ADMINISTRAÇÃO: OS DADOS NÃO LHES PERTENCEM

As pessoas honradas liquidam os seus impostos com as Finanças. Se fossem britânicos saberiam em menos de um minuto onde foram aplicados os seus impostos. Não é ficção científica. Basta conhecer o seu rendimento bruto para os últimos oito anos e entrar em -www.wheredidmytaxgo.co.uk (para onde foram os meus impostos). Digite o número fiscal, a idade e o sexo. E aí está: quanto dinheiro foi para as pensões, saúde, educação, advocacia, defesa…até ao último tostão.

Calcular num piscar de olhos é possível porque o Governo britânico colocou na Internet ao alcance de todo, milhões de registos, incluindo os muitos que permitem fazer o cálculo que um grupo habilidoso de cidadãos converteu numa útil e muito simples aplicação. É um exemplo prático de uma mudança de cultura que está emergindo nas administrações públicas - fornecer a informação sem ser solicitada - dos E.U. e Reino Unido. Eles deram os primeiros passos. Assistimos ao início de uma revolução?

Defensores do chamado "governo aberto", do qual a difusão em massa de dados do governo é apenas o começo, prevêem que sim. Uma revolução com base em três pilares: transparência, participação, (porque "nem todas as boas ideias nascem em Washington", como disse Beth Noveck, delegada de Barack Obama para estas questões) e colaboração (entre administrações e empresas).

Sem Obama na Casa Branca e sem os avanços tecnológicos que transformaram processos difíceis em procedimentos simples e baratos não existiria este movimento que visa, entre outras coisas, aumentar o controle do cidadão sobre a forma como os políticos eleitos gerem o poder e dinheiro de todo. Obama introduziu o tema na agenda política para criar, pouco depois de estrear-se na presidência, http://www.data.gov/ uma porta de entrada para milhares de dados públicos que a Administração detém sobre muitas questões.

Obama nos E.U. e Gordon Brown no Reino Unido (http://data.gov.uk/), em grande parte estimulado pelo escândalo dos gastos dos deputados e que foi seguido por David Cameron, tomou a decisão política de colocar quase à vista praticamente tudo, excepto os dados pessoais ou que afectem a segurança nacional. Dentro desta nova forma de trabalhar, o Governo britânico reviu as suas páginas NET, mais de 800, e concluiu que 75% são desnecessárias. Não é de surpreender que os anglo-saxões assumissem a liderança. Eles têm uma longa tradição de controle dos seus representantes e leis de liberdade de informação.

Mas nem todas as informações são iguais. Também não tem o mesmo valor. Existem três tipos. A informação politicamente sensível, a administrativa (Veja-se como exemplo de transparência a Câmara de Washington DC (http://track.dc.gov/) onde cada departamento disponibiliza informação on-line, se está ou não cumprindo o programado) e a que é inócua.".

Em Portugal o que se disponibiliza é principalmente o terceiro grupo.

 

El País

 

 



Publicado por Izanagi às 06:45 de 06.08.10 | link do post | comentar |

3 comentários:
De Zé T. a 18 de Agosto de 2010 às 12:48
É importante divulgar e pressionar os Partidos e Governo (e Autarquias, Empresas e institutos públicos) para que Portugal também seja mais TRANSPARENTE,


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 13 de Agosto de 2010 às 12:02
«De DD a 12 de Agosto de 2010 às 18:37
As reformas ditas milionárias da Função Pública resultam de se calcular a reforma a partir do último ordenado e não, como no privado, a partir da média de toda a vida contributiva ou dos melhores dez anos dos últimos quinze como foi até há pouco …
… Se …contasse com a média de todos os (vencimentos) … o nível das reformas… estas desceriam bem para metade.»

Afinal o DD sabe como é.
Usa é mal as palavras... neste caso - devolução.
O que estado paga aos aposentados não é uma devolução... Porque paga pelo o último salário e não recebeu assim.
Devolver é entregar o que antes se recebeu.
E se não recebeu e entrega o que não recebeu, não se chama devolução.
Mas isto são os 'erros' de construção de uma economia feitas pelo 'venha agora o que é nosso' e 'quem vier atrás que feche a porta'.
É uma 'óptimo' para quem agora está a receber e o quando futuro dos que neste momento estão no activo estiver hipotecado e falido, que se lixe, que já cá não estamos...
A vida é para viver e a morte é certa.


De DD a 6 de Agosto de 2010 às 15:15
O Estado português devolve diariamente à sociedade sob a forma de pensões 51 milhões de euros.
Repito, diariamente.


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