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De . a 16 de Julho de 2010 às 12:33
Os novos pobres!

O insustentável presidente da república teve um lampejo de lucidez, um irreprimível assomo de generosidade, ao apelar para a urgência da ajuda aos novos pobres.
Sensibilizado pela atmosfera piedosa da fala, fiquei a pensar o que teria o presidente contra os pobres de sempre, para os fazer assim preceder no rosário das suas preocupações pelos novos, apenas pelos novos pobres.
Uma sombra difusa chegou a trazer-me ao espírito o insólito de uma dúvida:
afinal, quem são os novos pobres?

Eis se não quando, a resposta me chegou óbvia pela voz autorizada, conquanto soturna e agoirenta, das agências de rating, que hoje fizeram pesar sobre os ombros dos generosos bancos portugueses a falta de apoios do estado.
Achei ! Clamei eu para mim próprio:
"Hoje, os novos pobres em Portugal são os bancos!"

E foi só então que me foi possível avaliar em toda a sua extensão a inteligência e a generosidade cavaquistas.
Compreendo agora por que razão o presidente da república se sentiu obrigado a desaconselhar ataques ou críticas às agências de rating.
Todos estão unidos, em comunhão, na piedosa cruzada em prol dos novos pobres, os abnegados bancos mais os sofridos banqueiros.

Postado por Rui Namorado, o grande zoo, 14.7.2010


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