7 comentários:
De . a 5 de Julho de 2010 às 11:12
Economia Política em português

Luís Carlos Bresser-Pereira é um economista brasileiro cada vez mais conhecido e ouvido na Europa. É professor emérito da Fundação Getúlio Vargas onde tem ensinado deste 1959. Em 1987 foi Ministro da Fazenda (finanças) do Brasil, depois (em 1995) foi Ministro da Reforma do Estado e ainda (em 1999) Ministro da Ciência e Tecnologia. A partir de 1999 de dedicou-se a tempo inteiro ao ensino (Fundação Getulio Vargas, Universidade de Paris I, Universidade de S. Paulo) e à escrita.
O seu vigor e actividade são impressionantes (ver a página pessoal) e o que escreve ajuda a perceber uma das razões pela qual a economia Brasileira é emergente.

Não é só pela demonstração prática da possibilidade de uma redistribuição que não espera pelo crescimento e de um crescimento que beneficia da redistribuição, é também pela renovação do pensamento económico nas universidades, no espaço público e na tomada de decisão pública.

Em Outubro de 2010 Bresser-Pereira estará em Portugal para participar na Conferência “The Revival of Polítical Economy” organizada pelo CES. Como aperitivo leiam por favor "A crise financeira global, e depois: um novo capitalismo?".
Publicada por José M. Castro Caldas em 2.7.10

--------------------
A crise financeira global e depois: um novo capitalismo ?
[ Luiz Carlos Bresser-Pereira , Novos Estudos Cebrap, 86, março 2010, http://www.bresserpereira.org.br/view.asp?cod=3721 ]

A crise financeira global de 2008 foi consequência do processo de financeirização, a criação maciça de riqueza financeira fictícia iniciada da década de 1980, e da hegemonia de uma ideologia reacionária, o neoliberalismo, baseada em mercados auto-regulados e eficientes.
Embora o capitalismo seja intrinsecamente instável, as lições aprendidas com o crash da bolsa de 1929 e a Grande Depressão da década de 1930 transformaram-se em teorias e instituições ou regulações que levaram aos “30 anos durados do capitalismo” (1948–77) e que poderiam ter evitado uma crise financeira tão profunda quanto a atual. Não o fizeram porque uma coalizão de rentistas e “financistas” conquistou a hegemonia e, enquanto desregulava as operações financeiras existentes, recusou-se a regular inovações financeiras que tornaram esses mercados ainda mais arriscados. A economia neoclássica agiu como uma meta-ideologia ao legitimar, matemática e “cientificamente”, a ideologia neoliberal e a desregulação. Dessa crise emergirá um novo capitalismo, embora sua natureza seja de difícil previsão. Não será financeirizado, mas serão retomadas as tendências presentes nos 30 anos dourados em direção ao capitalismo global e baseado no conhecimento, além da tendência de expansão da democracia, tornando-a mais social e participativa.


De DD a 7 de Julho de 2010 às 23:25
Essa criação de riqueza financeira veio da China Comunista-Capitalista que colocou os seus astronómicos excendentes em dólares nos bancos americanos e até europeus, pelo que estes tentaram rentabilizar os depósitos com a invenção de aplicações financeiras sem conteúdo.
De qualquer modo, cada dólar depositado pela Chbina nos EUA representou duas horas de trabalho ROUBADAS aos trabalhadores chineses pelo capitalismo apoiado pelo Governo do Partido Comunista Chinês, o maiior partido político do Mundo com mais de 150 milhões de militantes.


De DD a 4 de Julho de 2010 às 20:54
Há algo de certo neste texto.
Recordemos que em Maio a venda de automóveis aumentou em mais de 60% relativamente ao mês homólogo e bateu-se o recorde absoluta de venda mensais de automóveis em toda a história de Portugal.
Não acredito que o aumento de 1% do IVA tenha muito a ver com o fato. Vimos nos programas s/ as Scuts q há trabalhadores a "ganharem" 500 euros e a utilizarem o carro diariamente para fazer muitos km em AE.
O que é dito tem de ser calculado muito bem pois o IVA é pago por todos, incluindo reformados, desempregados, etc. A TSU diz respeito à população activa que é inferior a metade da população portuguesa.
Quanto à perda de competitividade com a Alemanha, isso tem a ver com vários factores. Por exemplo, há na Alemanha o meio desempregado que trabalha meio tempo e recebe 50% do patrão e 40% do fundo de desemprego, mas o "Der Spiegel" já revelou q muitos patrões obrigam esse trabalhador a trabalhar o tempo inteiro, principalmente quando de repente têm encomendas avultadas, o q significa q o custo do trabalho passou a metade. Claro, não é geral pois as penalizações podem ser graves, mas existe nos pequenos fabricantes de maquinaria especial, robots, etc. q o Estado alemão quer proteger a todo o custo e está disposto a fechar os olhos a aldrabices do género. Há fiscais do trabalho q receberam ordens para não inspeccionarem certas fábricas.


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 4 de Julho de 2010 às 18:32
Hoje tão ou mais importante do que resolver as questões económicas - equilibrio das finanças públicas, PIB, emprego, etc., é encontrar a forma de moralizar a sociedade portuguesa.
"Um governo pode governar na abundância e pode governar na pobreza, mas não consegue governar quando prevalece um sentimento de injustiça" (Confúcio).
Enquanto o povo se sentir em 'baixo' não há medidas que resolvam esta 'crise'.
Considero que tão ou mais importante que implementar medidas, PECs ou lá o que seja, é necessário dar uma prova de que os 'ricos' e 'priveligiados' também pagar esta crise.
E para isso era importante, mesmo muito importante, entre muitas outras coisas acabar com os ordenados e reformas escandalosos, com a acumulação de reformas e de pensões, IRCs diferentes para algumas empresas, colocações de políticos que saem dos seus cargos em lugares 'inventados' e administrações de empresas públicas ou similares, etc., etc....
Moralização urgente, precisa-se.
Tudo o resto virá por acréscimo.


De DD a 4 de Julho de 2010 às 21:32
O escalão máximo do IRS atingiu os 46,5% e se uma pessoa vender uma casa, por exemplo, ou um bocado de terra, etc. paga mais valias que são acrescidas aos rendimentos do IRS, pelo que um bem herdado um única vez na vida e vendido implica uma subida extraordinária do IVA já que acumula com o próprio salário e da mulher ou com as reformas de ambos.
Mais de 60% custo de um automóvel de luxo vai para o Estado e o mesmo se passa com iates, aviões, etc.
A moralização pode ser útil, mas nunca foi feita em parte alguma do Mundo ou em qualquer regime. Basta ler os livros da Yung Chank para se saber que nos tempos mais apertados do Maoísmo, eram construídos em todas as cidades bairros fechados só para os dirigentes com restaurantes e casas de chá gratuitas para eles, etc. Lenine passou logo a utilizar o Rolls Royce do Czar em vez de o transformar numa ambulância para transportar os feridos da guerra. Também ocupou os melhores palácios do Czar para si e para os dirigentes bolcheviques.
O ditador herdeiro da Coreia do Norte vive rodeado de luxo asiático e parte das poucas divisas do país são gastas na importação desses luxos, o mesmo se passa com os dirigentes do Vietname e da China actual.
Portugal, nesse aspecto, não está tão mal como parece. O pessoal político até não ganha muito. Ganham alguns, muito poucos, administradores de grandes empresas como a PT, EDP, etc., mas pagam quase metade dos seus salários ao fisco e não têm lugares cativos.
Os 11 mil milionários são contados em termos de terem um milhão de dólares igual a 800 mil euros. É dinheiro e ninguém se importa de o ter, mas aplicado em contas a prazo, acções, etc. não rende muito; no máximo uns 5% ou 40 mil euros ou 2.857 euros em cada um dos 14 meses salariais.
Os poucos verdadeiros milionários têm muito mais, se bem que não sabemos quanto devem. O Berardo, por exemplo, dispõe de uma importante carteira de títulos da PT e outras empresas e de uma dívida gigantesca à CGD e outros bancos.
O Queiroz Pereira tem um activo enorme na Sporcel/Portucel e uma dívida de 4 mil milhões de euros à CGD e ao BES. A Ongoing deve também mais de 3 mil milhões de euros. O Belmiro teve durante muito tempo um passivo superior ao activo e assim sucessivamente.
E ninguém se esquecç que não há isenção do IMI para casas de grande valor, enquanto que há até um certo montante que é o dos compradores das classes mais baixas e médias.
Os bancos já tiveram lucros de 5 milhões de euros por dia, o que dá menos de 50 cêntimos diários por cada português; mal chega para uma bica.
Quanto ao levantamento do segredo bancário e a taxas sobre transferências de dinheiro, é perigoso porque pode levar à fuga de capitais para o estrangeiro. Toda a gente sabe que uma parte importante da dívida externa portuguesa é de portugueses q depositaram nas filiais estrangeiras dos bancos nacionais e nas muitas contas offshores e não só e isto acontece com todos os países, mesmo com a Alemanha, Suécia, etc.
Enfim, não acredito q a velha teoria da redistribuição q falhou durante quase um Século possa ter significado financeiro em Portugal
Temos uma moeda comum a muitos países transaccionável em qualquer parte do Mundo.




De Zé das Esquinas o Lisboeta a 5 de Julho de 2010 às 10:33
Pois é DD, os ricos só têm problemas. É uma chatice ter bens...
Estou cheio de pena deles...
E é realmente engraçado (triste) vê-lo a não apoiar a moralização do estado. Faz as comparações do vida actual e duma democracia europeia, com regimes ditatoriais e de outros tempos.E conclui que como nunca foi feito, não se deve fazer.
Defende os ordenados e pensões escandalosas, porque são quantitativamente poucas. Distingue os milionários dos ultra milionários, em vez do conceito da excessiva acumulação da riqueza numa única pessoa. Como se um criminoso que só comete um crime por mês fosse menos criminoso do que aquele que comete um crime por semana...
Só refere dinheiro quando o post se referia a repor a prática dos bons costumes.
Materialista e não humanista.
Para quem se diz um republicano, socialista e até laico acho duma tristeza lamentável.


De Izanagi a 4 de Julho de 2010 às 12:37
Paula Teixeira da Cruz, afirmou no Publico de 25 Junho o seguinte: O País está mergulhado em semi-depressão colectiva: instalou-se a ideia do empobrecimento fatal e cresce o sentimento de que o pouco que há é objecto de saque por poucos.
Pergunto eu:
E é só sentimento ou é mesmo a realidade? Não é verdade que aquilo que ainda há é sacado por poucos?


Comentar post