Eleições – Porque o Homem é um animal, eminentemente, politico

No dia 7 de Junho, era para já estar no Algarve a banhos, aproveitando o dia feriado, de 10 que já foi apelidado do “Dia da Raça” e agora, muito hipocritamente se apelida “de Portugal, de Camões e das Comunidades” e 11, um dia santo evocativo, segundo a igreja católica, “do Corpo de Deus”.

São umas mini férias, que constituem “dois em um”: duas sortes que são o ter trabalho e, simultaneamente, a possibilidade de gozar “férias” numa semana privilegiada para os portugueses. Nos tempos que correm é ter muita sorte e não dou graças a Deus porque, a acreditar na sua existência teria de concluir que ele era muito “sacana”, permite tanta miséria ao lado de tanto esbanjamento.
Por outro lado, depois de ter visitado a exposição evocativa dos 200 anos sobre o nascimento de Darwin e de 150 da publicação da sua obra “Origem das espécies”, a ser verdade a conclusão a que chegaram os paleontólogos e anatomistas de que, anatomicamente, o Homem se parece com a galinha e o cavalo, cheguei à conclusão que o animal politico, por natureza, não pode ter sido “criado à imagem e semelhança de Deus” que em “rigor cientifico” essa imagem vem tendo diversas, diferentes e evolutivas configurações.
Mas deixemos as “coisas sagradas”, que misturar politica com tais observações não lembraria ao diabo, muito menos se pode admitir a um santo. Sim, porque hoje em dia qualquer um pode aspirar a tal honraria. Cruzes canhoto, não me desejem tal sorte que ainda me punham a “andar” por aí, de um lado para o outro, depois de morto.
Voltemos, pois, às coisas sérias da política e do momento. Como ia dizendo, era para ir a banhos na sexta-feira dia cinco, logo ao fim da tarde. Certamente será o que a maioria dos lisboetas irá fazer. Os políticos e os partidos concorrentes na disputa dos lugares não dão aos eleitores, motivos que os mobilizem, tendo em consideração as intervenções de uns e o já longo mau comportamento de outros. É lógico que o apelo das praias algarvias seja mais forte.
Eu, apesar de reconhecer que a maioria tem razão, o povo tem mesmo muitos motivos para o descontentamento que sente, também reconheço que existem bastantes culpas próprias. É que o eleitorado já não só se demite nos actos eleitorais como anda, permanentemente, no dia-a-dia, demissionário sobre todos os problemas que, a uns e a outros, mais tarde ou mais cedo, acabam por afectar de qualquer maneira.
É corrente a ideia de que as eleições internas são mais importantes que as europeias. Puro engano. Então não é verdade que, hodiernamente, os problemas, mesmo os que se sentem localmente, sofrem influência das decisões tomadas em Bruxelas, Washington, Pequim ou Moscovo?
É ou não é frequente, diariamente mesmo, que a nossa legislação interna sofre alterações e quase sempre no preambulo é referenciado o argumento de transposição de directivas e do necessário(?) “alinhamento” das normas internas com a legislação comunitária.
Ou ainda, “conforme os princípios do bom governo internacionalmente reconhecidos, designadamente recomendações da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE) e da Comissão Europeia.”
É verdade que os governos (e as populações) de cada país fazem/fazemos muitas asneiras, dão/damos muitos tiros nos próprios pés, mas não é menos verdade que (para o mal e para o bem) já não somos (des)governados sozinhos e muito menos livremente.
É por tudo isto e tudo o mais que se possa argumentar, que constitui um erro crasso, virar as costas às eleições europeias e não lhes dar a importância e dignidade que às outras.
Em boa verdade e por muito que nos custe, a mim parece-me que as eleições do dia 7 têm a maior importância nas vidas das populações de cada um dos 27 países que compõem, actualmente, a União Europeia.
Por tudo isto, mais uma vez, e embora a muito custo, reconheço, submeto-me a “perder” um dia de praia e vou votar cedo, pela fresquinha, e à hora do almoço já devo estar a sentir os ares do Algarve a “fanfarras” um qualquer petisco da região, depois do dever cívico cumprido.
Porque não faz, também, o mesmo?
Não deixe em mãos alheias a decisão que só pode ser sua!

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Publicado por Zé Pessoa às 00:01 de 27.05.09 | link do post | comentar |

6 comentários:
De MANGUITO a 27 de Maio de 2009 às 17:24
Há dias , num forum TS sobre as eleições europeias, um ouvinte denunciou que tinha interpelado todos os deputados portugueses sobre as relações UE-CHINA e NENHUM lhe respondeu.
Agora todos pedem votos e prometem atenção aos leitores, mas tudo isso acaba após o dia 7.
Não se deixem enganar.
Pode fazer a experiência e alargue-a também ao parlamento nacional. Aí observa logo que muitos nem apresentam e-mail e daqueles que apresentam poucos são os que dão respostas, a começar pelo líder da CDU, que se diz nuuito democrata e próximo da população.
Vá um pouco mais longe e escreva aos que não lhes responderam, mas simulando estar em representação de uma grande empresa, com generosidade suficiente para retribuir as atenções que lhe são dispensadas. Experimente.


De Manguito a 27 de Maio de 2009 às 17:12
Alguém sabe o fazem os deputados europeus eleitos em Portugal?
Mesmo agora que há eleições, apenas apresentam os cabeças de lista. Se um vale por todos, porque não eleger apenas 1 por cada partido? O erário público beneficiava bastante.
Há um total desprezo dos eleitos pelos eleitores. Poderá não ser de todos, mas é seguramente da maioria. Veja-se o que se passa com duas candidatas pelo PS. Concorrem também ás eleições autárquicas, mas com a certeza de que não "ficam desempregadas". Este é o respeito pelo eleitor.
E vem o Zè Pessoa solicitar que os portugueses abdiquem destas curtas férias em favor daqueles que se estão nas tintas para nós e a única coisa que defendem é o seu tacho.
Zé Pessoa eis aqui um daqueles momentos em que o Zè Povinho deve fazer aquilo que tão bem sabe: Um MANGUITO


De Anónimo a 27 de Maio de 2009 às 16:01
Tem toda a razão este "ZÉ".
Nos tempos que correm somos mais sujeitos às decisões tomadas lá fora do que as de cá dentro. Quem aqui nos governa é pouco mais que uma espécie de director geral/pretor de um império mais vasto e complicado .


De Os Barões do PSD no seu melhor a 27 de Maio de 2009 às 10:43
Segundo o CM, Oliveira e Costa chegou com 32 minutos de atraso à Assembleia da República. Veio num carro celular da Polícia Judiciária, onde se encontra detido desde Novembro de 2008. De fato cinzento com discretas riscas brancas, camisa azul-claro, gravata bordeaux com pintas brancas, e desta vez sem aliança no dedo, talvez para mostrar que a separação é mesmo a sério. O banqueiro subiu a escadaria da Assembleia da República, parou duas vezes e foi amparado por dois dos três guardas prisionais, porque, como contou ao CM o seu advogado, Leonel Gaspar, esteve quase a desmaiar. Na sala 7 da comissão de inquérito, com 86 cadeiras, a chegada de Oliveira e Costa era aguardada ansiosamente. E com razão. A declaração não defraudou as expectativas. Oliveira e Costa arrasou o accionista Joaquim Coimbra, dirigente do PSD, Miguel Cadilhe, outra figura social-democrata de quem foi secretário de Estado nos tempos de Cavaco Silva, Dias Loureiro, "um mentiroso" com um ego enorme que "acabou como começou: a arranjar problemas e incapaz de os resolver", e Abdool Vakil, um homem que economiza a verdade. Pelo meio lanchou com os deputados, porque a tarde ia longa e a noite ia ser ainda muito pior.
Se calhar é por isso que são contra o imposto sobre transações financeiras.


De Impostoos e distribuição a 27 de Maio de 2009 às 10:10
Vital Moreira defendeu ontem à tarde que a União Europeia necessita de aumentar os seus recursos financeiros e que terá de Pensar formas de o fazer.

De acordo com Vital Moreira, o cabeça de lista do PS às eleições europeias, uma das formas, poderia passar pela criação de um imposto europeu sobre transacções financeiras.

Aquele Professor catedrático avançou a ideia durante uma intervenção no Centro de Formação Profissional de Chaves. Nesse discurso, Vital Moreira sublinhou a importância dos fundos de coesão da UE, dizendo que não podem ser abandonados. Por esta razão, considerou essencial que a Europa aumente os seus recursos financeiros, para depois poder redistribui-los.

Questionado pelos jornalistas no final da intervenção sobre os moldes deste possível imposto, Vital Moreira não quis aprofundar o tema, preferindo sublinhar a necessita de aumentar os recursos da UE.

«Essa é uma possibilidade em aberto que os socialistas nunca puseram de fora. É claro que isto não tem nada a ver com aumentar a carga fiscal», disso, apontando depois: «Criar um imposto europeu para, por exemplo, transacções financeiras a nível da União, pode ser feito através da substituição de uma parte de impostos nacionais por imposto europeu»

O paradoxo surgido a posteriori foi a esquerda contestar a ideia retomada pelo candidato socialista.

Que a direita o fizesse ninguém se admiraria, visto que são os percussores das ideias ultraliberais e não estão, nunca estiveram, de acordo que se peçam “sacrifícios” à especulação financeira para ajuda aos mais debilitados. Estes que se sacrifiquem porque já vão estando habituados.

Infelizmente, algumas esquerdas parecem seguir os passos dessa direita retrógrada e conservadora.


De Xa2 a 27 de Maio de 2009 às 12:29
Imposto Europeu ?
Á partida a ideia tem a sua lógica, permitindo uma maior identificação, solidariedade e união desta pluri-sociedade política e económica.
Mas existem vários tipos de 'contras':
1- tem de haver garantias que o dinheiro não pode ser ''desviado'' para outros fins (incluindo o aumento dos custos da burocracia de Bruxelas e ...).
2- nem pensar em ''complexizar'' e carregar mais a carga fiscal aos portugueses, perante tanta fuga no sistema, perante um tão baixo retorno de serviço e perante tanto desperdício do erário público. Seria aceitável se existisse mais justiça e eficiência ... tal como existe nos países nórdicos.
3- tem de se mudar a ''imagem'' dos políticos (especialmente dos latinos...), e tem de se reconstruir o sistema de valores éticos, cívicos e económicos - e como «o exemplo tem de vir de cima» e dos 'mídia'... será muito difícil !!!


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