Segunda-feira, 30 de Agosto de 2010

Eleições no PS de Coimbra


Aproxima-se mais um momento de escolha na Federação de Coimbra do PS. Os dois candidatos que disputam a respectiva liderança, Mário Ruivo e Vítor Baptista, são os mesmos que se enfrentaram vai para dois anos, numa pugna que o segundo venceu.

Há dois anos, tomei posição pública contra as duas candidaturas, nenhuma das quais, a meus olhos, projectava, no que era então visto como futuro, uma mudança substancial de rumo. Nem uma mudança de rumo, nem uma verdadeira renovação do partido. O número de votantes em ambas as candidaturas equiparou-se ao dos militantes que não votaram em nenhuma delas. Assim, mesmo em conjunto, não motivaram uma grande parte dos socialistas de Coimbra.

Nos dois anos decorridos, quer no plano nacional, quer no plano distrital, a vida do PS continuou, no essencial, a repetir aquilo que tinha vindo a ser. Os partidos integrados no Partido Socialista Europeu e na Internacional Socialista mantiveram-se perigosamente estagnados, tendo escandalosamente desaproveitado a dramaticidade e a gravidade da crise do capitalismo, que entretanto se desencadeou, como factores impulsionadores de uma renovação e intensificação do seu protagonismo. Na Europa, nenhuma outra parte da esquerda se mostrou capaz de substituir o PSE como pólo institucional, com virtualidades de alternativa à direita dominante; e não se abriu a porta a uma cooperação consistente e sistemática do PSE com as outras esquerdas, sem prejuízo de uma ou outra tímida excepção. Em Portugal, a conflitualidade entre o PS e as outras esquerdas acentuou-se.

Entretanto, em 2009, o PS perdeu as eleições europeias, ganhou politicamente as autárquicas e triunfou nas legislativas, embora perdendo a maioria absoluta que antes detinha. O governo socialista é agora minoritário. Aproximam-se as eleições presidenciais, sendo Manuel Alegre o candidato que o PS apoia. O actual Presidente da República será um candidato muito forte, mas para o PS uma vitória de Manuel Alegre revela-se, cada vez mais, como decisiva.

Compreende-se, neste contexto, que aquilo que é verdadeiramente determinante, nos próximos tempos, para a vida dos portugueses e para as esperanças dos socialistas, sejam os acontecimentos nacionais e o que vier a ocorrer no seio do PS como um todo. Nessa medida, a linha e a força política da nossa Federação distrital, não sendo factores irrelevantes, não serão decisivos. A conjuntura é, por isso, mais difícil e mais dramática do que aquela com que nos deparávamos há dois anos.

E tal como há dois anos, continuo sem me identificar politicamente, no seu todo, com qualquer das duas candidaturas, nenhuma das quais soube construir uma identidade política própria que a distinguisse substancialmente da outra. Portanto, continuo também a não apoiar qualquer delas. Mas, ao contrário do que ocorreu há dois anos, deixei de me afirmar politicamente contra as duas. Assim, no momento em que não sei qual delas irá vencer, afirmo a minha disponibilidade para vir a cooperar com os órgãos que legitimamente vierem a ser escolhidos, em tudo aquilo que, não contrariando a minha consciência, possa vir a ser considerado por eles como útil. A isso me leva o agravamento das dificuldades políticas enfrentadas pelo PS, que acima descrevi, nos seus traços gerais.

Isto, sublinho, é o essencial, mas não quero deixar de reconhecer que a actual liderança da Federação de Coimbra, neste último mandato, se revelou mais aberta e mais eficaz do que nos anteriores. Paralelamente, também reconheço que a candidatura que contra ela se apresenta, tendo tido o mérito de subsistir minimamente agregada durante os últimos dois anos, tem também menos marcado no seu código genético o modo como, na sua origem, se afirmou em concorrência desleal com uma outra iniciativa política de alternativa que, também por isso, se viria a frustrar.

Todo o PS ganharia se a campanha se centrasse no debate de ideias, de propostas políticas e de rumos de abertura para a renovação do partido. E talvez assim metade dos militantes não ficasse em casa, indiferente ao que parece ser pouco mais do que um digladiar de “tribos” políticas, tecidas mais por fidelidades e cumplicidades pessoais do que pelo cimento saudável da partilha de ideias e de propostas estruturantes.
 
 
Não posso, entretanto, deixar de lamentar que protagonismos pessoais, oriundos das instâncias burocráticas centrais do PS, ao afirmarem-se com inabilidade, tenham projectado uma imagem de imiscuição tosca na pugna distrital, em vez de se revelarem com a altura, com a imparcialidade e a distância que se esperariam das instâncias administrativas centrais do Partido.

Na moção de orientação política geral que subscrevi no Congresso Nacional do PS de 2009, Mudar para Mudar, com base na qual se viria a constituir dentro do PS a corrente de opinião Esquerda Socialista, diz-se: “Os militantes não são meras peças para aplaudir e ajudar a ganhar eleições. Têm de ser actores fundamen­tais da génese e do devir partidário. E, tema prioritário, o PS não são só os militantes. São, também, os apoiantes e os eleitores, cuja intervenção tem de ser integrada na vida partidária activa (concretizando, assim, as disposições esta­tutárias). É necessário e urgente aprofundar a democracia interna do PS, abrir o partido à sociedade e modernizar as suas estruturas, práticas e imagem”.

E, para isso, propunham-se várias medidas, entre as quais destaco algumas, por que me bato, em conjunto com muitos outros camaradas, há uma boa dezena de anos:

1.Eleições Primárias para a designação dos candida­tos do Partido aos actos eleitorais, sendo o seu uni­verso eleitoral constituído por militantes, apoiantes e eleitores declarados, previamente recenseados;
2. Instituição de regras e meios de transparência nas eleições internas, que assegurem condições de de­mocraticidade efectivas, com igualdade para todos os candidatos e pesadas sanções disciplinares para as irregularidades processuais, as pressões e expedien­tes ilegítimos;
3. Obrigatoriedade da declaração de interesses dos dirigentes partidários (idêntica à que é exigida aos titulares de órgãos de soberania e altos cargos polí­ticos) com registo à guarda e controlo da Comissão Nacional de Jurisdição.”

Se as duas candidaturas chegassem a acordo, pelo menos nestes três pontos, pondo desde já em prática a segunda medida, estariam a dar um significativo impulso para uma verdadeira requalificação do PS em Coimbra e um precioso impulso para a renovação do PS , no seu conjunto.

 



Publicado por Xa2 às 14:50 | link do post | comentar

23 comentários:
De . a 30 de Agosto de 2010 às 15:14
Caro Rui Namorado, a sua análise às eleições para a concelhia de Coimbra é muito similar à que muitos militantes fazem das eleições internas do PS:

-Candidatos que não tem vontade de mudar o PS,
um discurso e ideias muito vago de modo a não suscitar debate e clarificação de posições (porque pode implicar perda de apoio e votos).
Mário Soares já referiu repetidamente que falta vida e sentido critico ao PS, e quem mais é prejudicado com isso é governo e a direcção do PS, que perdem assim um partido que podia ser uma consciência critica, fonte de ideias e exigência para os seus representantes e lideranças.

O PS tem de mudar para ser mais relevante e útil à sociedade.
Apoio totalmente as ideias que apresentou. Convido-o a conhecer também o iniciativa que lancei em Janeiro deste ano: http://www.facebook.com/group.php?gid=246936858817
Um abraço
João Nogueira dos Santos
Militante do PS desde Janeiro 2010

29 de Agosto de 2010 22:35
Anónimo disse...

Também concordo genericamente com R.N. (mas considero que o direito de voto e de representação/eleição deve ser exclusivo de militantes),
mas o que se passa no PS Coimbra é comum a outras federações e concelhias, ...
todo o Partido sofre do mesmo.

Precisamos de:
. Primárias internas para escolha de candidatos;
. mais transparência e simplicidade nos processos eleitorais;
. mais debate de ideias/propostas concretas (mesmo que poucas); e
. menos discursos/moções 'redondos e balofos' que servem para tudo e NADA.


De Zé T. a 30 de Agosto de 2010 às 15:46
O Partido precisa de se ReQUALIFICAR, com:

. PRIMÁRIAS internas para escolha de candidatos (tanto a deputados à AR como ao PE, Ass.Municipais, Freguesias, ... a representantes em Congressos e a líderes ...);
. mais transparência e simplicidade nos processos eleitorais;

. mais debate de ideias/propostas concretas (mesmo que poucas);
. menos discursos/moções 'redondos e balofos' que servem para tudo e NADA;

. mais referendos internos (+ Democracia directa);
. MELHOR comunicação (nos 2 sentidos);

. melhor uso das TIC (NÃO é ABUSO / massificação de meios NÃO: jornal, carta, telefone, e-mail, página Net, newsletter, blog, facebook, tuitter, ...)- nacional, da federação, da concelhia... de candidatos a presidentes ou a secretários, de militantes... ;

. implementação das CiberSecções;
. MENOS estruturas e para-estruturas (des-)organizativas e 'mandantes'
(: níveis: nacional, federativo, concelhio, secções residência, secções temático-laborais, departamento de mulheres, juventude, ...fundações, gabinete de Estudos, gabinete de comunicação..., gab. apoio a..., de ideias, ...de... )


De Poderes arbitrários a 30 de Agosto de 2010 às 16:50
Cá pela capital, do país, as maleitas são as mesmas e mesmo com duas candidaturas quem irá, de certo, ganhar é a abstenção, como já vem sendo habitual .

Nenhum dos candidatos e das respectivas candidaturas aportam qualquer, significativa, proposta de mudança.

As hipóteses que "Rui Namorado" coloca vêm sendo levantadas por muitos de nós, mas, convenhamos, são meras utopias . Então as/os donas/os do aparelho iriam lá querer abrir mão dos seus poderes arbitrários ?


De Transparência e Revolução interna. a 1 de Setembro de 2010 às 12:41
é verdade que os/as 'donos e prima-donas' controladores do aparelho e tachos... não querem 'abrir a mão'... mas também é verdade que a UTOPIA só o é enquanto não for levada à PRÁTICA, tal como em todas as Revoluções...

as estruturas/dirigentes partidários podem ser FORÇADOS a tal revolução interna ... seja através de correntes de opinião, secções, ciberseções, moções sectoriais nos congressos, blogues, jornais, ... manifestações !!

ou mesmo através da criação de organizações REBELDES (para-oficiais, sem o controlo dos ''secretariados oficiais'' do partido, com militantes e simpatizantes ligados em rede, pela internet, e-mails, SMS, ... - e listas de contactos não são difíceis de arranjar...)


De Anonimo a 30 de Agosto de 2010 às 22:21
As entradas para a Esquerda Socialista pararam ou foram bloqueadas?


De DD a 30 de Agosto de 2010 às 22:35
O homem só se identifica com a sua própria candidatura.
A esquerda socialista morreu porque foi comprada. O Pinto de Sousa matou o movimento com uns tachos porreiros para algumas das principais cabeças do movimento.


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 31 de Agosto de 2010 às 10:04
Se se deixaram comprar por uns tachos porreiros, também não eram verdadeiramente uma alternativa ao que quer que fosse. Quando muito eram alternância, ou seja, mais do mesmo.
E de esquerda, seja lá o que isso hoje ainda quer dizer, só tinham o nome.
Mas ó DD vossemecê diz que no PS as pessoas se compram? E logo pelo se amado líder?
Ainda um dia o apanho a fumar...


De Esquerda Socialista a 31 de Agosto de 2010 às 10:29
Desculpem lá ...
mas na Esquerda Socialista (como noutras facções/correntes de opinião) há bons e maus exemplos/ práticas/ aproveitamentos...
mas não são todos nem creio que seja a maioria neste ramo do PS
(e RN muito menos; e quanto a RN ''só se identificar com a sua própria candidatura'' também discordo: ele apoiou outros; mas não gosta de ser manipulado nem deixa de pensar pela própria cabeça...).

Não contesto o que DD afirma (creio que nesse aspecto ele conhece bem muitos 'cabeças'...), até porque a prática dos 'estabelecidos' tentarem controlar movimentos/opositores através da compra de alguns cabecilhas/ vendáveis / infiltrados... já é antiga.

Quanto à inscrição/apoio à corrente Esquerda Socialista creio que continua aberta (na dúvida, pesquisar na net ou contactar Rui Namorado, por exemplo através de comentário no seu blog: o grande zoo )


De militante, às vezes a 31 de Agosto de 2010 às 10:56
Amanhã, 1 Setembro às 21:30, o candidato à FAUL Marcos Perestrelo vai à secção do Lumiar.

Querem lá ir ? ou acham que não vale a pena...

Sim já sabemos que de debate vai ser quase zero, que não terá adversários, que serão mais os acompanhantes e 'pavões' que os militantes pensantes da secção, ...

mas, mesmo assim, ...


De anónimo a 2 de Setembro de 2010 às 10:29
O ''miilitante às vezes'' acertou.

Do programa do candidato (M.Perestrello), de concreto, salienta-se a proposta de um plenário trimestral de militantes em cada concelhia...

O resto foram 'tretas' (que o outro candidato, J.Raposo, provalmente também repete...):

... a situação política actual e em 2013 ... blá, blá...
... o PS é o maior e no passado ...blá, blá...
... a FederaçãoAUL, a Área Metropolitana de Lisboa, a capital, a mais ... blá, blá...

...o q. queremos para a FAUL e para a AML ?...
...deverá ter maior (proeminência e poderes reforçados), discutir problemas, orçamento e coordenar no planeamento transportes equipamentos da região...

... e não servir apenas para indicar 4 deputados...
... ''projecto político comum''... conquistar a ''nossa base social de apoio'' e chamar de volta os militantes... dinamizar... apoiar concelhias, secções e autarcas...
...

Das intervenções dos presentes destacam-se:
... eu apoio-o... é o único... o nosso presidente... o dr. M.P., .... sempre achei... as qualidades... o perfil... já ganhou... peço desculpa por chegar atrasado e não o ter ouvido mas apoio e subscrevo as palavras ...
...


De Socialista a 3 de Setembro de 2010 às 10:53

- E não haverá um/a 3º candidato/a à presidência da FAUL ?!
- Nem um DEBATEzinho entre os 2 (ou +) candidatos ?

É que sendo assim... apenas isto... não motiva sequer a ir votar, a ir às secções, a continuar a ser do PS ...


De outro militante a 1 de Setembro de 2010 às 12:22
é isso mesmo:
é prioritário REQUALIFICAR (dar Qualidade, não é 'renovar'/'modernizar', 'marketizar', 'empresariar'...) a Política e os partidos, os deputados, dirigentes e quadros partidários, os militantes de base, os cidadãos, ...

mas isso não vai lá com ''universidades de verão'' nem com ''novas oportunidades''.... isso é palhaçada para entreter/enganar a arraia miúda e manter tudo na mesma e esconder a porcaria debaixo do tapete.


De Manuel M. Oliveira a 1 de Setembro de 2010 às 12:26
Faço minhas as palavras do camarada Rui Namorado:
https://www.blogger.com/comment.g?blogID=300938025218575170&postID=4017386921806533168

“1. Os pregadores da virtude que transformam as diferenças políticas em insultos não são por certo eles próprios mais do que exemplos de primarismo e de completa ineficácia política e desqualificação ética.
2. Estando eu dentro da Esquerda Socialista , tal como muitos outros dos seus membros, estamos cientes das nossas limitações. Entre elas não se conta uma qualquer moderação nossa que fosse conseguida pela direcção do PS através de qualquer "compra".
3. Quem disser o contrário deve concretizar e provar o que diz.
Pela minha parte, faço parte do enorme contingente de cidadãos que andam na política como quem combate e não como rafeiros esfaimados á procura de migalhas.
Quem lançou esse lama indiscriminada para o ar estava decerto a ver-se ao espelho.”

e informo que para fazer inscrição na CO Esquerda Socialista basta clicar
http://www.esquerda-socialista.org/?page_id=13


De Xa2 a 1 de Setembro de 2010 às 13:05
Boa resposta de RN;
grato a MMO pelo esclarecimento e informação.


De . a 2 de Setembro de 2010 às 10:50
Rentrée do PS

Dia 4 Setembro próximo, marca a rentrée nacional do PS em Matosinhos, pela primeira vez na história.

Trata-se de um momento de confraternização dos Socialistas provenientes de todo o País.

Não pode ser pretexto para afirmação de protagonismos pessoais em lutas que se avizinham, nem servir para apelos a pretensas uniões, que no fundo querem apenas tolher a diversidade e pluralidade do PS.
...
(http://cadsf.blogspot.com/ , 31 Agosto 2010)


De Em defesa do interesse do país. a 2 de Setembro de 2010 às 12:37

Por uma república refundada

Segundo dados do Eurostat (relativos a 2008) o PIB per capita (PIB PC) português é cerca de 72% do PIB PC médio europeu (EU 27, 100%). Há cerca de dez anos atrás era de cerca de 80% da média comunitária. Considerando as actuais taxas de crescimento, a projecção para 2028 mostra que o PIB PC português será 56% da média comunitária e Portugal será o último da tabela de todos os países europeus. Ou seja, seremos o país mais pobre da comunidade, e continuaremos a divergir da média comunitária. Para convergir e atingir a média comunitária em 2028, Portugal teria de inverter a situação e crescer em média 3.86% ao ano, ou seja, passar de taxas de crescimento médias inferiores a 1% para taxas superiores a 3%.

Como conseguir este objectivo? A única forma parece ser resolver de forma decisiva e sustentável as desvantagens que nos são apontadas, e que se relacionam com a atitude dos portugueses (qualidade da formação secundária e superior, qualidade da formação científica), capacidade empreendedora das empresas e instituições (investimento privado em R&D, patentes), flexibilidade do mercado de trabalho e das leis de trabalho, tamanho do mercado interno (o espaço lusófono tem de ser aproveitado), justiça, aspectos organizativos (serviços públicos, simplificação de procedimentos), e disponibilidade de recursos humanos avançados (baixa disponibilidade de cientistas e engenheiros no mercado, o que é ainda agravado pela tendência crescente de saída dos melhores quadros para o estrangeiro – brain drain).

Apesar disto tudo, o país insiste em ser Lisboa e arredores. Concentra a sua capacidade de investimento na capital do país, com duplicação de infra-estruturas e meios, desmerecendo e desprezando o resto do país que empobrece gradualmente. O centro de Portugal tem um PIB per capita de 62% da UE, ou seja, inferior à média nacional. Aliás, só a região de Lisboa tem valores superiores à média europeia (104% da UE), apesar de estar gradualmente em queda.
...................................................
É necessário uma nova atitude. Firme. Em defesa dos interesses do país.
Chamem-lhe o que quiserem:
desafio, desobediência civil, ..., revolução.

Não tenho medo das palavras. Não tenho medo de as pronunciar.
Precisamos de refundar a nossa república, cumprir Portugal (como se prometeu na revolução de Abril), criando, de uma vez por todas, um país verdadeiramente democrático, equilibrado, solidário, exigente com a aplicação dos seus recursos, consciente dos problemas do mundo e da necessidade de definir uma estratégia nacional de desenvolvimento.
Participada pelos cidadãos. Responsável.

É muito claro que aqueles que elegemos para nos governarem só entendem estas palavras e atitudes fortes.

É evidente que o sistema político que construímos desde a revolução de 25 de Abril de 1974 não funciona:
os dados mostram que caminhamos para o abismo.
É preciso que os cidadãos se apercebam disso.
É necessário reformar, revolucionar de novo, desta vez bem.
Colocar o foco no país de Norte a Sul, apostando decisivamente num desenvolvimento equilibrado que tire partido das potencialidades de todas as regiões. Esse princípio deveria estar na constituição da nova república.

É preciso mudar, refundar a nossa república. Esta chegou ao fim, por maioria de razão.

Uso, como se fossem minhas, as palavras de Francisco Sá Carneiro: "Cabe-nos cada vez mais dinamizar as pessoas para viverem a sua liberdade própria, para executarem o seu trabalho pessoal, para agirem concretamente na abolição das desigualdades. Para isso mais importante que a doutrinação, é levar as pessoas a pensarem, a criticarem, a discernirem."

J. Norberto Pires
(Editorial da revista "Robótica", N.º 80, Agosto de 2010), em: http://dererummundi.blogspot.com/2010/09/por-uma-republica-refundada.html#comments


De Revolta silenciosa... a 2 de Setembro de 2010 às 12:41
Por uma república refundada

Daniel disse...
Caro Norberto,

Como partilho da sua opinião.
Há muito tempo que desejava ver escrito aquilo que parece que não há ninguém que seja capaz de o dizer.
Parece que vivemos resignados, com medo de algo.
Parece que por vezes esquecemo-nos quem somos, os direitos que temos, para onde desejamos caminhar.
Parece que estamos a ser empurrados para o fundo das nossas consciências de uma forma tão hostil que ninguém deseja que de lá saiamos.

A situação aqui em Portugal está a chegar a um ponto de insustentabilidade em todos os aspectos do ser humano.
Insegurança, medo, resignação.
Ao ler o seu post finalmente começo a ver que existe uma espécie de "revolta silenciosa".

Sim, silenciosa porque parece que voltamos ao tempo antes da revolução. Temos medo de represálias da nova PIDE.
Estamos a atingir um ponto de natureza social que se aproxima muito ao que se viveu no Brasil há cerca de 30 anos atrás.

Começou-se a cavar o fosso entre as classes baixa e alta. A média desaparece. A alta é uma minoria.
A baixa aumenta tão rapidamente que, sem emprego nem meio de subsistência, as "pobres" aglomeram-se e são empurrados para os cantos das cidades.

Começa a haver fome. Começa a violência gratuita. As pessoa matam para comer... Apesar de estarmos ainda um pouco longe deste cenário, é para lá que caminhamos.
Independentemente disso, o que aqui pergunto é:

como podemos efectivamente fazer valer os nossos direitos quando estamos a ser constantemente repreendidos, mesmo que tenhamos toda a razão?

Mesmo que as pessoas se unam em torno de uma causa, acho que já é tarde... já não possuímos mecanismos sociais para lutar contra a cada vez mais corrupta sociedade política internacional...

infelizmente começo a resignar-me que somos meros peões, jogados ao acaso, neste tabuleiro sem xadrez...


De Zé T. a 2 de Setembro de 2010 às 13:27
(Revoluções e oportunistas)

A História também é uma estória.

Nasci em 5 de Outubro e isso é bastante para ser republicano. Mas gosto de conhecer outras versões, a dos que não estão na perspectiva dos vencedores, dos heróis ou dominantes.

Acabei de ler o “Diário dos vencidos”. É um conjunto de notícias sobre o Cinco de Outubro, visto por monárquicos.

Depois de ler o livro, e lembrando-me do 25 de Abril, encontrei nas duas revoluções denominadores comuns: os mesmos vira-casacas, os que estavam num lado e logo se passaram para o outro, os que jogaram com um pau de dois bicos, etc,. Senti-me obrigado a concluir: as revoluções são todas iguais: funcionam como os semáforos.

Nos semáforos há os que esperam, determinados e com convicção, o sinal verde; e há uma grande maioria de “carneiros” e oportunistas que passa o semáforo, quando vê os outros atravessar e logo que lhes interessa. Se há algum risco, culpam os outros; se não há atropelam os primeiros para depressa chegarem à frente, levantarem o dedo e dizerem: “já estou aqui!... Vejam bem. Vocês, estão à espera de quê?!...”

Escusam os arautos das glórias republicanas gastarem muita tinta com a epopeia republicana, maçónica e carbonária da revolução. A república vitoriou-se com o apodrecimento da monarquia e o 25 de Abril com o ruir do Estado Novo.

As revoluções são todas iguais: quem se trama é sempre quem nelas é mais generoso e as vive com mais convicção. E entre estes só ficam na memória alguns, os que já tinham muito lucrado com o passado que logo negaram. Aconteceu na primeira República e não é isso que acontece hoje?!...

A história também é uma estória, uma narrativa efabuladora.

# posted by Primo de Amarante , em 14.8.2010, http://margemesquerdatribunalivre.blogspot.com/


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