De DD a 22 de Junho de 2010 às 23:01
Durante anos a fio lamentou-se o fim das escolas industriais e comerciais, mas no meu tempo de jovem eram criticadas como sendo escolas para as classes mais baixas e para o exercício de profissões manuais ou para pequenos empregados de comércio, se bem que o único Nobel da Literatura em língua portuguesa tenha tirado apenas o curso da escola industrial.
Para um ensino dito mais justo sem classes sociais acabaram com as escolas profissionais, o que representou um erro, pois o ensino profissionalizante deveria ter sido alterado e não começar aos 10 anos de idade, mas bem mais tarde como acontece agora e integrar o exercício da profissão como acontece com as "novas oportunidades".
O modelo actual não é mau e fundamentalmente cria uma ligação entre estudo e profissão, mesmo que não seja muito estudo.
Há muitos alunos que não gostam de estudar. Por isso é útil fazê-los entrar numa via profissionalizante e levá-los a pensar no que poderão a fazer a chumbá-los indiscriminadamente e deixá-los abandonar o sistema como frustrados sem qualquer linha de rumo para as suas vidas e ir para a rua à procura de qualquer coisa que nem sabem o que deverá ser. Assim, têm o apoio de psicólogos e professores que os procuram orientar em função das suas capacidades.
A crítica de se estar a trabalhar para as estatísticas é absurda e de uma profunda má fé e anti-social. Todos têm direito a uma profissão e compete ao sistema escolar procurar, pelo menos, uma solução para os alunos que não querem continuar os seus estudos e não atirá-los fora como trapos sujos.
Ninguém percebe a essência socialista do nosso sistema escolar que é humanista e pretende estar ao serviço de todos os alunos e não apenas de alguns. Claro, a maior parte dos professores não foram educados e treinados para serem professores sociais e, menos ainda, socialistas, mas lentamente não podem deixar de se adequarem ao sistema duplo de ensino livresco e profissionalizante
Há tempos estive a ler na Net a estrutura de cursos profissionalizantes e vi que em Sines pode tirar-se um excelente 12º ano adequado às indústrias químicas e petrolíferas e em Torres Novas há um curso adequado à indústria do papel e assim sucessivamente.
Os alunos das vias profissionalizantes podem prosseguir os estudos e tirar uma licenciatura especializada
Num oftalmologista onde compro óculos e lentes trabalha uma rapariga que tirou o 12º ano profissionalizante de oculista e o patrão disse-me que estava mito bem preparada. Antes, metia um aprendiz e ele tinha de ensinar tudo, hoje há pessoal já preparada que com um pouco de prática se tornam perfeitos profissionais
A situação em Portugal é a seguinte: se os alunos chumbam e são obrigados a sair das escolas critica-se o governo por isso; se não acontece, mas seguem vias profissionalizantes critica-se o governo como estando a falsear os estudos e a dar diplomas profissionalizantes com equivalência ao 12º ano.
Enfim, para os inimigos do povo, tudo é mau, mas não apresentam alternativas e a de que todos devem ter uma licenciatura é excessiva e desnecessária como é a de deitar fora para a rua os maus alunos sem qualquer diploma ou conhecimento.


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