Para sair da crise

Algumas achegas e Propostas de Solução para SAIR da CRISE:

1- Devemos aproveitar o nosso local (para intervir e por contraposição à exagerada globalização, ao consumismo e à importação de bens, serviços, valores e modelos culturais sem apreciação critica e selectiva), devemos defender os nossos recursos e factores que nos diferenciam, o nosso património ... e as PESSOAS.

2- Precisamos de uma grande classe média (e não o seu dizimar ou redução), precisamos que os consumidores tenham emprego e dinheiro para consumir e dinamizar o mercado interno (produção, comércio, ...), sendo um erro a aposta exclusiva na exportação (até porque os outros países também se fecharam, também preferem os seus produtos internos, e ou têm capacidade produtiva a preços muito mais baixos que os nossos ... pelo que é impossível competir com eles - a não ser que queiramos/aceitemos ser e trabalhar como ESCRAVOS, sem direitos, e regredir civilizacionalmente).

3- Em vez de esmagar salários (e de os tentar reduzir, atrasar ou não pagar) e de 'cortar' nos trabalhadores (os empregos, de fazer 'downsizing' ou falências fraudulentas), e nas Pessoas, ...

os empresários e dirigentes devem procurar a Solução na melhoria e correção de falhas nos processos de trabalho, na (des)organização, na tecnologia (e inovação), nos consumos (excessivos e desperdícios), nos fornecimentos (e exagero de intermediários e de comissões/ margens de lucro), ... e nos exagerados bónus/regalias dos administradores.

4- A crise financeira internacional empolou (revelou e agravou) a crise económica e estrutural que Portugal tem desde há muito (para além das falhas de transparência e de complexidade burocrático- legislativa, e do bloqueio do sistema judicial, da falta de Justiça, da fuga aos impostos, ...).

5- A flexibilidade é uma exigência de racionalidade mas não pode ser sinónimo de discricionariedade, arbitrariedade, falta de transparência, nepotismo, cedências injustificadas, abusos e assédios, invasão da vida privada e familiar - como a generalidade dos patrões portugueses fazem/querem fazer (ainda mais).

6- O sindicalismo (e leis que defendam os trabalhadores) é uma necessidade (porque os trabalhadores não têm a mesma capacidade/poder de negociação que as empresas) e uma conquista do desenvolvimento humano.

Mas tem de existir mais e melhor sindicalismo, bem preparado, unido, responsável, denunciante, exigente, com os seus e com as empresas (o que as obriga a melhorar), mas inteligente (não burocrático) dialogante e técnico.

Deve exigir que seja criado um menor leque salarial (em vez dos 10 a 20 vezes que existia há duas décadas, hoje existe uma variação de 100 a 200 vezes entre aqueles que ganham menos e mais, na mesma empresa !!) tanto para remunerações fixas como para remunerações variáveis.

O sindicalismo deve exigir uma situação mais favorável para os trabalhadores sindicalizados (tal como na França, Alemanha, ... -pois é irracional e 'suicidário' que só uma minoria pague quotas e todos beneficiem da defesa feita pelo sindicalismo), para que haja interesse na sindicalização e melhor defesa dos interesses dos trabalhadores - caso contrário, os sindicatos estiolam (ficam sem recursos e sem membros) e não conseguem representar e defender devidamente os trabalhadores e a contratação colectiva, a segurança e a higiene no trabalho.

7- Temos que reverter as disfunções da União Europeia e da zona Euro devem afirmar a sua União, sem egoísmos (e nacionalismos chauvinistas), com liderança de melhor qualidade, com solidariedade, com transferências (não só comerciais mas também financeiras) entre Estados/regiões e com um orçamento comum.

Apesar de ter uma situação financeira bem pior que Portugal, o estado da Califórnia está 'calmo' (não foi atacado pelos especuladores e agências de rating) e tal acontece porque está integrado numa UNIÂO cujo orçamento (federal) é 60% do dos EUA (o resto é dos Estados).

Os bancos podem financiar-se no BCE a 1% mas os Estados da UE não o podem fazer e têm de pagar juros muito mais altos - isto tem de mudar.

Vamos discutir ''soberanias'' quando meia dúzia de especuladores põe os Estados a tremer e os podem levar á falência !?!

Isto não é aceitável, a UE é importante mas tem de mudar e tem de criar a sua própria agência de 'rating', o seu 'Fundo Monetário Europeu', o seu controlo de contas estatais e de 'offshores', e um orçamento comum e solidário.

Zé T. (em comentário a : « Repartir custos (e os lucros/ benefícios) ?! Sacrifícios, palavras e sereias », em 15.6.2010 no Luminária)



Publicado por Xa2 às 00:07 de 17.06.10 | link do post | comentar |

17 comentários:
De Neo-liberais atacam o Estado Social a 23 de Junho de 2010 às 23:28
Mário Soares critica cortes nas prestações sociais

Mário Soares está indignado com o “ataque ao Estado Social” que os cortes das prestações
sociais prefiguram.
Em entrevista ao Terça à Noite, da Renascença, o antigo Presidente da República
disse também que Manuel Alegre não tem dimensão para o cargo a que se candidata.

Mário Soares criticou, em entrevista ao Terça à Noite,
da Renascença, os cortes nos apoios sociais, considerando que isso “não vai resolver o problema” do país.
O antigo Presidente da República diz que está em curso um “ataque ao Estado Social” e que, com medidas deste tipo, o desfecho só poderá ser “outra crise”.

Face a este cenário, Soares está de acordo com o desagrado manifestado pelas centrais sindicais e acusa o Governo de estar a privilegiar políticas neo-liberais que só protegem os mais favorecidos financeiramente.

“A teoria neo-liberal é o darwinismo social:
os fortes vencem e os fracos morrem.
As medidas que estão a ser tomadas são medidas neo-liberais que vão levar a outra crise”, disse Soares,
sugerindo que se ataque o despesismo noutras áreas, como nos gastos dos poderes Local e Regional e, por exemplo,
em assistência jurídica solicitada a privados por organismos do Estado.

“O que é importante é manter o Estado Social”, rematou.

Mais iberismo
Noutro ponto da entrevista à Renascença, Mário Soares defendeu que Portugal e Espanha devem afinar estratégias políticas e avançar mesmo “para um governo mais iberista, com conselhos de ministros conjuntos.

O antigo presidente sustenta que, desse modo, os dois países ganhariam peso na Europa, potenciando o facto de Portugal e Espanha manterem relações privilegiadas com África e a América Latina.


De UE ... muito para mudar. a 18 de Junho de 2010 às 11:44
França e Alemanha conseguiram atenuar divergências e impõem o debate ao resto da UE

Merkel e Sarkozy obrigados a entenderem-se
17.06.2010, Público - 08:26, por Isabel Arriaga e Cunha, Bruxelas

Por muito que os países da zona euro, e do conjunto da União Europeia (UE) protestem, a cimeira de líderes dos Vinte e Sete de hoje dedicada à pilotagem política e económica do euro vai voltar a girar à volta de um acordo previamente concluído entre a França e a Alemanha, embora construído nas condições de Berlim.
Este foi o modelo de todas as grandes decisões assumidas pelos chefes de Estado ou de governo dos Vinte e Sete nas três cimeiras que dedicaram desde o início do ano à crise económica e financeira.

Angela Merkel, chanceler alemã, e Nicolas Sarkozy, Presidente francês, chegaram na segunda-feira a muito custo a um entendimento mínimo sobre o reforço das regras de gestão do euro, incluindo o endurecimento do pacto de estabilidade e crescimento. Simplesmente porque não tinham alternativa, conscientes de que qualquer falha no tradicional motor franco-alemão provocaria um ataque violento dos mercados ao euro.

Os termos do acordo foram largamente impostos por Merkel, como aconteceu, aliás, com os detalhes e o calendário da ajuda de 110 mil milhões de euros acordada à Grécia ou o fundo de 750 mil milhões para os países com eventuais dificuldades de financiamento.

Sarkozy, que desde o início do ano defendia uma ajuda urgente a Atenas, foi obrigado a refrear a impaciência enquanto a chanceler geria a hostilidade interna, apesar de saber que o arrastamento da decisão inflacionaria o seu custo. E o Presidente francês acabou por se inclinar ante a ortodoxia orçamental de Berlim, ao anunciar no fim-de-semana um inesperado programa de austeridade.

Como contrapartida, Merkel aceitou diplomaticamente, falar de "governo económico europeu" - a expressão preferida de Sarkozy - sabendo que se trata de um termo totalmente vazio que não a compromete em nada.
Tanto mais que a chanceler recusa terminantemente a concepção que o Presidente francês tem da mesma: Sarkozy encara o
"governo económico" como a institucionalização das cimeiras dos países do euro para lhes permitir tomar entre si as decisões pertinentes para a moeda única, com o apoio de um "secretariado" específico.

"Aligeirar o sistema"
Merkel insiste, pelo contrário, que as decisões sobre o euro interessam o conjunto da UE e terão assim de ser tomadas pela totalidade dos Vinte e Sete, porventura esperando que países como o Reino Unido ou a Suécia possam apoiar a sua ortodoxia orçamental. Isto, apesar de David Cameron, primeiro-ministro britânico - que participa hoje na sua primeira cimeira da UE -, se ter colocado completamente fora de jogo, com o argumento de que os problemas do euro têm de ser resolvidos pelos seus membros.

A obrigação de unidade franco-alemã levou Sarkozy a temporizar e aceitar por agora o princípio das decisões a Vinte e Sete.
"É melhor aligeirar o sistema europeu e não multiplicar as instituições de modo a privilegiar o pragmatismo", afirmou ao lado de Merkel, defendendo que "mais do que nunca a Alemanha e a França estão decididas a falar a uma só voz".

Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, indignou-se por seu lado com a ideia francesa, que equivale a esvaziar a sua instituição no que se refere à gestão do euro.
"A Comissão é o governo económico da Europa", defendeu no Parlamento Europeu, frisando que é isso que diz o tratado da UE.

Os franceses, e a generalidade dos grandes países, têm uma ideia diferente:
"O governo económico é o Conselho Europeu" (as cimeiras de líderes da UE).
Isso relega, de facto, a Comissão a um papel sobretudo de executante das suas decisões.


De (falta de) Rigor, 'Cortar' ou melhorar ? a 18 de Junho de 2010 às 10:08
Maior rigor ou caça ao níquel

Ouvi hoje de manhã no forum TSF a intervenção do Secretário de Estado penso que da Segurança Social a falar que algumas das medidas "corte" de alguns apoios sociais têm a ver com uma aplicação mais rigorosa da lei.
Só dar apoio a quem precisa.
Mas por outro lado o governo espera com a aplicação do rigor da lei poupar 200 milhões.

Todos estamos de acordo com o rigor e que quem tenha de facto 100 mil euros na banca, como foi dito, não deve ter apoios.
O exemplo dado é infeliz, mas será que não haverá casos destes?.

Sinceramente, fiquei perplexo. A argumentação fez-me lembrar a do Professor Carlos Queirós de que Portugal só não ganhou a Costa do Marfim porque não nos deixaram jogar.

O rigor só chegou agora?
Houve alguma Costa do Marfim (recente) a impedir que o governo fosse rigoroso?
E se assim é se se conhece tão bem onde está o não rigor que até se sabe que vão ser poupados os 200 milhões porque não se exigiu antes?

Acho de mau gosto esta argumentação. Já bastam as cenas do CQ.

Porque não assume o governo que, na sua óptica, tem de fazer aqueles cortes?

Podemos não concordar. É um direito que nos assiste, mas ficaríamos mais satisfeitos se nos informassem com clareza e não andar à procura de argumentos para coisas evidentes.

Etiquetas: cortes nos apoios sociais
# posted by Joao Abel de Freitas, PuxaPalavra


De DD a 17 de Junho de 2010 às 17:53
O texto só tem o erro de criticar a exportação. Portugal é um pequeno mercado tão grande como muitas dezenas de cidades no Mundo, não pode pois ter uma actividade económica competitiva que não se vire também para o estrangeiro, mas para tal tem de ter primeiro algum mercaco nacional.
Ainda hoje ouvi falar na rádio a história de uma empresa que fabrica equipamentos para aterros sanitários e estações de tratamento de lixos, etc. Essa empresa trabalhou em centenas de aterros sanitários que foram eliminados nos tempos de Sócrates como Ministro do Ambiente e substituídos por centrais de tratamento de lixo, etc.
Pois agora esta empresa dedica-se à exportação do seu conhecimento técnico, tanto em equipamentos como em programas informáticos para monitorizar o saneamento básico , etc.
A Mota-Engil que adquiriu grande experiência na construção de auto-estradas tem já mais actividade no estrangeiro que em Portugal.
Empresas como a Martinfer, Efacec e outras que aduiriram também experiência nos parques eólicos estão a trabalhar na exportação dos seu "know how".
Não podemos prescindir da exportação e, mesmo, da reexportação de produtos embalados em Portugal ou ligeiramente transformados para ourros mercados.
Não podemo ser como a selecção nacional que se mostrou demasiado medrosa e prudente sem qualquer ousadia e não estejamos à espera que o Sócrates faça tudo. Ele tenta abrir portas e tem estado a fazê-lo em muitis países, mas não é ele que fabrica seja o que for e se começar a distribuir dinheirio aos exportadores será a pior coisa que fará.
As empresas têm de aprender a viver do seu trabalho como todos nós e como euj sempre fiz na minha lon guíssima vida de trabalho.
A experiência mostra que se mata uma agricultura e uma indústria com subsídios. Devíamos ter aprendido isso desde os tempos arcaicos pré-internéticos da governação cavaquista.


De Zé T. a 18 de Junho de 2010 às 10:21
DD, o que está escrito é:
«... um erro a aposta exclusiva na exportação (até porque ... » , e não ''um erro a aposta na exportação'' ...

Concordo que a exportação TAMBÉM é importante ...

Já sobre algum do investimento de empresas 'portuguesas' (o capital não tem pátria) no estrangeiro ... tenho sérias dúvidas sobre o seu interesse para o PAÍS (em termos de EMPREGO, desenvolvimento, impostos, ... desvios/aplicação de capital e custos de oportunidade) ...


De . a 18 de Junho de 2010 às 10:30
e também muitas dúvidas sobre algum do investimento estrangeiro em Portugal
(em que para se obter algum emprego ... os contribuintes portugueses subsidiam/'doam' isenções fiscais, benesses, infra-estruturas, ambiente...)


De ..WAR.. WAR.. a 17 de Junho de 2010 às 11:54
GUERRA !! !!

Guerra ao capital financeiro, especulador e usurário !!

Guerra a estes abutres-vampiros, seus sabujos representantes, lobistas e políticos vendidos !!

Guerra na Rua !!
Guerra prá Net !!
Guerra prás TVs !!
Guerra prás Bolsas e Bancos !!



De Xa2 a 17 de Junho de 2010 às 11:12
A luta de classes está de volta

Cidadãos europeus, Uni-vos!

(Boaventura Sousa Santos, Visão de 2 de Junho)

A luta de classes está a voltar, sob nova forma, mas com a violência de há cem anos:
agora é o capital financeiro a declarar guerra ao trabalho

Os dados estão lançados, o jogo é claro e quanto mais tarde identificarmos as novas regras mais elevado será o custo para os cidadãos europeus.
A luta de classes está de volta à Europa e em termos tão novos que os actores sociais estão perplexos e paralisados.
Enquanto prática política, a luta de classes entre o trabalho e o capital nasceu na Europa e, depois de muitos anos de confrontação violenta, foi na Europa que ela foi travada com mais equilíbrio e onde deu frutos mais auspiciosos. Os adversários verificaram que a institucionalização da luta seria mutuamente vantajosa:
o capital consentiria em altos níveis de tributação e de intervenção do Estado em troca de não ver a sua prosperidade ameaçada;
os trabalhadores conquistariam importantes direitos sociais em troca de desistirem de uma alternativa socialista.

Assim surgiram a concertação social e seus mais invejáveis resultados:
altos níveis de competitividade indexados a altos níveis de protecção social;
o modelo social europeu e o Estado Providência;
a possibilidade, sem precedentes na história, de os trabalhadores e suas famílias poderem fazer planos de futuro a médio prazo (educação dos filhos, compra de casa);
a paz social; o continente com os mais baixos níveis de desigualdade social.

Todo este sistema está à beira do colapso e os resultados são imprevisíveis. O relatório que o FMI acaba de divulgar sobre a economia espanhola é uma declaração de guerra:
o acumulo histórico das lutas sociais, de tantas e tão laboriosas negociações e de equilíbrios tão duramente obtidos, é lançado por terra com inaudita arrogância e a Espanha é mandada recuar décadas na sua história:
reduzir drasticamente os salários, destruir o sistema de pensões, eliminar direitos laborais (facilitar despedimentos, reduzir indemnizações).

A mesma receita será imposta a Portugal, como já foi à Grécia, e a outros países da Europa, muito para além da Europa do Sul.
A Europa está a ser vítima de uma OPA por parte do FMI, cozinhada pelos neoliberais que dominam a União Europeia, de Merkel a Barroso, escondidos atrás do FMI para não pagarem os custos políticos da devastação social.

O senso comum neoliberal diz-nos que a culpa é da crise, que vivemos acima das nossas posses e que não há dinheiro para tanto bem-estar. Mas qualquer cidadão comum entende isto:
se a FAO calcula que 30 mil milhões de dólares seriam suficientes para resolver o problema da fome no mundo e os governos insistem em dizer que não há dinheiro para isso, como se explica que, de repente, tenham surgido 900 mil milhões para salvar o sistema financeiro europeu? A luta de classes está a voltar sob uma nova forma mas com a violência de há cem anos: desta vez, é o capital financeiro quem declara guerra ao trabalho.

O que fazer? Haverá resistência mas esta, para ser eficaz, tem de ter em conta dois factos novos. Primeiro, a fragmentação do trabalho e a sociedade de consumo ditaram a crise dos sindicatos. Nunca os que trabalham trabalharam tanto e nunca lhes foi tão difícil identificarem-se como trabalhadores. A resistência terá nos sindicatos um pilar mas ele será bem frágil se a luta não for partilhada em pé de igualdade por movimentos de mulheres, ambientalistas, de consumidores, de direitos humanos, de imigrantes, contra o racismo, a xenofobia e a homofobia.
A crise atinge todos porque todos são trabalhadores.

Segundo, não há economias nacionais na Europa e, por isso, a resistência ou é europeia ou não existe. As lutas nacionais serão um alvo fácil dos que clamam pela governabilidade ao mesmo tempo que desgovernam. Os movimentos e as organizações de toda a Europa têm de se articular para mostrar aos governos que a estabilidade dos mercados não pode ser construída sobre as ruínas da estabilidade das vidas dos cidadãos e suas famílias. Não é o socialismo; é a demonstração de que ou a UE cria as condições para o capital produtivo se desvincular do capital financeiro ou o futuro é o fascismo e terá de ser combatido por todos os meios


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 17 de Junho de 2010 às 11:31
E como se faz a nova luta de classes?
Com blogs, petições, movimentos, manifestações, choradeiras?
Os partidos tornaram-se no que são.
Os sindicatos, com as devidas diferenças, tornaram-se uma vezes em marionetas de partidos, outras corporatizaram-se...
Então como é?
Em eleições, as abstenções não contam. Os votos brancos e nulos, também não.
Então como é?


De DD a 17 de Junho de 2010 às 23:10
Só podemos defender os trabalhadores europeus se tivermos a coragem de fechar as portas a muitos produtos chineses e asiáticos em geral.
O inimigo é o comunismo-capitalista que explora o trabalho a 50 cêntimos do dólar à hora.
O capital financeiro não é, para já, chamado para muita coisa pois Portugal e a Europa têm capacidades produtivas livres. Basta que haja a possibilidade de vender.
Portugal tem muitas fábricas equipadas que podem retomar a produção se a concorrência chinesa for reduzida.
Claro, como tudo na vida, pagaremos por muitos bens de consumo um pouco mais. Não podemos ter salários muito mais altos que os chineses se os não pagarmos.


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 17 de Junho de 2010 às 10:20
Independentemente da 'bondade' do post ele parece ser extremamente ingénuo.
A ingenuidade em si só, não tem mal nenhum, mas em política, não nos leva também ,a qualquer lado.
Porque o que aqui se diz não está errado mas não aponta caminhos ao que devemos fazer.
Sugere é aos governantes e ao poder instituído, quer nacional quer da UE que mude as suas próprias políticas, para bem do homem e da sociedade em geral.
Aí a tal ingenuidade.
Então o amigo pensa que quem manda está na realidade interessado no povo e na sociedade em geral? Alguém destes nossos governantes está nisso interessado?
Eles governam para dentro e não para fora. O sentido das suas políticas são os seus umbigos e da perpetuação do seu próprio poder. Nenhum dirigente actual está para aí virado. Perdeu-se o sentido de estado. Isso já não existe nesta sociedade de doutores à pressão, sem carreiras profissionais, nem académicas relevantes. Hoje basta ser da família política e obediente. Certinho, não ter ideias próprias, não perturbar. Vestir bem, falar com entoação. Sorrir e dizer umas larachas, mas humor só para a oposição. Parecer sério e preocupado com os outros. Parecer, disse eu. Não disse, ser. Depois de estar no poder, já nem isso do parecer, tem importância.
As grandes mudanças de práticas sociais nunca são feitas de cima para baixo. Nunca foram e nunca serão. Só o povo é que é revolucionário. O poder é sempre situacionário.
Hoje até temos tiranos eleitos democraticamente. E legalmente. Sim que em democracia, o poder está sempre associado à lei e à legitimidade. Eles são independentes na forma, mas gémeos nas almas. São dois universos distintos, mas paralelos, que se complementam. Assim como na 5ª dimensão.
Como o Armando, e o Vara. O José, e o Sócrates, o Aníbal, e o Silva. Só lhes falta falar na 3ª pessoa, como fazem os jogadores de futebol. Como se fossem duas pessoas diferentes. Mas, os políticos, lá chegarão. É que a escola, infelizmente, parece ser a mesma. Só que andam uns anos mais atrazados... Mas, repito, infelizmente para todos nós, se não metermos os pés a caminho, só temos tendência a piorar.


De influência de 'baixo'... ou RUA ?! a 17 de Junho de 2010 às 10:52
parcialmente concordo com o Zé das E.

mas creio que ainda existe alguma margem de influência dos cidadãos (e associações, sindicatos, partidos, jornais, blogs, petições, movimentos, manifestações, ...) sobre os governantes e deputados... para além das eleições.

se não acreditasse ... teria de começar a treinar tiro e lançamento de coktails...

mas ... a RUA (rua= desemprego; rua= manifestação; rua= revolução)
parece estar cada vez mais próxima...


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 17 de Junho de 2010 às 11:24
A propósito de cocktails ...
Tenho um amigo que uma vez me disse que este encanto que esta nova geração de governantes tem pela educação é uma treta...
E explicava-me ele, que era mais uma necessidade de sobrevivência que eles tinham do que uma paixão!
E porquê? Porque quanto mais escolaridade e conhecimentos o povão tiver, mais manso fica.
A escolaridade atenua a violência, torna as pessoas mais educadas, mais tolerantes, etc., e isso era bom porque alargava o tempo para que eles, governantes, se perpetuassem no poder.
Dizia-me esse meu amigo, quanto mais doutor, mais manso. Quanto mais mansos estiverem, mais posso sacar e durante mais tempo...
O que distingue fundamentalmente o Homem Civilizado do Homem Bárbaro?
A contenção da violência.
E numa disputa, numa divergência de opinião, num desentendido, como reagem eles? De onde levas uma tampona mais depressa? Do Civilizado ou do Bárbaro?
Então toca a por todos nas escolas e durante mais tempo, pois assim têm menos hipótese de apanhar nas trombas...
E se este meu amigo tem razão, nesta sua maneira de ver a súbita paixão pela educação? Lá se vai o amor...


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 17 de Junho de 2010 às 11:52
E ainda a propósito de cocktails…

Para quem está no poder, só manter o poder é importante.
Para quem não está no poder, só conquistar o poder é importante.
O dinheiro só é importante, porque dá poder. Mas só dá poder, se for muito dinheiro.
Trabalhar não é importante. Importante é o proveito que se tira por ir ao trabalho.
Mas só é importante, se der muito dinheiro. Trocos são sobrevivência.
Ter amigos não é importante.
Importante hoje é ter conhecimentos. Ter influências.
Mas conhecimentos só são verdadeiramente importantes se forem afectos cúmplices.
Porque só a cumplicidade pode dar segurança. O que eu sei, que tu sabes que eu sei que sabes… E sobretudo quando se sabe o que mais ninguém deve saber, passa-se a ter muita influência.

Longe vão os tempos em que ser importante era ter uma garrafa de whisky num afamado bar da cidade…


De com 'pão e circo' nos roubam... a 17 de Junho de 2010 às 12:25
Diz bem o Zé das Esquinas

Tudo pode ser usado para conquistar e manter o Poder (político, económico, cultural, ...)- vide O Príncipe, de Maquiavel.

Pelo que temos de estar sempre alerta, sempre críticos, ... onde quer que estejamos e se não queremos ser usados, manipulados,...
mas também podemos entrar nesse 'jogo do Poder', seja no campeonato maior ou num menor...

Quanto à ''paixão pela educação'' - também pode ser incluída nesse jogo, mas creio que é mais incompetência, desconhecimento da realidade e ressabiamento ou maldade para com alguns grupos profissionais...

Quanto aos ''bárbaros e os mansos educados'', embora seja também verdade, não é única ... até porque para obter e manter o Poder é importante e mais fácil ter semi-analfabetos e muita iliteracia, mesmo entre diplomados e certificados com 6º 9º12º, licenciatura e até doutoramento !
e mais ainda se estes eleitores-contribuintes estiverem ''dopados''
... com futebol, religião, concursos, telenovelas, pornografia, publicidade consumista, (des)informação, ...
com alcool, haxixe, coca, heroína, barbitúricos, anti-depressivos, ansiolíticos, comprimidos para dormir, ou música de 'rebentar'...



De . a 17 de Junho de 2010 às 10:12
Tragédia económica na zona euro

“A tragédia da zona euro é ser gerida como se fosse um colectivo de pequenos países”. O argumento de Wolfgang Münchau é macroeconómico e faz todo o sentido.
A procura de uma saída individual pelas exportações, através da compressão da procura interna, conseguida graças às políticas de austeridade, leva a um resultado colectivo potencialmente desastroso.

Esta costuma ser a orientação das chamadas pequenas economias abertas, mas tem sido nos últimos anos sobretudo a aposta do gigante alemão e tem guiado as decisões de política económica da UE.

As políticas de austeridade generalizada sabotam a recuperação e fazem com que a Europa possa cair na armadilha da recessão e da deflação, com o correspondente aumento do desemprego.

Engelbert Stockhammer, num artigo de 2008 sobre a quebra dos rendimentos do trabalho na zona euro e a subida do desemprego (ver gráfico), já tinha argumentado que,
à escala europeia, o modelo de crescimento económico tem de ser guiado pelos salários, o que requer mecanismos de coordenação salarial para evitar a corrida para o fundo nesta área, que está hoje em risco de se intensificar.

O problema, como assinala o sempre perspicaz Vincenç Navarro, não é a falta de lideres, mas sim a orientação ideológica e os enviesamentos de classe das escolhas politicas dos lideres existentes e de muitos dos aspirantes.
Escolhas ajudadas pelas regras europeias em vigor, claro.

Em Portugal, basta conhecer a proposta do PSD para alargar os tempos da precariedade e assim baixar os salários:
uma proposta que não manterá ou criará qualquer emprego, mas apenas estimulará as más práticas laborais.

-por João Rodrigues em 16.6.10 , Ladrões de bicicletas


De . a 17 de Junho de 2010 às 09:00
De DD a 11 de Junho de 2010 às 22:03 em comentário a «Governos dependentes dos bancos» aqui no Luminária

A ideia de que a soberania nacional reside na possibilidade de um país se endividar eternamente é falsa.
Não há democracia nem soberania para fazer chover dinheiro. Os países como as pessoas devem viver do seu trabalho e proteger os seus postos de trabalho.
Portugal é obrigado a endividar-se para importar bens chineses, alemães, espanhóis, etc.

É fundamental alterar as regras da União Europeia, nomeadamente o Tratado de Lisboa para limitar a circulação de bens, impondo uma taxa à saída de dinheiro ou fazer com que os empréstimos externos se tornem mais caros pela via de juros mais altos.

A indústria e a agricultura portuguesa trabalham quase a 50% relativamemnte ao que têm investido. Podem duplicar a produção sem grandes investimentos e o País pode criar um IVA especial para produtos de grande luxo como sucede com os automóveis.


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