Liberdade: religiosa e a dos outros

 Contra-argumento e argumento , por Sérgio Lavos, 16.7.2010, Arrastão

...

Esta mulher (?) [imagem de mulher usando uma burka] não é livre, que eu sei. Nenhum sofisma relativista argumentando o contrário é convincente.

 

Porém, a minha objecção à burka não resulta de eu querer libertá-la à força. Não.

      Resulta de que ela interfere na minha liberdade. Ao estabelecer no espaço público um direito de presença que se furta à responsabilidade da identificação espontânea.

     Não sei com quem me cruzo. Não posso, nem devo sentir-me seguro. E, se não posso sentir-me razoavelmente seguro, tenho a minha liberdade diminuída.

     Eu sei que, tratando-se de um símbolo religioso (usado/imposto por uma minoria de uma grande religião), impedi-la de se esconder assim é particularmente delicado. Mas estes são os casos-limite em que o direito ao exercício de uma prática religiosa, por mais aberrante que seja – e é -, conflitua com outras liberdades e outros direitos: nomeadamente o meu – a sentir-me protegido, por poder identificar quem partilha comigo o mesmo espaço público.

     Ou não há problema que as pessoas andem na rua assim ? 

  

(via Sem Governo.)



Publicado por Xa2 às 00:07 de 21.07.10 | link do post | comentar |

5 comentários:
De entrevista a Iman de mesquita Lisboa a 3 de Setembro de 2010 às 13:14
iman da mesquita de lisboa diz que 'se tivesse sabido' teria ido à manif por sakineh (sentenciada à morte por apedrejamento, por adultério, no Irão)
f.

'Gostava que tivesse estado alguém da comunidade islâmica no protesto contra a lapidação. Se eu desconheço, se não fui, não significa que não concorde. Não fui informado, não soube. Se me disser que para a semana há uma manifestação dessas...'

'No caso do adultério o que conta não é os tribunais. É aquilo que se passou no tempo do profeta. Para acusar um adulto ou uma adulta de adultério o Alcorão diz que tem de haver 4 testemunhas oculares que têm de dizer exactamente o mesmo e de ter visto a penetração. E isso é impossível... Em todo o caso, mesmo que haja 4 testemunhas a pena de morte não é a pena adequada. Eu condeno a lapidação.'

'Se um homossexual da minha comunidade vier ter comigo eu não o vou condenar e mandá-lo para o inferno, não. Vou tentar saber um pouco mais, e se ele disser que é mesmo aquilo que ele quer, eu vou-lhe abençoar e dizer para ir em paz. E pode continuar a ser muçulmano e a ir à mesquita, claro. Um muçulmano só deixa de ser muçulmano quando decide assim, ele próprio.'

'O Alcorão não obriga as muçulmanas a usar o niqab e a burqa. Com o niqab, com o véu integral, a pessoa praticamente não tem identidade, há um problema de segurança, pelo que não sou contra a proibição. Mas também digo: até que ponto é que sendo eu livre, se eu posso vestir o q m apetece, se me estão a proibir não me estão a retirar uma certa liberdade?'

'Tenho 2 filhas e deixo ao critério delas. Uma acabou a licenciatura numa universidade de Lx, a outra está no 12º ano. Não andam de lenço, não andam de véu.'

'Se há integristas em Portugal? Há perguntas que me está a fazer para as quais não tenho resposta. Como é que eu posso saber? O que lhe posso dizer é que a comunidade islâmica é integrada, não é um gueto, são pessoas normais, que trabalham, que convivem normalmente com os outros, portugueses como nós.'

'Centro Islâmico em NY: Se é uma coisa privada, que se pode comprar e construir, se qualquer pessoa pode lá ir, por que não? E se não me engano quem está à frente é um iman que conheço pessoalmente e que considero um muçulmano equilibrado – é uma pessoa com quem já falei e aprendi imenso. Acho que se trata de algo que beneficia a humanidade.'

hoje, no programa agora a sério do canal q (15ª posição do meo), o sheik david munir, iman da mesquita de lisboa, fala sobre lapidação, julgamentos por adultério, mulheres, homossexuais e islão, a proibição do véu e da construção de minaretes e a polémica em nova iorque sobre a construção do centro islâmico junto ao ground zero

-por f. , em 31.8.2010, http://jugular.blogs.sapo.pt/2139616.html#comentarios


De DD a 25 de Julho de 2010 às 21:04
Na verdade, com o calor que está aqui e com o que se sente nos países árabes andar assim com a cara tapada é um tormento.

O problema que nos divide dos muçulmanos fanáticos e até dos normais é que eles pensam e dizem que as raparigas e mulheres europeias são todas umas prostitutas por andarem de cara e cabelos destapados e até por mostrarem o umbigo e andarem de saias curtas ou calças muito justas.

No fundo, qualquer muçulmano considera um europeu um f. da p. e um tipo chifrudo, além de outras coisas mais Acham que as nossas mulheres se forem trabalhar para uma escola, hospital ou empresa vão ter relações sexuais com os colegas, chefes, etc.

Pessoalmente tenho dificuldade em conviver com pessoas que me consideram um f. da p. por a minha falecida mãe nunca ter usado uma burka ou véu, etc. apesar de que quando eu era miúdo houve a moda do lenço na cabeça e as senhoras finas até andavam na rua com um capéu e uma espécie de rede a tapar a cara, mas nada que se pareça com a burka tida como indispensável para garantir a moralidade e honra das mulheres muçulmanas.


De Tolerância a 22 de Julho de 2010 às 12:50
Síria - O Direito à Identidade Secular

A Síria proibiu o uso do niqab (véu islâmico que cobre o rosto deixando apenas os olhos a descoberto) nas suas Universidades (ler Aqui).
Alegando a defesa da identidade secular do país e da sua cultura, o Ministério da Educação da Síria afirma que o uso do niqab contraria a ética universitária (ler Aqui), denotando nesta afirmação a consciência de que a discriminação sexual é contrária ao conhecimento.

A afirmação política nesta matéria por parte de um país cuja História está na raiz da civilização que conhecemos (a sua capital, Damasco, é considerada uma das cidades mais antigas continuamente habitadas) em simultâneo com a sua identidade árabe assumida no nome oficial do país, República Árabe da Síria, e na sua língua oficial, árabe, renova o horizonte de esperança de um mundo melhor para todos, mais equitativo, menos discriminatório, mais igualitário e mais humano, empenhado na construção de uma coexistência pacífica multicultural, capaz de respeitar a diversidade e de promover a ética comum inerente aos Direitos Humanos.
-----

Também a Turquia, Jordânia, Marrocos, ... e outros estados de maioria muçulmana não seguem os princípios aberrantes dalgumas interpretações da 'sharia' (lei islâmica) e outros textos religiosos.

Há que separar Religião de Estado, e distinguir entre Religiões (opções individuais) e suas seitas e textos sagrados, e entre Estados, e entre Pessoas ... evitando ''catalogar e pôr tudo no mesmo saco''.


De . a 22 de Julho de 2010 às 13:58
Síria - O Direito à Identidade Secular

-por Ana Paula Fitas em 19.7.2010, http://anapaulafitas.blogspot.com/2010/07/siria-o-direito-identidade-secular.html


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 21 de Julho de 2010 às 10:28
Há muita gentinha que não entende o que é a liberdade.
Há desde os ingénuos aos doutos e eruditos, há os filósofos e os políticos...
E até há aqueles que acham que a liberdade deles é mais importante do que a liberdade dos outros.
Infelizmente há de tudo como na farmácia, mas pior ainda é que o que mais por aí há é falta de bom senso.


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