Verificar outra possibilidade... às vezes há uma escolha ao lado ...

Ouça um bom conselho...

Transcrição de parte do artigo de Maria João Guimarães e Nicolau Ferreira publicado na revista "Pública" de domingo passado sobre receber e dar conselhos:  Escolher o terceiro caminho.
"A única frase que o físico e professor catedrático da Universidade de Coimbra Carlos Fiolhais considera aproximar-se de um conselho que procura seguir leu-a num livro e é em si mesmo um anticonselho. "Entre dois caminhos, escolhe sempre o terceiro", lembra Carlos Fiolhais à Pública. "Na área dos negócios, é o pensar 'out of the box' ", acrescentou. É uma ideia que sugere utilizar a nossa criatividade para olhar para o mundo fora das fronteiras que alguém estabeleceu por nós. "Somos confrontados com problemas que parecem ser binários, e às vezes há uma escolha ao lado que é a resposta."

Fiolhais conta que se lembra de ler a frase num livro, quando era adolescente. Era um conselho dado pelas mães judias aos seus filhos. O físico associa esta frase à história dos judeus, quando durante a II Guerra Mundial as escolhas eram entre lutar e entregar-se aos alemães - e nas duas situações o destino seria trágico. A terceira opção poderia ser fugir.

Na realidade científica, o terceiro caminho é muito utilizado e pode ser de ouro. "Niels Bohr, prémio Nobel da Física, um dos mais importantes físicos do mundo, talvez tão importante como Einstein, aconselhava sempre os seus alunos a pensar ao lado. O génio é isso, é ir para o caminho que não nos é dado." O físico de Coimbra conta que faz no seu trabalho científico este esforço permanente de "pensar ao lado", de verificar sempre a possibilidade contrária do caminho A ou do caminho B. Bohr dizia que  "o oposto de uma verdade absoluta pode bem ser outra verdade absoluta." Fiolhais pergunta: "O oposto de A ou B não será também algo viável?"

Carlos Fiolhais explica que mesmo na sua vida particular este conselho já o ajudou: "Todos temos problemas, e pensamos que a solução ou é uma coisa ou é outra..."
Fica de pé atrás quando se fala em conselhos tradicionais. "São vias de obediência, às vezes de uma forma amigável e paternalista, mas são autoritários", diz. "O livro 'O Segredo' [de Rhonda Byrne] é um manual de conselhos, é puro lixo intelectual. Desconfio sempre de conselhos."

O físico prefere servir-se de referências, de pessoas como os seus pais ou alguns professores que se tornaram exemplos. "Mais do que ouvir palavras de orientação, o importante é olhar para a vida das pessoas", defende. Continuando na senda de mostrar que uma verdade e o seu contrário podem ser compatíveis, conclui: "Tenho 54 anos, já tenho idade para não dar conselhos." "
-Posted by De Rerum Natura at 2010.09.07

 



Publicado por Xa2 às 00:07 de 08.09.10 | link do post | comentar |

2 comentários:
De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 9 de Setembro de 2010 às 12:13
Sempre ouvi dizer que "se os concelhos valessem alguma coisa", não eram "dados" eram "vendidos".


De Zé T. a 13 de Setembro de 2010 às 10:45
Concordo que os concelhos (municípios) (ou muitos dos seus autarcas) estão mais que vendidos, dados e empenhados ...

Os conselhos podem ser bons, maus, 'naíves', amigos, maliciosos, ... de borla, ou pagos (passando a ser actos de 'consulta' ou 'consultoria'), - independentemente do seu valor ser melhor, igual ou pior que os gratuitos...

Para decidir bem, o mais importante talvez seja uma boa combinação de discernimento (princípios, conhecimento e capacidade de análise) do decisor e de informação (o mais isenta e completa possível).

Quanto ao 'post' acho-o interessante 'per si' e por abrir janelas para outras interpretações e práticas, ... até nas escolhas político-governativas, eleitorais-partidárias, ... embora reconhecendo que há limitações... e nem sempre há uma escolha ao lado... mas talvez se possa ou ''fugir'' ou ''criar nova opção''.


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