Pela Europa e por um poder público regulador da economia

 

A direita está incomodada com o nacionalismo que terá tomado conta da esquerda portuguesa e de José Sócrates que, como se sabe, não é senhor para grades convicções ideológicas, sejam elas de esquerda, de direita ou de qualquer outra natureza.

Quando as vítimas são pessoas de carne e osso não se sente nesta gente tamanha sensibilidade anti-xenófoba. Bem podem os imigrantes dessa Europa esperar por estes novos activistas anti-nacionalistas que eles nunca darão a cara pelos seus direitos. Mas, quando se trata de circulação de capitais, e não de pessoas, logo querem abolir as nações.

Quando a crise chegou à Grécia e a Portugal foram estes convertidos a uma Europa unida e sem fronteiras que defenderam que cada País teria de tratar de si e pagar pelos seus erros. Mas quando se trata de poder decidir sobre a sua economia, os Estados deixam de ser responsáveis pelas suas decisões.

Os mesmos que defendem regras europeias para a intervenção do Estado nas empresas estão na primeira linha contra a harmonização fiscal europeia. Porque essa impediria a competição fiscal entre países, que levará inevitavelmente, através de uma chantagem (quem não baixa os impostos perde investimento), à morte do Estado Social.

Ou seja, defendem que os Estados podem competir emagrecendo, mas estão proibidos de o fazer defendendo a existência de empresas estratégicas nacionais.

 

A ver se nos entendemos: não é o nacionalismo que os incomoda. É a ideia de que um poder público, seja ele nacional ou europeu, pode regular a economia.

Não é o europeísmo que os aquece. Se fosse, só poderiam lamentar o comportamento suicida da senhora Merkel ou a ausência de Europa quando a crise se abate sobre as economias periféricas.

Para estes radicais liberais, a Europa é um expediente e não um projecto de solidariedade entre povos. Ela serve para impor um programa político que dificilmente passaria o crivo do voto.

 

Não é por acaso que estes defensores da Europa do mercado sem fronteiras são os mais ferozes opositores do federalismo político. Porque daí resultaria o regresso a uma das mais elementares regras da democracia:

a subordinação do poder económico que ninguém elege ao poder político dependente do voto popular. E isso é que não pode ser.

 

Publicado no Expresso Online.


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Publicado por Xa2 às 00:08 de 15.07.10 | link do post | comentar |

1 comentário:
De . a 16 de Julho de 2010 às 12:33
Os novos pobres!

O insustentável presidente da república teve um lampejo de lucidez, um irreprimível assomo de generosidade, ao apelar para a urgência da ajuda aos novos pobres.
Sensibilizado pela atmosfera piedosa da fala, fiquei a pensar o que teria o presidente contra os pobres de sempre, para os fazer assim preceder no rosário das suas preocupações pelos novos, apenas pelos novos pobres.
Uma sombra difusa chegou a trazer-me ao espírito o insólito de uma dúvida:
afinal, quem são os novos pobres?

Eis se não quando, a resposta me chegou óbvia pela voz autorizada, conquanto soturna e agoirenta, das agências de rating, que hoje fizeram pesar sobre os ombros dos generosos bancos portugueses a falta de apoios do estado.
Achei ! Clamei eu para mim próprio:
"Hoje, os novos pobres em Portugal são os bancos!"

E foi só então que me foi possível avaliar em toda a sua extensão a inteligência e a generosidade cavaquistas.
Compreendo agora por que razão o presidente da república se sentiu obrigado a desaconselhar ataques ou críticas às agências de rating.
Todos estão unidos, em comunhão, na piedosa cruzada em prol dos novos pobres, os abnegados bancos mais os sofridos banqueiros.

Postado por Rui Namorado, o grande zoo, 14.7.2010


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