Vivem à custa do Estado e a disputar o dinheiro dos contribuintes

Deixemos a burguesia política (-económica) a falar sozinha

     O diagnóstico à economia do país está feito e a conclusão é inequívoca, precisa de produzir. Seja com mais ou menos despesa pública, com mais ou com menos flexibilidade da legislação laboral, com professores mais ou menos felizes, com magistrados mais ou menos satisfeitos, o país precisa de produzir e exportar mais.

     Mas se olhar para o debate político, para as preocupações dos líderes políticos, para os muitos comentadores que escrevem artigos bem pagos tributados a 50% em sede de IRS, concluo que afinal o que se discute não é como produzir e exportar mais. O que preocupa toda esta gente não são as empresas que têm dificuldades em manter os seus trabalhadores ou em superar as barreiras que as afastam dos mercados externos. O que preocupa esta burguesia política que se instalou no país é a despesa pública, é a disputa desse imenso mercado estatal de compra e de vendas, fala-se muito em reduzir a despesa mas a verdade é assistimos a uma disputa quase violenta pelo acesso ao dinheiro dos contribuintes.

     Esta burguesia política que vive no Estado ou à custa do Estado não está preocupada com a pequena metalurgia, com a fábrica têxtil, com o produtor de arroz ou de cereais, com a fábrica de Barrancos que transforma a carne de porco preto, com a fábrica de conservas de peixe, não está preocupada com as tais empresas que exportam ou podem exportar, que fecham por ir à falência, que podem criar emprego, que enfrentam prejuízos. Estão sim preocupados com empresas que nunca tiveram prejuízo como se isso só fosse normal para os outros, para os desprotegidos da burguesia política. Estão preocupados com os hospitais privados, com a banca, com os milhentos centros de diagnóstico, com a escolas privadas.

     Estão mais preocupados com os trinta alunos que deixaram o colégio privado e tiveram que ir para uma escola pública porque os papás viveram no eldorado do crédito fácil do que com os muitos milhares de alunos que são obrigados a abandonar a escola pública. Compare-se o destaque que a comunicação social dá aos primeiros com a que dá aos segundo e tirem-se conclusões.

     Cavaco Silva ainda teve a lucidez para alertar o país para a necessidade de exportar produtos transaccionáveis mas o que sucedeu? A burguesia política aproveitou o contexto do debate e atirou-se às obras públicas como se fossem estas o principal obstáculo à exportação. Compreende-se esta opção, essa burguesia não está vocacionada para criar riqueza, há muito que se habituou a partilhá-la e a apropriar-se de uma boa parte, alimentada pelos tais grupos empresariais que não sabem o que é ter dificuldades ou prejuízos, não precisam de procurar mercados, basta-lhes que os directores-gerais lhes façam as compras ou que lhes mandem os clientes dos serviços públicos.

     É preciso acabar com este circulo vicioso imposto por um debate político viciado e começar a discutir os problemas do país, é preciso deixar de ouvir os burgueses da capital e ir perguntar aos empresários que também têm prejuízo o que é necessário para mudar o país, para produzir e exportar mais, é preciso fazê-lo sem intermediários oportunistas que avocam o estatuto de seus representantes.

     É urgente deixar de discutir com base nos receios desta burguesia política e passá-lo a fazer em função dos problemas daqueles que produzem.



Publicado por Xa2 às 13:15 de 16.09.10 | link do post | comentar |

2 comentários:
De . a 16 de Setembro de 2010 às 17:16
--- Quintanilha
Portugal tem (e sempre teve) excesso de gente que em nada contribui para o que o país, na verdade precisa. Há excesso de gente a viver à grande e à francesa, em cargos não produtivos, que em nada contribuem para o desenvolvimento do país, ele é políticos, acessores, directores, comentadores, auditores, psicólogos, sociologos politólogos, etc, etc.
Trabalhar é bom pró preto e faz doer as costas!

---- Manuel Pinto

Arre que o burro é inteligente. Este é dos comentários mais certeiros do Jumento que lhe conheço. Aqui é que está o cerne da questão. Quem mama do Estado é afinal quem mais diz preocupado com o défice... Mas o problema extravasa deste desabafo asinino. O problema é que 35 anos depois do 25/4, os que mamam o Estado são os mesmos, só que desta vez com muito maior eficiência e com muito menos preocupações de revolta popular. A bem dizer, apesar do Jumento poder publicar estes desabafos no Blog e eu/nós podemos ler e comentar, ainda estamos pior que no tempo da outra senhora...

----- Menvp
Manifesto:
NÃO QUEREMOS POLÍTICOS PAIZINHOS - Fim da Cidadania Infantil!

Os cidadãos não podem ver os políticos como um 'paizinho'... devem, isso sim, é exigir maior fiscalização e controlo sobre a actividade política!
De facto, quem paga - leia-se, contribuinte - tem de ter um maior controlo sobre a forma como é gasto o seu dinheiro!
EXPLICANDO MELHOR: todos os gastos do Estado que não sejam considerados de «Prioridade Absoluta» [nota: a definir...] devem estar disponíveis para ser vetados durante 72 horas pelos contribuintes [nota: através da internet].
Para vetar [ou reactivar] um gasto do Estado deverão ser necessários 100 mil votos [ou múltiplos: 200 mil, 300 mil, etc] de contribuintes.

Resumindo e concluindo: não se queixem do facto de estar a ser mal gasto dinheiro do Estado: abram os olhos... e vetem!


De DD a 16 de Setembro de 2010 às 15:57
Há um grande exagero nestas críticas. Os bens transacionáveis estão sujeitos à ESCRAVATURA CAPITALISTA COMUNISTA DA CHINA.

Um industrial e exportador de sapatos disse-me que um sapato de homem português contém cerca de 4 a 5 euros de mão de obra por par (14 meses de ordenado para 11 de trabalho mais descongtos para Segurança Social, refeitório, etc.).
Os chineses vendem sapatos a esse preço nas suas lojas ou nos armazenistas, os quais não podem ter mais de uns 50 cêntimos de trabalho por par, tanto mais que o cabedal é mais caro na China.

A Media Mark vende já um desktop a 299 euros e um portátil Acer Aspire a 399 euros, tudo feito na China,. Os montadores portugueses de Desktops não conseguem fazê-los a menos de 600 euros. Por isso, a City Desk (Soc. Luso-britânica de Informática) fechou.
O mesmo se passa com as bicicletas, confeções, televisores, monitores, rádios, etc.~

Muitio a custo, uma fábrica de Braga consegue fabricar ainda GPS para automóveis e a Auto-Europa existe porque a União Europeia não deixou ainda entrar os carros chineses..

Não se pode criticar a burguesia industrial portuguesa quando mais de metade do planeta vive sob o domínio da ESCRAVATURA, mesmo no nosso vizinho Marrocos para não falar no gigantesco Brasil.

O Estado português deviolve aos cidadãos mais de 90% do que recebe em impostos. Só em pensões de reforma são 55 milhões de euros por dia, o que dá 2,3, tanto como o tão falado endividamento, mas eu, como reformado, não posso viver sem a reforma que até nem é excecional.
A gestão dessas verbas, tanto na despesa como no encaixe em descontos custa um valor ínfimo de pouco mais de 1%, tanrto a nível de ministério como de Instituto Nacional de Pensões, etc.

O mesmo se passa com a saúde que ainda é mais cara, mas cuja despesa de gestão ministerial e de direções regionais de saúde não chega aos 0,5%.

A educação tem um custo enorme e tenta-se muito a custo racionalizar a despesa.
Só em apoios para a compra de livros op Estado gasta quase 100 milhões de euros entrregues a 750 mil crianças oriundas de mais de meio milhão de famílias, numa média de 130 euros por aluno e depois temos 1,3 a 1,4 milhões de professores do ensino não superior. Por cada 38 professores reformados, o Estado colocou um novo professor, mas ficou a pagar 40 salários, pois os reformados com 55 a 60 anos vão continuar a custar ao Estado com todo o direito durante uns 20 a 30 anos ou mais. No meu prédio vive uma professora reformada com 98 anos de idade e parece que ainda vai chegar aos 100..

Por causa de uns tantos incendiários, o Estado tem de manter um enorme aparato de combate a incêndios com aviões, helicópteros, sapadores e voluntários e milhares de viaturas, policiamento, etc. para trabalharem durante um a dois meses por ano, dado que não podemos deixar o país a arder e não podemos desmob ilizar o pessoal nos restantes meses do ano.

Ainda houve quem tivesse exigido que o Estado deveria lavar todas as estradas do País agora no fim do ano para evitar acidentes mortais. São mais de 12 mil quilómetros de estrada.

Enfim, ninguém tem coragem de dizer que a crise vem do exterior e tem como origem fundamental a ESCRAVATURA COMUNISTA-CAPITALISTA.



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