Registo, Para Memoria futura (III)

Num post publicado por “DD” intitulado “Afinal os Convidados do Crespo são Fascistas” foram produzidos pertinentes comentários de que destaco, por me parecerem tocar a raiz da questão, do regime em que vivemos, os seguintes:

De Ramos secos I

De benfiquismos e partidarite está o povo farto, do que ele precisa é de respostas para os problemas do país, e este PS como as aposições não são capazes de apresentar medidas de fundo que sejam capazes de alterar o paradigma económico, social e político em que estamos mergulhados.

Os partidos, tal como estão actualmente, já representam ramos secos de uma árvore doente a que um dia se chamou democracia.

Veja-se a pobreza franciscana em que se tornaram os grupos partidários nas assembleias de freguesia, nas assembleias municipais, na própria Assembleia da Republica.

Não creio que “DD” esteja senil, acredito, contrariamente ao que afirma, é que ele alimentou (e parece alimentar ainda) uma vaga esperança que os “donos” locais do PS lhe reservassem algum, honroso, lugar na Assembleia de Freguesia do Lumiar ou na respectiva concelhia partidária.

Engano seu, essa gente partilha, ente si (alguns com algum valor, a maioria uns oportunistas) os poucos (deveriam ser ainda menos) lugares disponíveis de cargos políticos.

Estas são as verdadeiras e quase exclusivas razões que hodiernamente movem a maioria dos militantes socialistas e de todos os mais agrupamentos partidários. È a crise...

De Ramos secos II

Não se põem em dúvida a honestidade e até as “verdades” que “DD” aponta.

O problema de “DD” é que, a forma como escreve, deixa a ideia (será que ele próprio acredita?) de que tais erros e maus comportamentos se não verificam actualmente.

“Porra! Aceitem que as burlas eleitorais são uma falta de honestidade e de carácter e um profundo desprezo pelo povo e que há muita coisa em Salazar e Caetano que nunca se chegou a saber”, escreve “DD”.

Então e as “burlas eleitorais” dentro dos próprios partidos? Qual é a posição de “DD” sobre tais realidades dos nossos dias, em democracia?

É verdade que “o português andava descalço pelas ruas e bem me lembro disso. Não se lembram como viviam os pescadores da Caparica numas barracas atrás das dunas. Claro, vocês não sabem nada disso e julgam que o gangster Salazar era honesto” contudo, era muito mais solidário e consciente dos seus direitos sem se espezinharem mutuamente, digo eu aqui e agora. O povo, os trabalhadores estavam imbuídos de um conjunto de valores que se perderam e disso esta “democracia”, estes partidos, estes políticos, são os grandes responsáveis.

Porra!, será difícil a “DD” entender, também estas realidades?

Está visto que “DD” anda de acordo com a actual situação porque se não andasse não escrevia como escreve e colocava toda a sua experiencia, o estatuto de “histórico” do PS para refundar o partido, começando desde logo por promover uma lista para concorrer à secção de residência a que pertence. Ainda é pelos alicerces que se começa a construção de uma casa. Menos conversa e mais acções, é o que faz falta.



Publicado por Zurc às 09:16 de 23.06.10 | link do post | comentar |

3 comentários:
De Um historiador a 24 de Junho de 2010 às 09:55
"DD" diz estar farto de explicações, sendo certo que também são necessárias , fica claro que é uma pessoa mais ligada ao passado, à historia factual do que ao futuro .

As soluções deixa-as aos "bons rapazes" que nunca fizeram outra coisa que gravitar na politica desde os coiros, nas jotinhas , trepando pelo aparelho acima e não fazem a menor ideia do que são as exigências reais da vida e da sociedade. Foi a esses que os históricos deixaram os partidos e o resultado está à vista, estes tornaram-se numa espécie de agencia de empregos na politica, nas empresas publica e nos privados quando saem de ministros ou de Secretários de Estado.

Fica claro que "DD" está de acordo com a actual situação, bastando-lhe as explicações dos factos passados. Um historiador.


De DD a 24 de Junho de 2010 às 00:21
Acho muito interessante o Post dedicado à minha humilde pessoa, a começar pela frase de que o povo está farto e que necessita de soluções para os seus problemas.
Eu estou farto de explicar quais os nossos problemas e o que é a crise financeira e de saturação dos mercados actuais. Além disso é um facto que o crescimento económico tem sempre como base a exploração de recursos, sejam humanos ou naturais.
Sempre que numa economia se entra num certo equilíbrio não há crescimento económico, é o caso relativo de Portugal em que os trabalhadores ganham mal mas vinte vezes que os chineses, indianos, do Bangla Desh, etc. Além disso, os asiáticos estão a destruir completamente o seu meio ambiente, pelo que irão pagar um preço muito elevado por isso no futuro.

Independentemente disso, Portugal viveu nas últimas décadas o primeiro período estável em democracia, 45 governos em 15 anos e 7 meses de República e nenhu governo com mais de quatro anos de exercício durante todo o longo período liberal com intervalos desde 1820 a 1910. Presentemente temos governos de legislatura, provavelmente não o actual e, talvez, nenhum dos próximos, pelo que a ser assim o futuro será muito pior que na actualidade em que se fez muita obra. O país parece-se um pouco com o período do Fontismo e depois, quando da Exposição Universal do Porto em 1865, então com um governo de fusão entre Regeneradores e Progressistas.

Apesar da obra dos caminhos-de-ferro, portos, estradas, pontes, etc. o povo, ou seja, as elites republicanas, estavam fartas de serem governadas pelos mesmos, Sá da Bandeira, Palmela, Terceira, Ávila, Passos Manuel, Fontes Pereira de Melo, Loulé, Aguiar e muitas mais ruas de Lisboa, perdão, presidentes do Governo. Esses nomes estão lá porque marcam a própria expansão da cidade a partir do liberalismo outubrista.

Na minha opinião, um verdadeiro democrata não exige a perfeição, compara a actualidade com o passado histórico e com o resto do Mundo. Portugal é 17º mais pobre ou mais rico se tivermos em conta as quase 250 nações do Mundo e não apenas as europeias. Nalgumas listas, Portugal está mais para trás, mas à frente estão as chamadas não nações como Hong Kong, Macau, Ilhas Virgens, Guersney, Lichtenstein, Barbados e quase todos os restantes paraísos fiscais que sendo pequeníssimos recebem muito dinheiro dos traficantes de droga do Mundo que se podem permitir armar exércitos como sucede no México, Colômbia, etc.

Em Portugal realizou-se uma grande obra pública e o País possui o maior parque habitacional per capita da Europa com o inerente maior mercado de unidades habitações novas e usadas, além de ter a vasta rede de auto-estradas, o maior número de escolas e universidades, hospitais e um gigantesco parque automóvel, etc. Tudo um pouco acima das possibilidades inerentes aos recursos económicos do País, pelo que há que desenvolver a produção de bens, serviços e produtos primários, o que está a ser feito, mas a par com o desaparecimento de outros sectores que não se podem afirmar perante a concorrência estrangeira, daí a elevada taxa de desemprego que dificilmente pode ser eliminada em pleno período de crise económica mundial.

Recordemos as crises do passado e os ciclos de Kondtratief que ao estudá-las conclui que o desenvolvimento industrial passa por ciclos diversos de consumo e criatividade, sendo estes últimos os de crise. Claro, Kondratief foi barbaramente assassinado pelos esbirros de Estaline por ter concluído que as crises são períodos de criatividade seguidos por outros de crescimento e maior consumo. Não forneceu os dados científicos que previa o fim do industrialismo.

Recordemos também as palavras de Oliveira Martins: “Demolir é fácil, mais duro o construir.

Quanto à questão de refundar o Partido Socialista não vejo grande necessidade pois há aqui muita gente nova bem preparada intelectualmente e já com experiência política como Marcos Perestrello, o Seguro e muitos outros. O PS tem mais bons políticos que os necessários, pelo que poderá sempre ser renovado na linha do aparelho ou fora dele.

O fundamental é a criação de ideias novas capazes e inovadoras. Portugal precisa de uma base de sustentação e talvez possa tirar da crise a criatividade necessária para se desenvolver.


De Francisco Goya 1746-1828 a 24 de Junho de 2010 às 00:45
a fantasia, abandonada pela razão, produz monstros impossíveis


Comentar post

DESTAQUE DO MÊS
14_04_botão_CUS
MARCADORES

todas as tags

CONTACTO

Email - Blogue LUMINÁRIA

ARQUIVO

Junho 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Online
RSS
blogs SAPO