Há uns meses foram, os militantes socialistas, chamados para elegerem os seus dirigentes de base e concelhios. Em alguns casos como Lisboa verificaram-se mudanças de tais lideranças, ao que parece os eleitores e militantes em geral ainda não sentiram quaisquer alterações significativas na dinâmica interna partidária.
Alguns desses eleitores já clamam que vai ser mais do mesmo nas eleições federativas que se aproximam, por isso dizem que já se não dão ao trabalho de exercer tal dever/direito cívico. Dizem que o partido só o chama para votos e comícios.
Tais “queixumes” ouvem-se, a miúdo, às mesas dos cafés, entre conversas de amigos e camaradas, dizendo que o processo de escolha dos listados, para concorrer a lugares partidários ou em eleições autárquicas é, em demasiados casos, pouco transparente, muito filtrado, por pequenos caciques, nada debatido e sem a mínima participação por parte dos militantes partidários.
Assim, dizem, não será tão cedo, que aparecem alternativas credíveis à confrangedora pobreza política existente, nos vários níveis do exercício da representação(?) democrática(?) o que origina falta de capacidade interventiva e massa critica dentro dos partidos e nas autarquias.
Por isso, cidadãs e cidadãos, precisam-se, no mínimo, com menos contradições e menos egoísmos, no máximo, com mais e mais sérias convicções, com mais ética. Gente com novos ideários e proposituras inovadoras, faz falta à refundação do exercício democratico, à implementação de novos e diferentes comportamentos que renovem a confiança perdida na política e no bom governo da “rés pública”.
Para que possam surgir, na vida pública, tais cidadãos há que começar a praticar, esses princípios e hábitos, nos prédios onde habitamos, nas reuniões de condomínios, passando pelas associações do bairro, pela intervenção nas assembleias de freguesia...
Locais, estes, que têm sido um deserto de participação cívica, incluindo dos próprios e imediatamente interessados. A maioria está sempre à espera que alguém lhes resolva os problemas com os quais se deveriam preocupar, segundo os próprios e imediatos interesses.
Em vez de passarmos a vida a dizer mal uns dos outros, deveríamos olhar mais para cada um de nós próprios e interrogarmo-nos sobre a participação de cidadania, aos diferentes níveis e nas mais variadas possibilidades que existem ou podem ser criadas pela sociedade civil.
Paradoxo, dos paradoxos, é o facto dos portugueses, depois de terem sido libertados de uma ditadura que os oprimia, tornaram-se, genericamente, nuns Estado-dependentes. É o que temos sido, nos últimos 30 anos, individual e colectivamente em vez de cidadãos de plenos direitos e concordantes obrigações.
Se cada um responder, positivamente, segundo a sua quota-parte de responsabilidade, na participação cívica dos problemas de todos, deixaria de haver tanta "camarilha" e "boys-Estado-dependentes" à procura de jobs. Haveria menos desemprego (que chega já aos 11%) porque o espírito empreendedor seria bastante mais dinâmico, o que não acontece, desde logo, a partir do próprio exemplo de inércia que advém das autarquias do Estado e respectivos quadros de pessoal. É um acomodar quase absoluto.
Há quem clame por menos Estado. Tanta hipocrisia!
De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 9 de Setembro de 2010 às 10:14
«Em vez de passarmos a vida a dizer mal uns dos outros, deveríamos olhar mais para cada um de nós próprios e interrogarmo-nos sobre a participação de cidadania, aos diferentes níveis e nas mais variadas possibilidades que existem ou podem ser criadas pela sociedade civil.»
O amigo tem um exemplo - Fernando Nobre, que tem um percurso político na sociedade civil, fora pa partidarite, e, veja como quando este se posiciona como candidato a PR, logo é 'feito em pedaços', por aqueles que estão sempre a queixarem-se e a dizer mal uns dos outros... sobretudo porque passou logo a ser uma ameaça aos poderes instituídos. Compare lá a comunicação social no destaque que dá a Manuel Alegre e aos outros candidatos.
Não sei se este médico traria algo de novo e de melhor à sociedade portuguesa se fosse eleito PR. o que eu sei é que a sociedade portuguesa nunca lhe dará a oportunidade de ser PR.
De Candidados e apoios... a 13 de Setembro de 2010 às 10:27
Estou na dúvida entre votar em Fernando Nobre ou em Manuel Alegre.
Pessoalmente gosto mais de F.Nobre, mas espero para ver/ouvir mais sobre o que se propõe fazer ou não fazer, ...
M.Alegre já desiludiu muito com tantos zigzagues mas ainda o considero 'defensor' dos interesses das classes médias e baixa...
e opositor a muitos esquemas e negociatas entre dirigentes partidários-governantes e grandes empresários-advogados ...
De Presidenciais a 13 de Setembro de 2010 às 11:43
Puxa Palavra, 12.09.2010: «...
Os dois candidatos (Alegre e Cavaco) vêem a função presidencial de forma bastante diferente.
Manuel Alegre como ainda ontem referiu defende:
- Uma visão mais cultural e política do país, menos tecnocrática e menos conservadora;
- Uma concepção diferente da de Cavaco Silva e do exercício dos poderes inerentes.
... Se tiver algum desacordo ou reserva em relação a uma lei, falará antes e se promulgar a lei não vem depois desvalorizar essa lei.
... se tiver de vetar uma lei veta e não se esconde atrás de álibis.
... Queremos pessoas de actuação clara e com uma visão de futuro para o País, sustentada em grandes princípios de defesa dos direitos sociais e uma melhor distribuição da riqueza criada.
»
De . a 9 de Setembro de 2010 às 10:18
A burrocracia
Num país com recursos escassos como é o nosso a superação das desvantagens competitivas em relação aos nossos parceiros passa necessariamente por apostar na inteligência, criando condições para que sejam os mais capazes a liderar. Sucede que fazemos o contrário, na sociedade portuguesa instalou-se uma autêntica burrocracia que faz dos mais fracos e incapazes os mais fortes e bem sucedidos.
Na Administração Pública, fundamental para gerir criteriosamente os recursos públicos, instalou-se uma escola de subserviência, cunhas e sabujice, onde se misturam estranhos poderes de corredor com compadrios políticos, onde as qualidades foram transformadas em defeitos. Os serviços afundam-se na incompetência, cada geração é pior do que a anterior.
Nas empresas, uma boa parte delas ainda ligadas a fortunas familiares, beneficia-se de um mercado pouco competitivo, onde dominam mecanismos proteccionistas pouco transparentes para que a inteligência e capacidade dos seus gestores não sejam qualidades determinantes para o sucesso. Importante sim, são as redes de compadrios, os bons conhecimento dos decisores do Estado. Os nossos bons gestores não se formam nas universidades, foram-se nos bons restaurantes onde agraciam políticos e directores, magistrados e jornalistas, com lautas refeições pagas com cartão visa e lançadas na contabilidade das empresas a título de despesas a deduzir nos impostos.
Se nos abstrairmos do que dizem os nossos políticos, jornalistas, magistrados (começando pelos sindicalistas) e gestores mais mediáticos ficamos abismados com a pobreza intelectual que impera nas elites que nos dirigem. Incultos, boçais, com fracos recursos intelectuais mas especialistas na arte de destruir os adversários, de eliminar qualquer concorrente.
Enquanto o país não se libertar desta burrocracia inculta que domina a generalidade dos processos de decisão, dificilmente superará a imensidão de obstáculos que se colocam ao seu desenvolvimento.
O Jumento, 8.9.2010
De CausaVossa.blogspot.com a 9 de Setembro de 2010 às 14:25
O CAVALO DE LOUÇÃ
O afundanço , por Luís Naves
Há cem anos, por estes mesmos dias, Portugal afundava-se num declínio manso. Como hoje.
Tenho andado a ler jornais da época e curiosamente encontra-se muita prosápia e conversa, mas nem sequer uma discussão sobre a crise que se agigantava.
O contexto europeu de 1910 era algo diferente: Portugal encontrava-se ligado à superpotência da época, a Grã-Bretanha, que a burguesia urbana detestava, tentando associar o rei a essa aliança; havia um regime monárquico que parecia incapaz de enfrentar a sociedade. Popular nas zonas rurais, era certo, mas politicamente inepto, indeciso e sem soluções. A sua acção era um deixar andar, que logo se veria: nem rupturas nem sequer reformas ousadas. O rei e quem o rodeava pareciam paralisados e sonolentos, no desespero de tentarem não abanar muito o barco.
A democracia era imperfeita e reinavam os caciques locais. O país estava altamente endividado (pode até fazer-se um paralelo quase exacto com o que se passa hoje) e o frágil sector industrial, o mais avançado da economia, mergulhara num período de grande agitação operária. A maior parte da população, 70%, era de analfabetos. E, nas cidades, fervilhava a conspiração política. Tornar-se um radical era a única forma de ascender socialmente.
Aquele era um regime autista, demasiado preocupado com as colónias e à beira de as perder. Acho que se poderia tentar provar a tese de sobrextensão imperial, talvez uma das causas da nossa pobreza. E se Portugal tivesse então perdido as colónias africanas talvez se tivesse poupado a mais 65 anos de ilusões imperiais (enfim, mas essa é a minha especulação).
Não se percebe, na leitura desses jornais, como foi possível a revolução e a mudança de regime. Mas havia sinais de intranquilidade. Histórias de violência, loucos à solta, pancadaria sem razão, distúrbios populares que começavam sem motivo aparente. Também crimes bárbaros. Uma indisciplina geral, que alguns aproveitaram.
Este ano de 2010 é diferente, mas há elementos que não mudaram: a nossa elite continua cega e surda aos sinais de crise. O país afunda-se e só se ouve propaganda seráfica. Continuamos atrasados, irrelevantes, contentes com o nosso destino. Somos sempre os maiores, os mais sábios, os mais doutores; se preferem a metáfora futebolística, basta ouvir os comentadores a dizerem, antes da derrota, que os nossos jogadores são os mais hábeis tecnicamente.
A economia não cresce, excepto na dívida e no desemprego. Os trabalhadores que restam trabalham mais por menos salário. As estatísticas da educação melhoram porque se chumba menos, não porque se saiba mais. O que havia de escolas especiais fecha por que se poupa. Os serviços pioram enquanto se paga mais por eles, mas alguns insistem em que devem ser gratuitos.
E não há discussões ponderadas, só berratas, onde alguns usam um discurso cheio de veneno, repleto de soberba estúpida, que lembra a fé cega dos beatos.
Há outra semelhança: os partidos, que são agências de emprego de uma aristocracia de snobs, ignorante e pomposa, que nunca trabalhou nem jamais quererá trabalhar.
Os intelectuais, esses falam para uma casta de iluminados, no intervalo dos discursos para o umbigo. Sentem-se das classes superiores, estão lá nas suas cátedras de cristal, a filosofar sobre os numerosos problemas da Albânia e do Arkansas, com o conhecimento de causa de quem dá lições ao mundo.
Julgo que está na hora deste país acordar. Não somos os melhores nem os piores, mas temos de ter mais ambição e afastar de vez esta mediocridade geral que toma conta da vontade, que privilegia quem não tem qualidades e facilita este viver bem português que consiste em ir afundando devagarinho num pântano de mentiras.»
Ontem Francisco Louçã, a deshoras, foi convidado de um programa inteligente da nossa televisão.
De sapatilhas casual e aquele ar desempoeirado de quem vai de transporte público para o Parlamento, genuíno, embora tímido e já com os tiques de defesa dos pares, Louçã pareceu-me também descrente nas soluções.
Radicalmente correcto no apontar de inúmeros desmandos do nosso regime, sacos de dinheiro a sair dos cofres, os nossos cofres, Louçã tem no entanto esse paradoxo de defender as PME's defendendo o aumento dos gastos públicos ..
De . a 9 de Setembro de 2010 às 14:28
A RESULTANTE DO SR. PROPAGANDA:
UM MILHÃO DE EMIGRANTES !
Se um milhão de emigrantes é grave para um país de alta natalidade, para um país de baixa natalidade como Portugal é muito, muito grave.
A política de Sócrates de reposição de gente nova e dinâmica passará por trocar os nossos emigrantes por imigrantes do sul do Saara?
Seria uma hipótese, a Africanização e terceiro mundialização de Portugal.
Mas mesmo para isso era preciso que os imigrantes não debandassem para países com crescimentos assinaláveis como Angola, Brasil e tantos outros, que comparam, e bem pela positiva, com o país negativo da desenvolvida ASAE e penhoras do Estado! Pensamento negativo, nós? Não! Realidade negativa, sim!
-Publicada por (c) maioria quase silenciosa: Pedro Almeida Sande, CausaVossa.blogspot.com 8.9.2010
De Estado da nação a 9 de Setembro de 2010 às 14:33
os dois D's: Desilusão e Decadência !
... o nosso país ! cada vez mais débil e doente... porque não existe alguém que assuma uma responsabilidade, alguém que não minta, alguém que de uma vez por todas chegue à frente e diga 'vamos fazer disto um país melhor!'
Toda esta palhaçada a que assistimos continuamente, casas pias, apitos dourados, pts-tvis, freeports, xxx, zzz... o que é isto realmente? eu não sei dizer !
sei que gostava de fazer parte e contribuir para um país bom e justo, de passar pela rua e ver as pessoas felizes...
De não ficar desiludido com uma derrota, porque é disso que se trata !!
talvez não seja aqui o espaço certo para falar sobre isto, peço novamente desculpa a todos, mas infelizmente sinto-me triste, revoltado e inútil perante tudo o que vejo acontecer...
infelizmente a selecção acaba por ser por um lado o rastilho que acende tudo o resto e ao mesmo tempo o saco onde todos batem quando o problema é bem maior que isso...»
Este comentário na bloga reflecte o que muitos sentem, sob o actual estado da nação.
Um país sob a batuta de um grande mentiroso e seus acólitos, um país que vê nos pequenos campos deste país, a miséria a proliferar sob o manto da decadência que se acentua.
Quando mais de 150 engenheiros Portugueses nos "campos" petrolíferos da Noruega, são apenas o minúsculo icebergue de um país que se exila arrastado para a lama por uma click de energúmenos legais com rosto, mesmo que com cara de "pau", que futuro para Portugal ?
- Publicada por (c) maioria quase silenciosa: Pedro Almeida Sande , CausaVossa
De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 9 de Setembro de 2010 às 15:25
Mas quem veja e oiça o nosso PM na TV até parece que é tudo uma maravilha.
Estamos sempre no bom caminho...
E é sempre graças a ele...
E o tom de voz? É tudo muuuuiiiiito importante... em cada inauguração que faz!
Só é pena que lhe deem cobertura.
As Tvs e nós.
Gostava era de o ver à porta das fábricas que encerram com despedimentos colectivos! A dizer que a culpa também era dele e das suas políticas...
Mas não só o que 'nos comes & bebes' é que ele aparece.
Nunca ninguém lhe recorda que ele não precisa de se vangloriar com o "que faz", pois é sempre com o nosso dinheiro que o faz. E somos nós que lhe pagamos para isso. Só é pena que não seja pessoalmente responsabilizado quando decide mal e usa mal os dinheiros públicos, como um mero gerente duma empresa privada é responsabilizado pelos seus actos.
Arrogante e deslumbrado acha que por ter sido eleito pode fazer o que lhe apetece...
E não é que pode?
Triste país, tristes de nós.
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