Algumas achegas e Propostas de Solução para SAIR da CRISE:
1- Devemos aproveitar o nosso local (para intervir e por contraposição à exagerada globalização, ao consumismo e à importação de bens, serviços, valores e modelos culturais sem apreciação critica e selectiva), devemos defender os nossos recursos e factores que nos diferenciam, o nosso património ... e as PESSOAS.
2- Precisamos de uma grande classe média (e não o seu dizimar ou redução), precisamos que os consumidores tenham emprego e dinheiro para consumir e dinamizar o mercado interno (produção, comércio, ...), sendo um erro a aposta exclusiva na exportação (até porque os outros países também se fecharam, também preferem os seus produtos internos, e ou têm capacidade produtiva a preços muito mais baixos que os nossos ... pelo que é impossível competir com eles - a não ser que queiramos/aceitemos ser e trabalhar como ESCRAVOS, sem direitos, e regredir civilizacionalmente).
3- Em vez de esmagar salários (e de os tentar reduzir, atrasar ou não pagar) e de 'cortar' nos trabalhadores (os empregos, de fazer 'downsizing' ou falências fraudulentas), e nas Pessoas, ...
os empresários e dirigentes devem procurar a Solução na melhoria e correção de falhas nos processos de trabalho, na (des)organização, na tecnologia (e inovação), nos consumos (excessivos e desperdícios), nos fornecimentos (e exagero de intermediários e de comissões/ margens de lucro), ... e nos exagerados bónus/regalias dos administradores.
4- A crise financeira internacional empolou (revelou e agravou) a crise económica e estrutural que Portugal tem desde há muito (para além das falhas de transparência e de complexidade burocrático- legislativa, e do bloqueio do sistema judicial, da falta de Justiça, da fuga aos impostos, ...).
5- A flexibilidade é uma exigência de racionalidade mas não pode ser sinónimo de discricionariedade, arbitrariedade, falta de transparência, nepotismo, cedências injustificadas, abusos e assédios, invasão da vida privada e familiar - como a generalidade dos patrões portugueses fazem/querem fazer (ainda mais).
6- O sindicalismo (e leis que defendam os trabalhadores) é uma necessidade (porque os trabalhadores não têm a mesma capacidade/poder de negociação que as empresas) e uma conquista do desenvolvimento humano.
Mas tem de existir mais e melhor sindicalismo, bem preparado, unido, responsável, denunciante, exigente, com os seus e com as empresas (o que as obriga a melhorar), mas inteligente (não burocrático) dialogante e técnico.
Deve exigir que seja criado um menor leque salarial (em vez dos 10 a 20 vezes que existia há duas décadas, hoje existe uma variação de 100 a 200 vezes entre aqueles que ganham menos e mais, na mesma empresa !!) tanto para remunerações fixas como para remunerações variáveis.
O sindicalismo deve exigir uma situação mais favorável para os trabalhadores sindicalizados (tal como na França, Alemanha, ... -pois é irracional e 'suicidário' que só uma minoria pague quotas e todos beneficiem da defesa feita pelo sindicalismo), para que haja interesse na sindicalização e melhor defesa dos interesses dos trabalhadores - caso contrário, os sindicatos estiolam (ficam sem recursos e sem membros) e não conseguem representar e defender devidamente os trabalhadores e a contratação colectiva, a segurança e a higiene no trabalho.
7- Temos que reverter as disfunções da União Europeia e da zona Euro devem afirmar a sua União, sem egoísmos (e nacionalismos chauvinistas), com liderança de melhor qualidade, com solidariedade, com transferências (não só comerciais mas também financeiras) entre Estados/regiões e com um orçamento comum.
Apesar de ter uma situação financeira bem pior que Portugal, o estado da Califórnia está 'calmo' (não foi atacado pelos especuladores e agências de rating) e tal acontece porque está integrado numa UNIÂO cujo orçamento (federal) é 60% do dos EUA (o resto é dos Estados).
Os bancos podem financiar-se no BCE a 1% mas os Estados da UE não o podem fazer e têm de pagar juros muito mais altos - isto tem de mudar.
Vamos discutir ''soberanias'' quando meia dúzia de especuladores põe os Estados a tremer e os podem levar á falência !?!
Isto não é aceitável, a UE é importante mas tem de mudar e tem de criar a sua própria agência de 'rating', o seu 'Fundo Monetário Europeu', o seu controlo de contas estatais e de 'offshores', e um orçamento comum e solidário.
Zé T. (em comentário a : « Repartir custos (e os lucros/ benefícios) ?! Sacrifícios, palavras e sereias », em 15.6.2010 no Luminária)
De
Xa2 a 17 de Junho de 2010 às 11:12
A luta de classes está de volta
Cidadãos europeus, Uni-vos!
(Boaventura Sousa Santos, Visão de 2 de Junho)
A luta de classes está a voltar, sob nova forma, mas com a violência de há cem anos:
agora é o capital financeiro a declarar guerra ao trabalho
Os dados estão lançados, o jogo é claro e quanto mais tarde identificarmos as novas regras mais elevado será o custo para os cidadãos europeus.
A luta de classes está de volta à Europa e em termos tão novos que os actores sociais estão perplexos e paralisados.
Enquanto prática política, a luta de classes entre o trabalho e o capital nasceu na Europa e, depois de muitos anos de confrontação violenta, foi na Europa que ela foi travada com mais equilíbrio e onde deu frutos mais auspiciosos. Os adversários verificaram que a institucionalização da luta seria mutuamente vantajosa:
o capital consentiria em altos níveis de tributação e de intervenção do Estado em troca de não ver a sua prosperidade ameaçada;
os trabalhadores conquistariam importantes direitos sociais em troca de desistirem de uma alternativa socialista.
Assim surgiram a concertação social e seus mais invejáveis resultados:
altos níveis de competitividade indexados a altos níveis de protecção social;
o modelo social europeu e o Estado Providência;
a possibilidade, sem precedentes na história, de os trabalhadores e suas famílias poderem fazer planos de futuro a médio prazo (educação dos filhos, compra de casa);
a paz social; o continente com os mais baixos níveis de desigualdade social.
Todo este sistema está à beira do colapso e os resultados são imprevisíveis. O relatório que o FMI acaba de divulgar sobre a economia espanhola é uma declaração de guerra:
o acumulo histórico das lutas sociais, de tantas e tão laboriosas negociações e de equilíbrios tão duramente obtidos, é lançado por terra com inaudita arrogância e a Espanha é mandada recuar décadas na sua história:
reduzir drasticamente os salários, destruir o sistema de pensões, eliminar direitos laborais (facilitar despedimentos, reduzir indemnizações).
A mesma receita será imposta a Portugal, como já foi à Grécia, e a outros países da Europa, muito para além da Europa do Sul.
A Europa está a ser vítima de uma OPA por parte do FMI, cozinhada pelos neoliberais que dominam a União Europeia, de Merkel a Barroso, escondidos atrás do FMI para não pagarem os custos políticos da devastação social.
O senso comum neoliberal diz-nos que a culpa é da crise, que vivemos acima das nossas posses e que não há dinheiro para tanto bem-estar. Mas qualquer cidadão comum entende isto:
se a FAO calcula que 30 mil milhões de dólares seriam suficientes para resolver o problema da fome no mundo e os governos insistem em dizer que não há dinheiro para isso, como se explica que, de repente, tenham surgido 900 mil milhões para salvar o sistema financeiro europeu? A luta de classes está a voltar sob uma nova forma mas com a violência de há cem anos: desta vez, é o capital financeiro quem declara guerra ao trabalho.
O que fazer? Haverá resistência mas esta, para ser eficaz, tem de ter em conta dois factos novos. Primeiro, a fragmentação do trabalho e a sociedade de consumo ditaram a crise dos sindicatos. Nunca os que trabalham trabalharam tanto e nunca lhes foi tão difícil identificarem-se como trabalhadores. A resistência terá nos sindicatos um pilar mas ele será bem frágil se a luta não for partilhada em pé de igualdade por movimentos de mulheres, ambientalistas, de consumidores, de direitos humanos, de imigrantes, contra o racismo, a xenofobia e a homofobia.
A crise atinge todos porque todos são trabalhadores.
Segundo, não há economias nacionais na Europa e, por isso, a resistência ou é europeia ou não existe. As lutas nacionais serão um alvo fácil dos que clamam pela governabilidade ao mesmo tempo que desgovernam. Os movimentos e as organizações de toda a Europa têm de se articular para mostrar aos governos que a estabilidade dos mercados não pode ser construída sobre as ruínas da estabilidade das vidas dos cidadãos e suas famílias. Não é o socialismo; é a demonstração de que ou a UE cria as condições para o capital produtivo se desvincular do capital financeiro ou o futuro é o fascismo e terá de ser combatido por todos os meios
De Zé das Esquinas o Lisboeta a 17 de Junho de 2010 às 11:31
E como se faz a nova luta de classes?
Com blogs, petições, movimentos, manifestações, choradeiras?
Os partidos tornaram-se no que são.
Os sindicatos, com as devidas diferenças, tornaram-se uma vezes em marionetas de partidos, outras corporatizaram-se...
Então como é?
Em eleições, as abstenções não contam. Os votos brancos e nulos, também não.
Então como é?
De
DD a 17 de Junho de 2010 às 23:10
Só podemos defender os trabalhadores europeus se tivermos a coragem de fechar as portas a muitos produtos chineses e asiáticos em geral.
O inimigo é o comunismo-capitalista que explora o trabalho a 50 cêntimos do dólar à hora.
O capital financeiro não é, para já, chamado para muita coisa pois Portugal e a Europa têm capacidades produtivas livres. Basta que haja a possibilidade de vender.
Portugal tem muitas fábricas equipadas que podem retomar a produção se a concorrência chinesa for reduzida.
Claro, como tudo na vida, pagaremos por muitos bens de consumo um pouco mais. Não podemos ter salários muito mais altos que os chineses se os não pagarmos.
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