De Zé T. a 2 de Setembro de 2010 às 13:27
(Revoluções e oportunistas)

A História também é uma estória.

Nasci em 5 de Outubro e isso é bastante para ser republicano. Mas gosto de conhecer outras versões, a dos que não estão na perspectiva dos vencedores, dos heróis ou dominantes.

Acabei de ler o “Diário dos vencidos”. É um conjunto de notícias sobre o Cinco de Outubro, visto por monárquicos.

Depois de ler o livro, e lembrando-me do 25 de Abril, encontrei nas duas revoluções denominadores comuns: os mesmos vira-casacas, os que estavam num lado e logo se passaram para o outro, os que jogaram com um pau de dois bicos, etc,. Senti-me obrigado a concluir: as revoluções são todas iguais: funcionam como os semáforos.

Nos semáforos há os que esperam, determinados e com convicção, o sinal verde; e há uma grande maioria de “carneiros” e oportunistas que passa o semáforo, quando vê os outros atravessar e logo que lhes interessa. Se há algum risco, culpam os outros; se não há atropelam os primeiros para depressa chegarem à frente, levantarem o dedo e dizerem: “já estou aqui!... Vejam bem. Vocês, estão à espera de quê?!...”

Escusam os arautos das glórias republicanas gastarem muita tinta com a epopeia republicana, maçónica e carbonária da revolução. A república vitoriou-se com o apodrecimento da monarquia e o 25 de Abril com o ruir do Estado Novo.

As revoluções são todas iguais: quem se trama é sempre quem nelas é mais generoso e as vive com mais convicção. E entre estes só ficam na memória alguns, os que já tinham muito lucrado com o passado que logo negaram. Aconteceu na primeira República e não é isso que acontece hoje?!...

A história também é uma estória, uma narrativa efabuladora.

# posted by Primo de Amarante , em 14.8.2010, http://margemesquerdatribunalivre.blogspot.com/


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