Sábado, 10 de Julho de 2010

Crise e regressão social (em homenagem a Saramago)

 «O capitalismo tem a pele dura», dizia José Saramago numa entrevista em 2008 (Expresso, 11 de Outubro).

A partir de agora as suas palavras são ainda mais nossas. Estas, proferiu‐as ele numa altura em que a desmontagem crítica da crise parecia poder abrir uma janela de oportunidade para, finalmente, caírem por terra os mitos em que assentam os princípios neoliberais (eficiência dos mercados, capacidade de auto‐regulação do sector financeiro para evitar grandes sobressaltos na economia, dispensabilidade do Estado por parte dos sectores privados, «globalização feliz» e todas as teorias do «fim da história»).

 

Apesar de ser hoje muito diferente o conhecimento que os cidadãos têm dessa complexa construção ideológica e institucional que é o neoliberalismo, e diferentes também as potencialidades de intervenção cidadã, o certo é que, por agora, tudo parece apontar para que os grandes culpados pela crise vão ser os seus grandes beneficiários.

Dito de outra forma, esta crise do neoliberalismo está a servir para aprofundar o modelo neoliberal. A possibilidade, referida por Saramago na mesma entrevista, de «que se mude alguma coisa para que tudo continue na mesma», parece estar a ser substituída por uma arte, deveras impressionante, de não se mudar nada... para que tudo fique pior.

(O resto do meu artigo do número de Julho do Monde diplomatique - ed. port. pode ser lido aqui.)

Publicada por Sandra Monteiro em 8.7.10



Publicado por Xa2 às 00:07 | link do post | comentar

1 comentário:
De por detrás do PSD / coelho... a 12 de Julho de 2010 às 12:05
PASSOS COELHO RADIOACTIVO

«A utilização da energia nuclear, que será discutida pelo PSD na elaboração de um plano energético, dividiu hoje os especialistas ouvidos pelo líder social-democrata, com Mira Amaral a favor e Carlos Pimenta contra essa opção.

À saída do encontro na sede do PSD, em Lisboa, o especialista em Ambiente e antigo eurodeputado do PSD Carlos Pimenta afirmou que "o nuclear não cabe em Portugal",
enquanto que o antigo ministro da Indústria e Energia Mira Amaral considerou que a questão deve ser discutida.

Apesar de não ter sido objeto de discussão na reunião, o vice presidente social democrata Moreira da Silva tinha já afirmando aos jornalistas que a energia nuclear será considerada na elaboração de um plano energético, mas não é a "prioridade" dos sociais democratas, que exigem ao Governo maior eficiência energética.» [Expresso]

Parecer:

Se não há conclusões sobre a energia nuclear como é que vai ser considerada no programa, isso apesar da famosa dívida externa?
Veremos quando se chegarem à frente os empresários interessados no negócio.

Aos poucos vamos percebendo quem patrocina Pedro Passos Coelho,
primeiro os interessados nos negócios na saúde,
agora os do nuclear,
pelo meio foi a Espanha passar a mão pelo pêlo da Telefónica.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se pelo programa eleitoral do PSD.»


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