De . a 6 de Setembro de 2010 às 15:24
''social democracia'' à portuguesa

Passos Coelho convidou um gestor, chamado Pedro Reis, formado em Gestão e Administração de Empresas pela Universidade Católica Portuguesa, para coordenar um tal Livro Branco sobre as empresas portuguesas.
Sublinha o Sr. Reis que é ‘independente’, coisa mui in fashion pelos dias que correm.
Do trabalho deste independente espera o próprio «que dali possam sair ideias para o programa de governo do dr. Passos Coelho.»
Então e este Sr. que quer influenciar a linha política económica do PSD mas que não se identifica com o partido a ponto de se comprometer com os seus estatutos... é independente pela direita ou pela esquerda relativamente ao PSD?

(...) «Por mais investimentos externos que o governo tente captar, os tais custos de contexto... com a carga fiscal absurda que temos, nunca vamos ter o investimento externo de que precisamos. O que eu defendo é que o Estado faça o seu trabalho: reduza, saia da economia e se concentre em deixar as empresas oxigenarem-se e investirem. Quando o Estado se mexe com uma pata de elefante pesadíssima, não só vai pedir impostos para alimentar esse enorme elefante, como também retira financiamento às empresas. O Estado deve preocupar-se com as questões soberanas, em reduzir o défice e deixar a economia para os privados.

... o trabalho do Estado é 'sair da economia'? Então aqui há tempos não foi preciso um estado que fosse 'forte' o suficiente para nacionalizar os buracos negros da má gestão no BPP? E se houver menos impostos e um estado mais frágil como o Pedro Reis defende, como é que ele intervem na economia quando os gestores meterem água? Deixamos as empresas 'oxigenarem' o que lhes apetecer e depois quando os meninos começarem a hiperventilar activos tóxicos vão os nossos impostos pagar a conta outra vez?

Como? Privatizando, primeiro. Depois acabando com golden shares.

'Dá dinheiro ao Estado? Então também há de dar no privado - privatiza. Se não der, nacionaliza-se outra vez.'
De que áreas é que o Estado deveria sair? Todas.

Assim até é batota... Tudo, tudo? As escolas todas, os hospitais, os centros de saúde, as bibliotecas, a investigação, os teatros, a água, o cinema, a televisão, os correios, as estradas, os monumentos, as reformas, o exercito, os transportes, os bombeiros, tudo, tudo?

Reformulando: em quais é que se deveria manter? Sim, é melhor fazer a pergunta ao contrário. Um bom programa de privatizações implica definir várias coisas: a primeira é que o Estado tem de ser um regulador forte. Se vamos entregar isto aos privados, o Estado tem de ter uma mão forte para quem prevaricar. Por outro lado, o Estado tem de salvaguardar a concorrência e a transparência dos mercados. Feito isto, não vejo razões para o manter em quase todas as empresas, para não dizer em todas.

Belo plano. ‘se vamos entregar ‘isto’ aos privados’ – 'isto' é o país? Tem corrido muito bem. 'Transparência de mercados'? E os paraisos fiscais, e a confidencialidade e 'pudor' do sigilo bancario, que ao contrario do segredo de justiça ainda vai funcionando? Regular isto tudo? Com o sistema de justiça que temos? Seriously?

É preciso reduzir impostos para ganhar competitividade? Os impostos em Portugal, em média, estão 10% a 15% mais elevados do que deveriam estar. Aliás, como também é verdade a parte salarial: o país ganha de mais para o que produz. Isto é uma lógica insuflada tramada: como as pessoas pagam muito ao Estado, têm de ganhar mais para conseguir viver dignamente. Se compararmos com outros mercados - França ou Inglaterra -, percebemos que estamos a ganhar 10% a 15% a mais.»

Deixem ver se percebi: porque pagamos muitos impostos precisamos de ganhar mais e por isso os salários em portugal estão inflacionados... Sei. A desvalorização do trabalho e a terceimundização são a solução para o PSD para os problemas de emprego no país?

E o mercado interno? Não há problema de não haver consumo interno porque os salários são demasiado baixos para as pessoas terem poder de compra? Ou os altos consumos de artigos de luxo mesmo no pico da crise, mostrando que há quem lucre muito com ela, compensam o emprobrecimento crescente da média da população?
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De Portugueses estão... feitos !! a 6 de Setembro de 2010 às 15:34
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Uma social democracia é teoricamente um regime ‘à esquerda’, em termos de visão global da gestão actual do mundo
- se perguntarem a um Americano, por exemplo, o mais provável é ele achar a social democracia uma coisa muito ambiciosa em termos de projecto político, porque assegura serviços públicos (que os EUA não têm) que permitem alguma redistribuição das riquezas geradas por uma dada sociedade.
O estado tem uma função muito interventiva na economia e na distribuição de riquezas, através de taxação progressiva de impostos.
Mais impostos para quem mais ganha - mas saúde, ensino, habitação públicos e gratuitos para todos.

O projecto social democrata, aplicado por exemplo na Suécia, não é propriamente o socialismo, a revolução civilizacional contra a barbárie, a competição e o individualismo, a racionalização sustentável social e ambiental das produções humanas e a distribuição justa do trabalho e dos seus frutos entre todos.

É sim um voto-útil, um menos-mal, um melhorismo imediatista, individualista e céptico quanto a uma verdadeira mudança de paradigma, que imagina poder gerir o sistema capitalista, e limitar os estragos que ele faz - mas a social democracia não é, em todo o caso, a defesa do liberalismo desenfreado, do capitalismo selvático.

Este é um discurso bem mais à direita disso, friedmanita, neo-liberal do pior.
O Sr. Pedro Reis está a ajudar o partido errado, ou o PSD tem urgentemente de mudar de nome.

Entrevista toda aqui. : "Os salários e os impostos estão 15% acima do que deviam"
( http://www.ionline.pt/conteudo/72085-os-salarios-e-os-impostos-estao-15-acima-do-que-deviam )

via
https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4847720746899778773&postID=6723304751680595737


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