VÍTIMAS DA CRISE (1)

Ana Maria Fernandes, ...A CEO da EDP Renováveis

Com uma remuneração anual fixa de 384 mil euros (cerca de 77.000 contos) desde 2008, à qual se acresce uma contribuição para o plano de pensão e ainda um prémio anual e um prémio plurianual para períodos de três anos, cada um dos quais até uma verba máxima de 100% do salário base.
Ou seja, se todos os seus objectivos de desempenho forem cumpridos, Ana Maria Fernandes receberá mais de 1,1 milhão de euros (220.000 contos) no seu primeiro ano como presidente de EDP Renováveis após a entrada da empresa na bolsa. Os valores mencionados constam do contracto de admissão.

Nota 1: Quanto estará a ganhar agora esta CEO?

Nota 2: A EDP Renováveis é uma empresa pública com sede no estrangeiro, Madrid.(?)

Nota 3: A EDP Renováveis é uma empresa? Na verdadeira acepção da palavra?
Tem que fazer pela vida para se financiar? Ou tem fundos ilimitados do estado? Qual foi o investimento do estado até hoje?
Tem concorrentes? Ou opera em monopólio? Do que produz, o que faz para o vender ou tem o "escoamento" garantido por via desse monopólio? Quanto rendeu esta empresa em 3 anos? Será assim tão difícil (e caro) ser CEO desta "empresa"?

Nota 4: Leiam aqui as respostas desta senhora a questões pertinentes... e fiquem com a verdadeira noção do que é uma CEO!



Publicado por [FV] às 15:47 de 19.09.10 | link do post | comentar |

6 comentários:
De Respostas da presidente-executiva... a 21 de Setembro de 2010 às 09:00

Ana Maria Fernandes, presidente executiva da EDP-Renováveis , responde às perguntas feitas pelos leitores do site Exame-Expresso. (11.8.2009)

Ana Maria Fernandes, CEO da EDP Renováveis
Quais os custos unitários de produção de electricidade gerada a partir de diferentes fontes de energia renovável? (Refiro-me, claro, a todas as energias renováveis neste momento exploradas pela EDP-Renováveis) Qual a evolução futura previsível daqueles custos unitários e a sua repercussão sobre o preço final pago pelo consumidor?

Actualmente os custos das energias renováveis podem oscilar dependendo das tecnologias (desde hídrica a solar foto-voltaica) tendo estes custos decrescido ao longo dos anos acompanhando a curva de desenvolvimento tecnológico e aumento de rendimento.

Os actuais mercados de energia são mercados marginais nos quais a tecnologia marginal marca o preço. Tipicamente esta tecnologia na Península Ibérica é as centrais de ciclo combinado que definem o preço de mercado em cada momento.

Qual é a percentagem de electricidade total gerada em Portugal já hoje proveniente de energias renováveis e qual o objectivo para a próxima década tendo como horizonte limite 2020?

A energia renovável produzida equivalente em 2008 foi de 43%. O actual target de Portugal é alcançar 45% em 2010

Sendo a energia hídrica renovável, porque não está na alçada da EDP Renováveis?

O modelo de negócio de desenvolvimento e operação de hídricas é fundamentalmente diferente do modelo de outras tecnologias renováveis como a eólica. Por esta razão e porque entendemos que uma variável crítica de criação de valor é assegurar o enfoque das equipas no core business, a EDP Renováveis dedica-se ao desenvolvimento e operacão de parques eólicos.

Recentemente Bill Clinton citou um estudo de uma universidade espanhola em que se argumentava que "cada emprego criado em Espanha desde 2000 custou 571138 euros e provocou a perda de 2,2 postos de trabalho em outros sectores mais eficientes" (El Mundo, 23 de Maio de 2009, p. 38). Qual é o seu comentário?

Prefiro não comentar conclusões, dado que não conheço em detalhe os pressupostos do estudo.

Tive uns tios que viveram 65 anos num monte na freguesia de Acaria Ruiva-Mertóla, e que nunca tiveram luz da rede. Porém, há 14 anos a TLP colocou um painel solar para ligação ao telefone e a EDP nessa altura colocou um ramal que liga à aldeia Corte Pequena, mas a luz ainda não chegou lá. Não seria, mais barato para a EDP inserir painéis solares nestes casos, e porque não o faz? O meu primo que continua a ter agricultura no dito monte tem feito imensos pedidos na EDP de Mertóla e anda à espera há mais de 14 anos. Saberá informar-me porquê?

A Edp Renováveis é um produtor de energia, não actuando, por isso, na distribuição ao cliente final.

Assumindo uma "maturidade agressiva" do negócio no mercado local, a EDP-R aparentemente prepara um shift de internacionalização. Quais são, na sua opinião, as core competencies e vantagens competitivas que a levaram a uma expansão para um mercado tão diverso (ambiente externo - legal, economics, route to market, supply-demand, etc.) como os USA?

Não existe qualquer shift de internacionalização. A EdpR possui já há 2 anos uma plataforma operacional nos EUA, que tem vindo a desenvolver. Em paralelo, está também a crescer em países europeus, como França, Bélgica, Polónia e Roménia, alargando o seu espaço tradicional de actuação constituído por Portugal e Espanha. Estamos ainda a iniciar actividade no Brasil.

Como Eng. Mecânico com experiência inferior a um ano, preocupa-me que os cargos/profissões técnicas não sejam devidamente valorizadas e que as empresas a trabalhar na área da energia em Portugal, por vezes tenham de recorrer ao estrangeiro para resolver as questões técnicas. Isto leva a que infelizmente os engenheiros que querem aprender a área técnica rapidamente se "resignem" e passem à "gestão". Neste sentido pergunto se na EDPR existe lugar para Engenheiros Mecânicos a desempenharem cargos técnicos? Ou a EDPR resume-se apenas a um negócio, onde os intervenientes da empresa apenas têm de ter formação em gestão e finanças?

A EdpR tem cerca de 70% de pessoas licenciadas /PHD,...


De Respostas da CEO da EDP-R ... a 21 de Setembro de 2010 às 09:01
...
A EdpR tem cerca de 70% de pessoas licenciadas /PHD, destes cerca de 30% são engenheiros com as mais variadas especialidades. Sublinho ainda, que a EDPR trabalha com pessoas de 12 nacionalidades.

Como lida internamente e junto do mercado com as oscilações em bolsa da EDP Renováveis?

Os mercados de capitais têm as suas próprias leis de funcionamento e recentemente reflectem também os efeitos da actual crise. No âmbito da EdpR preocupam-nos claramente com os mercados, mas também com os nossos investidores e sobretudo com os fundamentais da empresa sobre os quais procuramos exercer uma gestão ambiciosa e prudente ao mesmo tempo.

De que forma é possível gerir a partir de Lisboa uma empresa com sede em Madrid?

De facto, a sede é em Madrid. A empresa, com uma dispersão geográfica por oito países, é gerida a partir de Madrid, em coordenação com Lisboa e com as sua plataformas locais. Quer sejam Europa, EUA ou Brasil.

Quando prevê que a micro-geração seja realmente uma realidade presente na vida da maioria dos portugueses, com mini-eólicas no quintal, painéis solares no telhado, etc?

Como em todos as novas tecnologias, há uma curva de aprendizagem a vencer, que se traduzirá em condições cada vez mais favoráveis. Não tenho dúvidas, porém, de que dentro de alguns anos a microgeraçao, nas suas diversas vertentes, será uma realidade.



De [FV] a 21 de Setembro de 2010 às 11:27
Realmente não entendo este comentário.
Para já ele está inserido na notícia e no link do próprio post...
E não rsponde a nenhuma das questões abordadas no mesmo.
Náo está em causa a empresa. Mas as verbas auferidas. A localização da sede. E é só ler o post e responder às outras questões lá abordadas.


De cartel-oligopólio-oligarquia-nepotismo a 22 de Setembro de 2010 às 11:05
Esclarecimento a perguntas e respostas

1: Quanto estará a ganhar agora esta CEO?

R: relativamente à média salarial dos portugueses (e em termos ético-morais) ... ganha DEMASIADO, ... tal como muitos outros CEOs e Administradores de empresas públicas e privadas !! !

2: A EDP Renováveis é uma empresa pública com sede no estrangeiro, Madrid.(?)

R: è de direito privado, com alguma participação pública (indirecta), com sede em Madrid e escritórios/representações em vários países... i.e. é uma multinacional, trabalha em rede e o dinheiro não tem pátria...

3: A EDP Renováveis é uma empresa? Na verdadeira acepção da palavra?
Tem que fazer pela vida para se financiar? Ou tem fundos ilimitados do estado? Qual foi o investimento do estado até hoje?
Tem concorrentes? Ou opera em monopólio? Do que produz, o que faz para o vender ou tem o "escoamento" garantido por via desse monopólio? Quanto rendeu esta empresa em 3 anos? Será assim tão difícil (e caro) ser CEO desta "empresa"?

R: (económica e legalmente) sim, é uma empresa e tem que se financiar...
qual o financiamento de Estado?não sei (ver relatório e contas anual...)
tem concorrentes ...(mas são poucos e existe alguma subsidiação/participação pública indirecta) e escoa produtos e serviços (geralmente pré-contratados)...
quanto recebeu ?(ver...)
...dificil e caro CEO ?
o que parece cada vez mais a muitos portugueses, é que se poderiam encontrar muitos outros gestores/ceo, de qualidade semelhante (porventura até melhores), por muito menos dinheiro e menos mordomias (não que tais recusassem as mordomias se lhas fossem oferecidas...), ...
mas o problema dos eventuais (candidatos a) CEOs/presidentes/ administradores/ directores/ chefes ... é que não pertencem/estão no círculo restrito e especial dos parentes-amigos-amantes-sócios da CASTA de NEPOTISTAS que mandam neste país como se fosse um BANANAL !!


De [FV] a 22 de Setembro de 2010 às 11:31
Ainda bem que se escandaliza, que ainda se revolta com estas 'vítimas da crise'.
Vê da dificuldade de acesso e de clareza que há para sabermos se o dinheiro dos contribuintes está a gerar receitas e ou desenvolvimento sustentado. É bem difícil a transparência onde os dinheiros públicos ou semipúblicos são aplicados.
Mas em breve com a indemnização a que estes 'nossos' CEOs irão ser ressarcidos independentemente de serem demitidos ou se auto demitirem , ainda se escandalizará mais.
E será tudo legal. Tudo dentro da lei e dos acordos particulares de cada empresa anteriormente negociados ou elaborados pelos próprios.
Vai ver que não me vou enganar, infelizmente para Portugal ou melhor, para os portugueses.


De Zé T. a 23 de Setembro de 2010 às 11:48
Concordo com FV.
Claro que os portugueses têm razão em se escandalizarem, em criticar, ...
mas também deveriam unir-se e fazer muito mais do que isso.

deveriam assumir posições pro-activas, criando ou participando em movimentos, manifestações, associações cívicas, partidos políticos, ...
e votando sempre, protestando, denunciando e reclamando (também no ''livro amarelo'') sempre que se achassem com razão...

e também deveriam procurar mais e melhor informação, e questionar para além do imediato, questionar as causas e práticas, os pormenores, as relações, prever as consequências, os custos, os benefícios, os orçamentos, os saldos económicos sociais e ambientais ....

Na 'entrevista' não foram feitas (ou seleccionadas?) algumas perguntas ''impertinentes'', ''incomodativas''... mas apenas as que permitiam respostas bonitas, cheias de tecnicismos, aparentemente bem justificadas...

-e porquê estas perguntas e não outras?
-será que a entrevista/perguntas não foi ''combinada'', não foi para publicitar/melhorar a imagem da Empresa e sua CEO ?
-não foi este um trabalho 'jornalístico' encomendado, comprado, ...? ou coagido ? propositadamente entregue a ...?

-Porque é que não se pesquisa/ pergunta quais as relações (familiares, profissionais, ... de capitais) entre accionistas principais (quem são eles e seus representantes) e os CEOs/administradores/ directores ?
-quem negoceia/intermedeia estes contratos chorudos ?
- Como ´e definida a política 'interna' de salários e mordomias para o pessoal de topo?
-quem estabelece os objectivos (e quais) que dão direito a prémios e bónus?

-... porquê ? como? quanto? onde? quem? quando?...
-... porquê ?? !!!
- e o que fazer agora ? com quem? como? quando?...




Comentar post

DESTAQUE DO MÊS
14_04_botão_CUS
MARCADORES

todas as tags

CONTACTO

Email - Blogue LUMINÁRIA

ARQUIVO

Novembro 2019

Junho 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Online
RSS
blogs SAPO