CPLP, diplomacia, democracia e economia

Guiné Equatorial

[PMF, Lusa, 11-07-2010]
O candidato presidencial Manuel Alegre (e também outros políticos, escritores e personalidades de vários países da CPLP) repudiou hoje uma eventual entrada da Guiné Equatorial para a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), frisando que esta organização tem de estar acima dos “negócios” e do “cheiro a petróleo”.

 

Segundo a edição de hoje do jornal “Público”, o presidente Teodoro Obiang, há três décadas à frente da Guiné Equatorial, tem vindo nas últimas semanas a desenvolver esforços diplomáticos para que ainda este mês o seu país entre em pleno na CPLP, cuja VIII conferência de chefes de Estado e de Governo se realiza em Luanda no próximo dia 23.

Em declarações à agência Lusa, Manuel Alegre afirmou que “não tem qualquer sentido a entrada da Guiné Equatorial na CPLP”.
“Em primeiro lugar, a Guiné Equatorial não é um país de língua portuguesa. Em segundo lugar, é uma petro-ditadura”, acentuou o candidato presidencial.
Manuel Alegre interrogou-se ainda sobre “que motivos ou argumentos podem existir” para justificar uma eventual adesão da Guiné Equatorial à CPLP.
“Os princípios e os valores da democracia e da CPLP têm de estar acima dos negócios e do cheiro do petróleo”, concluiu o candidato presidencial.
-------
 
Nesta posição faltam alguns factos a considerar:
 
1- A CPLP, para além de uma comunidade de lusófonos (com muitas variantes e concorrências dialectais e linguísticas) com simpatias e afinidades histórico-culturais, é também um 'bloco diplomático' e de preferências comerciais e económicas.
 
2- A Guiné Equatorial (especialmente as ilhas de Fernão Pó e Ano Bom) tem algumas afinidades histórico-culturais com Portugal e outros Estados da CPLP e, por ter sido colónia espanhola, tem proximidade linguística com a lusofonia (mais do que com a francofonia ou a anglofonia), para além de geograficamente S.Tomé e P. 'estar no seu meio'.
 
3- Diplomática e economicamente poderia ser uma vantagem para a CPLP (mais um Estado a concertar votos nas organizações internacionais/ mundiais, mais uns milhões de falantes, mais recursos energéticos e florestais, mais parceiros de negócios ...)  e também uma desvantagem (as suas falhas democráticas e de (não-)observância dos Direitos Humanos, de que outros Estados também não estão isentos...).
 
4- Em vez de ostracizar um Governo e manter uma população inteira em más condições políticas e sociais... é desejável captar mais valias para a CPLP e para a Humanidade.
 
Assim, a eventual adesão da Guiné Equatorial deve ser considerada, com condições - que se comprometa:  
   -  em adoptar (e divulgar/ ensinar) a língua portuguesa também como oficial (vários Estados têm 2 ou mais línguas oficiais); e
   -  a melhorar/mudar o seu regime político, com medidas concretas para os seus cidadãos viverem em Democracia e partilharem de uma forma mais Justa e equitativa dos benefícios dos seus recursos e do desenvolvimento.


Publicado por Xa2 às 00:07 de 22.07.10 | link do post | comentar |

5 comentários:
De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 22 de Julho de 2010 às 10:16
Manuel Alegre é um bluff.
Manuel Alegre está desde o 25 de Abril na vida política nacional.
É co-responsável quer directamente quer por omissão na destruição do sonho do 25 de Abril.
Não é portanto paladino de nada de novo.
Manuel Alegre pode em pré-campanha dizer o que pensa que os portugueses 'do seu eleitorado' pretendem ouvir.
Mas se fosse eleito era mais um 'verbo de encher'.
Era mais do mesmo, é mais um à espera de acumular mais uma reforma dourada.
É o rosto do antigamente, sim que 36 anos de regime, já é pertinente bdizer - antigamente.
E já há muita gente a dizer para se votar 'Alegre' (voto útil) porque senão levamos outra vez com o 'Triste' (voto inútil).
Mas penso que, felizmente, já há cada vez mais portugueses que acordaram para a verdade - que o chamado voto útil e no 'outro', são na verdade, ambos inúteis.
Precisam-se de alternativas de rotura com este presente, mas não são com estes candidatos com certeza.
Abaixo o miserabilismo da política e dos políticos actuais.


De CPLP e Cabinda, G.-Bissau,...?! a 22 de Julho de 2010 às 10:36
12 de Junho de 2010
ACTIVISTA DOS DIREITOS HUMANOS CONDENADO A TRÊS ANOS DE CADEIA EM CABINDA

Notícias Lusófonas

O Tribunal da colónia angolana de Cabinda condenou hoje o activista de direitos humanos, André Zeferino Puati, a três anos de prisão efectiva pela prática de crime contra a segurança de Estado.

A sentença lida hoje refere que ficou provado que André Zeferino Puati cometeu crime contra a segurança de Estado por ter sido encontrado em sua posse documentos “com conteúdos políticos” com o intuito de serem espalhados na via pública de Cabinda.

Em declarações à Agência Lusa, o advogado Martinho Nomba, auxiliar de defesa, considerou injusta a sentença, afirmando que a justiça em Cabinda está a “caminhar para o abismo”.

Martinho Nomba classificou “medonho” o ambiente vivido em Cabinda, onde urge a necessidade de “desprendimento” da justiça do poder político.

André Zeferino Puati, funcionário da petrolífera Cabinda Golf, começou a ser julgado a 24 de Maio, depois de cerca de cinco meses preso, por alegadamente terem sido encontrados em sua posse documentos retirados da internet com informações sobre os movimentos da sociedade civil da colónia angolana.

Segundo Martinho Nomba, o acórdão referia que os documentos encontrados na posse de André Puati foram submetidos para análise a peritos, que confirmaram a intenção política dos mesmos.

“André Puati é um intelectual, formado em relações internacionais e tinha no seu arquivo pessoal vários documentos retirados da internet sobre Nzita Tiago, sobre estratégias apresentadas em uma reunião do bureau político do MPLA, com mais de 10 anos, para o caso de Cabinda, não sei qual é o crime cometido com isso”, questionou-se.

A detenção de André Puati e de outros seis activistas ocorreu na sequência do ataque armado contra as forças angolanas que faziam segurança à selecção de futebol do Togo, em Janeiro, que se deslocava a Cabinda para disputar o Campeonato Africano das Nações de futebol (CAN 2010). Na sequência desse ataque, que resultou na morte de duas pessoas, as autoridades angolanas levaram a cabo uma série de detenções.

Entretanto, de acordo com Martinho Nomba, durante o julgamento nunca foi feita “a mínima referência”, ao ataque durante o CAN 2010, que Angola acolheu no início do ano.

Desde Janeiro estão detidos um advogado, Francisco Luemba, um padre, Raul Tati, um engenheiro, Barnabé Paca Peso, dois economistas, Belchior Tati e António Panzo, um funcionário da petrolífera Cabinda Golf, Zeferino Puati e um ex-polícia, José Benjamin Fuca.

O início do julgamento dos restantes detidos está previsto para o próximo dia 23 de Junho.

O advogado Martinho Nomba considerou a sentença ditada a André Puati “um mau presságio” para os restantes réus.

A defesa vai recorrer da sentença.

publicado por Falcão Peregrino às 20:45
http://utopico.blogs.sapo.pt/104722.html


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