Quinta-feira, 17 de Junho de 2010

Algumas achegas e Propostas de Solução para SAIR da CRISE:

1- Devemos aproveitar o nosso local (para intervir e por contraposição à exagerada globalização, ao consumismo e à importação de bens, serviços, valores e modelos culturais sem apreciação critica e selectiva), devemos defender os nossos recursos e factores que nos diferenciam, o nosso património ... e as PESSOAS.

2- Precisamos de uma grande classe média (e não o seu dizimar ou redução), precisamos que os consumidores tenham emprego e dinheiro para consumir e dinamizar o mercado interno (produção, comércio, ...), sendo um erro a aposta exclusiva na exportação (até porque os outros países também se fecharam, também preferem os seus produtos internos, e ou têm capacidade produtiva a preços muito mais baixos que os nossos ... pelo que é impossível competir com eles - a não ser que queiramos/aceitemos ser e trabalhar como ESCRAVOS, sem direitos, e regredir civilizacionalmente).

3- Em vez de esmagar salários (e de os tentar reduzir, atrasar ou não pagar) e de 'cortar' nos trabalhadores (os empregos, de fazer 'downsizing' ou falências fraudulentas), e nas Pessoas, ...

os empresários e dirigentes devem procurar a Solução na melhoria e correção de falhas nos processos de trabalho, na (des)organização, na tecnologia (e inovação), nos consumos (excessivos e desperdícios), nos fornecimentos (e exagero de intermediários e de comissões/ margens de lucro), ... e nos exagerados bónus/regalias dos administradores.

4- A crise financeira internacional empolou (revelou e agravou) a crise económica e estrutural que Portugal tem desde há muito (para além das falhas de transparência e de complexidade burocrático- legislativa, e do bloqueio do sistema judicial, da falta de Justiça, da fuga aos impostos, ...).

5- A flexibilidade é uma exigência de racionalidade mas não pode ser sinónimo de discricionariedade, arbitrariedade, falta de transparência, nepotismo, cedências injustificadas, abusos e assédios, invasão da vida privada e familiar - como a generalidade dos patrões portugueses fazem/querem fazer (ainda mais).

6- O sindicalismo (e leis que defendam os trabalhadores) é uma necessidade (porque os trabalhadores não têm a mesma capacidade/poder de negociação que as empresas) e uma conquista do desenvolvimento humano.

Mas tem de existir mais e melhor sindicalismo, bem preparado, unido, responsável, denunciante, exigente, com os seus e com as empresas (o que as obriga a melhorar), mas inteligente (não burocrático) dialogante e técnico.

Deve exigir que seja criado um menor leque salarial (em vez dos 10 a 20 vezes que existia há duas décadas, hoje existe uma variação de 100 a 200 vezes entre aqueles que ganham menos e mais, na mesma empresa !!) tanto para remunerações fixas como para remunerações variáveis.

O sindicalismo deve exigir uma situação mais favorável para os trabalhadores sindicalizados (tal como na França, Alemanha, ... -pois é irracional e 'suicidário' que só uma minoria pague quotas e todos beneficiem da defesa feita pelo sindicalismo), para que haja interesse na sindicalização e melhor defesa dos interesses dos trabalhadores - caso contrário, os sindicatos estiolam (ficam sem recursos e sem membros) e não conseguem representar e defender devidamente os trabalhadores e a contratação colectiva, a segurança e a higiene no trabalho.

7- Temos que reverter as disfunções da União Europeia e da zona Euro devem afirmar a sua União, sem egoísmos (e nacionalismos chauvinistas), com liderança de melhor qualidade, com solidariedade, com transferências (não só comerciais mas também financeiras) entre Estados/regiões e com um orçamento comum.

Apesar de ter uma situação financeira bem pior que Portugal, o estado da Califórnia está 'calmo' (não foi atacado pelos especuladores e agências de rating) e tal acontece porque está integrado numa UNIÂO cujo orçamento (federal) é 60% do dos EUA (o resto é dos Estados).

Os bancos podem financiar-se no BCE a 1% mas os Estados da UE não o podem fazer e têm de pagar juros muito mais altos - isto tem de mudar.

Vamos discutir ''soberanias'' quando meia dúzia de especuladores põe os Estados a tremer e os podem levar á falência !?!

Isto não é aceitável, a UE é importante mas tem de mudar e tem de criar a sua própria agência de 'rating', o seu 'Fundo Monetário Europeu', o seu controlo de contas estatais e de 'offshores', e um orçamento comum e solidário.

Zé T. (em comentário a : « Repartir custos (e os lucros/ benefícios) ?! Sacrifícios, palavras e sereias », em 15.6.2010 no Luminária)



Publicado por Xa2 às 00:07 | link do post | comentar

17 comentários:
De influência de 'baixo'... ou RUA ?! a 17 de Junho de 2010 às 10:52
parcialmente concordo com o Zé das E.

mas creio que ainda existe alguma margem de influência dos cidadãos (e associações, sindicatos, partidos, jornais, blogs, petições, movimentos, manifestações, ...) sobre os governantes e deputados... para além das eleições.

se não acreditasse ... teria de começar a treinar tiro e lançamento de coktails...

mas ... a RUA (rua= desemprego; rua= manifestação; rua= revolução)
parece estar cada vez mais próxima...


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 17 de Junho de 2010 às 11:24
A propósito de cocktails ...
Tenho um amigo que uma vez me disse que este encanto que esta nova geração de governantes tem pela educação é uma treta...
E explicava-me ele, que era mais uma necessidade de sobrevivência que eles tinham do que uma paixão!
E porquê? Porque quanto mais escolaridade e conhecimentos o povão tiver, mais manso fica.
A escolaridade atenua a violência, torna as pessoas mais educadas, mais tolerantes, etc., e isso era bom porque alargava o tempo para que eles, governantes, se perpetuassem no poder.
Dizia-me esse meu amigo, quanto mais doutor, mais manso. Quanto mais mansos estiverem, mais posso sacar e durante mais tempo...
O que distingue fundamentalmente o Homem Civilizado do Homem Bárbaro?
A contenção da violência.
E numa disputa, numa divergência de opinião, num desentendido, como reagem eles? De onde levas uma tampona mais depressa? Do Civilizado ou do Bárbaro?
Então toca a por todos nas escolas e durante mais tempo, pois assim têm menos hipótese de apanhar nas trombas...
E se este meu amigo tem razão, nesta sua maneira de ver a súbita paixão pela educação? Lá se vai o amor...


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 17 de Junho de 2010 às 11:52
E ainda a propósito de cocktails…

Para quem está no poder, só manter o poder é importante.
Para quem não está no poder, só conquistar o poder é importante.
O dinheiro só é importante, porque dá poder. Mas só dá poder, se for muito dinheiro.
Trabalhar não é importante. Importante é o proveito que se tira por ir ao trabalho.
Mas só é importante, se der muito dinheiro. Trocos são sobrevivência.
Ter amigos não é importante.
Importante hoje é ter conhecimentos. Ter influências.
Mas conhecimentos só são verdadeiramente importantes se forem afectos cúmplices.
Porque só a cumplicidade pode dar segurança. O que eu sei, que tu sabes que eu sei que sabes… E sobretudo quando se sabe o que mais ninguém deve saber, passa-se a ter muita influência.

Longe vão os tempos em que ser importante era ter uma garrafa de whisky num afamado bar da cidade…


De com 'pão e circo' nos roubam... a 17 de Junho de 2010 às 12:25
Diz bem o Zé das Esquinas

Tudo pode ser usado para conquistar e manter o Poder (político, económico, cultural, ...)- vide O Príncipe, de Maquiavel.

Pelo que temos de estar sempre alerta, sempre críticos, ... onde quer que estejamos e se não queremos ser usados, manipulados,...
mas também podemos entrar nesse 'jogo do Poder', seja no campeonato maior ou num menor...

Quanto à ''paixão pela educação'' - também pode ser incluída nesse jogo, mas creio que é mais incompetência, desconhecimento da realidade e ressabiamento ou maldade para com alguns grupos profissionais...

Quanto aos ''bárbaros e os mansos educados'', embora seja também verdade, não é única ... até porque para obter e manter o Poder é importante e mais fácil ter semi-analfabetos e muita iliteracia, mesmo entre diplomados e certificados com 6º 9º12º, licenciatura e até doutoramento !
e mais ainda se estes eleitores-contribuintes estiverem ''dopados''
... com futebol, religião, concursos, telenovelas, pornografia, publicidade consumista, (des)informação, ...
com alcool, haxixe, coca, heroína, barbitúricos, anti-depressivos, ansiolíticos, comprimidos para dormir, ou música de 'rebentar'...



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