Catroga falou, mas não apresentou soluções.

            O Catroga falou na SIC, disse muita coisa, mas quanto a medidas que tomaria se fosse ministro afirmou apenas que iria tirar um “retrato” da situação, isto é, avaliar os défices do Estado e das instituições que o rodeiam como as parcerias público-privadas, etc. Não teve, contudo, a coragem de dizer que iria desfazer acordos, fechar hospitais, universidades, institutos e despedir pessoal.

            O homem disse, com razão certamente, que a totalidade da receita fiscal do Estado português destina-se a pagar salários e prestações sociais e tudo o resto é financiado com empréstimos. Quer isto dizer que o papel higiénico ou de fotocópia dos ministérios, escolas, etc. é adquirido com dinheiro emprestado do exterior.

            Com a facilidade com que muitos economistas falam dos números gerais, Catroga disse que a despesa do Estado óptima deveria ser de 35% do Pib e nunca ultrapassar os 40%, estando agora quase nos 50% do Pib, ou seja, nos 85 mil milhões de euros.

            Depois fez demagogia com o exemplo da Grécia que estaria a reduzir a despesa, mas não viu as imagens dos violentíssimos protestos verificados hoje em Atenas em que se chegou a tentar lançar fogo ao parlamento e se bloquearam auto-estradas, etc. Também citou o bom exemplo da Espanha que está cortar despesa estatal, mas tem já mais de 20% de desemprego.

            Antes do Catroga falar, a SIC deu a palavra a uma loira que falou na multiplicação de institutos e departamentos de património em vários ministérios como o que existe nas Finanças para gerir o seu património e o do Ministério do Ambiente para o património histórico e licenciamento de projectos privados em centros históricos, etc., além dos parques naturais, etc.

            Também a rede escolar tem o seu departamento próprio de património como tem a Justiça com tribunais, prisões, etc.

            Não vejo que colocar tudo no mesmo saco venha a aumentar a eficiência e venha a reduzir o pessoal na medida em que este pode ser reformado a custo superior ou ir para a mobilidade ou despedimento, mas sempre com custos acrescidos.

            Do Estado vivem mais de quatro milhões de mulheres e homens, sendo uns 3,6 milhões de reformados e desempregados com valores per capita sempre muito baixos, portanto, insusceptíveis de sofrerem uma redução global. Claro, se o Estado tirar mil euros a cada uma das pessoas que sustenta por ano (71 euros mensais), pouparia 4 mil milhões de euros que representam 2,3% do Pib. Mas, é impossível tal medida, mesmo que a redução fosse diferenciada em termos de nada sair das reformas mais baixas e sair um pouco mais das reformas e salários mais altos. Além disso, nunca poderia deixar de ser uma medida provisória, logo com retorno acrescido de alguma compensação em ano ou anos seguintes.

            A questão é que o défice de 7,2% aprovado pela União Europeia para este ano está dentro das possibilidades, dado que o défice actual ronda um pouco mais de 5%  e para o ano um défice projectado de um pouco mais de 5% depende do crescimento da economia em termos de exportação e produção nacional e redução dos investimentos, tanto públicos como privados, dentro de alguns limites. O grande centro hospitalar de Chelas está, para já, postergado como outras obras, incluindo a terceira ponte sobre o Tejo e a ligação do TGV do Poceirão a Lisboa em linha própria. Talvez seja possível utilizar as linhas actuais para o efeito, mas é assunto para 2013 ou mais tarde. Um arquitecto meu conhecido que tem trabalhado nos planos das estações de Évora e Caia disse-me que a obra é para ser feita o mais devagar possível e talvez nem daqui a cinco anos estará pronta.

            O crescimento da economia parece-me possível pois no mercado vejo que muitas empresas não têm alternativa senão andar para a frente, procurar novos negócios e ir ao combate no estrangeiro, exportando mais. Claro, aposta-se muito em serviços, intermediações, etc. e menos na produção, mas o exemplo da indústria do calçado é elucidativo, pois está a aguentar-se a crescer, exportando 93% da sua produção de mais de 60 milhões de pares de sapatos por ano.

            A solução financeira do País está numa revolução tecnológica como o afirm ou Sócrates hoje, mas isso tem a ver com muito trabalho e nunca será obra de economistas, mas sim de engenheiros e cientistas que promovam novos fabricos e tenham novas ideias.

 

 



Publicado por DD às 01:39 de 23.09.10 | link do post | comentar |

14 comentários:
De marcadores a 24 de Setembro de 2010 às 11:19
Certo é que o Estado mais cedo ou mais tarde terá que reduzir as suas despesas.
Certo é que independentemente da justeza ou não da redução de salários e pensões na função pública, será inevitável.
Governantes que tenham sentido de estado têm que tomar medidas que não gostariam e não são populares.
(Não é preciso sentido de estado para aumentar salários, pensões ou baixar impostos).
Certo é que não se pode continuar a sobrecarregar sempre as classes produtivas, sob pena delas deixarem de ser produtivas.
Certo é que a realidade do queríamos fazer e do que se pode fazer é, muitas vezes incompatível.
Certo é que quanto mais tarde se tomarem as medidas de diminuir as despesas do estado, mais gravosas serão essas próprias medidas.
E quando se fala do estado deve-se ter a noção que o estado somos todos nós e não só os funcionários públicos.
Esses são os empregados do Estado. Incluindo o Governo e a Presidência da República.


De Estado e produtivos a 27 de Setembro de 2010 às 13:35
« O Estado somos todos nós...» em sentido lato concordo. e também que temos que fazer poupança e muito boa gestão dos nossos recursos.

Do que discordo é a visão redutora de que a melhoria do Estado passa pela «redução de salários e pensões na função pública »(...)
e com a imprecisão/ ideia de que os serviços (...)públicos não são produtivos.

Embora concorde que «não se pode continuar a sobrecarregar sempre as classes produtivas (no sentido de 'trabalhadores', de 'activos', de 'contribuintes'), sob pena delas deixarem de ser produtivas.


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 28 de Setembro de 2010 às 18:09
E 'cegos'...
É o que para aí mais andam...
E 'mudos'.
É que basta acenarem-lhes com um 'tachinho' em qualquer lado e ficam logo 'caladinhos da silva'.
Ou ´putas'.
Por 'dinheiro' fazem ou não fazem, o que quer que seja.


De Maldita palavra « NACIONAL » a 24 de Setembro de 2010 às 10:09

CM, 24 .9.2010 , João Miguel Tavares (jmtavares@cmjornal.pt)

Alguém pode chamar já o FMI, se faz favor?

Anda toda a gente muito preocupada com a protecção da soberania nacional.
Ai que a Comissão Europeia quer ter visto prévio sobre o Orçamento do Estado.
Ai que o FMI vem por aí tomar as rédeas das contas públicas.
Ai, ai, ai.
Eu estou menos preocupado em proteger a nossa soberania do que em tentar perceber para que é que a queremos e o que temos andado a fazer com ela.

Nos últimos tempos, a independência de Portugal tem sido assim como a independência do meu filho de dois anos e meio:
ele faz imensa questão de agarrar na colher e comer o pequeno-almoço sozinho, mas acaba invariavelmente com a cara numa lástima e a despejar metade da papa para cima da mesa.
Com esta diferença: o meu filho, pelo menos, cresce. E nós estamos na mesma há quase uma década.

Despesa (privada e) pública galopante. (despesismo e má gestão de presidentes e administradores)
Défices descontrolados. Orçamentos de ficção científica.
E acima de tudo uma espantosa compulsão para a mentira, como pode verificar qualquer pessoa que se dê ao trabalho de ir ao YouTube recordar os debates eleitorais entre Manuela Ferreira Leite e o actual primeiro-ministro.
A última vitória do PS nas legislativas foi alicerçada sobre um arranha-céus de patranhas.

E a coisa continua. Ainda há poucos dias, ouvimos o inefável secretário de Estado do Orçamento (o ministro das Finanças já se deve ter escondido num bunker) afirmar que "a despesa total do Estado está a reduzir o seu ritmo de crescimento de forma gradual e consistente".
São excelentes notícias. Não estamos a reduzir o défice. Mas o seu crescimento minguou um bocadinho – ufa!
É isso que a UE nos exige? Não. Mas o código genético de quem nos governa sofre de uma terrível alergia à verdade – e por isso mantêm-na lá muito ao longe, para não estragar a fotografia.
Se José Sócrates fosse o Pinóquio, o seu nariz já teria dado a volta ao Mundo.


De PSD (e PS) : pior é quase impossível ! a 24 de Setembro de 2010 às 09:41

Pior é (quase) impossível

Não sei que novidades nos reserva para amanhã o PSD: mas pior do que tem feito é quase impossível.

17 Setembro 2010, CM, por: Constança Cunha e Sá, Jornalista

Com uma dívida incontrolável, uma despesa vertiginosa e uma taxa de desemprego que se distingue pelos recordes que vai conseguindo bater, o país está a um passo de entregar, sem sobressaltos de maior, o seu destino aos bons ofícios do FMI.

Enquanto isso, o Governo desistiu de governar e o maior partido da oposição perde o melhor do seu tempo a discutir hipotéticas revisões constitucionais que revelam, antes de mais, o absoluto desnorte que reina no PSD.

Se no que toca ao Governo o diagnóstico é por demais conhecido (um bando incapacitado, atrelado a um primeiro-ministro que mantém contactos cada vez mais intermitentes com a realidade), o caso do PSD revela uma surpreendente (e exuberante) tendência para a asneira que não se compadece com qualquer tipo de voo alternativo.

Em meia dúzia de meses, o dr. Passos Coelho, essa promessa do liberalismo indígena, conseguiu a extraordinária proeza de içar o engº Sócrates do fundo das sondagens para os primeiros lugares das mesmas, exactamente na altura em que os erros do Governo são cada vez mais perceptíveis.

A receita para este fulminante sucesso não desperdiçou os mais elementares ingredientes.
Antes de mais, arrancou com um projecto de revisão constitucional (que rapidamente se transformou num anteprojecto) recheado de propostas inconsequentes e de contradições insanáveis.
Entre a justa causa e a razão atendível, o arranque teve, como é óbvio, o condão de transformar o engº Sócrates numa espécie de garante do Estado Social, disfarçando naturalmente o óbvio.

Ou seja, que o principal responsável pela destruição do dito Estado Social é a política económica seguida por este Governo – à qual, diga--se de passagem, o PSD deu seu aval quando negociou as medidas incluídas no PEC II.

O folhetim prolongou-se pelas férias e marcou presença nas chamadas rentrées do PS e do PSD ao mesmo tempo que se avançava, em força, para uma nova polémica em torno do Orçamento.
No Pontal, o dr. Passos Coelho anunciou as suas "condições mínimas", anunciando simultaneamente que tinha acordado para os cortes das deduções fiscais – que, na sua opinião, eram inegociáveis.
Entretanto, o dr. Relvas decidiu negociar o que era inegociável, avançando com uma proposta que foi devidamente desautorizada pela direcção do partido – direcção esta que foi ontem surpreendida pelas declarações do dr. Passos Coelho, em Bruxelas, nas quais admitia que podia haver aumento de impostos desde que houvesse cortes na despesa.

Não sei que novidades nos reservará o PSD para amanhã:
mas pior do que tem feito é quase impossível.
E digo quase porque no PSD não há impossíveis.


De PS+PSD=Bloco Central de Jotas e ... a 24 de Setembro de 2010 às 09:47
Incongruências

O dr. Passos Coelho exige, com alguma razoabilidade, que o Governo apresente uma espécie de inventário sobre os cortes que fez na despesa, na sequência do PEC II, negociado com o PSD.

24.9.2010, CM, :Constança Cunha e Sá, jornalista

A crer nos números da execução orçamental, divulgados esta semana, o inventário – a haver – deve reduzir-se a meia dúzia de alíneas inconsequentes, rabiscados numa pequena folha de papel.

Custa compreender como é que, meses depois de termos sido obrigados por Bruxelas a negociar um pacote adicional de medidas, o país continua placidamente a discutir
quantos institutos, fundações, empresas municipais e outras tantas agremiações agraciadas pelo Estado (num total absurdo de 13 740) têm de ser eliminados a bem da sanidade orçamental de um país que, para além de outros louváveis recordes, consegue ainda anichar nas suas empresas públicas uma quantidade inexcedível de chefes por número de funcionários.

Num país onde o posto não se mede pelo mérito, o chefe, nas suas múltiplas variantes, é uma instituição nacional que o poder acarinha e a oposição favorece. O chefe é um favor ambulante que circula pelas empresas a bem de uma clientela que não cessa de aumentar, a bem de uma alternância democrática que tem, na sua nomeação, um dos seus expoentes máximos.

Mas as incompreensões, para dizer o mínimo, não ficam por aqui. Na véspera de os juros da dívida pública atingirem um novo patamar, o ministro da Obras Públicas, num estertor final de bom senso, decide anunciar a suspensão do TGV (Lisboa-Caia) para logo a seguir anunciar um novo contrato para Novembro, altura em que o ministro, supõe--se, considera que alguns dos principais problemas do país (endividamento e controlo do défice) estarão definitivamente resolvidos.
Elucidativo, para continuar a dizer o mínimo.

Convinha, no entanto, e para voltar ao dr. Passos Coelho, que o líder do PSD, antes de pedir desculpa aos portugueses, tivesse não só avalizado o aumento dos impostos mas também acautelado a redução da despesa.
Algo que não aconteceu: ao contrário do aumento da receita, devidamente escalpelizado, a redução da despesa ficou entregue a uma série de itens suficientemente vagos para poderem ser agora analisados com rigor.

Para o pior e para o melhor (e dá ideia que é para o pior), os resultados das medidas incluídas no PEC II são da responsabilidade desta espécie de Bloco Central.
É por isso que não se compreende que o PSD invoque, agora, o inventário da despesa (acordada por si) para negociar com o Governo o Orçamento de 2011.


De De A sem-vergonhice e o abuso... a 23 de Setembro de 2010 às 14:50
Por cá o ministro do sector, que não transfere para os respectivos agricultores, a ajudas prometidas, passeia-se na feira das cebolas do Ribatejo num Mercedes ultimo modelo cento e muitos milhares de €uros . Critérios ...

DD faz bons, ainda que, frequentemente, tendenciosos, pelo que lhe sugiro que faça alguns posts que visem incutir alguma responsabilidade aos boys " seus camaradas (ou não) com responsabilidades governamentais, nas autarquias e respectivas empreses. se não esbanjarem tanto dinheiro, grande parte em proveito próprio , a situação não seria tão, confrangedoramente, insustentável .


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 23 de Setembro de 2010 às 15:12
Á uns tempos um comentário meu como agora este seu, o DD indignou-se que os carros eram para os bombeiros, polícia, e 112 e por aí fora...
Penso que ele não o faz por mal, é mesmo cego.
Cego de amor pelo seu PS que o impede de ver com clareza os defeitos.
É como o pai que ao ver a sua cria só tem olhos de enlevo, mesmo que a criancinha seja feia p'ra burro...
Quando não se tem a capacidade de distanciamento as análises estão sempre feridas de alguma coisa, por muito bem que se escreva e que se aborde os assuntos.


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 23 de Setembro de 2010 às 13:43
Como diriam em Moçambique nos anos 70:
«Catroga, falou só...»
Não disse é nada!


De Ladrões e nepotistas a 23 de Setembro de 2010 às 12:45
Gastos
Empresa do Estado paga 400 carros de luxo
Económico
23/09/10 07:45

Custos com o carro do presidente da Adp foram de 12.734 euros, mais 2.805 euros em combustível.

.As empresas do grupo Águas de Portugal (AdP) têm 400 carros de luxo para uso de dirigentes e outros altos cargos.

Uma fonte da AdP explicou ao Correio da Manhã que a frota de luxo, em regime de aluguer operacional de veículo (AOV), é para "uso profissional e pessoal", justificando que os funcionários da empresa têm de viajar por todo o país.

Segundo apurou o CM, o grupo liderado por Pedro Serra (na foto) alterou as regras de uso de viaturas, impondo agora (?!!?!) uma tributação quando o carro for utilizado para fins pessoais. (!?!!)

O jornal revela ainda que este ano a AdP já substituiu 34 viaturas, a maioria de alta cilindrada das marcas BMW, Renault e Citroën.

Isto apesar de a AdP, que controla a Epal, ter uma situação financeira "débil", tendo usado, em 2009, 955 mil euros das garantias estatais de 1,47 milhões, sublinha o CM.


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 23 de Setembro de 2010 às 13:05
Não bastava ter um «laguna»... têm que ser topos de marca.
E têm de se deslocar sempre de carro. O cidadão comum que vá de transporte público.
Ontem, dia europeu sem carros, era 'vê-los' no Metro armados em pessoas comuns, no faz de conta, a política no seu pior. Arrastando com um ar enjoado os seus séquitos, por se misturarem com os Zé Povinhos.
Para estes 'doutores' basta-lhes uma viagem, um dia por ano, para lavarem a consciência e considerarem-se bons cidadãos e fazerem crer aos outros que somos todos iguais e estamos todos preocupados com o meio ambiente e poluição ,,,. Ecologistas da treta, poluidores de ideais e destruidores da esperança em melhores cidadanias e sociedades.
Hipócritas! Somos governados por seres ^de menoridade intelectual. Medíocres !


De . a 23 de Setembro de 2010 às 12:02
PREPARAM NOVO PACOTE (de Austeridade) ?

Já temos fortes indícios de que nos preparam um novo pacote de austeridade (com o eufemismo de 'programa de estabilidade e crescimento').

A Comissão Europeia e agências financeiras falam novamente na nossa dívida, nos gastos do Estado ....enfim que os juros do dinheiro que nos emprestam vão subir e muito mais nos irão dizer!

Curioso que no mesmo telejornal aparece uma analista a dizer que o nosso Estado Social está com graves problemas e que o Estado não tem dinheiro para o sistema de saúde público e logo a seguir uma notícia a salientar que dois terços das empresas portuguesas não pagam impostos sobre os seus lucros !
Empresas e não só!
Quando alguém pede a um canalizador ou electricista para lhe reparar o quarto de banho ou a máquina de lavar roupa vê esses senhores meterem umas boas dezenas de euros ao bolso e não vê qualquer desconto para o Estado.
Se coloco esse problema ao visado já sei que tenho que ser eu consumidor a pagar e não ele!

Podemos concluir então que assim não será possível ter um sistema de saúde gratuito !
Quem o tem que pagar serão os que já pagam imensos impostos, ou seja os trabalhadores por conta de outrem (do Estado, autarquias e privados).

Assim considero o discurso sobre o déficit e sobre a sustentabilidade do Estado Social um discurso hipócrita, ou não?

- por A.Brandão Guedes, em 16.9.2010, BemEstarNoTrabalho


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 23 de Setembro de 2010 às 12:25
Como exemplo:
Fala-se de um serviço nacional de saúde tendencialmente gratuito, o dos hospitais públicos, dos centros de saúde, etc. , que é direccionado para todos e qualquer o cidadão.
E temos a saúde paga, que é para os que subscrevem seguros de saúde ou similares e que tem hospitais próprios e centros médicos particulares e ou então recorrem à medicina privada pagando do seu bolso.
Só que também temos uma situação muito usual de prática corrente que é a seguinte:
Existe muita gente que tem acesso (pagando) aos tais serviços de saúde particulares e que usa evidentemente no dia a dia, mas que, é isto que eu quero evidenciar, quando os problemas de saúde são graves ou até apenas por precisarem de equipamentos específicos que obrigariam os centros e hospitais de gestão privada a grandes investimentos financeiros para os adquirirem, vão muitas vezes até acompanhados dos seus médicos particulares, para os hospitais públicos, usar as salas, o equipamento e todos os recursos humanos que envolvem muitas operações e actos médicos, usando o tal sistema gratuito a que eles com todos os cidadãos têm direito.
Ou seja no dia a dia para o acto médico de pouco investimento mas de quantificação e massificação , têm o privado.
Para o acto médico de exigência e de equipamento sofisticado (caro) vão ao público.
Isto é normal acontecer. Pode ser legal, mas não deixa de ser, a meu ver, imoral ou pelos menos com falta de ética social.


De . a 23 de Setembro de 2010 às 11:54
as observações de DD são pertinentes;
do seu optimismo é que não partilho...


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