Presidênciais, candidatos e candidaturas

Com o anunciado candidato do PCP são quatro à esquerda. Os ingredientes pré-anunciam uma reeleição, de Cavaco, muito facilitada pelos adversários e respectiva dispersão de votos.

É facto, e a Constituição assim o prevê, que seja elegível qualquer cidadão eleitor, português de origem que tenha mais de 35 anos, nos termos do artigo 122º da nossa lei fundamental.

Em tais circunstâncias a legitimidade de se propor a eleições é igual para todo e qualquer cidadão ou cidadã (porque não uma mulher a presidente?) no pleno uso dos seus legítimos direitos e deveres democráticos de cidadania que o fará, mais ou menos (nem sempre como é o caso do PCP que é o comité central a decidir) livremente e por iniciativa própria.

Contudo, entre a igualdade ou a universalidade e a racionalidade, as escolhas nem sempre são fáceis de fazer, veja-se a presente situação de corrida a Belém entre a dispersão de candidatos à esquerda que já conta com quatro candidaturas (Alegre, Nobre, Moura e Lopes) e a aflição da direita que por um lado se não encontra satisfeita com o desempenho de Cava Silva e por outro contínua colada ao tabu da sua mais que putativa recandidatura. Neste caso as “lebres” só favorecem o adversário.

Uma vez perdido o jogo das presidenciais sempre se poderão entreter na sueca...

Se a esquerda leva vantagem, tanto no número de candidatos como na antecipação da presença no terreno, acarreta a mortífera pulverização de votos.

Certamente que com uma tal dispersão, de cruzinhas no quadradinho, associada à eventual abstenção no centro-esquerda os ideólogos da recandidatura de Cavaco, muito naturalmente, o aconselham a retardar, o mais possível, o anuncio da sua decisão, com duas vantagens incontestáveis: primeira é manter os, evidentes, benefícios de actuar como Presidente, a segunda é o efeito psicológico de uma vitória antecipada.

A vitória, assim, até pode ser menos digna, mas, quem se importará com isso a avaliar pela democracia que, actualmente, vamos vivendo?



Publicado por Zé Pessoa às 09:40 de 25.08.10 | link do post | comentar |

6 comentários:
De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 26 de Agosto de 2010 às 11:21
80% dos votos expressos, talvez seja assim, sim senhor, mas seria relevante se essas percentagens fossem referentes ao número de eleitores e não ao número de votantes. E mais, que mesmo no número de votantes os votos em branco e inutilizados, tivessem reflexo nas percentagens de eleitos.
Imagine que os votos em branco e nulos contassem para o número de vagas na AR? Ficavam cadeiras vazias. E se as percentagens para a eleição do PR fossem em função do número de eleitores inscritos?
E se o vosto fosse obrigatório?
Ou se quem votasse podia abater uma determinada verba em sede de IRS? Não reduziria a taxa de abstenção?
E se tudo isto fosse aplicado em simultâneo?
Que representatividade pode ter um PR em que mais de metade da população não votou nele?
Representa quem? Quais portugueses?


De DD a 27 de Agosto de 2010 às 18:44
Não votar é na prática votar em todos na proporção dos votos expressos e politicamente pode corresponder a um voto em ninguém, significando falta de confiança, ausência de alternativas ou o contrário; contentamento com a situação e achar que são todos gajos porreiros.


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 29 de Agosto de 2010 às 17:19
Se não votar é votar em todos, poderemos dizer que votar, é votar em ninguém?
Se calhar é, olhando para os Zés Ninguéns que são estes abrunhos eleitos...


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