De . a 22 de Setembro de 2010 às 15:50
"As evidências não precisam de resposta"
Foi o que Manuel Maria Carrilho respondeu aos jornalistas quando questionado sobre a sua demissão, da qual teve conhecimento pela comunicação social.

Por uma incrível e inexplicável coincidência, o governo decidiu ter-se esgotado o tempo de vida útil de Manuel Maria Carrilho como embaixador de Portugal na UNESCO, precisamente dois dias depois de este ter manifestado, em entrevista ao Expresso, a sua crítica a projectos governamentais na área da educação, como o computador Magalhães e o programa Novas Oportunidades.

Esta atitude do governo relembra-me de um episódio ocorrido há uns anos, quando falei com um político em vésperas de hipotética reeleição. Perguntei-lhe que resultados esperava. "Vamos obviamente ganhar, e com maioria!", foi o que me respondeu. "Acha? - insisti eu - Olhe que há muitas pessoas descontentes." "Eu não acho, - retorquiu - todas as pessoas que falam comigo estão muito satisfeitas e confiantes". No entanto, perdeu.

Esta é a forma mais fácil de evitar comentários desagradáveis e críticas: deixar de os ouvir e rodearmo-nos apenas de pessoas que concordam sempre connosco. Quanto aos outros, aos que criticam, aos que põem o dedo na ferida, aos que levantam questões incómodas, não há que dar-lhes importância: ou são da oposição, ou são burros e não compreendem o alcance e a inteligência da nossa estratégia.

O problema é que o rei vai mesmo nu. E surdo.

Publicada por Açúcar Amarelo http://acucaramarelo.blogspot.com/2010/09/as-evidencias-nao-precisam-de-resposta.html#ixzz10GmdDzX0

(do Público)
...A notícia, divulgada ao final da manhã pela Lusa, surgiu no mesmo dia em que foi para as bancas o livro
« E Agora? Por uma nova República » ,
da Sextante, uma análise às causas e efeitos da actual crise e que reúne textos publicados no Diário de Notícias nos últimos três anos.
Ao início da tarde, a editora divulgava uma nota sobre o lançamento do livro em que relacionava a demissão do ex-deputado socialista com a publicação da obra.

A revelação da demissão de Carrilho surge também dois dias depois de uma entrevista ao Expresso em que o socialista critica projectos como o computador Magalhães e o programa Novas Oportunidades, bandeiras eleitorais de José Sócrates.

Questionado sobre se considera a demissão como resultado da entrevista, Carrilho disse que "as evidências não precisam de resposta".
Ao PÚBLICO, a assessora de imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Paula Mascarenhas, acredita que o ex-ministro foi informado de que terminaria as suas funções no âmbito do movimento diplomático.
Quanto aos motivos para a saída, Paula Mascarenhas alega que a substituição se enquadra no tempo "normal" de permanência neste tipo de funções que é, "em regra, entre dois anos e meio e quatro anos".
Embora não haja um período fixo para este tipo de mandatos diplomáticos, certo é que Ferro Rodrigues, por exemplo, cumpre já o seu quinto ano como embaixador da OCDE em Paris.

Um dos motivos que terão levado o Governo a equacionar o afastamento do ex-ministro do cargo, noticiado há seis meses pelo Expresso, estaria relacionado com a recusa de Carrilho em votar no ministro da Cultura egípcio, Farouk Hosni, para o cargo de director-geral da UNESCO, como pretendia o Estado português. -(posição eticamente louvada..., mas desobedecendo às directivas do seu MNE/Governo ...)
A assessora de imprensa do MNE rejeita relacionar este caso com a saída de Carrilho e afirma que a situação foi "tratada adequadamente na altura".
...


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