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De A hipótese da rua a 15 de Junho de 2010 às 11:23
por João Rodrigues, Publicado em 24 de Maio de 2010 http://www.ionline.pt/conteudo/61280-a-hipotese-da-rua

O bloco central parece convencido de que as responsabilidades da brutal crise económica e internacional são dos trabalhadores

Esta crónica não pode deixar de ser um apelo: participe na manifestação convocada pela CGTP para o próximo sábado, dia 29 de Maio, às 15h00, entre o Marquês de Pombal e os Restauradores, em Lisboa.
A aposta é simples e racional:

na ausência da "pressão da rua" convencionalmente desdenhada, é sobre a esmagadora maioria dos trabalhadores assalariados - do público e do privado, mais ou menos precários, empregados ou de-sempregados - que continuará a recair todo o fardo da crise de um sistema económico cada vez mais disfuncional.

Aliás, o bloco central parece estar convencido de que as responsabilidades pela brutal crise económica internacional são dos trabalhadores, dos direitos que uma parte deles conquistou e do Estado social que as suas lutas fizeram surgir.
Estranhamente, a lógica das medidas de austeridade nunca é anunciada:
usar o desemprego de dois dígitos, a redução dos direitos sociais, sobretudo no subsídio de desemprego, e a austeridade orçamental, em geral, para favorecer a aceitação pelos trabalhadores mais vulneráveis de reduções substanciais do seu poder de compra.
Julgam que assim se promoverá uma recuperação económica assente nas exportações devido à redução dos custos laborais.
A enésima rodada de redução dos direitos laborais dá uma ajuda a este projecto económico de compressão do mercado interno.

Esquecem-se alguns detalhes nacionais e europeus:
os salários reais em Portugal têm crescido, em média, de acordo com a evolução da produtividade, como aliás deve ser, mas as desigualdades salariais abissais tornam as médias enganadoras;
os Estados sociais das periferias ainda são relativamente frágeis, quando comparados com os do centro da Europa;
a crise, que explica o descalabro das finanças públicas, é o resultado das políticas de liberalização económica e do correspondente crescimento das desigualdades;
os governos europeus, devido em parte ao desenho politicamente enviesado da construção europeia, estão apostados nas mesmas receitas de austeridade orçamental que condenam o conjunto da economia europeia e, logo, as exportações e as finanças públicas nacionais.

Neste contexto, o movimento sindical revela uma aguda percepção do desastre em curso, organizado por elites nacionais e europeias que fazem de tudo para agradar a "mercados" cada vez mais irracionais e, em última instância, incompatíveis com a escolha democrática.

A capacidade de resistência social e de protesto é a única variável que pode baralhar os cálculos dos que querem fazer desta crise uma oportunidade para dar novo fôlego a utopias de mercado fracassadas e injustas.
A manifestação da CGTP é uma hipótese para todos os que sofrem o impacto das medidas de austeridade fazerem ouvir a sua voz em face da insensatez económica e da insensibilidade social de quem nos governa.
De Lisboa a Bruxelas, passando por Berlim...


De Zé T. a 16 de Junho de 2010 às 13:37
Algumas achegas e Propostas para SAIR da CRISE:

1- Devemos aproveitar o nosso local (por contraposição ao exagerado global) , os nossos recursos e factores que nos diferenciam, os nossos valores... as nossas PESSOAS.

2- Precisamos de uma grande classe média (e não o seu dizimar), precisamos que os consumidores tenham (emprego e) dinheiro para consumir e dinamizar o mercado interno (produção, comércio, ...),
sendo um ERRO a aposta exclusiva na exportação (até porque os outros países também se fecharam, também preferem os seus produtos internos, e ou têm capacidade produtiva a preços ´muito mais baixos que os nossos ... pelo que é impossivel competir com eles - a não ser que queiramos/aceitemos ser e trabalhar como ESCRAVOS, sem direitos).

3- Em vez de esmagar os salários, os trabalhadores (os empregos, e de fazer 'downsizing' ou falências fraudulentas), as Pessoas, os empresários e dirigentes devem procurar a Solução (na melhoria e correção de falhas) nos processos de trabalho, na (des)organização, na tecnologia (e inovação), nos consumos (excessivos e desperdícios), nos fornecimentos (e exagero de intermediários e de comissões/custos), ... e nos exagerados bónus/regalias dos administradores.

4- A crise financeira internacional empolou (revelou e agravou) a crise económica e estrutural que Portugal tem desde há muito (para além das falhos de transparência e de complexidade burocrático-legislativa, e do bloqueio do sistema judicial, da falta de Justiça).

5- A flexibilidade é uma exigência de racionalidade mas não pode ser sinónimo de discricionariedade, arbitrariedade, cedências injustificadas, abusos e assédios, invasão da vida privada e familiar - como a generalidade dos patrões portugueses fazem/querem fazer (ainda mais).

6- O sindicalismo (e leis que defendam os trabalhadores) é uma necessidade (porque os trabalhadores não têm a mesma capacidade/poder de negociação que as empresas) e uma conquista do desenvolvimento humano, e é uma parte da solução para sair da crise.
Mas tem de existir mais e melhor sindicalismo, bem preparado, responsável, exigente, com as empresas (o que as obriga a melhorar), mas inteligente (não burocrático) e unido.
Deve ser criado um leque salarial (em vez dos 10 a 20 vezes que existia há duas décadas, hoje existe uma variação de 100 a 200 vezes entre aqueles que ganham menos e mais, na mesma empresa !!) tanto para remunerações fixas como para remunerações variáveis.
O sindicalismo deve unir-se e exigir uma situação para os trabalhadores sindicalizados (tal como na França, Alemanha, ...), para que haja interesse na sindicalização e melhor defesa dos interesses dos trabalhadores - caso contrário, os sindicatos estiolam (ficam sem recursos e sem membros) e não conseguem representar e defender devidamente os trabalhadores e a contratação colectiva, a segurança e a higiene no trabalho.

7- Temos que reverter as disfunções da União Europeia e a zona Euro devem afirmar a sua União, sem egoísmos (e nacionalismos chauvinistas), com liderança de melhor qualidade, com solidariedade, com transferências (não só comerciais mas também financeiras) entre Estados/regiões e com um orçamento comum.
O estado da Califórnia está 'calmo' (e não foi atacado pelos especuladores e agências de rating) apesar de ter uma situação financeira bem pior que Portugal, e tal acontece porque está integrado numa UNIÂO cujo orçamento (federal) é 60% dos EUA (o resto é dos Estados).
Os bancos podem financiar-se no BCE a 1% mas os Estados da UE não o podem fazer e têm de pagar juros muito mais altos - isto tem de mudar.
Vamos discutir ''soberanias'' quando meia dúzia de especuladores põe os Estados a tremer e os podem levar á falencia ! - isto não é aceitável, a UE tem de mudar e tem de criar a sua própria agência de 'rating', o seu contolo de contas estatais, e um orçamento comum e solidário.


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