Quem usa, que pague!, Ou pagam todos ou não paga ninguém! ou...

Hipocrisia, oportunismo e proxenetismo regionalista

Vale a pena reflectir sobre os argumentos utilizados por alguns autarcas para justificar as borlas nas auto-estradas, são um bom exemplo da leviandade e hipocrisia da nossa classe política que põe a luta pelo poder acima de quaisquer interesses nacionais. Porque não aplicar a todos os domínios da sociedade os argumentos utilizados para justificar as borlas nas SCUT.

Vejamos, por exemplo o argumento usado por Macário Correia, um político a quem há muitos anos vaticinava um futuro mediano como controleiro de uma organização de extrema-esquerda e agora preside à CM de Faro eleito pelo PSD. Argumenta o autarca que se a auto-estrada de Huelva é à borla a Via do Infante também o deve ser. É um argumento do tipo meada pois puxando a ponta em Vila Real de Santo António só acaba no último quilómetro de auto-estrada que tenha sido construído. Como explicar a um estrangeiro que só tem auto-estrada gratuita até Ferreiras e quando virar no sentido de Lisboa esbarra com uma portagem?

Seguindo esta lógica tudo o que fosse à borla do lado de Espanha também o seria deste lado, não sucedendo o inverso pois nunca ouvi um político espanhol usar o argumento no sentido inverso. Curiosamente este argumento é usado por um senhor que em tempos era autarca de Tavira e que quando os preços dos combustíveis subiu decidiu abastecer a frota automóvel da autarquia nas estações de serviço de Ayamonte. Temos portanto um alto responsável que defende que a Via do Infante deve ser gratuita mas na horas de pagar impostos prefere ir pagá-los a Espanha.

Pois é, os outros que lhe paguem a auto-estrada!

Ouvi um outro senhor autarca justificar as SCUT como o pagamento de uma dívida ao interior, como se pelo facto de ter nascido no litoral tenho uma quota parte de uma dívida aos que nasceram no interior. Bem, por esta lógica apetece-me perguntar se o tal autarca defende que em relação às populações do interior que ficam a mais de cem quilómetros da auto-estrada mais próxima o pagamento da tal dívida seja feita, por exemplo, em géneros. Por exemplo, quanto não deverá o país do litoral aos habitantes de Mértola ou de Alcoutim? No caso da Ilha do Corvo teríamos que dar a cada habitante um Ferrari mais uma viagem semanal em excutiva para passarem férias nas Bermudas!

E o que dizer de um autarca que gosta de assumir uma postura responsável e de quem se dizia que iria ser o futuro primeiro-ministro eleito pelo PSD e que agora faz apelos subtis à revolta do Norte? Este senhor acha que a sua região é uma excepção, ali todas as borlas se justificam e se for necessário até deve haver um TGV para que a viagem entre o Porto e Lisboa demore menos quinze minutos.

O que seria deste país se todos os autarcas de regiões que recebem muito menos do que o Porto dos impostos pagos pelas outras regiões fizessem apelos à revolta das populações? Barrancos já se tinha passado para o outro lado da fronteira, Vila Nova de Milfontes pediria para ser uma autarquia da Região Autónoma da Madeira e para chegarmos a Vila Real de Santo António teríamos de ir até Espanha pela auto-estrada de Évora para entrarmos no Algarve pela ponte do Monte Francisco, tanto quanto sei entre Lisboa e aquela região do Algarve não há nenhum concelho que tenha menos motivos para se revoltar do que o Porto.

A verdade é que tirando algumas excepções muito localizadas onde as SCUT fazem sentido o que estes senhores querem promover é o proxenetismo nacional, querem o mais possível dos impostos que os outros pagam, já que o país se está a afundar aproveitam-se deste modelo municipalista quase feudal para “sacarem” o mais possível para as suas regiões e assim assegurarem futuras vitórias eleitorais.

É uma combinação perigosa entre hipocrisia e oportunismo e proxenetismo regionalista.

Jumento


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Publicado por Xa2 às 00:07 de 25.06.10 | link do post | comentar |

9 comentários:
De . a 28 de Junho de 2010 às 12:03
NÃO TEM CHIP, TEM RETRATO
D' O blogue de Eduardo Pitta

Sobre o pagamento de portagens nas Scut, a partir do próximo 1 de Julho, disse aqui o que penso.
Sou favorável ao pagamento, em todo o país.
Sobre chips de matrícula, escrevi que «mais valia tornar o uso da Via Verde uma imposição legal.»

Ontem, o Parlamento inviabilizou (na generalidade; a ver vamos o que sucede na especialidade) o diploma que daria suporte legal aos referidos chips.

Significa isto que os detentores de Via Verde não têm problemas.
Mas os outros, em especial os que têm preocupações de privacidade, vão tê-la (agora sim) devassada.

O chip daria notícia da passagem da matrícula A pela estrada X.
Ao contrário, a ausência de chip aciona uma fotografia do veículo — como acontece neste momento nas pontes de Lisboa e em todas as auto-estradas do país —, com os dados inerentes, incluindo a(s) nuca(s) do(s) ocupante(s).
Isto acontece todos os dias, de Norte a Sul, e nunca incomodou ninguém.
às 6/25/2010 08:15:00 PM ,via Carlos Alberto


De SCUTs e Federação PS a 28 de Junho de 2010 às 11:37
O desnorte evidente na Federação Distrital do Porto do PS

Sabemos que não houve, nunca, qualquer tipo de discussão, quer ao nível dos militantes, que a nível das estruturas federativas, de forma séria sobre o assunto SCUT's. Por isso não estranho o actual desnorte e o ruidoso silêncio sobre a questão ao nível Federativo, pelas seguintes razões:
1º Tratou-se de uma aceitação acéfala, seguidista e acrítica da decisão apresentada pelo governo, sem que houvesse sequer um esboço por parte dos deputados eleitos pelo circulo do Porto, de defesa dos interesses das populações, que dizem representar, no sentido de corrigir situações graves de descriminação negativa, nomeadamente na A4 em Matosinhos e o nó de Perafita para o Aeroporto. Por isso, na convenção autárquica passada apelidei-os na minha pequena intervenção de DEPUTADOS PAROLOS.
2º Depois de o Secretário Geral, e primeiro ministro, fruto das negociações sobre o tema com o PSD, ter afirmado publicamente que então todas as SCUT's seriam pagas, ficando isentos os residentes e empresas que estão sob a alçada dessas vias, de imediato vieram vozes de dentro da Federação dizer que "Esta proposta incorpora e acompanha igualmente a posição distrital do PS Porto. Os socialistas do norte fazem-se ouvir." PRECIPITARAM-SE? SIM!
3º No dia imediatamente a seguir, vem na comunicação social, ainda não desmentido, que afinal é intenção do governo que no que já está decidido não se mexe e que as isenções seriam, só e apenas, para os residentes e empresas das SCUT's do interior. FICARAM CALADOS!


Isto prova, se dúvidas houvessem, que o tema SCUT's nunca foi seriamente discutido a nível federativo do PS. Foi um assunto que sendo tratado com os pés a nível governamental, estes vieram assentar no traseiro dos órgãos federativos do PS Porto.
Não somos a maior Federação do país que serve apenas para demonstrar, nos tempos mais recentes,e difíceis, as merecidas solidariedades e banhos de multidão, ao Partido e do seu secretário geral. algo que outras federações do país não conseguiram nem conseguem fazer, e depois os dirigentes e deputados do distrito, num assunto com este tipo de implicações, não são escutados nem o "peso" da maior federação do país é tido em conta, como se vê. A solidariedade é uma via que tem dois sentidos. Mesmo a empresa gestora dos "'chip's" poderia ter ficado no distrito do Porto, mas nem isso foram capazes de trazer. Teria sido um bom sinal.
Mantenho o que sempre disse e penso sobre o assunto SCUT's, desde 2008. Trata-se de um erro do eng. Cravinho ( aliás, por onde anda ele agora? ...pois houve ai uma fase em que falava sobre tudo e mais alguma coisa na comunicação social e agora anda muito calado). Estas auto-estradas no litoral, nunca deveriam ter sido construídas sob este sistema de financiamento. Nunca!


Carlos Alberto

às 6/27/2010 09:44:00 PM http://cadsf.blogspot.com/


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 27 de Junho de 2010 às 14:23
Origem: Wikipédia:
"Uma SCUT é uma auto-estrada em regime de portagens virtuais, cujos custos são suportados pelo Estado Português. A construção e manutenção é da responsabilidade de uma empresa concessionária. A sigla SCUT é uma abreviatura de "Sem Custo para os UTilizadores".
Leram bem?
S de Sem
C de Custo
UT de UTilizador
Então, são SCUTs ou não?
E ainda é bom de lembrar que foram uns senhores do PS, um tal de Guterres e de um de Cravinho, que inventaram estas autoestradas sem custos para o utilizador.


De DD a 25 de Junho de 2010 às 18:15
Portugal é tão estreito e pequeno que não tem interior; são 180 a 200 km até à fronteira com a Espanha. É certo que Portugal tem mais auto-estradas por habitante e quilómetro quadrado que qualquer país europeu, incluindo a Alemanha.
As portagens são uma necessidade enquanto não haver mais desenvolvimento económico e não acho que umas portagens tenham um efeito demasiado negativo, tanto mas que é mais caro transportar umas mobílias de uma freguesia de Lisboa para outra do que levá-las para o Porto, por exemplo.


De Anónimo a 27 de Junho de 2010 às 14:26
Aqui o DD deve ser magro, seco. Ou seja sem interior. Essa cabecinha é só invólucro ...


De . a 25 de Junho de 2010 às 13:24
De: ----
Desertificação e despovoamento

Razões há e muitas para que no interior se mantenham as SCUTs tal como estão.

Não creio que o lobby do Norte aceite tais argumentários sempre habituados a certos benefícios em relação ao resto do país e nem os governantes, em Lisboa, se preocuparam pois há muito tempo deixaram de dar atenção às assimetrias regionais deixando ao abandono esse interior cada vez mais despovoado quer de pessoas como de investimentos.

De :-----
HOJE VOU FAZER DINHEIRO
- por Filipe Garcia, Economista da IMF, WWW.MERCADOPURO.COM, em Metro, 25.6.2010

Sou proprietário de vastas terras nesta era medieval.
A colheita está fraca e exagerarei nas despesas. Preciso de fazer dinheiro.
Mais impostos? Sim, mas já não chega. Quero algo a que ninguém consiga escapar.
Eureka! Vou cobrar portagens dentro da propriedade!
Já recebo de quem vem de longe e aproveita para refrescar os cavalos aqui, mas agora taxarei os meus camponeses.
Eles têm que passar de uma quinta para a outra, do poço para o estábulo, do palheiro para o meu palácio.
Pagarão sempre que se mexerem, não interessa se não têm opção. Só não vou cobrar – para já – naquelas terras mais a Sul, as terras do Rei.
Primeiro pagam a Norte, depois logo se verá.


De Zé T. a 25 de Junho de 2010 às 12:23

1- Ninguém devia pagar por passar nas vias públicas (sejam estas Auto-estradas, SCUTs, IPs, ICs, ENs, EMs, avenidas, ruas, caminhos, praças, largos, ...).

2- Havendo necessidade... de dinheiro e não chegando os impostos gerais... devem pagar todos os cidadãos que usem/ beneficiem de serviços ou bens públicos.

3- Se não pagarem os cidadãos que usam/ beneficiam ...
quem pagará serão todos os outros contribuintes, ...

mesmo aqueles que têm rendimentos muito mais abaixo do que essa média regional/local,...

mesmo aqueles que não usam essa via/ bem/ serviço público, ...
porque não podem, porque não têm automóvel, porque usam transporte colectivo, porque não querem ou não precisam ...
- o que é uma injustiça ainda maior !


De aproveitam os q. + têm . a 30 de Junho de 2010 às 09:28
Isenções
[-por Vital Moreira]

Não vejo nenhuma razão para a proposta de isenção de portagens nas actuais SCUT para os municípios com rendimento per capita abaixo da média nacional.

Primeiro, quem utiliza as autoestradas não é a população em geral, mas sim os donos de veículos motorizados.
Os proprietários de BMW residentes em municípios pobres não merecem tratamento diferente dos residentes em municípios ricos.

Segundo, por essa mesma razão deveriam ser isentos também os municípios pobres atravessados por todas as autoestradas e não somente os atravessados pelas SCUT.
Não há nenhuma razão para discriminar, por exemplo, contra os municípios alentejanos pobres atravessados pelas duas auto-estradas dessa região...


De . a 1 de Julho de 2010 às 12:14
Requiem pelas SCUT

[Publicado por Vital Moreira]

Finalmente, o Governo aceita introduzir portagens em todas as SCUT. Sob pressão da necessidade, o bom senso triunfa.
Nada como uma boa crise financeira para fazer vingar o que há muito se impunha. É o fim do conceito das SCUT nas autoestradas, que nunca deveria ter sido inventado.
Quantos milhões inglórios e quantas desigualdades territoriais custaram estes privilégios rodoviários!

PS - Resta abandonar a ideia das isenções pessoais e municipais, que só criam desigualdades em relação às autoestradas tradicionais, onde elas não existem.


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