Por Verdadeira Requalificação do PS e da Política

Eleições no PS de Coimbra


Aproxima-se mais um momento de escolha na Federação de Coimbra do PS. Os dois candidatos que disputam a respectiva liderança, Mário Ruivo e Vítor Baptista, são os mesmos que se enfrentaram vai para dois anos, numa pugna que o segundo venceu.

Há dois anos, tomei posição pública contra as duas candidaturas, nenhuma das quais, a meus olhos, projectava, no que era então visto como futuro, uma mudança substancial de rumo. Nem uma mudança de rumo, nem uma verdadeira renovação do partido. O número de votantes em ambas as candidaturas equiparou-se ao dos militantes que não votaram em nenhuma delas. Assim, mesmo em conjunto, não motivaram uma grande parte dos socialistas de Coimbra.

Nos dois anos decorridos, quer no plano nacional, quer no plano distrital, a vida do PS continuou, no essencial, a repetir aquilo que tinha vindo a ser. Os partidos integrados no Partido Socialista Europeu e na Internacional Socialista mantiveram-se perigosamente estagnados, tendo escandalosamente desaproveitado a dramaticidade e a gravidade da crise do capitalismo, que entretanto se desencadeou, como factores impulsionadores de uma renovação e intensificação do seu protagonismo. Na Europa, nenhuma outra parte da esquerda se mostrou capaz de substituir o PSE como pólo institucional, com virtualidades de alternativa à direita dominante; e não se abriu a porta a uma cooperação consistente e sistemática do PSE com as outras esquerdas, sem prejuízo de uma ou outra tímida excepção. Em Portugal, a conflitualidade entre o PS e as outras esquerdas acentuou-se.

Entretanto, em 2009, o PS perdeu as eleições europeias, ganhou politicamente as autárquicas e triunfou nas legislativas, embora perdendo a maioria absoluta que antes detinha. O governo socialista é agora minoritário. Aproximam-se as eleições presidenciais, sendo Manuel Alegre o candidato que o PS apoia. O actual Presidente da República será um candidato muito forte, mas para o PS uma vitória de Manuel Alegre revela-se, cada vez mais, como decisiva.

Compreende-se, neste contexto, que aquilo que é verdadeiramente determinante, nos próximos tempos, para a vida dos portugueses e para as esperanças dos socialistas, sejam os acontecimentos nacionais e o que vier a ocorrer no seio do PS como um todo. Nessa medida, a linha e a força política da nossa Federação distrital, não sendo factores irrelevantes, não serão decisivos. A conjuntura é, por isso, mais difícil e mais dramática do que aquela com que nos deparávamos há dois anos.

E tal como há dois anos, continuo sem me identificar politicamente, no seu todo, com qualquer das duas candidaturas, nenhuma das quais soube construir uma identidade política própria que a distinguisse substancialmente da outra. Portanto, continuo também a não apoiar qualquer delas. Mas, ao contrário do que ocorreu há dois anos, deixei de me afirmar politicamente contra as duas. Assim, no momento em que não sei qual delas irá vencer, afirmo a minha disponibilidade para vir a cooperar com os órgãos que legitimamente vierem a ser escolhidos, em tudo aquilo que, não contrariando a minha consciência, possa vir a ser considerado por eles como útil. A isso me leva o agravamento das dificuldades políticas enfrentadas pelo PS, que acima descrevi, nos seus traços gerais.

Isto, sublinho, é o essencial, mas não quero deixar de reconhecer que a actual liderança da Federação de Coimbra, neste último mandato, se revelou mais aberta e mais eficaz do que nos anteriores. Paralelamente, também reconheço que a candidatura que contra ela se apresenta, tendo tido o mérito de subsistir minimamente agregada durante os últimos dois anos, tem também menos marcado no seu código genético o modo como, na sua origem, se afirmou em concorrência desleal com uma outra iniciativa política de alternativa que, também por isso, se viria a frustrar.

Todo o PS ganharia se a campanha se centrasse no debate de ideias, de propostas políticas e de rumos de abertura para a renovação do partido. E talvez assim metade dos militantes não ficasse em casa, indiferente ao que parece ser pouco mais do que um digladiar de “tribos” políticas, tecidas mais por fidelidades e cumplicidades pessoais do que pelo cimento saudável da partilha de ideias e de propostas estruturantes.
 
 
Não posso, entretanto, deixar de lamentar que protagonismos pessoais, oriundos das instâncias burocráticas centrais do PS, ao afirmarem-se com inabilidade, tenham projectado uma imagem de imiscuição tosca na pugna distrital, em vez de se revelarem com a altura, com a imparcialidade e a distância que se esperariam das instâncias administrativas centrais do Partido.

Na moção de orientação política geral que subscrevi no Congresso Nacional do PS de 2009, Mudar para Mudar, com base na qual se viria a constituir dentro do PS a corrente de opinião Esquerda Socialista, diz-se: “Os militantes não são meras peças para aplaudir e ajudar a ganhar eleições. Têm de ser actores fundamen­tais da génese e do devir partidário. E, tema prioritário, o PS não são só os militantes. São, também, os apoiantes e os eleitores, cuja intervenção tem de ser integrada na vida partidária activa (concretizando, assim, as disposições esta­tutárias). É necessário e urgente aprofundar a democracia interna do PS, abrir o partido à sociedade e modernizar as suas estruturas, práticas e imagem”.

E, para isso, propunham-se várias medidas, entre as quais destaco algumas, por que me bato, em conjunto com muitos outros camaradas, há uma boa dezena de anos:

1.Eleições Primárias para a designação dos candida­tos do Partido aos actos eleitorais, sendo o seu uni­verso eleitoral constituído por militantes, apoiantes e eleitores declarados, previamente recenseados;
2. Instituição de regras e meios de transparência nas eleições internas, que assegurem condições de de­mocraticidade efectivas, com igualdade para todos os candidatos e pesadas sanções disciplinares para as irregularidades processuais, as pressões e expedien­tes ilegítimos;
3. Obrigatoriedade da declaração de interesses dos dirigentes partidários (idêntica à que é exigida aos titulares de órgãos de soberania e altos cargos polí­ticos) com registo à guarda e controlo da Comissão Nacional de Jurisdição.”

Se as duas candidaturas chegassem a acordo, pelo menos nestes três pontos, pondo desde já em prática a segunda medida, estariam a dar um significativo impulso para uma verdadeira requalificação do PS em Coimbra e um precioso impulso para a renovação do PS , no seu conjunto.

 



Publicado por Xa2 às 14:50 de 30.08.10 | link do post | comentar |

23 comentários:
De . a 13 de Setembro de 2010 às 17:57
Arrufadas e tristes tribos partidárias
Arrufadas de Coimbra em mastigação melancólica.


A festa dos lugares comuns continua. Luta de tribos. É apenas o poder em disputa. Todos se conformam com a conservação de estruturas e regras do jogo. O importante para cada tribo é a sua vitória.

Figuras pomposas, por vezes impantes de uma patine lisboeta, saem das cartolas mediáticas, como se fossem importantes. Não fogem, contudo, ao espectáculo da sua própria banalidade. Lá vêm as razões por que apoiam A ou B numa mastigação previsível, que oscila entre a prosa administrativista e o discurso de ressonâncias empresariais, polvilhado pelo perfume vagamente épico da vulgata futebolística.

O discurso político reduz-se, assim, a uma quase algaraviada, onde apenas é nítida uma discreta adulação de chefes, ou uma vénia subtil perante os poderes centrais, cada tribo ostentando-se como mais ungida pelo altíssimo do que a outra.

E o socialismo que dá o nome ao partido? E a crise do capitalismo que assola o planeta e o país, massacrando as pessoas? E as marcas de esquerda que seriam de esperar num combate político entre militantes de um partido que não pode deixar de o ser? Tudo ausente.

Apenas se ouve o rumor de uma vaga esgrima entre estradas, trajectos, metros e comboios, temperado por assomos de alarido sobre fichas, inscrições e votos. E depois há as fotografias, muitas fotografias de camaradas graves, absorvidos pelo verbo providencial de alguém que se lhes dirige, olímpico e solene. Os notáveis, por seu lado, aceitam mexer-se, concedendo o apoio transcendente da sua notabilidade, ao sussurrarem a frase de um elogio contido. Abençoam os candidatos como se tivessem a chave de um imaginário céu. Em suma, um exuberante festival de frases feitas, para se justificar por que se aposta na experiência de A ou na renovação de B.

Enfim, parafraseando Eça de Queirós, mas do avesso: “Uma campanha triste”!

- Por Rui Namorado, em O Grande Zoo, 10.9.2010
MARCADORES: eleições, partido socialista, política
Publicado por Xa2 às 13:07 de 13.09.10


De Mulheres Socialistas a 13 de Setembro de 2010 às 17:55
Candidatura de Jesuína Ribeiro a Presidente do DFMS da FAUL
MAIS IGUALDADE, MAIS PARTICIPAÇÃO, MAIS CIDADANIA

No ano em que celebramos o Centenário sobre O Dia Internacional das Mulheres devemos fazer um balanço dos progressos alcançados e reflectir sobre os obstáculos ainda existentes para atingir uma efectiva igualdade entre mulheres e homens.
Celebramos também o Centenário da República Portuguesa e queremos salientar o envolvimento histórico das mulheres na defesa dos ideais republicanos.
Muitas conquistas civilizacionais se alcançaram nas últimas décadas, designadamente no plano nacional. A Revolução do 25 de Abril em Portugal foi um momento decisivo na história do nosso país e também na transformação do estatuto da mulher na sociedade portuguesa.

O Partido Socialista é pioneiro na promoção da igualdade de género, dignificando, mais uma vez, a sua história de partido precursor da modernidade, convergindo para os grandes avanços civilizacionais da sociedade portuguesa.

Os Departamentos Federativos das Mulheres Socialistas, consagrados nos Estatutos do Partido, em muito têm contribuído para o envolvimento de mais mulheres na vida política e para vitórias decisivas, nomeadamente o Referendo sobre a despenalização da IVG. Os DFMS têm tido um papel fundamental na construção de uma sociedade mais justa, mais democrática e mais igualitária.
Por todos estes motivos é com imensa satisfação e sentido de responsabilidade que decidi recandidatar-me ao Departamento Federativo das Mulheres Socialistas da FAUL.

Proponho-vos cinco grandes eixos de acção para o próximo mandato:
Política de não discriminação o envolvimento do Departamento Federativo na defesa de mais igualdade: debate sério e fundamentado no combate a quaisquer formas de discriminação; defesa de medidas que reforcem a igualdade de tratamento, independentemente do sexo, origem étnica ou racial, religião ou crença, deficiência, idade ou orientação sexual; promoção de debates federativos sobre estes temas.

Igualdade de género a dinamização de acções para o reforço da participação política e económica das mulheres em todas as esferas de decisão, bem como a organização um plano de formação sobre o empoderamento das mulheres.
A articulação com a Federação, com as concelhias e com as secções sectoriais e temáticas tem aqui um papel essencial. Por isso, propormos a assinatura de protocolos de cooperação com estas estruturas para a elaboração de Planos de Igualdade concelhios e federativo.

Políticas de conciliação i) a promoção de campanhas e de acções de sensibilização e informação à população; ii) o reforço da intervenção partidária na construção de políticas que contribuam para a conciliação da vida profissional e da vida pessoal e familiar, nomeadamente no apoio às crianças, à população idosa e outros dependentes, visando a igualdade no trabalho e no emprego.
Combate à violência doméstica a promoção de acções de informação e formação sobre esta temática assentes numa cultura para a cidadania e para a igualdade que difunda novos valores sociais eliminar relações de dominação e promover a igualdade de género.
Género, pobreza e exclusão social a realização de acções de informação sobre esta temática nas Secções de Residência e Secções Sectoriais e Temáticas, assim como colóquios, debates, acções de formação e outras iniciativas temáticas.

Quero construir convosco novas políticas para a promoção da Igualdade entre Mulheres e Homens, centradas na execução das medidas definidas nas orientações programáticas do Partido.
É o desafio da contemporaneidade. É o nosso objectivo: recusar o determinismo de género.
Faremos do PARTIDO SOCIALISTA o vencedor dos desafios que se aproximam.

Obrigada às mulheres socialistas.

Candidata a Presidente do Departamento Federativo da FAUL

Jesuína Ribeiro
Este dia 16 de Setembro, quinta-feira, pelas 21 horas, na Sede Nacional do PS, Largo do Rato, não faltes à apresentação da candidatura.
Conto contigo!
Nota: Para mais informações consulte a página no facebook http://www.facebook.com/pages/Candidatura-de-Jesuina-Ribeiro/140544002637235?ref=mf


De militância a 9 de Setembro de 2010 às 13:35
Vitor Bras disse...(em : http://clube-a-linha.blogspot.com/ , 2.9.2010)

Mais do que dar nome aos candidatos o que eu numa opinião muito pessoal ( como todas as outras minhas opiniões ) pode desmobilizar alguns militantes,
acho que se deve avançar a toda a força para os Grupos de trabalho que devem ir para o terreno falar com os intervenientes e com os “alvos” dos temas desses grupos. I.e.
quem fizer parte do Grupo de trabalho da Educação deve ir para o terreno falar com os professores, os alunos, as comissões de pais saber quais as suas preocupações , quais as nossas soluções, etc etc.
O mesmo para quem for tratar da exclusão social, do comercio tradicional etc etc.

O objectivo deve ser criar empatia entre os militantes e os habitantes do concelho para que no decorrer deste tempo que vai de hoje até 2013 seja criado um efeito de bola de neve para que todas as ideias do nosso partido estejam devidamente assimiladas pelos eleitores.
Deve ser criada uma enorme empatia entre os militantes e o maior nº de habitantes do concelho para que no nosso dia a dia quando vamos ao minimercado lá do bairro ao cabeleireiro, passear o cão, ou ir com os filhos ao parque infantil haja confiança para no meio de uma conversa agradável trespassar as ideias do partido para o concelho, assim como assimilar quais são as grandes procupações dos eleitores e ir ao encontro delas com soluções.

Estamos a falar de Cascais um concelho dormitório e imigrante para muitos, onde uma boa parte da população não conhece o vizinho da frente quanto mais o militante que lhe entregou o panfleto que ele jamais lerá.
Como concelho dormitório a maioria da população nem sequer conhece os problemas do seu concelho, e não podemos esperar que sejam os eleitores a ser proactivos e irem saber quais as melhores propostas que se lhes pedem para escolher, temos que ser nós a ir ter com eles.

E a indiferença será o que mais receberemos, para contrariar isso temos que trabalhar para que em 2013 o militantes do nosso partido sejam mais do que distribuidores de panfletos.
Temos que trabalhar para que cada eleitor conheça as nossas proposta que nós próprios lhas explicamos por amizade e afecto.

Aos militantes pede-se disponibilidade, voluntarismo para defenderem os nosso projeto, ideias e proactividade.
Ainda esta semana fiz chegar ao líder da concelhia um documento com ideias minhas muitas delas completamente disruptivas com o instituído, para que sejam submetidas a debate.

E considero que é isso que se pede aos militantes ideias por mais inovadoras e “no ar” que estejam que sejam submetidas a debate a fim de construirmos as escadas para as executarmos.


De Alegre a Presidente a 8 de Setembro de 2010 às 11:39
Voltar a acreditar

No dia 11, no Centro Cultural de Belém, reúne-se a tropa alegre.
Às 18:30 horas, depois da reunião dos representativos, será o tempo dos apoiantes do candidato à Presidência da República poderem partilhar com Manuel Alegre as suas ideias e propostas que terão de transformar esta corrida a Belém em algo, pelo menos, tão aliciante como foi a última campanha onde a iniciativa de cada um conseguiu suplantar as rotinas que tomaram conta das máquinas partidárias.

As candidaturas à presidência da república têm de descolar dos rótulos e dos controleiros e os estados-maiores dessas candidaturas têm de ser coordenadores (e não promotores das acções) envolvendo todos e sacudindo o imobilismo dos que, por não acreditar, querem deixar andar para ver no que dá.

Portugal não está em condição de permitir que o marasmo se arraste. Compete aos portugueses avançar com inventiva, com imaginação, com esperança e será nas acções de cidadania, independentemente e para além das das máquinas organizativas, que se espera encontrar o movimento que colocará Alegre em Belém.

Espero que quem o quiser fazer não se deixe condicionar. De falinhas mansas e de mãos pelo pêlo já estamos fartos.

Vamos a isto!

(Documentos de propositura disponíveis para download)
LNT
[0.300/2010]
Temas: Manuel Alegre, Presidenciais
------------------------------------------------
Já fui feliz aqui [ DCCLXXX ]

Alargar a cidadania - Campanha Manuel Alegre 2005/6 - Portugal
LNT -em http://barbearialnt.blogspot.com/ , 7.9.2010


De Primárias no PS Europeu a 7 de Setembro de 2010 às 13:14
Activists float idea of PES primaries
PES blog
Sat, 04/09/2010 - 10:25

In an example of using social networking to organising an activists campaign, on the 26th of July a group of PES activists, led by Desmond O’Toole (Irish Labour Party), and José Reis Santos (Portuguese Socialist Party),
launched a Campaign for a PES Primary on Facebook.

So far the Group has attracted over 1000 members and is generating significant publicity with articles in New Europe and euobserver, not to mention blog articles by Jon Worth, David Chopin and Ralf Grahn amongst others.

According to Desmond and José, the campaign’s objective is that the next PES Council, in Warsaw in December, agrees to schedule democratic primaries in every member party of the PES to select the candidate for Commission President.
This call is based on Resolution 2 from PES Congress 2009 in Prague, in which it was agreed that giving a face to a political platform is imperative in today’s politics, especially in such difficult elections as the European ones.
To tackle apathy at the European ballot box it was agreed to have a PES candidate for the European Commission Presidency.

Primaries are just one mechanism of choosing a candidate. In a paper by Dr. Ania Skrzypek, FEPS Policy Advisor, there are at least five methods suggested for selection.
One thing is clear however, the goal is a landslide victory in 2014, how that goal is reached is going to be an exciting and engaging debate.

http://www.pes.org/en/blogs/pes-blog/activists-float-idea-pes-primaries


De Zé T. a 2 de Setembro de 2010 às 13:27
(Revoluções e oportunistas)

A História também é uma estória.

Nasci em 5 de Outubro e isso é bastante para ser republicano. Mas gosto de conhecer outras versões, a dos que não estão na perspectiva dos vencedores, dos heróis ou dominantes.

Acabei de ler o “Diário dos vencidos”. É um conjunto de notícias sobre o Cinco de Outubro, visto por monárquicos.

Depois de ler o livro, e lembrando-me do 25 de Abril, encontrei nas duas revoluções denominadores comuns: os mesmos vira-casacas, os que estavam num lado e logo se passaram para o outro, os que jogaram com um pau de dois bicos, etc,. Senti-me obrigado a concluir: as revoluções são todas iguais: funcionam como os semáforos.

Nos semáforos há os que esperam, determinados e com convicção, o sinal verde; e há uma grande maioria de “carneiros” e oportunistas que passa o semáforo, quando vê os outros atravessar e logo que lhes interessa. Se há algum risco, culpam os outros; se não há atropelam os primeiros para depressa chegarem à frente, levantarem o dedo e dizerem: “já estou aqui!... Vejam bem. Vocês, estão à espera de quê?!...”

Escusam os arautos das glórias republicanas gastarem muita tinta com a epopeia republicana, maçónica e carbonária da revolução. A república vitoriou-se com o apodrecimento da monarquia e o 25 de Abril com o ruir do Estado Novo.

As revoluções são todas iguais: quem se trama é sempre quem nelas é mais generoso e as vive com mais convicção. E entre estes só ficam na memória alguns, os que já tinham muito lucrado com o passado que logo negaram. Aconteceu na primeira República e não é isso que acontece hoje?!...

A história também é uma estória, uma narrativa efabuladora.

# posted by Primo de Amarante , em 14.8.2010, http://margemesquerdatribunalivre.blogspot.com/


De Em defesa do interesse do país. a 2 de Setembro de 2010 às 12:37

Por uma república refundada

Segundo dados do Eurostat (relativos a 2008) o PIB per capita (PIB PC) português é cerca de 72% do PIB PC médio europeu (EU 27, 100%). Há cerca de dez anos atrás era de cerca de 80% da média comunitária. Considerando as actuais taxas de crescimento, a projecção para 2028 mostra que o PIB PC português será 56% da média comunitária e Portugal será o último da tabela de todos os países europeus. Ou seja, seremos o país mais pobre da comunidade, e continuaremos a divergir da média comunitária. Para convergir e atingir a média comunitária em 2028, Portugal teria de inverter a situação e crescer em média 3.86% ao ano, ou seja, passar de taxas de crescimento médias inferiores a 1% para taxas superiores a 3%.

Como conseguir este objectivo? A única forma parece ser resolver de forma decisiva e sustentável as desvantagens que nos são apontadas, e que se relacionam com a atitude dos portugueses (qualidade da formação secundária e superior, qualidade da formação científica), capacidade empreendedora das empresas e instituições (investimento privado em R&D, patentes), flexibilidade do mercado de trabalho e das leis de trabalho, tamanho do mercado interno (o espaço lusófono tem de ser aproveitado), justiça, aspectos organizativos (serviços públicos, simplificação de procedimentos), e disponibilidade de recursos humanos avançados (baixa disponibilidade de cientistas e engenheiros no mercado, o que é ainda agravado pela tendência crescente de saída dos melhores quadros para o estrangeiro – brain drain).

Apesar disto tudo, o país insiste em ser Lisboa e arredores. Concentra a sua capacidade de investimento na capital do país, com duplicação de infra-estruturas e meios, desmerecendo e desprezando o resto do país que empobrece gradualmente. O centro de Portugal tem um PIB per capita de 62% da UE, ou seja, inferior à média nacional. Aliás, só a região de Lisboa tem valores superiores à média europeia (104% da UE), apesar de estar gradualmente em queda.
...................................................
É necessário uma nova atitude. Firme. Em defesa dos interesses do país.
Chamem-lhe o que quiserem:
desafio, desobediência civil, ..., revolução.

Não tenho medo das palavras. Não tenho medo de as pronunciar.
Precisamos de refundar a nossa república, cumprir Portugal (como se prometeu na revolução de Abril), criando, de uma vez por todas, um país verdadeiramente democrático, equilibrado, solidário, exigente com a aplicação dos seus recursos, consciente dos problemas do mundo e da necessidade de definir uma estratégia nacional de desenvolvimento.
Participada pelos cidadãos. Responsável.

É muito claro que aqueles que elegemos para nos governarem só entendem estas palavras e atitudes fortes.

É evidente que o sistema político que construímos desde a revolução de 25 de Abril de 1974 não funciona:
os dados mostram que caminhamos para o abismo.
É preciso que os cidadãos se apercebam disso.
É necessário reformar, revolucionar de novo, desta vez bem.
Colocar o foco no país de Norte a Sul, apostando decisivamente num desenvolvimento equilibrado que tire partido das potencialidades de todas as regiões. Esse princípio deveria estar na constituição da nova república.

É preciso mudar, refundar a nossa república. Esta chegou ao fim, por maioria de razão.

Uso, como se fossem minhas, as palavras de Francisco Sá Carneiro: "Cabe-nos cada vez mais dinamizar as pessoas para viverem a sua liberdade própria, para executarem o seu trabalho pessoal, para agirem concretamente na abolição das desigualdades. Para isso mais importante que a doutrinação, é levar as pessoas a pensarem, a criticarem, a discernirem."

J. Norberto Pires
(Editorial da revista "Robótica", N.º 80, Agosto de 2010), em: http://dererummundi.blogspot.com/2010/09/por-uma-republica-refundada.html#comments


De Revolta silenciosa... a 2 de Setembro de 2010 às 12:41
Por uma república refundada

Daniel disse...
Caro Norberto,

Como partilho da sua opinião.
Há muito tempo que desejava ver escrito aquilo que parece que não há ninguém que seja capaz de o dizer.
Parece que vivemos resignados, com medo de algo.
Parece que por vezes esquecemo-nos quem somos, os direitos que temos, para onde desejamos caminhar.
Parece que estamos a ser empurrados para o fundo das nossas consciências de uma forma tão hostil que ninguém deseja que de lá saiamos.

A situação aqui em Portugal está a chegar a um ponto de insustentabilidade em todos os aspectos do ser humano.
Insegurança, medo, resignação.
Ao ler o seu post finalmente começo a ver que existe uma espécie de "revolta silenciosa".

Sim, silenciosa porque parece que voltamos ao tempo antes da revolução. Temos medo de represálias da nova PIDE.
Estamos a atingir um ponto de natureza social que se aproxima muito ao que se viveu no Brasil há cerca de 30 anos atrás.

Começou-se a cavar o fosso entre as classes baixa e alta. A média desaparece. A alta é uma minoria.
A baixa aumenta tão rapidamente que, sem emprego nem meio de subsistência, as "pobres" aglomeram-se e são empurrados para os cantos das cidades.

Começa a haver fome. Começa a violência gratuita. As pessoa matam para comer... Apesar de estarmos ainda um pouco longe deste cenário, é para lá que caminhamos.
Independentemente disso, o que aqui pergunto é:

como podemos efectivamente fazer valer os nossos direitos quando estamos a ser constantemente repreendidos, mesmo que tenhamos toda a razão?

Mesmo que as pessoas se unam em torno de uma causa, acho que já é tarde... já não possuímos mecanismos sociais para lutar contra a cada vez mais corrupta sociedade política internacional...

infelizmente começo a resignar-me que somos meros peões, jogados ao acaso, neste tabuleiro sem xadrez...


De . a 2 de Setembro de 2010 às 10:50
Rentrée do PS

Dia 4 Setembro próximo, marca a rentrée nacional do PS em Matosinhos, pela primeira vez na história.

Trata-se de um momento de confraternização dos Socialistas provenientes de todo o País.

Não pode ser pretexto para afirmação de protagonismos pessoais em lutas que se avizinham, nem servir para apelos a pretensas uniões, que no fundo querem apenas tolher a diversidade e pluralidade do PS.
...
(http://cadsf.blogspot.com/ , 31 Agosto 2010)


De Manuel M. Oliveira a 1 de Setembro de 2010 às 12:26
Faço minhas as palavras do camarada Rui Namorado:
https://www.blogger.com/comment.g?blogID=300938025218575170&postID=4017386921806533168

“1. Os pregadores da virtude que transformam as diferenças políticas em insultos não são por certo eles próprios mais do que exemplos de primarismo e de completa ineficácia política e desqualificação ética.
2. Estando eu dentro da Esquerda Socialista , tal como muitos outros dos seus membros, estamos cientes das nossas limitações. Entre elas não se conta uma qualquer moderação nossa que fosse conseguida pela direcção do PS através de qualquer "compra".
3. Quem disser o contrário deve concretizar e provar o que diz.
Pela minha parte, faço parte do enorme contingente de cidadãos que andam na política como quem combate e não como rafeiros esfaimados á procura de migalhas.
Quem lançou esse lama indiscriminada para o ar estava decerto a ver-se ao espelho.”

e informo que para fazer inscrição na CO Esquerda Socialista basta clicar
http://www.esquerda-socialista.org/?page_id=13


De Xa2 a 1 de Setembro de 2010 às 13:05
Boa resposta de RN;
grato a MMO pelo esclarecimento e informação.


De outro militante a 1 de Setembro de 2010 às 12:22
é isso mesmo:
é prioritário REQUALIFICAR (dar Qualidade, não é 'renovar'/'modernizar', 'marketizar', 'empresariar'...) a Política e os partidos, os deputados, dirigentes e quadros partidários, os militantes de base, os cidadãos, ...

mas isso não vai lá com ''universidades de verão'' nem com ''novas oportunidades''.... isso é palhaçada para entreter/enganar a arraia miúda e manter tudo na mesma e esconder a porcaria debaixo do tapete.


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