resposta positiva no sentido de ter sido enviado alguma verba a um tal José Sócrates, apesar de as perícias feitas à escrita global da Freeport nada terem revelado e foram feitas perícias por ordem da empresa Carlyle que adquiriu a Freeport e encontrou desvios de dinheiros por parte do anterior administrador que foi levado a tribunal e condenado. No decurso do processo foram feitas mais perícias e nenhuma revelou algum suborno para José Sócrates ou alguma entidade portuguesa.

Depois do caso da menina Maddie, o Freeport é outro que deixa de rastos a Justiça portuguesa e recordemos ainda o tipo que confessou ter assassinado uma freira e foi ilibado em tribunal. Obviamente, o gajo não era militante do PS.

O juiz ou procurador que enviou um despacho à Comissão em que tomou uma posição facciosamente parcial desrespeitou a Constituição que não permite a intervença de magistrados directamente na política e mostrou a sua total falta de imparcialidade, portanto, de competência e honestidade para exercer a profissão de magistrado. 


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Publicado por DD às 22:49 de 11.06.10 | link do post | comentar |

4 comentários:
De DD a 13 de Junho de 2010 às 00:56
É pá, então fica sentado, mas olha que pode fazer mal à circulação venosa e arteriral.


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 13 de Junho de 2010 às 08:45
Obrigada pá pla preocupação, ma já tomei os comprimidos...


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