O Partido Comunista, em conjunto com o Conselho Português para a Paz e Cooperação, pretende organizar importantes acções de rua e manifestações contra a NATO a propósito da cimeira da organização que terá lugar em Portugal próximo do fim do ano.
O pretexto é que a NATO é uma organização belicosa que quer fazer guerras aqui e acolá.
Na verdade, compreende-se que o PCP tenha cada vez mais um problema com a NATO, já que um vasto conjunto de países ex-comunistas com mais 100 milhões de habitantes aderiu à organização. São a Polónia, Roménia, Bulgária, Hungria, República Checa, Eslováquia, Albânia, Lituânia, Estónia e Letónia e não foram conquistados por forças da NATO. Simplesmente, os seus governos aderiram à NATO que hoje conta com 28 membros com mais de mil milhões de habitantes e enquanto nações democráticas e povos merecem todo o respeito, tal como merecem os antigos e ainda actuais membros da NATO como a Espanha, França, Alemanha, Itália, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Noruega, Grécia, Turquia, Chipre, Malta, Reino Unido, Irlanda, EUA, Canadá, etc.
Além disso, são parceiros e observadores da NATO um número ainda maior que inclui a própria Federação Russa e praticamente todos os países da antiga URSS. Também há organizações regionais como a do Golfo com a Arábia Saudita, Bahrein, Emiratos Árabes, etc. e Japão, Coreia do Sul, Nova Zelândia, Austrália, etc. que também estão institucionalmente ligados à NATO.
O Partido Comunista sabe que a NATO é uma parte importante do Mundo e, como tal, deixou de ser o clube dos aliados fieis e obedientes dos EUA. Por isso, nunca seriam capazes de chegar a qualquer acordo para agredir seja que nação for.
Os EUA responderam ao 11 de Setembro, conquistando o Afeganistão e depois, na base de uma mentira brutal, fizeram o mesmo ao Iraque, estando hoje desejosos de saírem da embrulhada em que se meteram com alguns dos seus aliados. Muitos dos quais como Portugal mandaram uns homens para mostrar a bandeira sem fazer a mal a alguém, tão poucos foram.
Mas, o PCP quer aproveitar a ocasião para colar uma imagem belicista ao Governo de Sócrates, só porque a NATO se reúne em Lisboa, sabendo perfeitamente que Sócrates é amigo de pessoas que não se dão nada bem com os EUA e os seus principais aliados. Cito em particular o Khadafi da Líbia que vai ser em breve visitado pelo Sócrates, o presidente Hugo Chávez da Venezuela, o presidente da Argélia e a autoridade palestiniana a quem um governo PS até ofereceu um estádio de futebol e tem ajudado no âmbito das ajudas da União Europeia. Em política externa, Sócrates mostrou-se bastante progressista e independente e nunca alimentou qualquer litígio contra outra nação, conseguindo as melhores relações possíveis com Angola, Moçambique, Cabo Verde, S. Tomé e Guiné.
No fundo, para o PCP trata-se de criar uma mistificação, enganar os portugueses para dar a impressão que o governo português é mais reaccionariamente pró-EUA que os governos dos restantes 27 países da NATO mais os tais parceiros observadores com a Federação Russa à cabeça ou que a NATO é uma organização singular dos EUA com alguns poucos países reaccionários à sua volta quando é na verdade toda a Europa e parte importante do Mundo.
A NATO é uma aliança defensiva que tem nos seus estatutos a cláusula mais importante que uma agressão a um dos seus membros corresponde a uma agressão a todos. Apesar de não constar nada sobre agressões entre países membros da NATO, a verdade é que da inimizade Turco-Grega não surgiu qualquer guerra, apesar da Turquia reivindicar as ilhas gregas que estão perto da sua costa e que foram sempre habitadas por gregos com excepção de alguns rochedos sem habitantes.
A NATO evitou e evita uma guerra na Europa e se não existisse estavam as nações europeias outra vez na dança das alianças de uns contra outros pelas mais diversas razões. Houve o desmembramento da Jugoslávia porque a Sérvia não respeitou o legado federal de Tito e qui, a dada altura, apoderar-se daquilo que deveria ter ficado como regiões federais relativamente autónomas que elegeriam rotativamente um presidente. O Kosovo era perfeitamente autónomo nos tempos de Tito. Após a sua morte, os sérvios apoderaram-se da administração do território, relegando os kosovares para a condição de servos dos sérvios. Na Bósnia, os sérvios cometeram enormes atrocidades contra os bósnios muçulmanos e só não os mataram a todos porque a NATO não deixou.
A NATO proibiu holocaustos e limpezas étnicas na Europa, pelo que qualquer governo que se meta por esse caminho encontrará pela frente poderosas forças armadas que o impedirão de levar a cabo grandes crimes contra a humanidade e assim continuará a ser cada vez mais um instrumento de Paz do que de guerra. Basta ver como diminuiram os efectivos militares dos países da NATO, nomeadamente no mais populoso e industrial de todos, a Alemanha, hoje com um exército de 150 mil homens apenas.
Na Europa, nos últimos séculos, os vencedores das guerras foram sempre os chamados "aliados". As guerras deram-se por essas grandes alianças não estarem constituídas antes de qualquer conflito bélico. Se tivesse havido uma ampla aliança tipo NATO em 1939, Hitler não teria atacado a Polónia e conquistado a França e outros países da Europa com os milhões de litros de petróleo e gasolina de aviação fornecidos antes de 1939 pelos EUA e depois não teria atacado a União Soviético com as milhões de toneladas de petróleo que Estaline lhe vendeu quando vigorava o Pacto Alemanha Nazi-URSS.
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