Burla Eleitoral do PGR

 

            Apesar de em seis anos, os delegados procuradores da República e os investigadores da PJ não terem descoberto o mais pequeno indício que permitisse incriminar Sócrates e sabendo desde o início que a carta anónima foi uma golpada política de inimigos do PS, o PGR resolveu abrir um processo único na história judicial portuguesa, um inquérito ao inquérito.

            Os procuradores Pães e companhia deixaram as tais perguntas para que ficasse no ar a suspeição com a ideia falsa de que não tiveram tempo de inquirir Sócrates ou o ministro Silva Pereira. Agora, o PGR, ao saber que as perguntas eram infantis e iriam cair no esquecimento, resolveu avivar a chama com um inquérito ao inquérito que não sei se obedece à regra da prescrição ou não ou se permite reabrir a investigação e o consequente inquérito ou se destina simplesmente a elaborar processos disciplinares contra elementos da PJ ou da Procuradoria, deixando ainda mais carregado no ar o fumo negro da suspeita ao Primeiro Ministro.

            O PGR sabe que há uma grande probabilidade de se realizarem eleições legislativas antecipadas em 2011 e, como tal, convém manter um processo que foi sempre destinado a provocar uma burla eleitoral. Claro, a excepção a isso, seria que o inquérito do PGR à fase inquisitorial do processo Freeport fosse feito com rapidez e chegasse à conclusão justa de que Sócrates e Silva Pereira não foram ouvidos porque não havia dados que permitissem fazer perguntas com a apresentação de um contraditório, isto é, com uma prova de que uma dada resposta seria mentirosa pois há este ou aquele documento ou declaração a contradizer. Sem se estar na posse de fatos dessa ordem qualquer pergunta feita por um procurador é desprovida de sentido.

            Mas não é a justiça nem o sentido lógico que o PGR procura.

            Combinado com outros procuradores o ex-juiz Pinto Monteiro quer manter a burla eleitoral até às próximas eleições sob a forma de suspeita de que pessoas do seu departamento, a Procuradoria-Geral da República, favoreceram Sócrates, deixando passar o tempo. Na verdade estava tudo combinado. Depois das eleições em que o PS ganhou com maioria absoluta, impunha-se esperar pelo próximo período eleitoral, avocar o processo ao DCIAP e manter a conspiração com os meios de comunicação social para denegrir a imagem pública do Primeiro Ministro e assim tirar-lhe votos. A isso chamo eu BURLA ELEITORAL e atentado ao Estado de Direito Democrático.

            Toda a tentativa de enganar os eleitores representa um atentado à liberdade de escolha dos cidadãos.

            É isso que Pinto Monteiro quer fazer agora. Condicionar mais uma vez o eleitorado com uma pretensa suspeita sem ter a coragem de acusar com provas credíveis. Pinto Monteiro e os três outros procuradores da fase inquisitorial do processo são inimigos da democracia, detestam eleições livres e não suportam um candidato vencedor.

          Sucede que Sócrates nada tem a temer e não se vai deixar amedrontar por um homem falho de carácter, incapaz de ser JUSTO e desconhecedor da essência legislativa do Estado de Direito Democrático. Enfim, um NABO.

          Não pode deixar de ser dito que o processo Freeport foi o acto mais hipócrita e injusto que alguma vez foi praticado contra uma pessoa. A Justiça não foi capaz de acusar e tornar Sócrates arguido para se defender; limitou-se a deixar passar para os meios de informação umas falsas suspeitas que nem chegaram a qualquer acusação contra elementos da família de Sócrates, mas que estiveram na comunicação social. Foi um ataque à imagem para tirar benefícios eleitorais contra o PS.

           


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Publicado por DD às 23:01 de 24.08.10 | link do post | comentar |

3 comentários:
De DD a 25 de Agosto de 2010 às 22:47
O objectivo dos mentores do processo Freeport é precisamente fazer com que as pessoas pensem aquilo que os dois comentadores escreveram.
Nada de concreto foi apresentado. Só encontraram uns dinheiros não declarados ao fisco pelo arquitecto e outros intervenientes e umas cartas do escocês a pedir dinheiro para corromper, mas sem resposta nem envio de dinheiros para contas de Sócrates ou seus familiares ou amigos.
Ainda esperam que um offshore responda às cartas rogatórias a pedir extractos de contas de um tal Pinto de Sousa.
Das peritagens feitas às contas da Freeport/Carlyle nada foi encontrado. É pena para os inimigos do Sócrates e do PS.
Se algo tivesse sido encontrado era "ouro sobre azul". Abatia-se o PS e Sócrates sem essa chatice que são as eleições.


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 25 de Agosto de 2010 às 13:46
Havia uma gíria brasileira da autoria de Jô Soares que dizia "tem pai qué cego...", lembram-se?
O DD deve pensar que aqui no Luminária (ou no país), também tem portugueses "cegos" ou estúpidos...
E deve haver muitos sim senhor, a atender em tanta tolerância e acobardar, perante estas situações de desavergonhamento a que nos levam estes nossos dirigentes e figuras da política nacional.


De Cego de um olho a 25 de Agosto de 2010 às 09:26
Bastou-me ler o primeiro paragrafo e apostei comigo próprio que o "proscrito" era do afável socretino DD.

Diz que não foram encontrados nenhuns indícios .

Santo Deus (eu não acredito nem em milagres) então e há certezas absolutas de que a carta anónima não visava outra ciosa que não fosse o prejudicar o PS numas eleições?

Na minha opinião não só há indícios como também existem factos, pouco prováveis por falta de seriedade na justiça e na relação entre as pessoas, de corrupções como de prejuízos eleitorais e, para mal desta democracia apodrecida, de todos os lados.

Só que DD cegou do olho esquerdo


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