De . a 13 de Julho de 2010 às 16:23
Duas iniciativas do PS

por MÁRIO SOARES, 13.7.2010, DN, http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1616986&seccao=M%E1rio Soares&tag=Opini%E3o - Em Foco

1. Na passada semana, o PS realizou duas iniciativas que fizeram mobilizar o partido - dirigentes, militantes e eleitores simpatizantes - para as tarefas que o esperam, nos próximos meses. Ambas tiveram em conta a crise europeia, que não dá grandes mostras de abrandar. É um problema sério. A razão é simples.

Os dirigentes europeus, nos tempos difíceis que correm, não querem ver a realidade. Isto é:

a necessidade prioritária de manter e desenvolver o modelo social europeu - o nosso máximo e legítimo orgulho -, lutando contra as desigualdades sociais, a pobreza, o desemprego e o trabalho precário, para que as respectivas economias não entrem em depressão, como já há indícios e começa a acontecer.

E também para que o mal-estar que daí resulta não degenere em confrontos violentos.
E só depois - mas em segundo lugar - reduzir os deficits externos e o endividamento, público e privado, como sugere o Banco Central Europeu, influenciado pelo economicismo neoliberal.

Por que razão a ordem de prioridades deve ser esta, como, aliás, ensinam alguns economistas prémios Nobel?
Porque as pessoas devem sempre contar mais do que os orçamentos e os deficits.
São, de resto, as pessoas que fazem funcionar as economias reais e não os números ou as empresas de ranking.

Por outro lado, há, obviamente, que fazer cortes e reduções drásticas no despesismo inútil:
do Estado, ministério por ministério - e em todos os órgãos de soberania -
mas também nas regiões autónomas e nas autarquias.
Por aí vai-se muito do erário público, com resultados mais do que duvidosos e que nem sempre são, claramente, de primeira necessidade, nem sequer transparentes.

Importa ainda fiscalizar o despesismo
dos bancos e das grandes empresas,
para que os Estados não tenham de lhes acudir, outra vez, em desespero de causa, como se passou num passado recente.
Não o esqueçamos ! Nem aos dirigentes responsáveis da crise que continuam impunes...

Acabar com os paraísos fiscais, as grandes especulações, e regular,
em termos europeus, as finanças e as economias virtuais da União Europeia são outros dos objectivos prioritários para evitar a decadência da Europa,
face aos países emergentes, aos Estados Unidos/Canadá, ao Japão, em sérias dificuldades, e a outros blocos económicos que se desenham, numa economia que cada vez é mais global e desregulada.

O PS teve um Governo maioritário de quatro anos e tal e nas últimas legislativas ficou apenas com uma maioria relativa, o que faz a sua diferença.
Como tem sucedido, frequentemente, aos partidos que alcançam o Governo, os seus dirigentes ocupam-se do Governo e tendem a esquecer, um pouco, o partido que os apoia.
Com o PS, esta quase regra repetiu-se.
Daí que, numa perspectiva difícil, seja importante, direi mesmo decisivo, mobilizar o partido, insuflar-lhe confiança e ideologia e, sobretudo, explicar com clareza, a todos os militantes, pedagogicamente, qual a estratégia que vai ser seguida e porquê.

Há pouco tempo para isso:
um ano, aproximadamente. Mas, se o fizer, o PS está ainda a tempo de ganhar as próximas eleições legislativas, as que verdadeiramente contam para o futuro do PS e do País.
...


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