Ignóbil reduto de iliteracia diplomada

Ignorância

É no mínimo estranho este Mundo onde se aplaude quando se exige silêncio, onde se usa ácido quando se exige açúcar, onde se age privado quando se exige público.

Digo “no mínimo estranho” para não aprofundar a descaracterização total do que nos identifica e para evitar rotular comportamentos de quem não sabe estar no mundo dos homens e dos seus significados.

Tudo isto é espelho da decadência e resulta da impreparação ético-cívica de quem desempenha cargos públicos a todos os níveis. Vai do mais alto que se abstém do seu papel representativo ao mais baixo que se apresenta num canal público, em dia de luto nacional, de gravata berrante a questionar quem quer recolhimento com as mais inacreditáveis cretinices.

A culpa talvez não seja deles mas de nós que somos cada vez menos exigentes.

A causa talvez não resida só na incapacidade dos pais transmitirem aos filhos os conceitos base dos comportamentos em sociedade, mas nesta bandalheira ignóbil que transformou Portugal numa gigante bancada de futebol incapaz de assistir ao jogo sem insultar o árbitro por ele não se dar ao respeito e sem esbofetear o vizinho de cadeira por ele usar uma camisola diferente.

Na fona da instrução para a inscrição estamos a transformar este País num reduto de ignorantes com estudos.

LNT, A Barbearia do Senhor Luis



Publicado por Xa2 às 08:07 de 22.06.10 | link do post | comentar |

11 comentários:
De Zé T. a 22 de Junho de 2010 às 14:18

Chumbos estão a diminuir devido a limpeza nas estatísticas

Os alunos com mais dificuldades deixaram de entrar nas contas do ensino regular, onde estão incluídas as taxas de retenção
[Clara Viana, Público.pt, 13-06-2010, via MIC ]

É uma relação de causa e efeito que está patente nas estatísticas dos últimos anos divulgadas pelo Ministério da Educação:
(ainda) mais do que a um alegado (real) maior facilitismo dos exames,
a queda abrupta de chumbos entre os alunos do 3.º ciclo e do ensino secundário tem ficado a dever-se sobretudo ao número crescente de jovens "desviados" para as vias profissionalizantes,
na sequência de uma reforma aprovada em 2004 pelo ministro do PSD, David Justino, e que foi concretizada e ampliada nos anos seguintes pela ministra socialista Maria de Lurdes Rodrigues


"Indirectamente, induziu-se assim uma melhoria dos resultados que, infelizmente, não tem a ver com uma melhoria da qualidade do ensino ou dos alunos. Trata-se tão-só de um efeito estatístico", frisa ao PÚBLICO Joaquim Azevedo, membro do Conselho Nacional de Educação e investigador da Universidade Católica do Porto.

Muitos dos jovens que estão nas vias profissionalizantes eram alunos com dificuldades. Agora podem concluir os seus estudos sem realizar exames nacionais e com processos de avaliação interna nas escolas menos exigentes do que aqueles em vigor para os alunos do chamado ensino regular.
A sua prestação deixou também de contar para o cálculo das taxas de retenção e de transição, já que estes são indicadores que apenas expressam a situação no ensino regular, onde geralmente estão os alunos que tencionam prosseguir estudos.

Entre 2006 e 2009, o número de estudantes nas vias profissionalizantes do secundário subiu mais de 50 por cento, enquanto o número de jovens no ensino regular desceu quase 11 pontos.

Em consequência deste duplo movimento, no ano lectivo passado a percentagem de alunos nos cursos profissionais representava já 36,6 por cento do total.
Neste período de tempo, a taxa de retenção no secundário, ou seja, a relação percentual entre o número de alunos que não puderam transitar para o ano seguinte e o número de matriculados nesses anos lectivos, desceu quase 12 pontos, passando de 30,6 para 18,7.

No 3.º ciclo, a taxa de retenção passou de 19,1 em 2006 para 13,7 em 2008. Em 2009 ficou-se nos 13,8.
Este grande trambolhão nos chumbos dá-se no final do ano lectivo que foi também o da primeira grande expansão dos chamados Cursos de Educação e Formação (CEF).

Estes cursos CEF são destinados aos jovens com mais de 15 anos que têm um historial de retenções.
O número de inscritos nos CEF representa cerca de 10 por cento dos matriculados no 3.º ciclo.
De 18.224 inscritos em 2006 passou-se para 43.984, um suplemento de quase mais 26 mil alunos. Que são quase tantos como os que o 3.º ciclo do ensino regular perdeu durante esse período.

Há quatro anos, estes alunos entravam para as estatísticas do ensino regular, o que agora não acontece.
"Isso tem um efeito nos resultados porque estes 10 por cento são os estudantes que, à partida, tinham mais dificuldades, são os piores alunos", sublinha Joaquim Azevedo.
Nas escolas, o processo está em curso agora, antes das reuniões finais de avaliação. Os directores de turma e os serviços de psicologia e orientação chamam os encarregados de educação dos alunos repetentes que se encontram em risco de chumbar de novo para propor a transferência para cursos profissionalizantes.
...


De CEF, Novas Oportunidades e Rev.Estatísti a 22 de Junho de 2010 às 14:21
Maioria sem exames

Em muitos casos, a passagem do aluno é decidida em função da aceitação desta alternativa - poderá transitar de ano, no mesmo nível, se trocar o ensino regular por um curso profissionalizante, que lhe dará a equivalência ao 6.º, 9.º ou ao 12.º ano, consoante as habilitações que já possuir no acto de transferência.

Já esta semana, o Ministério da Educação deu por concluída outra revolução estatística:
incluiu, pela primeira vez, os adultos das Novas Oportunidades, abrangidos pelos processos de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC), entre a população inscrita no 3.º ciclo e no secundário no ano lectivo de 2008/09, que é o último de referência.

O Ministério da Educação justifica a alteração com o facto de, nos últimos anos, esta modalidade ter vindo a substituir gradualmente o ensino recorrente, também procurado por adultos, mas não só, e que era, e continua a ser, contabilizado para o número de matriculados.
Através dos adultos em RVCC, cerca de 20 por cento do total, o número de matriculados que é apresentado no secundário ultrapassou os 470 mil, o que representa um acréscimo de mais 130 mil por comparação a 2005/06.

Como o número de alunos do ensino regular continua em retracção e o dos cursos profissionais se mantém em expansão, a soma dos adultos das Novas Oportunidades significa também que quase 60 por cento da população que o Ministério da Educação apresenta agora como estando no ensino secundário não precisará de realizar exames nacionais para concluir o 12.º ano ou equivalente.

O mesmo se passa, mas com os exames do 9.º ano, com cerca de 40 por cento das 500 mil pessoas que o ME dá também como inscritas no 3.º ciclo.



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