Terça-feira, 24 de Agosto de 2010

 

            Apesar de em seis anos, os delegados procuradores da República e os investigadores da PJ não terem descoberto o mais pequeno indício que permitisse incriminar Sócrates e sabendo desde o início que a carta anónima foi uma golpada política de inimigos do PS, o PGR resolveu abrir um processo único na história judicial portuguesa, um inquérito ao inquérito.

            Os procuradores Pães e companhia deixaram as tais perguntas para que ficasse no ar a suspeição com a ideia falsa de que não tiveram tempo de inquirir Sócrates ou o ministro Silva Pereira. Agora, o PGR, ao saber que as perguntas eram infantis e iriam cair no esquecimento, resolveu avivar a chama com um inquérito ao inquérito que não sei se obedece à regra da prescrição ou não ou se permite reabrir a investigação e o consequente inquérito ou se destina simplesmente a elaborar processos disciplinares contra elementos da PJ ou da Procuradoria, deixando ainda mais carregado no ar o fumo negro da suspeita ao Primeiro Ministro.

            O PGR sabe que há uma grande probabilidade de se realizarem eleições legislativas antecipadas em 2011 e, como tal, convém manter um processo que foi sempre destinado a provocar uma burla eleitoral. Claro, a excepção a isso, seria que o inquérito do PGR à fase inquisitorial do processo Freeport fosse feito com rapidez e chegasse à conclusão justa de que Sócrates e Silva Pereira não foram ouvidos porque não havia dados que permitissem fazer perguntas com a apresentação de um contraditório, isto é, com uma prova de que uma dada resposta seria mentirosa pois há este ou aquele documento ou declaração a contradizer. Sem se estar na posse de fatos dessa ordem qualquer pergunta feita por um procurador é desprovida de sentido.

            Mas não é a justiça nem o sentido lógico que o PGR procura.

            Combinado com outros procuradores o ex-juiz Pinto Monteiro quer manter a burla eleitoral até às próximas eleições sob a forma de suspeita de que pessoas do seu departamento, a Procuradoria-Geral da República, favoreceram Sócrates, deixando passar o tempo. Na verdade estava tudo combinado. Depois das eleições em que o PS ganhou com maioria absoluta, impunha-se esperar pelo próximo período eleitoral, avocar o processo ao DCIAP e manter a conspiração com os meios de comunicação social para denegrir a imagem pública do Primeiro Ministro e assim tirar-lhe votos. A isso chamo eu BURLA ELEITORAL e atentado ao Estado de Direito Democrático.

            Toda a tentativa de enganar os eleitores representa um atentado à liberdade de escolha dos cidadãos.

            É isso que Pinto Monteiro quer fazer agora. Condicionar mais uma vez o eleitorado com uma pretensa suspeita sem ter a coragem de acusar com provas credíveis. Pinto Monteiro e os três outros procuradores da fase inquisitorial do processo são inimigos da democracia, detestam eleições livres e não suportam um candidato vencedor.

          Sucede que Sócrates nada tem a temer e não se vai deixar amedrontar por um homem falho de carácter, incapaz de ser JUSTO e desconhecedor da essência legislativa do Estado de Direito Democrático. Enfim, um NABO.

          Não pode deixar de ser dito que o processo Freeport foi o acto mais hipócrita e injusto que alguma vez foi praticado contra uma pessoa. A Justiça não foi capaz de acusar e tornar Sócrates arguido para se defender; limitou-se a deixar passar para os meios de informação umas falsas suspeitas que nem chegaram a qualquer acusação contra elementos da família de Sócrates, mas que estiveram na comunicação social. Foi um ataque à imagem para tirar benefícios eleitorais contra o PS.

           


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Publicado por DD às 23:01 | link do post | comentar

3 comentários:
De Cego de um olho a 25 de Agosto de 2010 às 09:26
Bastou-me ler o primeiro paragrafo e apostei comigo próprio que o "proscrito" era do afável socretino DD.

Diz que não foram encontrados nenhuns indícios .

Santo Deus (eu não acredito nem em milagres) então e há certezas absolutas de que a carta anónima não visava outra ciosa que não fosse o prejudicar o PS numas eleições?

Na minha opinião não só há indícios como também existem factos, pouco prováveis por falta de seriedade na justiça e na relação entre as pessoas, de corrupções como de prejuízos eleitorais e, para mal desta democracia apodrecida, de todos os lados.

Só que DD cegou do olho esquerdo


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 25 de Agosto de 2010 às 13:46
Havia uma gíria brasileira da autoria de Jô Soares que dizia "tem pai qué cego...", lembram-se?
O DD deve pensar que aqui no Luminária (ou no país), também tem portugueses "cegos" ou estúpidos...
E deve haver muitos sim senhor, a atender em tanta tolerância e acobardar, perante estas situações de desavergonhamento a que nos levam estes nossos dirigentes e figuras da política nacional.


De DD a 25 de Agosto de 2010 às 22:47
O objectivo dos mentores do processo Freeport é precisamente fazer com que as pessoas pensem aquilo que os dois comentadores escreveram.
Nada de concreto foi apresentado. Só encontraram uns dinheiros não declarados ao fisco pelo arquitecto e outros intervenientes e umas cartas do escocês a pedir dinheiro para corromper, mas sem resposta nem envio de dinheiros para contas de Sócrates ou seus familiares ou amigos.
Ainda esperam que um offshore responda às cartas rogatórias a pedir extractos de contas de um tal Pinto de Sousa.
Das peritagens feitas às contas da Freeport/Carlyle nada foi encontrado. É pena para os inimigos do Sócrates e do PS.
Se algo tivesse sido encontrado era "ouro sobre azul". Abatia-se o PS e Sócrates sem essa chatice que são as eleições.


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