Está aí alguém ?

O Barómetro, feito pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica Portuguesa (CESOP) para o JN, DN, RTP e Antena 1, revela um resultado em linha com as últimas sondagens, mas com algumas diferenças visíveis.

Pela primeira vez neste Barómetro, desde 2002, o PSD é o partido que recolhe um maior número de intenções de voto, 37%. Isso representa uma subida de 4% relativamente ao anterior, divulgado em Março passado. O PS fica em segundo lugar com 34%, perdendo 7% desde o Barómetro anterior. O BE estagna num patamar modesto: 6%. O CDS passa de 10% para 6%, em três meses, acontecendo o inverso com a CDU ao subir de 6% para 10%. Mas a direita em conjunto, mantém-se nos 43 % de Março passado, enquanto PS+CDU+BE atingem os 50%, descendo 3 % desde a sondagem anterior.

Assim, a direita provavelmente não chegaria à maioria absoluta, nem juntando os deputados do PSD com os do CDS. O PS sózinho ficaria ainda mais longe de uma maioria absoluta que lhe permitisse formar governo sem excessiva incerteza.

A sondagem difundida hoje (26/07/2010) pelo Diário Económico, pela qual foi responsável a Marktest acentua dramaticamente uma tendência nas intenções de voto dos portugueses que outras sondagens , em graus diferentes , vinham anunciando há já algum tempo.

Apesar de existir um grande número de indecisos, o que aconselha alguma prudência na interpretação do significado dos números revelados, ignorar a novidade que reflectem, em face de sondagens anteriores, é puro autismo político.

O PSD atinge 47.7% (há um mês 43,9%); o PS desce até aos 24,1 % (antes 27,6 %); o BE sobe até aos 8,9% (antes 7,7 %); o CDS fica-se pelos 6,9% (antes 7,5); e a CDU desce a 6% (antes 7,1 %). Isto significa que o PSD+ o CDS têm agora 54,6% (há um mês tinham 51,6%); o PS+ o BE+ a CDU têm 39% (há um mês tinham 42,4%).

Se nos lembrarmos que das eleições de Setembro de 2009, o drama acentua-se. O PS então com 36,56% desceu 12,4%; o PSD então com 29,09% subiu 18,6%; o CDS então com 10,46 % desceu 3,3 %; o BE então com 9,85 % desceu 0,9%; a CDU então 7,88 % desceu 1,7 %. Portanto, desde Setembro passado o PSD + o CDS subiram de 39,5 % para 54,6 %, enquanto o PS+ o BE+ a CDU desceram de 54,9% para 39%.

Para além de uma inversão completa da relação de forças entre a esquerda e a direita no seu todo, estes números mostram que todos os outros partidos, em maior ou menor grau, perderam para o PSD, embora o PS seja, de longe, o partido mais atingido. Assim, consolida-se a demonstração prática de que, independentemente das intenções de cada um dos partidos da oposição, o resultado prático da sua estratégia de conjugação de esforços no ataque ao PS e ao governo actual, foi apenas vantajosa para o PSD. Tudo se passou como se os outros partidos da oposição fossem instrumentos úteis para o PSD.

No meio de todo o seu tradicional fogo-de-artifício, o CDS não deixa de estar politicamente entalado. Mas é o conjunto do BE com a CDU que parece estar num beco estratégico, uma vez que passando em conjunto de 17,73% para 14,9%, em nada beneficiou, em termos de um possível aumento do seu peso eleitoral, com a enorme queda do PS. Pelo contrário, em 9 meses, perdeu 15% do seu eleitorado de Setembro de 2009.

Tudo isto mostra que a direita, no seu todo, acompanhando a deriva europeia, parece ir de vento em popa, enquanto as esquerdas, no seu todo, parecem definhar.

Seria estulto pensar-se que os partidos de esquerda poderiam, de repente, passar por uma metamorfose virtuosa que os fizesse convergir uns com os outros. Mas será suicida que, nenhum deles actue para reverter esta situação, para modificar radicalmente o modo como se têm relacionado entre si.

É certo que também podem continuar, nesse aspecto, pelo caminho que têm vindo a percorrer, procurando o BE e o PCP diabolizar o PS, identificando-o repetitivamente com a direita, e sublinhando o PS a cumplicidade de todas as oposições e as diferenças programáticas que o separam dos outros partidos de esquerda. Mas, seguramente, que, se isso acontecer, as condições para um próximo desastre político continuarão a ser reforçadas. E se o desastre acabar por acontecer, de nada adiantará depois que os vários partidos da esquerda continuem a debater entre si qual deles é o mais culpado da catástrofe que já tenha ocorrido.

Não se trata de reconhecer acertos ou erros, nem de dar razão a uns ou a outros. Trata-se de dialogar sem condições, cada um respeitando as posições dos outros, para se apurar se é possível fazer alguma coisa, para impedir que a direita portuguesa regresse ao poder, pela mão da esquerda unida na sua crónica desunião.

Ou será que teremos de gritar para as direcções dos vários partidos de esquerda:

“ Está aí alguém ? ”  

Rui Namorado, O Grande Zoo


MARCADORES: ,

Publicado por Xa2 às 08:07 de 28.06.10 | link do post | comentar |

2 comentários:
De DD a 29 de Junho de 2010 às 23:39
Curiosamente, o PSD sobe mais nas sondagens quando se posicionou como partido da continuidade, relativamente ao PS, querendo fazer pior o que o PS faz de mal ou é tido como mau.
Pedro Passos Coelho não necessitou de fazer qualquer propaganda ou apresentar um projecto de alternativa e isto por uma razão muito simples:
órgãos de informação, juízes, sindicatos e outros partidos de oposição conjugaram todos os seus esforços para denegrir Sócrates e o PS.
O caso Freeport prescrever no próximo dia 27. Os magistrados parece que querem que aconteça isso porque não conseguiram provar nada contra Sócrates, nada tendo que o torne suspeito sequer. Por isso agarraram-se agora ao caso difamação da difamadora Manuela Moura Guedes.
É um jogo de um contra dezenas.
Tudo foi considerado mal, até a anulação de um concurso para a compra de milhares de espingardas para substituir as G-3 foi considerado mal por um sargento comunista da respectiva associação sindical e teve largo tempo de antena na TSF.. Se a decisão fosse óposta, haveria muita gente a criticar o facto de nesta época de crise se estar a gastar dinheiro em armas que podem ser adquiridas mais tarde pois não há nenhuma urgência militar agora.
Enfim, o governo é criticado por gastar dinheiro e sempre por não gastar.
Há quem pense que uns impostos sobre os bancos e outros é suficiente para pagar as quase 100 milhões de receitas comparticipadas pelo SNS. Os bancos não têm dinheiro, apesar de terem ganho cinco milhões de euros por dia em 2009, ou seja, 50 cêntimos por cada português.

O conservador britânico que ganhou as eleições criticou tanto os trabalhistas por fazer importantes cortes nas despesas ao mesmo tempo de criticava as despesas e agora aparece com um plano de corte de 60 biliões de libras, mais do dobro daquilo que pretendiam os trabalhistas.

As críticas da eaquerda vão produzir um regresso da dirita ao poder porque uma parte do eleitorada quer o social sem o respectivo pagamento e vai-se convencendo que a direita pode reduzir um Estado que não existe, pois ninguém quer reduzir o Inem, os 50 mil bombeiros, os 200 mil professores de todos os remoas, os 36.600 médicos, os juízes, os enfermeiros, etc. Toda agente quer reduzir uma vasta massa de funcionários que nada fazem, mas que simplesmente não existem, salvo algumas raras excepções.


De Dar tiro em nós ou nos Mercados ?! a 29 de Junho de 2010 às 13:07
DAR-SE UM TIRO ! (Suicidar-se !)

Artigo de JUAN JOSÉ MILLÁS do EL PAÍS de 25 de Junho de 2010

"Os mercados - signifique o que signifique essa abstração de carácter teológico - ganharam a batalha que há alguns meses tinham perdido, quando o capitalismo -lembram-se?- vítima das suas contradições internas tinha ido para o caraças para dar lugar ao socialismo de rosto humano (se pretenderem mais temas disponho de um saco perto do computador).

Os mercados agora têm na mão todos os governos da Europa em geral e o de Espanha (e Portugal e Grécia) em particular.
O Exército espanhol é o Exército dos mercados, as finanças espanholas são as finanças dos mercados, a Cultura espanhola é a cultura dos mercados e assim por aí fora (Agricultura, interior,indústria, igualdade, fomento...), Ministerio a ministério, subsecretaria a subsecretaria, toda a organização estatal está ao seu serviço.
Se amanhã decidirem que é necessário suprimir a Biblioteca nacional supreme-se e ponto final.

Uma pessoa gostaria de saber se no pátio de algum instituto, no campus de alguma universidade ou no sotão de alguma imprensa se está a organizar uma maneira de colocar os mercados no sítio.

Não será fácil porque os seus ayatolas filtraram até ao tutano dos mais resistentes a velha ideia de que a alternativa ás injustiças é o caos total.
Narcótico absoluto portanto. Até a anestesia adormeceu.

Talvez possam surgir aqui e ali pequenos focos de rebelião mas ou estão financiados pelos mercados (para transmitir a ideia de que sofrem) ou a polícia , que é uma polícia dos mercados, se encarregará de sufocá-los e de conduzir os cabecilhas à Justica, que é também a justiça dos mercados.

isto significa que do ponto de vista económico vão chegar tempos muito duros e desde a perspectiva moral, o melhor será dar-se um tiro em nós próprios (o tiro que não nos atrevemos a dar nos mercados)."

Traduzido do castelhano
- por A.Brandão Guedes, 28.6.2010, http://bestrabalho.blogspot.com


Comentar post

DESTAQUE DO MÊS
14_04_botão_CUS
MARCADORES

todas as tags

CONTACTO

Email - Blogue LUMINÁRIA

ARQUIVO

Junho 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Online
RSS
blogs SAPO