Socialismo, mas pouco...
     Tratou-se de uma resolução activamente promovida pelo Grupo dos Socialistas e Democratas, em que se integram os socialistas portugueses. Com linguagem moderada, em resultado de intensas negociações entre todos os grupos políticos. Nos debates com Durão Barroso e Viviane Reding, na manhã e na tarde do dia 7, todos os intervenientes socialistas, encabeçados pelo líder Martin Shultz, não pouparam na invectivação das expulsões colectivas estigmatizantes de Sarkozy e de outros governos europeus e na condenação da inacção da Comissão Europeia diante de tão acintosas violações do Tratado de Lisboa e dos direitos humanos fundamentais.
     Incredulidade e apreensão - foram as minhas primeiras reacções às notícias de que o Grupo Parlamentar do PS, na 6a.feira passada, se dividira no voto de um texto proposto pelo BE, que visava associar a AR ao voto do PE. Por não ser o PS a tomar a iniciativa e por revelar descoordenação entre o que o PS faz na AR e no PE, ainda por cima num assunto de excepcional sensibilidade política (ao ponto de, finalmente, levar Durão Barroso a engrossar a voz face ao seu correlegionário de direita Sarkozy no último Conselho Europeu).
     Vergonha e amargura - é o que expresso agora, depois de ter falado com deputados socialistas na AR para apurar o que se passou:
 "ordens de cima!" E só um socialista - Sérgio Sousa Pinto, a quem presto homenagem - teve a coragem de votar de acordo com a sua consciência, além de mais 14 que encontraram formas menos afirmativas de se dissociar de tão indecorosas instruções.
     Ordens que terão sido inspiradas por instâncias governamentais. Instâncias tacanhas no entendimento do que é a política externa, pois ainda que se justificasse uma demonstração de "real politik" (e não se justificava, estando em causa a lei europeia e direitos humanos fundamentais), tal exercício não caberia a parlamentos, mas sim a governos. 
     Ordens insuportáveis, por serem politicamente indefensáveis ("o Sarko é amigo"...); por contradizerem o património histórico e político do PS, quer quanto ao respeito pelos direitos humanos em geral, quer quanto ao empenhamento dos seus governos - incluindo este - na inclusão da comunidade cigana em Portugal; e, finalmente, por serem ofensivas do que deve corresponder à consciência política de um/uma socialista.
Para registo: diante de tais ordens, eu desobedeço.

   [Publicado por AG, Causa Nossa, 20.9.2010] 



Publicado por Xa2 às 13:07 de 21.09.10 | link do post | comentar |

10 comentários:
De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 21 de Setembro de 2010 às 17:46
Ser socialista já não passa por ser do PS.
vai para muito tempo que o PS de socialista só tem o nome.
E os seus dirigentes só lhe invocam o nome para conquistar votos antes de eleições. É como diria o outro, invocam o seu nome mas deveria ser em vão.
Infelizmente ainda anda por aí muito bom socialista adormecido ou incrédulo com o que está a acontecer.
Está, talves, na altura de refundar um Partido Socialista. Mesmo que seja com outro nome. Considero que está no momento dos socialistas que não se revêm neste porem mãos à obra e partirem para outro... Basta de choraminguices e de pensar em lutas internas, autoregeneração ou outras tretas similares, que só servem para adiarem um novo Partido Verdadeiramente Socialista no seu ideário e na sua prática.
Mais adiamentos e desculpas inativas só servem para por inacção perpectuar estes ditos PS no poder.
Não vale a pena continuar à procura de soluções internas ou milagres. É começar de novo? Pois é, mas é começar. Ou recomeçar. Mas mais vale estarmos vivos no trabalho político partidário e na esperança do que em coma ou moribundos à espera do dia do juízo final. Podia ter sido de outra maneira? Pois podia, mas não foi. Mãos à obra!


De anónimo a 22 de Setembro de 2010 às 10:10
Ambas são opções cívico-político válidas... mas não sei qual a melhor, neste momento.


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