Os carros novos do governo

Noticiou-se que o Estado acaba de adquirir 922 automóveis novos. Não conheço a verdade da afirmação nem a natureza dos contratos subjacentes. Admito até que se trata de substituições decorrentes de leasings ou que haja motivos atendíveis para comportamento tão insólito.

O que me inquieta é perceber que a Administração, designadamente o Governo, não respeita a profunda angústia e sofrimento dos cidadãos, assolados como estão por uma carga fiscal inaudita e confrontados com um futuro sombrio.

À classe média o Estado recomenda poupança e contenção. E esmifra-a com impostos sobre o tudo e sobre o nada. Mas o próprio Estado e os seus dignitários não abdicam de nenhuma mordomia.

Desafio a que alguém me explique o que justifica um membro do Governo dispor de dois – dois – automóveis, sendo um para o serviço oficial e outro para uso particular. Ambos do Estado, pagos pelo Estado, abastecidos pelo Estado. Pois é.

Ministro ou secretário de Estado tem dois carros pagos por nós para se locomoverem. Um durante a semana; outro ao fim de semana. Em Inglaterra, o primeiro-ministro, David Cameron, impôs que os membros do gabinete se deslocassem em transportes públicos. Mas isso é na Velha Albion e com um governo conservador.

Em Portugal, a esquerda de Sócrates gosta da comodidade e acha que dar o exemplo é uma manobra demagógica e eleitoralista. E este tipo de atitudes, todas elas – e muitas são – somadas fazem crescer a dívida corrente primária do Estado que o contribuinte vai sustentando…!

- Por José Luís Seixas, Destak

 


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Publicado por [FV] às 21:03 de 21.07.10 | link do post | comentar |

3 comentários:
De DD a 22 de Julho de 2010 às 19:05
Anualmente, a PSP, GNR, PJ, Asea, Polícias Municipais, Polícia Marítima, Sapadores de Bombeiros, Inspecções do Trabalho, Inspecções Fiscais, INEM e forças militares, além dos serviços dos ministérios diversos, adquirem um certo número de viaturas.
Temos mais de 100 mil homens em todas essas forças, tidas como insuficiente sempre que há um pequeno desacato num comboio ou numa praia.
Não sei com quantas viaturas trabalham as forças de segurança e militares, mas admito que sejam alguns milhares. Se andassem a pé não serviam para nada. Ou deveriam?
Para ter 40 mil homens permanentemente na rua admito que sejam necessários uns 20 mil carros que a durarem vinte anos obrigariam o Estado a adquirir mil viaturas por ano. Mas, vinte anos é excessivo para carros de patrulha, pelo que acho que o Estado deve comprar mais de mil viaturas por ano.
Passo frequentemente por um comando divisionário da PSP em Lisboa e reparao que há alguns carros novos da marca Skoda e muitas viaturas velhas, nomeadmanete as carrinhas VW utilizadas por forças de intervenção e que parecem ter mais de vinte anos.
Não confundir pois carros de ministros com as viaturas dos meios de segurança e do INEM, bom,beiros, polícias, etc.
Acham que os socorros de qualquer tipo deveriam ser feitos por pessoal a pé?


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 22 de Julho de 2010 às 10:02
Seriedade precisa-se!
Há sempre uma desculpa para o indesculpável:
- Neste primeiro semestre a despesa pública aumentou em comparação com a do primeiro semestre do ano passado.
Então o PEC não previa a redução da despesa pública?
Desculpas existem sempre para os incumpridores. Que acham se o contribuinte não devolvesse o 1% do aumento do IVA (por exemplo: de 20 para 21%) e perante o fisco se desculpasse com os aumentos das suas despesas de funcionamento ou o aumento dos juros no banco...?
Seriedade precisa-se!
Quando os nossos governantes estiverem presentes e a 'dar a cara' no encerramento das empresas e despedimento dos trabalhadores.
- Se estão sempre disponíveis nas inaugurações e na apresentação dos novos empreendimentos e criação de postos de trabalho, porque não o estão quando estes encerram?
Seriedade e 'vergonha na cara', precisa-se!


De Politicos debeis a 22 de Julho de 2010 às 09:00
Já alguém , com muita propriedade, escreveu por aqui um post intitulado "CRISE ENTRE A DEMAGOGIA E O EXEMPLO".

Parece que os políticos já sabem disso o que não conseguem descortinar é onde está o exemplo e o que é a demagogia. andam confusos os coitados.

Mal de nós que continuamos a pagar as suas débeis confusões.


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