7 comentários:
De . a 9 de Julho de 2010 às 13:28
A PT vista daqui
(por Miguel Carvalho, Visão, 1.7.2010)

A PT é Portugal no seu esplendor:
um território de favores partidários, interesses sinistros, promiscuidades empresariais e políticas, lucro máximo, pensamento mínimo

Espírito colonialista. Disse o Financial Times.

Protecionismo e o nacionalismo fora de moda. Disse a vice-presidente da Comissão Europeia.

República soviética. Atiram comentadores.

Eis o retrato do Estado português na Imprensa após a utilização da golden-share para vetar a venda da totalidade da brasileira VIVO à Telefónica, espanhola.

Permitam-me umas achegas. Sem economês.
.. Acionistas que enchem a boca com o interesse nacional e o patrioteirismo de conveniência, afinal, queriam vender tudo aos espanhóis. Curioso.
.. Um Governo que não tem qualquer estratégia para a PT exceto o habitual "não coiso nem sai de cima", descobriu, enfim, o interesse nacional, depois de privatizar a empresa.

Uma Comissão Europeia que incita os estados a sair em socorro dos mercados financeiros, mas se empertiga quando o Estado intervém na livre concorrência, é capaz de estar a assumir uma postura neocolonialista, não?

A Espanha, tão ciosa do ferrolho nos seus interesses dentro e fora de portas, enxofrou com a decisão. E se fosse ao contrário?

Resumindo:
contente eu, com a decisão da PT de manter a Vivo? Nim.

A PT é Portugal no seu esplendor:
um território de favores partidários, interesses sinistros, promiscuidades empresariais e políticas, lucro máximo, pensamento mínimo.

Quem quiser, que a compre. Dá no mesmo.
.........
...
E quanto às Privatizações das Emprêsas Públicas, essa pecha liberal não tem nada de patriótica, pois o Liberalismo económico não tem Pátria.

Os Correios holandeses que agora tem o nome de TNT, pretendem dentro de três anos, reduzir 10 mil postos de trabalho e empregar gente em «part time« por menos de metade do salário.

Tudo isto é determinado em Bruxelas,onde as Bruxaselas e os Lobbyshomens fazem as suas
Bruxarias.


De . a 8 de Julho de 2010 às 16:48
- ulpiano, em digesta:

«tem força de lei o que agrada ao príncipe»

.........
- o berbere aurelius augustinus, em de civitate:

«afastada a justiça os reinos são apenas grandes bandos de ladrões»


De Para Melhor Estado. a 8 de Julho de 2010 às 16:40
O Estado tem que gastar menos e melhor

O Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) impõe um inexplicado esforço financeiro às famílias portuguesas

Através de medidas como o agravamento fiscal da generalidade dos contribuintes em sede de IRS (incluindo reformados), do congelamento dos limites máximos das prestações sociais e da baixa dos salários reais dos trabalhadores do sector público,
milhões de portugueses verão os seus rendimentos reduzidos durante, pelo menos, quatro anos.
O que significa deixá-los mais pobres e ainda mais distantes da média dos rendimentos dos cidadãos da União Europeia durante um largo período.

Os sacrifícios ora impostos ficaram fora do debate e dos três escrutínios eleitorais do ano passado (apesar de, já então, serem previsíveis) com manifesto empobrecimento do funcionamento da democracia.
Por outro lado, existe um forte risco de aqueles sacrifícios serem agravados na fase de execução do PEC. Pois, se alguma das outras medidas enfrentar dificuldades (por exemplo, atrasos na venda de empresas estatais ou encaixes inferiores aos previstos), o aumento da carga fiscal das famílias surgirá como instrumento fácil e eficaz de cobrar receita.

Não obstante o PEC prever algumas medidas de contenção da despesa pública, não oferece às famílias duramente sacrificadas garantia credível de que o Estado, a todos os níveis da sua organização (órgãos de soberania, administração central, regional e local e empresas estatais e municipais), constituirá exemplo generalizado de equivalente austeridade.
Isto é, o Estado não passará a gastar menos e melhor.
A título de mero exemplo, aponto algumas medidas transversais a todo o sector público que, com várias outras, poderiam levar o Estado a reduzir a sua despesa:

1.ª Obrigatoriedade de todos os responsáveis, incluindo os políticos, passarem a justificar o dispêndio público sempre com base em critérios de boa gestão financeira (para além dos de estrita legalidade), sob pena de sancionamento pecuniário célere pelo Tribunal de Contas (aos dirigentes em falta);
essa justificação cobriria todas as despesas, incluindo as remunerações (e prémios, ajudas e subsídios), e seria extensível à administração e ao sector empresarial público.

2.ª Obrigatoriedade da consulta ao mercado, seja por consulta seja por concurso, sob pena de idêntico sancionamento. E eliminação, de vez, de regimes excepcionais de ajuste directo.

3.ª Avaliação externa urgente do custo-benefício de todas as obras públicas e da racionalidade dos níveis actuais de despesa pública que inclui empresas deficitárias, estatais e locais, fundações e associações beneficiárias de dinheiros públicos (sendo, estas, mais de 950) e a contratação de (consultorias, pareceres jurídicos e outros) serviços externos por todo o sector público.

Se o Estado não der o exemplo, ao reduzir a sua despesa de forma duradoura e sem quaisquer excepções, o país recusará qualquer PEC.
Os sacrifícios têm que ser distribuídos por todos, na proporção dos respectivos rendimentos .

Por Carlos Moreno, Juiz conselheiro jubilado do Tribunal de Contas, em 30.3.2010, Sol


De Obediência cega... a 8 de Julho de 2010 às 15:52
Bons alunos (!?)

Disseram-nos que ser bons alunos era desmantelar todas as formas de proteccionismo nas trocas intracomunitárias e foi o que fizemos,
fomos tão bons alunos que Cavaco Silva às voltas com um pico inflacionista até decidiu antecipar o fim do período de transição nas trocas de produtos agrícolas sem consultar o sector nem se preocupar com as consequências,
bastou uma reunião onde até estive presente em representação do então secretário de Estado Oliveira e Costa (cruzes canhoto!) para de uma penada acabar com a protecção de que os nossos agricultores ainda beneficiavam.

Disseram-nos que ser bons alunos era construir auto-estradas que permitissem aos camiões transportar rapidamente os produtos que importamos e foi o que fizemos, pode-se chegar a Espanha num instante, a mesma Espanha que poucos anos antes evitava construir infra-estruturas rodoviárias que facilitassem o acesso à fronteira portuguesa.

Disseram-nos que ser bons alunos implicava liberalizar mercados onde haviam monopólios públicos e apressámo-nos a privatizar as empresas públicas
mesmo sabendo que uma boa parte do capital dessas empresas seria adquirido por investidores estrangeiros o que colocaria sectores estratégicos para a economia nacional a serem geridos em função dos interesse de accionistas cujo único critério é o da oportunidade bolsista.

Disseram-nos que para sermos bons alunos só poderíamos embalar fruta bonitinha e toda do mesmo tamanho e assim fizemos, abandonámos as variedades genéticas nacionais, muitas delas extintas ou em vias de extinção
para passarmos a comprar sementes e plantas que dão frutos muito bonitinhos, calibrados mas sem sabor, em nome da qualidade passámos a comer feijão verde com sabor a relva e sem sumo.

Disseram-nos que para sermos bons alunos teríamos de ser muito limpinhos e o Sr. António Nunes mandou os seus ninjas encerrar todos os negócios que não fossem limpinhos e pôr termo a todas as tradições que violassem os critérios de higiene definidos pelos insípidos burocratas de Bruxelas.
Acabou-se a matança do porco, em troca compramos grandes pacotes de costeletas de porco espanholas embaladas em mega embalagens familiares.

Disseram-nos que para sermos bons alunos deveríamos implementar um plano de austeridade
sempre que o comissário Joaquín Almunia acordar mal disposto e é o que temos feito, sempre que o comissário franze o sobrolho aumentamos os impostos e/ou tramamos os funcionários públicos.

Fomos tão bons alunos que até tivemos direito ao nome no quadro de honra para orgulho de Cavaco Silva,
o problema é que somos bons alunos tesos, sem capacidade de intervenção na nossa economia e proibidos de intervir em função de objectivos estratégicos nacionais.

Os objectivos do país, dizem-nos pessoas como Pedro Passos Coelho, devem ser os definidos pelos mercados,
o bem-estar das nossas populações não deve depender do Estado Social mas sim aferido pelos lucros das empresas amigas que devem substituir o Estado.

Esta do bom aluno lembra-me uma velha anedota:
uma comadre tinha uma amiga que andava com amantes ricos e lhe exibia os carros, casacos de peles e outros luxos que lhe ofereciam os amantes ricos, até que a outra se queixou que o padre Zé só lhe dava santinhos.
Neste processo de integração europeia Portugal faz o papel da nossa amiga, somos bons alunos mas na hora de distribuir a imensa riqueza gerada pelo processo de integração europeia só levamos santinhos,
no fim até nos dizem que é por sermos parvos, por não termos sabido aproveitar as oportunidades,
até temos por aí uns artistas que andaram anos a ver a forma como poderiam enriquecer à custa da miséria alheira e agora acusam o país de não ter feito o trabalho de casa.
Isto é, fizemos tudo em nome dos mercados mas o resultado não dependia das aulas mas sim do TPC.

Afinal não fomos bons alunos, esquecemo-nos de fazer os TPC.

http://jumento.blogspot.com/2010/07/bons-alunos.html


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 9 de Julho de 2010 às 10:10
Grande e oportuna reflexão.
É que a memória dos portugueses é curta e anda para aí muito político e economista a falar e a opinar como se não tivessem responsabilidades, pelo menos morais, sobre toda esta situação que atravessamos. E, infelizmente, os portugueses não se lembram que são estas personagens que directa e indirectamente, por acções activas ou contemplativas, fizeram com que chegássemos a este caos como país viável.
E não estou a referir-me só aqueles 'palhaços' que aparecem nas televisões. Também estou a referir-me a alguns que postam e comentam aqui no Luminária e que desempenharam cargos relevantes nos partidos do poder e foram, por exemplo, deputados da nação.
E agora 'falam' como meninos de coro, iluminados, só referindo as partes 'boas' onde dizem que participaram, das liberdades e democracias, que já podemos falar, etc., esquecendo-se que foram também co-responsáveis políticos no que hoje temos de pior.


De . a 8 de Julho de 2010 às 15:44
QUEM FALOU EM NEO-LIBERALISMO

«O ministro das Finanças garantiu hoje que o programa de privatizações "está em curso" e, para além do BPN, espera ainda que avancem as privatizações na área da energia este ano, caso da Galp e EDP.

"As privatizações irão seguir conforme planeado, o programa de privatizações está em curso, espero que ainda este ano para além do processo do BPN, avancem as previstas no sector da energia, em particular da Galp e EDP", garantiu Teixeira dos Santos perante os deputados da Comissão de Orçamento e Finanças.» [DN]

Parecer do Jumento:
Teixeira dos Santos escolheu a semana em que Sócrates acusa a Comissão Europeia de neo-liberalismo para avançar com privatizações.


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 8 de Julho de 2010 às 19:56
Na mesma semana que o governo usa PT uma ferramenta de legadade 'duvdsa' em política da UE chamada de golden share , baseado no facto de ser uma empresa de interesse estratégico para o país.... vem o r, ministro das finanças riterar a 'idea' de alienar a GALP e a EDP. só pode ser brincadeira não? E de mau gosto. Então o 'tal' interesse estratégio? Estas não têm? E depois no futuroperante uma OPA hostil? Repete-se a história ou, dessa vez já não há golden share porque era ilegal face às regras da UE e 'tadinhos' de nós ficamos a mão de quaisquer outros 'espanhóis'...
E não há culpados, só nós os Zés Trouxas...


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