TRABALHADORES (E NÃO SÓ) DE TODO O MUNDO UNI-VOS!

 

Perante a presente e grave crise, económica e social, em que a Europa e o mundo se encontram, tem cabimento alguma reflexão, com retrospectiva às organizações e ao passado recente das mesmas.

Que é feito da OIT?

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) é uma agência multilateral ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), especializada nas questões do trabalho e da economia.

Com sede em Genebra, Suíça desde a data da fundação, a OIT tem uma rede de escritórios em todos os continentes. Tem representação paritária de governos dos 182 Estados-Membros e de organizações de empregadores e de trabalhadores.

A OIT foi criada pela Conferência de Paz após a Primeira Guerra Mundial (1919). A sua Constituição é um documento que foi introduzido na Parte XIII do Tratado de Versalhes.

Em 1944, à luz dos efeitos da Grande Depressão a da Segunda Guerra Mundial, a OIT adoptou a Declaração da Filadélfia como anexo da sua Constituição. A Declaração antecipou e serviu de modelo para a Carta das Nações Unidas e para a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

A ideia de uma legislação trabalhista internacional surgiu como resultado das reflexões éticas e económicas sobre o custo humano da revolução industrial. As raízes da OIT estão no início do século XIX, quando os líderes industriais Robert Owen e Daniel le Grand apoiaram o desenvolvimento e harmonização de legislação trabalhista e melhorias nas relações de trabalho.

A criação de uma organização internacional para as questões do trabalho baseou-se em argumentos:

Em 1969, no seu 50º aniversário, a Organização foi agraciada com o Nobel da Paz. No seu discurso, o presidente do Comité do Prémio Nobel afirmou que a OIT era "uma das raras criações institucionais das quais a raça humana podia orgulhar-se".

Será que tal orgulho não se tornou já, apenas e só, uma reminiscência longínqua do passado? Não estaremos, hoje, a regressar àquele passado?

Que andará a fazer a Confederação Europeia de Sindicatos (CES)?

A Confederação Europeia de Sindicatos (CES) fundou-se em 1973 com o objectivo de representar de maneira unitária os trabalhadores e aos filiados de seus respectivos países a escala europeia. Segundo os seus escritos, o seu papel no processo de tomada de decisões na Europa tem  adquirido a cada vez mais importância desde o momento no que a integração europeia tem ampliado a influência da União nas políticas económicas, sociais e de emprego nos 27 Estados Membros. Que estranha influencia, a avaliar pelos resultados!

Actualmente, entre as organizações filiadas aos CES encontram-se 81 confederações nacionais de sindicatos pertencentes a um total de 36 países europeus, e 12 federações industriais europeias que dão cobertura aproximadamente a 60 milhões de sindicalistas.

A missão dos CES tem como intenção criar uma Europa unida na qual se respire paz e estabilidade, em onde os trabalhadores e suas famílias desfrutem de plenos direitos humanos, civis, sociais e de emprego, bem como de um alto nível de vida. Para atingir esta meta, a CES promove o chamado modelo social europeu que combina o crescimento económico sustentado com a melhora das condições de vida e de trabalho, entre as que se incluem o pleno emprego, a protecção social, a igualdade de oportunidades, o emprego de boa qualidade, a inclusão social e a elaboração de uma política aberta e democrática que implique totalmente os cidadãos na tomada das decisões que lhes afectam de forma directa.

Perante os factos e a realidade existente é caso pare se perguntar, aos dirigentes da CES, se não têm andado a dormir e a sonhar?

Como explicam aos trabalhadores, que dizem representar, a presente situação de crise económica, social e de disparidades tão grandes na distribuição da riqueza produzida?

Aceitam que tudo seja deixado ao controlo da “mão invisível” do mercado?

Qual é o papel da Confederação Sindical Internacional (CSI) que surgiu da fusão de duas antigas centrais mundiais?

A Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres (Ciosl), que já representava o casamento da social-democracia europeia com o tradeunionismo dos EUA; e a democrata-cristã Confederação Mundial do Trabalho (CMT), alem da adesão de outros sindicatos.

Nenhum dos problemas que actualmente afectam o mundo laboral, económico e social se resolve se as atitudes e as respostas não forem tomadas globalmente. A problemas globais só podem corresponder respostas igualmente globais.

Não é, de todo, possível sair da presente crise se não forem encontradas respostas que enquadrem mecanismos de regulação e controlo envolvendo os poderes regionais ou seja encontrados com a participação da Europa, EUA, China, Japão e Rússia, além da União Africana, o Mercosul e outras estruturas de influência.

Continuar a tentar resolver estas questões num raciocínio localizado (país ou região) constitui uma enorme imbecilidade que só aproveita a especuladores e a traficantes qualquer que seja a natureza do negócio destes sangues sugas.


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Publicado por Zé Pessoa às 00:07 de 21.06.10 | link do post | comentar |

12 comentários:
De A ver se arrebitamos... a 24 de Junho de 2010 às 00:10
Hello Goodbye (dos Beatles)

É o desemprego a aumentar, é o serviço de saúde a minguar, é os subsídios aos carenciados a baixarem, é os pobres a pagarem a crise, é os autores da crise a enriquecerem.
Para nos dar ânimo não chega um Portugal - Coreia do Norte de longe em longe.
Vamos lá a ver se arrebitamos com estes endiabrados rapazes para pormos ordem na desordem .


De ignóbil reduto d ignorantes diplomados ! a 22 de Junho de 2010 às 11:39
Ignorância


É no mínimo estranho este Mundo onde se aplaude quando se exige silêncio, onde se usa ácido quando se exige açúcar, onde se age privado quando se exige público.

Digo “no mínimo estranho” para não aprofundar a descaracterização total do que nos identifica e para evitar rotular comportamentos de quem não sabe estar no mundo dos homens e dos seus significados.

Tudo isto é espelho da decadência e resulta da impreparação ético-cívica de quem desempenha cargos públicos a todos os níveis. Vai do mais alto que se abstém do seu papel representativo ao mais baixo que se apresenta num canal público, em dia de luto nacional, de gravata berrante a questionar quem quer recolhimento com as mais inacreditáveis cretinices.

A culpa talvez não seja deles mas de nós que somos cada vez menos exigentes.

A causa talvez não resida só na incapacidade dos pais transmitirem aos filhos os conceitos base dos comportamentos em sociedade, mas nesta bandalheira ignóbil que transformou Portugal numa gigante bancada de futebol incapaz de assistir ao jogo sem insultar o árbitro por ele não se dar ao respeito e sem esbofetear o vizinho de cadeira por ele usar uma camisola diferente.

Na fona da instrução para a inscrição estamos a transformar este País num reduto de ignorantes com estudos.

LNT [0.203/2010], A barbearia


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 21 de Junho de 2010 às 22:02
Bom post e oportuna questão levantada. Sim onde estão essas organizações?
Não me digam que estão todos acomodados que é uma coisa que o dinheiro pago mensalmente e em demasia para o desempenho de determinadas funções, costuma fazer às pessoas. Cála-as.
Quem quer disputas e defender causas onde por já terem outro estatuto económico e social já não se inserem? Sempre houve muitas maneiras de 'matar' coelhos. Sim onde estão eles? Aburguesaram? Já não se identificam com as causas? Boa pergunta. Onde estão estas organizações?


De Coelhos a 22 de Junho de 2010 às 00:34
Onde estão os coelhos? nas coutadas da Mota Engil e cIa, mas não são caçados: agora caçam e de que maneira.


De .Capital manipula poderes e cidadãos ! a 22 de Junho de 2010 às 11:31
«...Não me digam que estão todos acomodados ... Cála-as.
Quem quer disputas e defender causas ...
Sempre houve muitas maneiras de 'matar' coelhos. ...»

Em parte é verdade... principalmente porque

o CAPITAL (e políticos seus defensores)
compra e cala as pessoas,
ameaça-as e amedronta-as,
dá-lhes o mínimo para sobreviverem e instila-lhes o espírito consumista individualista e capitalista
(para os dividir e se tornarem defensores daqueles que os exploraram e manipulam.)....

o CAPITAL (e políticos seus defensores)
legisla a seu favor para controlar/manipular o acesso à justiça
(e a denegar aos que não têm recursos),
o acesso à comunicação social, às universidades, ao Poder ...
às cúpulas das organizações económicas, sociais, político-partidárias ... à governação.

o CAPITAL (e políticos seus defensores)
não permite/ desincentiva a União dos trabalhadores e suas organizações,
desincentiva a sindicalização,
desincentiva a participaçao/manifestação na rua e nas greves

o CAPITAL (e políticos seus defensores)
infiltra os seus agentes no Poder, no Governo, no Parlamento, nos Tribunais, no topo da Administração Pública, nas Finanças, nas Empresas Públicas, ...
e corrompe, promete, ameaça, paga, ...

o CAPITAL (e políticos seus defensores)
paga campanhas partidárias, paga prendas e prémios aos seus melhores agentes e sabujos, paga consultores, paga marketing, paga notícias, paga (des)informação, ... paga ''circo'' (futebol, telenovelas, concursos, espectáculos,...)
e faz caridadezinha e verte lágrimas, de crocodilo.


e com tudo isto, o CAPITAL (e políticos seus defensores) obtêm chorudos retornos e benesses douradas... !!


De +união de Sindicatos e centrais, +acção a 22 de Junho de 2010 às 14:03
os empresários/ patrões da CIP e AEP unem-se na super Confederação de empresários de Portugal - CEP - e já estão a deitar as culpas da crise e desemprego para cima dos sindicatos dizendo que não são ''modernos'', nem ''flexíveis'' e ''dialogantes''... - é preciso ter 'lata'.

por seu lado, os sindicatos são mais do que cogumelos, fracos, pequenos, desunidos,... e as CGTP UGT e USI continuam desunidas, cada uma a ver se ganha mais protagonismo (mesmo que à custa da outra e deixando por defender os interesses sindicais, dos trabalhadores no seu conjunto)...


De DD a 21 de Junho de 2010 às 21:10
Os postos de trabalho portugueses e os seus salários só podem ser defendidos num contexto de proteccionismo europeu.
Tudo o que se diga sobre a economia nacional em termo de trabalho e salários é mentira. Não há economia nacional, mas sim Europeia e Mundial onde impera a globalização da máxima exploração do trabalho, a começar pelo Bangla Desh , Índia, China, Filipinas, Indonésia, Tailândia, etc. e temos aqui mais de metade da Humanidade.
Só mesmo o mais estúpidos de todos podem pensar que basta protestar na Avenida da Liberdade e pronto, toda a gente vai comprar português.
Os próprios desempregados e trabalhadores que protestam não se preocupam em comprar 560...., pois julgam que fazendo uma lei qualquer tudo aparece feito, incluindo postos de trabalho.
A esquerda radical como o BE pode desfilar também na Avenida da Liberdade, mas protesta contra qualquer fábrica nova, mesmo de móveis, transformação de resinas naturais, etc.


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 21 de Junho de 2010 às 21:49
Teoricamente até podia concordar. Mais, até gostava de acreditar que era assim. Portugal como vítima de uma globalização e uma UE a duas velocidades. Mas...
Há sempre um mas, não é?
Porque é que só é assim para a 'malta'? Para os salários do Zé Povinho? Porque é que para os 'grandes', não se aplica a fórmula anterior? Então os Mexias, os Baival, os Granadeiros, os... não estão no mesmo país? O tal que sózinho não pode fazer nada para alterar os salários?
Só mesmo os estúpidos é que podem pensar que somos apenas vítimas da conjuntura, só mesmo os estúpidos querem fazer-nos pensar que não podemos fazer nada e que a solução é 'amouchar' e 'calar'.
Mas o português não é estúpido e mesmo os que o são também têm que comer e pagar as suas contas. E não é por o DD nos dizer que não nos devemos revoltar que e manifestar o nosso desagrado que o povo o vai satisfazer. E sabem que mais? Pode ser que a Av da Liberdade não chegue para uma mudança de políticas e de políticos, mas existem com certeza, outras avenidas onde podemos exigir e encontrar, a nossa liberdade para viver condignamente sem ser capacho destes senhores que se julgam mais importantes do que aquilo que verdadeiramente são.


De Izanagi a 22 de Junho de 2010 às 00:47
Designar por salário a remuneração que a generalidade dos portugueses recebe em troca do seu trabalho, no contexto europeu, que é onde geográfica e politicamente Portugal se insere, é uma ofensa. Porque salário tem o trabalhador sueco, alemão, dinamarquês, holandês, irlandês, finlandês, belga, francês, luxemburguês, etc etc..
Ao contrário do que DD afirma, o que já vai sendo uma constante,não é mentira quando se diz que os salários em Portugal são ofensivos da dignidade humana, com excepção dos rendimentos dos patrões - não digo empresários porque não os há - dos políticos e da magistratura, ou seja de classes improdutivas.
E os culpados desta situação existem: Têm sido os governos do PSD e nos ultimos anos do PS.


De Obrigado José a 21 de Junho de 2010 às 14:49
“Pensar, pensar”
"Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de reflexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, não vamos a parte nenhuma. "


De E as questões caseiras? a 21 de Junho de 2010 às 09:20
É verdade, um bom poste mas, e as questões caseiras?

Essas têm de ser resolvidas e as respostas para elas não podem ser tomadas a nível internacional.

As questões da falta de poupança, consumos em exagero e o acomodar de certa gente na subsidio-dependência associada à distribuição de casas à borla e sem qualquer co-responsabilização , assim como uma distribuição vergonhosa da riqueza produzida, só cada população, internamente, podem ser corridas.


De Ze T. a 21 de Junho de 2010 às 09:07
Bom post e questões muito pertinentes.


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