10 comentários:
De excelências e independentes a 23 de Setembro de 2010 às 17:41
Resposta ao Convite de sessão sobre:
Mobilidade na Area Metropolitana de Lisboa vs Qualidade de Vida
...
Camarada

Começo por agradecer o seu convite, que incide sobre uma área estratégia mas muito mal tratada quer pelo poder central, quer pela administração local, mas lamentavelmente vou ter que recusar,
pois não sou um grande defensor de “independentes”, bem pelo contrário,
se bem que se esse estatuto visar só equidistância e não OPORTUNISMO ainda aceito,
o que não aceito de todo são ”Excelências” ainda que não se saiba do quê e porquê.

Acredito que foram mesmo os excessos de “excelências” que levaram o país á situação calamitosa em que se encontra.

Renovo os meus agradecimentos e lamento não estar presente num tema tão actual.
Cumprimentos
xxxxxxxxxxxx


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 22 de Setembro de 2010 às 19:36
Encher pneus. Ana e Francisco.
Muito educados, muito amigos, muito respeitosamente.
Vão-nos ao c_ mas pedem por favor, dá-me licença ...
Também tenho muita estima por eles e por toda a gente em geral. E também gosto muito dos bichinhos. E da natureza.
Estes sapatinhos que tenho hoje foram-me dados por toda esta gente simpática, educada e bem falante...
Tá-se mesmo a ver, não tá-se ..."
Estes diálogos são todos muito pertinentes nem sempre com o mesmo valor e peso, mas são sempre conversa de encher pneus.
Ao cidadão comum não serve para nada. Nadinha!
E mais com os seus salários mensais bem podem ir educadamente discordando uns dos outros, à vez.
Com papas e bolos se enganam os tolos.
Com muita estima e consideração....


De PS diferentes... a 22 de Setembro de 2010 às 16:22
Resposta ao Deputado Francisco Assis
[Publicado por AG, em CausaNossa]

Respondi esta noite ao Deputado Francisco Assis, por quem tenho sinceramente muita estima e admiração, reforçadas desde que ambos integramos a delegação socialista portuguesa ao PE (2004-2009).
Aqui reproduzo a minha carta, por julgar que o que debatemos é útil ao esclarecimento político no PS e no país.

"Meu caro Francisco Assis,
Agradeço o seu email de ontem e tomo nota da sua reacção "directa e frontal", como sublinha e como eu aprecio. Reajo também, assim, aos dois erros que me aponta:

1. O de ordem factual:
Diz o Francisco que a decisão sobre o voto do Grupo Parlamentar do PS na passada 6a.feira foi tomada por si. Não duvido, não só porque o diz, mas por ser de esperar que o chefe do Grupo determine orientações de voto.
Como chega o chefe à decisão e como a consensualiza ou impõe, essas são outras questões, uma a montante, outra a juzante.
E à questão a montante me referi eu, ao aludir a "ordens de cima".
Pode o Francisco garantir-me que não recebeu, antes de tomar a decisão de instruir a bancada como instruiu, nenhuma orientação de "instâncias governamentais" a recomendar-lhe que determinasse aquele mesmo sentido de voto?

2. Sobre o "direito de avaliar as decisões políticas a partir de um escrutíneo subjectivo de eventuais motivações subjacentes às mesmas".
O Francisco diz que eu o não tenho. Eu acho que tenho - faz parte do exercício da cidadania e até das minhas mais elementares responsabilidades, como deputada eleita.
Então uma deputada, uma militante, uma cidadã, não tem o direito de buscar e compreender as motivações subjacentes (individuais ou colectivas) às decisões políticas tomadas pelo seu Partido?
Não só tem o direito, como o dever.

E chocando tanto as motivações, como as decisões resultantes, julgo ter o direito, e o dever, de criticar.
Em privado, no foro partidário, as mais das vezes, se for a tempo.
Em público, quando as decisões políticas e respectivas motivações têm particular gravidade e inegável impacto público.

E tiveram ambos, neste caso concreto, desde logo porque 15 deputados socialistas não puderam, em consciência, seguir as indicações de voto do PS e outros fizeram constar como se sentiam desconfortáveis.
Tiveram gravidade e impacto, também, porque o posicionamento do PS na AR mostra descoordenação com o PS no Parlamento Europeu e contradiz a orientação do Grupo Político que o PS ali integra.

Mais relevante, ainda, é para mim a essência da posição tomada pelo PS:
considero perigoso e contrário ao património do PS e aos interesses de Portugal que a bancada socialista se tenha dissociado de uma condenação na AR do Governo do Presidente Sarkozy (ou qualquer outro) por promover a expulsão colectiva de cidadãos europeus com base na etnia.

Não aceito o argumento da dignidade institucional do Parlamento:
se se justificasse, a "real politik" caberia porventura ao Governo, não ao Parlamento.
E qualquer jogada de "real politik" tem de conhecer limites morais e éticos.

Aqui teremos, também, perspectivas diferentes:
o Francisco considera que "a confusão entre a decisão política e a proclamação moral" constitui lamentável erro e "empobrece a política e não protege a moral".
Eu, pelo meu lado, não sei fazer política sem me determinar por considerações morais e éticas.

A minha consciência política também é moral e ética.
Na minha óptica, imperativos morais e éticos devem prevalecer sobre alianças políticas tácticas, sobretudo quando se opta entre protestar ou guardar silêncio perante um grave precedente de desrespeito pelo direito europeu que envolve violação dos direitos humanos.

Essa vertigem da separação entre moral/ética e a política está a cavar, entendo eu, um cada vez maior fosso entre os cidadãos e os partidos políticos.

O Francisco Assis faz-me notar que actuou de acordo com a sua consciência.
Tenho muita pena, é o que posso dizer.
Tal não afecta, porém, a muita estima e admiração que tenho por si.
Aceite as cordiais saudações socialistas da
Ana Gomes"


De PS diferentes... a 22 de Setembro de 2010 às 16:26
Carta do Deputado Francisco Assis
[Publicado por AG, em Causa Nossa]

Recebi ontem à noite do meu camarada Deputado Francisco Assis uma carta sobre o meu post "Socialismo, mas pouco...". Da mesma, esta manhã, já o DN transcrevia excertos. Aqui fica, pois, na íntegra:

Minha Cara Ana Gomes,
Li, há pouco, declarações suas a propósito de uma votação ocorrida na Assembleia da República, na passada 6ª feira, que merecem a minha reacção. Directa e frontal. Como é minha característica e julgo ser sua expectativa.

A Ana Gomes, como qualquer outro cidadão ou cidadã, tem todo o direito de criticar publicamente as orientações de voto do Grupo Parlamentar do PS na Assembleia da República.
O exercício de funções políticas não pode originar qualquer tipo de restrição à liberdade de expressão de quem quer que seja.
E não vejo mal nenhum em que as divergências se assumam publicamente.
Isso é, aliás, prática corrente num grande partido pluralista e democrático, como é o PS.

Julgo, porém, que o exercício de funções políticas obriga a uma preocupação adicional de rigor e seriedade. Isso faz parte do núcleo das nossas responsabilidades especiais.

E a Ana Gomes não respeitou essas obrigações. Cometeu dois erros que não posso deixar passar em claro.

Um de ordem factual:
não é verdade que os deputados do PS tenham votado de acordo com orientações “vindas de cima”, para usar a sua expressão.
A decisão foi tomada por mim e devidamente explicitada pela Deputada Maria de Belém Roseira.
Tomei-a, na convicção de que a Assembleia da República não deveria aprovar aquele voto em concreto.
Ao tomá-la agi de acordo com a minha consciência e entendendo que estava a preservar a dignidade institucional do Parlamento português, sem que daí se pudesse inferir qualquer apoio no Grupo Parlamentar do PS à política prosseguida pelo Presidente francês.

O segundo erro é igualmente grave.
A Ana Gomes não tem o direito de avaliar as decisões políticas a partir de um escrutínio subjectivo de eventuais motivações subjacentes às mesmas.
Quem lhe atribui o poder de determinar quem age segundo a sua consciência ou aviltando repelentemente a mesma?
Que estranho demiurgo fez tal escolha? Com que legitimidade? Em função de que critérios?

A confusão entre a decisão política e a proclamação moral constitui um dos mais lamentáveis erros do nosso tempo. Com gravíssimas consequências.
Empobrece a política e não protege a moral.

Minha Cara Ana Gomes aqui fica o meu reparo, que não diminui em nada a estima que lhe dedico e que, como sabe, é muita.
Francisco Assis


De . a 22 de Setembro de 2010 às 15:50
"As evidências não precisam de resposta"
Foi o que Manuel Maria Carrilho respondeu aos jornalistas quando questionado sobre a sua demissão, da qual teve conhecimento pela comunicação social.

Por uma incrível e inexplicável coincidência, o governo decidiu ter-se esgotado o tempo de vida útil de Manuel Maria Carrilho como embaixador de Portugal na UNESCO, precisamente dois dias depois de este ter manifestado, em entrevista ao Expresso, a sua crítica a projectos governamentais na área da educação, como o computador Magalhães e o programa Novas Oportunidades.

Esta atitude do governo relembra-me de um episódio ocorrido há uns anos, quando falei com um político em vésperas de hipotética reeleição. Perguntei-lhe que resultados esperava. "Vamos obviamente ganhar, e com maioria!", foi o que me respondeu. "Acha? - insisti eu - Olhe que há muitas pessoas descontentes." "Eu não acho, - retorquiu - todas as pessoas que falam comigo estão muito satisfeitas e confiantes". No entanto, perdeu.

Esta é a forma mais fácil de evitar comentários desagradáveis e críticas: deixar de os ouvir e rodearmo-nos apenas de pessoas que concordam sempre connosco. Quanto aos outros, aos que criticam, aos que põem o dedo na ferida, aos que levantam questões incómodas, não há que dar-lhes importância: ou são da oposição, ou são burros e não compreendem o alcance e a inteligência da nossa estratégia.

O problema é que o rei vai mesmo nu. E surdo.

Publicada por Açúcar Amarelo http://acucaramarelo.blogspot.com/2010/09/as-evidencias-nao-precisam-de-resposta.html#ixzz10GmdDzX0

(do Público)
...A notícia, divulgada ao final da manhã pela Lusa, surgiu no mesmo dia em que foi para as bancas o livro
« E Agora? Por uma nova República » ,
da Sextante, uma análise às causas e efeitos da actual crise e que reúne textos publicados no Diário de Notícias nos últimos três anos.
Ao início da tarde, a editora divulgava uma nota sobre o lançamento do livro em que relacionava a demissão do ex-deputado socialista com a publicação da obra.

A revelação da demissão de Carrilho surge também dois dias depois de uma entrevista ao Expresso em que o socialista critica projectos como o computador Magalhães e o programa Novas Oportunidades, bandeiras eleitorais de José Sócrates.

Questionado sobre se considera a demissão como resultado da entrevista, Carrilho disse que "as evidências não precisam de resposta".
Ao PÚBLICO, a assessora de imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Paula Mascarenhas, acredita que o ex-ministro foi informado de que terminaria as suas funções no âmbito do movimento diplomático.
Quanto aos motivos para a saída, Paula Mascarenhas alega que a substituição se enquadra no tempo "normal" de permanência neste tipo de funções que é, "em regra, entre dois anos e meio e quatro anos".
Embora não haja um período fixo para este tipo de mandatos diplomáticos, certo é que Ferro Rodrigues, por exemplo, cumpre já o seu quinto ano como embaixador da OCDE em Paris.

Um dos motivos que terão levado o Governo a equacionar o afastamento do ex-ministro do cargo, noticiado há seis meses pelo Expresso, estaria relacionado com a recusa de Carrilho em votar no ministro da Cultura egípcio, Farouk Hosni, para o cargo de director-geral da UNESCO, como pretendia o Estado português. -(posição eticamente louvada..., mas desobedecendo às directivas do seu MNE/Governo ...)
A assessora de imprensa do MNE rejeita relacionar este caso com a saída de Carrilho e afirma que a situação foi "tratada adequadamente na altura".
...


De Izanagi a 22 de Setembro de 2010 às 11:03
Sarkozy (Sarko, para íntimos) ao tomar a iniciativa de repatriar ciganos fê-lo como medida política ainda que formalmente administrativa. E como medida administrativa tem toda a legitimidade para o fazer, mesmo que acentue que devem começar pelos ciganos. E tem a maioria do apoio da população. Porque não é qualquer cigano, apenas por ser cigano que é expulso. A medida não visa aqueles que estão integrados, que cumprem como o resto da população que vive em França, as regras aí estabelecidas. Não, a medida visa aqueles que chegaram a França e ocupam o espaço público como se chegassem a uma ilha deserta, isto é , sem se sentirem obrigados ás leis que abrangem toda a população francesa ou estrangeira aí residente. È a esses que Sarkozy exige o seu repatriamento. E exige bem
Contestam esta medida aqueles que não perturbados por esse tipo de comportamento, mas só enquanto não são perturbados, ainda que minimamente. Lembram-me alguns funcionários públicos que se baldam sistematicamente ao trabalho (todos conhecemos), mas se a empregada doméstica tem um comportamento idêntico ainda que em escala muito menor, é logo despedida.
Faz o que eu digo não o que eu faço.


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 22 de Setembro de 2010 às 13:07
Boa. Muito bem explicado. Apoiado.
Cada vez mais se tenta baralhar o povo ao pôr todas as diferentes espécies de 'farinha no mesmo saco'.


De . a 22 de Setembro de 2010 às 15:33
Se fosse apenas isso (alguns comportamentos de indivíduos ou pequenos grupos, em desacordo com as leis francesas vigentes até aí) ... mas não é.

Trata-se é de desviar as atenções dos cidadãos franceses para as más práticas da governação e da crise económica e social ... arranjando um bode expiatório.

E tanto é que até a comissária Reding e D.Barroso (após a maioria do parlamento europeu ter protestado)se indignaram com Sarkozy !!


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 21 de Setembro de 2010 às 17:46
Ser socialista já não passa por ser do PS.
vai para muito tempo que o PS de socialista só tem o nome.
E os seus dirigentes só lhe invocam o nome para conquistar votos antes de eleições. É como diria o outro, invocam o seu nome mas deveria ser em vão.
Infelizmente ainda anda por aí muito bom socialista adormecido ou incrédulo com o que está a acontecer.
Está, talves, na altura de refundar um Partido Socialista. Mesmo que seja com outro nome. Considero que está no momento dos socialistas que não se revêm neste porem mãos à obra e partirem para outro... Basta de choraminguices e de pensar em lutas internas, autoregeneração ou outras tretas similares, que só servem para adiarem um novo Partido Verdadeiramente Socialista no seu ideário e na sua prática.
Mais adiamentos e desculpas inativas só servem para por inacção perpectuar estes ditos PS no poder.
Não vale a pena continuar à procura de soluções internas ou milagres. É começar de novo? Pois é, mas é começar. Ou recomeçar. Mas mais vale estarmos vivos no trabalho político partidário e na esperança do que em coma ou moribundos à espera do dia do juízo final. Podia ter sido de outra maneira? Pois podia, mas não foi. Mãos à obra!


De anónimo a 22 de Setembro de 2010 às 10:10
Ambas são opções cívico-político válidas... mas não sei qual a melhor, neste momento.


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